Sunday, March 12, 2006

nenhum homem é uma ilha

leva-se algum tempo para localizar-se espacialmente.
ao longe vê-se o todo, curvas, montes, igrejas, parapentes.
nem toda casa no morro é favela, aprende-se. aprende-se também que favela não tem que ser a imagem que temos. das cariocas as palafitas. as das calçadas do recife.
favelas podem ter dignidade. as do rio já tiveram. tanta que carlos lacerda mandou atear fogo as mesmas. favelas do tempo que eram cantadas por sambas que enalteciam estarem elas mais perto do céu. hoje, do inferno. estigma. de onde desce o inferno que assombra a cidade. guerra de guerrilha exército x tráfego.
na ilha, a favela mais perigosa, é lado de uma das encostas de onde no alto tem rede teve. outro lado não é perigoso não. lado de cá tem célula do comando vermelho. lado de lá, mesma escrita, casas caríssimas dos caríssimos.
mas a ilha é tranquila. varais ainda podem ser estendidos sem medo de furtos, pelo menos dentro do muro de alguns condomínios da lagoa. no campeche, em casa sem ninguém, aí já não pode.
voltando a paisagem, leva tempo para localizar-se. lado norte, lado sul. sabe-se quando se está lá e se aponta para o contrário. quando fazemos a volta e circundamos confundimos tudo. o que é sul, o que é norte. claro que tem oeste, leste, mas fica radial a maior parte do tempo. a confusão é tanta, entre voltas e olhares para o cenário de morros circundantes que chegamos a confundir o continente com a ilha. e a lagoa com o litoral que chega ao centro.
sim a ilha de florianópolis fica em florianópolis. causa certa confusão. é como se florianópolis fosse só a ilha para os de cá. mas não para os de lá. divisão de bens fica parecendo. é mais chic estar dentro da ilha. tem joaquina, jurere, jurere internacional, praia mole, o próprio campeche e a lagoa da conceição. tranquilidade de aparência européia, na limpeza, em alguns costumes e na cor da pele, olhos e cabelos. mas sem exageros. a ilha tem 350 mil habitantes, dizem. toda montada para receber mais que o dobro de turistas na alta estação. os nativos, chamados manezinhos, detestam, muito embora ganhem muito dinheiro com isso que de manés não tem nada(diz-se bocó, por aqui). e os preços, hum! manés mesmo são os turistas que pagam um baba por tudo. mas peraí, se eles pagam e não chiam, será que são mesmo manés ?
o continente também é muito bonito. mas como o centro é o centro da ilha que está na ilha não fica a querer o continente mais do que contraponto de vista. falar em vista, ia esquecendo de sambaqui e santo antônio de lisboa, ilhas dentro da ilha, ou para ser mais exato, recantos nos cantos da ilha.
na alta sobe a temperatura. tudo esquenta. o calor chega as raias do insuportável. mas a água continua fria, até para quem toma banho na lagoa, ato de coragem para alguns - já se vê esgotos escorrendo para dentro - ato de inteligência para outros que gozam de praia lacustre economizando gasolina. afinal, fora os surfistas é um mergulho e pronto.
vem o inverno e tem-se o frio que se não te pôe a prova, te pôe a moda. moda de inverno é mais chic. gastronomia também.
há que se abastecer de vinho com antecedência e preparar-se para os fondues, as sopas e chocolates quentes, os cafés agora já não mais tomados nas calçadas, diriamos esplanadas em portugal.
mesmo dentro da ilha há tanto por conhecer e olhar. não hei de me aprisionar nela. santa catarina é um estado de interiores tão voluptuosos como a ilha de florianópolis e o jeg há de querer conhecer outros terrenos e elevações.
agora esta é minha praia. e pra começar quero dentro dela? não sei ainda, ir aos açores, o que é possível visitando-se a comunidade açoriana que aqui vive deste leva primeva de imigrantes.
o resto das viagens começam por morar numa casa de madeira com aquele ar mais ao sul onde hão de esbaldar-se os 14 caninos do norte. sem esquecer os felinos. para quem o que interessa é estar junto de quem a gente gosta.
ai pode ser onde for. mas numa ilha mais do que perfeito. porque nenhuma ilha é um homem mesmo para quem gosta de estar só.

3 comments:

Anonymous said...

Finalmente a bandonou recife?
me conta... está feliz?
Apareça em sp...
bjs e saudades Renata

li said...

fico feliz. mudar é bom, a escolha é boa. mas pense numa coisa curiosa.. às vezes ainda me sinto uma mosca aqui em jampa. mas o meu peito já percebeu que o mar é uma gota, visse?

nada como a terrinha da gente.

Anonymous said...

Concordo com vc Li, me sentia assim em Recife, desde que voltei pra São Paulo me sinto em casa... bjs Re