Saturday, October 21, 2017

nem sempre questão de tato



diante
da porta do amor
homens e mulheres
em dúvida
de qual
campainha tocar
entreolham-se
ante
as instalações trocadas.
presenciando 
o impasse
o amor 
lá de dentro
desiderou:
entre sem tocar
é menos
complicado.
                                                   

Friday, October 13, 2017

desculpas pra que te quero


sempre digo a mim 
e se digo a mim, 
digo a mim mesmo 
- ora ora
pra que o pleonasmo vicioso
se já basta o vicio de mal escrever ? -

que não escrevo livro ou romance
porque me falta paciência
já que o talento
hoje em dia
é frase que não conta

conto eu então 
outra lorota
forma de falsa
autocrítica
que não cola

assim como o livro que não rola
por impura falta de talento
mesmo que de dentro pra fora
ou dos fora pra dentro
seja o autor
ainda que em pseudônimo
a verdadeira
e destemida
obra
não entra de sola
o até possível escritor
desta provável novela
 furada
que só lhe renderia chacota
e aborrecimentos
portanto muito provável
perda de tempo

como disse
não tenho a menor paciência
-e poupem-me da insistência -
que nestas horas o talento sobressai-me
ao menos para a recusa

já me basto
a lamber-me as botas
como todo escritor metido
diz que não, mais gosta

fim de papo.

(entro
e fecho a porta)
agora vamos lá 
à serio
escrever sem sermos 
molestados
por quem quer
e o que quer que seja
que quer que eu seja escritor
porque foda-se! 
não tenho a menor paciência

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Saturday, October 07, 2017

pega-pega


a morte moço ? ah! não se engane. a morte, ela te pega pelo pescoço. ferrenha, sanguinária, impiedosa, sufocante e carrancuda.

mas a vida, ah! a vida moço, esta te pega por onde puder, pudor ou pudera. 

* quem foi criança, grande ou pequena, no recife dos anos 60, aprendeu também que a vida também pegava pela garganta. em goles de sete vidas, contidos e explodidos nas pequenas garrafas do guaraná fratelli vita. em suas dependências arrasadas, pelo bombardeiro imobiliário de agora, vida ainda há. um pega-pega de arbustos com vitrais,  ton sur ton de melancolia e memória que resplandece sabores do outrora. sabor que ainda guardo nos lábios. por ele, lhe digo moço, que a vida é um refrigerante, um gasosa de sabor único, seja à talagadas ou aos goles delicados, desfrutada ainda melhor se não nos importamos com formato ou tamanho da garrafa. aliás, fato é, que a vida nunca se importou muito com isso. mas, tristemente, muitos de nós, sim. e assim sendo, não aproveitaram o tal sabor, até sentir na garganta, o tal aperto da morte, à seco


foto-montagem de gustavo arruda, autor de
a história da fratelli vita no recife.

Tuesday, October 03, 2017

fruto de nosso dente, além


entre os verdes que não vingam
semente da vingança 
podres rogados aos maduros: 
não se quedarão em carnosidades ávidas 
bocas não lho morderão 
há de ser caroço 
condenso de tudo aquilo 
que somos mas não pudemos ser 

(frutificar, olinda, 220817)