Wednesday, January 17, 2007

saudades do futuro

a esta altura do campeonato, onde tudo configura-se contra, decido refazer um projeto que foi quebrado há quase cinco anos pelo mesmo mal , hoje piorado, que ataca os publicitários com e sem talento. estes últimos muito mais suscetíveis, evidentemente.

ainda não é o projeto que tenha a minha cara. mas decerto, tem a minha sombra. e assim sendo, cria-se a oportunidade para voyeur de mim mesmo, enxergar de ver se resta alguma luminosidade no meu corpo e nas minhas idéias.

não devo estar padecendo do juízo, já que consigo expressar-me razoavelmente coordenado. mas há de se convir que montar uma empresa dedicada a comunicação persuasiva, num momento em que tudo conspira contra, principalmente a conspiração dos medíocres, não é algo que suscite volupias, de carteira principalmente.

a remuneração está achatada, os critérios éticos, profissionais, de caráter, sem esquecer os estéticos, idem. mas, apesar de tudo, e do contra da idade - sim eu já passei dos cincoenta, quando se passa dos cincoenta nesta atividade convém estar rico e bem resolvido seja em qual for a via - eu continuo de pau duro quando se fala em propaganda(leia-se comunicação de marketing de marcas, nunca é demais responder) ainda que a ferramenta(a da propaganda) esteja murcha no rol do grande museu de novidades que se afiguram neste momento em que dizem o consumidor, o tele-web-espectador, constrói o conteúdo.

mas é justamente conteúdo o que falta por todos os lados. e este é o grande desafio. ocupar os imensos espaços vazios engarrafados de nada dentro com tudo em riba.

ribanceira a cima, ou seria abaixo, lá vou eu, como se estivesse num caminho de rolimã, cheio de saudades. saudades sim, mas do futuro.

para alguma coisa estes sobes e desces, estas curvas, estes horizontes intermináveis de coisas nenhumas que desandam a paisagem das retas, devem ter me servido para estar onde estou, movendo-me a velocidade da luz que tantas vezes me fez parecer que estava parado.

se por acaso você aparecer por aqui e não me encontrar, já sabe: estamos em obras. mas eu volto.

pois quem carrega tijolos, acredite, esta escrevendo algo mais do que aquilo que assenta.

1 comment:

Calazans said...

Teus textos, é a impressão que tenho, andam mais fáceis de ler. Antes, apesar de bons, me causavam certa falta de folego, muitas palavras quase se atropelando, e idéias também, além de uma pontuação meio esquizofrenica :))). Agora ele respira melhor, mais simples.

Sempre é tempo de melhorar. :)

Como anda a agencia?

Abraço.