viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Tuesday, January 31, 2006
sexo oral
o pior da chupada não é o pentelho na garganta. é aquele pedacinho de papel higiênico com gosto de outros lábios.
bidê
sempre pensei, quando ouvia dizer que as francesas não tomavam banho, que elas não lavavam o que era mais importante. como essa gente mente. baguette sempre comi fresquinha, nenhum outro odor que não fosse cheiro de pão-pão, queijo-queijo roquefort.
o céu é um inferno
se anjos não tem sexo, porque é mesmo que todo mundo quer ir pro céu? (em suaves prestações a perder de vista ).
que coisa mais sem graça. ficar roçando, roçando, complexo de querubim, com pinta de manequim ?
que coisa mais sem graça. ficar roçando, roçando, complexo de querubim, com pinta de manequim ?
o inferno é um céu ou baile do vermelho e preto
todas de lingeries pretas e vermelhas, belíssimas e nenhuma ala com celulites, estrias, olheiras e papadas. os peitos são peitos de verdade e as bundas não tem silicone. nada, mais nada mesmo de corrimentos, nem de mestruação. clamídias então, nem pensar.
e quanto a um certo hálíto de enxofre, sorria, já providenciaram um novo fornecedor de creme dental.
o diabo é quem é travesti.
e quanto a um certo hálíto de enxofre, sorria, já providenciaram um novo fornecedor de creme dental.
o diabo é quem é travesti.
Monday, January 30, 2006
parentesco
respeite as putas. por mais que não lhe pareça, elas sempre tem muito a ver com o passado, da sua mãe ou do seu pai.
mudança de endereço
se mulher boa é a do vizinho, devo lhes dizer que a minha vizinhança é imprestável.
programa de incentivo
todos na família acham que eu levo muito jeito para nada. estou tentando, sinceramente, não decepcioná-los
sedex
um sentido de orientação inconfundível
como serão os pombos correio no amor ?
perdidos
tal qual nós?
num mato sem pombas?
como serão os pombos correio no amor ?
perdidos
tal qual nós?
num mato sem pombas?
Sunday, January 29, 2006
farofada
galinha assada, farofa, arroz e batata frita, e aquele marzão de asfalto nos botes de ônibus. até chegar a praia, metade do almoço e domingo já foi pra pança.
mal chegados lá e já tem genro querendo aproveitar o óleo da galinha para assar a sogra. como se o óleo de bronzear vagabundo já não tivesse cuidando do caso.
de cunhado pra cunhado, vendo a galinha naquela posição de frango assado e já há disputa na porrinha de quem vai comer o sobre-cú da galinha da tua prima.
as mulheres sonham com métodos de emagrecimento salva-vidas e homens sem barriga de arrotos. mancebos que lhes pinçem as varizes do desejo. fazendo-as, ao menos uma vez na vida, gozar como se goza hoje até nas novelas das seis. concordam com tipos e manequins. divergem se é melhor gozar com ou sem porrada. mas concordam por unanimadade que porrada sem gozar aí não dá. baixa o pau.
as mais velhas, depois de meia dúzia de filhos, já aconselham as irmãs mais novas a deixarem-se ir ao cú sem maiores arrodeios, que embora não dilate tanto assim — elas ainda não viram certas fita pornô- dói menos que parto anestesiado por rezas de parteira. ninguém é tão ou mais ingênuo assim de achar que posto médico ou maternidade de periferia tem algum tipo de remédio. quanto mais de anestésico. e médico? nem de cuspe.
enquanto isso a filharada pátria, consegue misturar naquelas barriguinhas de umbigo mal cortado, farinha, areia, sorvete, goiabada, catarro, cream-cracker, dindim, produzindo um patchouli que é o orgulho da família e garante a defesa do território ganhando mais alguns metros na areia. mais um pouco e já virava quadra de pagode repleta de funkeiros com direito a tráfico e seguranças.
pelada alí, mergulho aqui, branquinha cá, e apesar de tudo e de todos, e da vida que não anda fácil, todos se divertem. e se esbaldam como só pobres sabem fazer. grau de felicidade rigorosamente mensurável pela quantidade de areia que retém em suas roupas de banho e nas dobras a mais que todos carregam já sem-vergonha do ridículo. praia frequentada por pobre é uma zona. onde a alegria perde os bons modos e a vida respira muitas vezes aliviada. já, há que se fazer o registro, praia de rico, é um nojo. uma coisa muito organizada, mas tão organizada, que a praia vira cartão postal. aliás, você já viu cofrinho de rico cheio de areia ?
ninguém afogado hoje, braços e pernas intactos, apenas queimaduras de primeiro e segundo grau e uma rusga só de arranca rabo, coisas de uma pelada que acabou antes de começar sem ninguém ir as vias de fato. a lamentação geral é de que galinha é um bicho que devia crescer tanto quanto perú, principalmente o cú, piada de fim de festa de cunhadinho insôsso e metido a engraçado como só êle acha. e já temos a aquarela do bucólico da família da periférica? brasileira contemplando, pra lá de embriagada de tanta beleza, o sol descendo no poente naquela praia de terminal dos circulares, agora ainda mais enriquecida de coliformes, que receberão reforço quando as comportas das bocas, pensadas para fluir tão-somente águas fluviais, abrirem-se na escuridão da noite como travestis de cloacas dos bem de vida. enquanto a noite não vem, o cair da tarde encaixa-se como uma pluma no lábaro que ostentas estrelado.e para completar o verde pendão, ao longe, como toque de recolher, uma cuíca não sabe se rí ou chora.
fecha-se o isopor da cena e estampa-se a logomarca de camiseta de político demagogo sob a correia do vazio de conteúdo.
mal chegados lá e já tem genro querendo aproveitar o óleo da galinha para assar a sogra. como se o óleo de bronzear vagabundo já não tivesse cuidando do caso.
de cunhado pra cunhado, vendo a galinha naquela posição de frango assado e já há disputa na porrinha de quem vai comer o sobre-cú da galinha da tua prima.
as mulheres sonham com métodos de emagrecimento salva-vidas e homens sem barriga de arrotos. mancebos que lhes pinçem as varizes do desejo. fazendo-as, ao menos uma vez na vida, gozar como se goza hoje até nas novelas das seis. concordam com tipos e manequins. divergem se é melhor gozar com ou sem porrada. mas concordam por unanimadade que porrada sem gozar aí não dá. baixa o pau.
as mais velhas, depois de meia dúzia de filhos, já aconselham as irmãs mais novas a deixarem-se ir ao cú sem maiores arrodeios, que embora não dilate tanto assim — elas ainda não viram certas fita pornô- dói menos que parto anestesiado por rezas de parteira. ninguém é tão ou mais ingênuo assim de achar que posto médico ou maternidade de periferia tem algum tipo de remédio. quanto mais de anestésico. e médico? nem de cuspe.
enquanto isso a filharada pátria, consegue misturar naquelas barriguinhas de umbigo mal cortado, farinha, areia, sorvete, goiabada, catarro, cream-cracker, dindim, produzindo um patchouli que é o orgulho da família e garante a defesa do território ganhando mais alguns metros na areia. mais um pouco e já virava quadra de pagode repleta de funkeiros com direito a tráfico e seguranças.
pelada alí, mergulho aqui, branquinha cá, e apesar de tudo e de todos, e da vida que não anda fácil, todos se divertem. e se esbaldam como só pobres sabem fazer. grau de felicidade rigorosamente mensurável pela quantidade de areia que retém em suas roupas de banho e nas dobras a mais que todos carregam já sem-vergonha do ridículo. praia frequentada por pobre é uma zona. onde a alegria perde os bons modos e a vida respira muitas vezes aliviada. já, há que se fazer o registro, praia de rico, é um nojo. uma coisa muito organizada, mas tão organizada, que a praia vira cartão postal. aliás, você já viu cofrinho de rico cheio de areia ?
ninguém afogado hoje, braços e pernas intactos, apenas queimaduras de primeiro e segundo grau e uma rusga só de arranca rabo, coisas de uma pelada que acabou antes de começar sem ninguém ir as vias de fato. a lamentação geral é de que galinha é um bicho que devia crescer tanto quanto perú, principalmente o cú, piada de fim de festa de cunhadinho insôsso e metido a engraçado como só êle acha. e já temos a aquarela do bucólico da família da periférica? brasileira contemplando, pra lá de embriagada de tanta beleza, o sol descendo no poente naquela praia de terminal dos circulares, agora ainda mais enriquecida de coliformes, que receberão reforço quando as comportas das bocas, pensadas para fluir tão-somente águas fluviais, abrirem-se na escuridão da noite como travestis de cloacas dos bem de vida. enquanto a noite não vem, o cair da tarde encaixa-se como uma pluma no lábaro que ostentas estrelado.e para completar o verde pendão, ao longe, como toque de recolher, uma cuíca não sabe se rí ou chora.
fecha-se o isopor da cena e estampa-se a logomarca de camiseta de político demagogo sob a correia do vazio de conteúdo.
Saturday, January 28, 2006
rio
de janeiro
pororoca
no carnaval
águas de março
resto do ano
inteiro
rio cada vez mais
meu rio de janeiro
pororoca
no carnaval
águas de março
resto do ano
inteiro
rio cada vez mais
meu rio de janeiro
adolescência
aquele jorro platinado
na ânsia de rimar magma com esmegma
pra acabar murcho
e com nós no peito
como uma ejaculação precoce
na ânsia de rimar magma com esmegma
pra acabar murcho
e com nós no peito
como uma ejaculação precoce
morte em veneza
última vez que olhei para uma menina de quinze anos
tinha eu noventa
juro que ela disse sim
com um inesquecível sorriso de até nunca mais
que me lambe as coxas até agora
tinha eu noventa
juro que ela disse sim
com um inesquecível sorriso de até nunca mais
que me lambe as coxas até agora
via láctea
os caudas dos meus cachorros ao me verem abanando
são também girassóis ao vento
em campos cobertos dos ossos
de novas galáxias
são também girassóis ao vento
em campos cobertos dos ossos
de novas galáxias
moisés
vou a praia esperando sempre que o mar se abra e mostre-me o caminho
mas a única coisa que vejo são coxas abertas
caminho que já cansei de fazer de volta
de lugar nenhum
mas a única coisa que vejo são coxas abertas
caminho que já cansei de fazer de volta
de lugar nenhum
Friday, January 27, 2006
saúde pública
enquanto fazia troça de que o que transmitia a aids era o pênis longo, gargalhava aos zumbidos e tomava o mata-mosquito de um só gole.
triângulo
de bermudas perco sempre as palavras como se fossem bolas de gude no bolso furado da memória
o poeta é um fingidor
que poesia que nada meu rapaz
isso aqui não passa de um relés exercício de copy do desejo frustado
pior
um total shape das palavras
repleto das caretas de pau do oscar e giovanne
cujo resultado
você sabe de antemão que é totalmente enganoso.
mas compra
isso aqui não passa de um relés exercício de copy do desejo frustado
pior
um total shape das palavras
repleto das caretas de pau do oscar e giovanne
cujo resultado
você sabe de antemão que é totalmente enganoso.
mas compra
bota gosto
cerveja aos pintos e amendoim cozido e torrado á vontade que a vida hoje está muito crua.
Thursday, January 26, 2006
flor de lótus
o amor desabrochando em espinhas
e ela dizendo que era pus
em mim a tal adolescência foi espremida assim
e ela dizendo que era pus
em mim a tal adolescência foi espremida assim
laboratorial
exames de rotina
o laudo acusou:
tem problemas
palavras com colesterol demais
rimas perplexas com os triglicerídios
e frases inteiras com glicemia
se lhe consola
não é assim exatamente culpa sua
é tendência genetica
pouco talento
daí a palavras exageradas no sal
e açucar em excesso,
como se não bastasse o ácido úrico
é índice de poema nada saudável
de sentimentos o senhor até que está bem
levando-se em consideração a vida que leva
seu problema mesmo é o talento
sinceramente ?
não sei se o exercício e dieta vão adiantar
mas veja o lado bom da história
nada lhe impede de ter uma vida normal
é só controlar seu histórico de hiperpretensão
caso contrário seu coração não aguenta
e o senhor ainda se acaba
na tentativa de fazer de um AVC
seu último hai-kai
o laudo acusou:
tem problemas
palavras com colesterol demais
rimas perplexas com os triglicerídios
e frases inteiras com glicemia
se lhe consola
não é assim exatamente culpa sua
é tendência genetica
pouco talento
daí a palavras exageradas no sal
e açucar em excesso,
como se não bastasse o ácido úrico
é índice de poema nada saudável
de sentimentos o senhor até que está bem
levando-se em consideração a vida que leva
seu problema mesmo é o talento
sinceramente ?
não sei se o exercício e dieta vão adiantar
mas veja o lado bom da história
nada lhe impede de ter uma vida normal
é só controlar seu histórico de hiperpretensão
caso contrário seu coração não aguenta
e o senhor ainda se acaba
na tentativa de fazer de um AVC
seu último hai-kai
Wednesday, January 25, 2006
remela
bateu-me hoje uma saudade
daquelas em que todos os sabores vem à língua
com sede
de mãos molhadas
lágrimas que os olhos fingiram escorrer
daquelas em que todos os sabores vem à língua
com sede
de mãos molhadas
lágrimas que os olhos fingiram escorrer
encore
no porto
dois graus abaixo de zero
até na temperatura
o clima conspira
contra os solitários
que abandonam o espetáculo
do coliseu
dois graus abaixo de zero
até na temperatura
o clima conspira
contra os solitários
que abandonam o espetáculo
do coliseu
vasodilatador
passo a passo
o pulso
anuncia
como denúncia
que aquele coração
não era de aço
como se
sul portava
o pulso
anuncia
como denúncia
que aquele coração
não era de aço
como se
sul portava
Tuesday, January 24, 2006
notório saber
não tive infância.
fui pego de calças curtas
quando mal me preparavam para crescer
e pumba! expulso do édem do jardim de infância
aí saí do maternal direto para o vestibular
sem fazer as provas da adolescência
quanto nem na teoria tive notas boas
é o classico, é o científico, é o lado prático da vida
que aprova por múltipla escolha
até os que não fizeram das suas
por falta de opção ou por falta da mesma
hoje, notório saber
eis-me aqui de formando
registro e diploma de suficiência existencial
cujo prego estilhaçou a parede do tempo que nunca pude ter
fui pego de calças curtas
quando mal me preparavam para crescer
e pumba! expulso do édem do jardim de infância
aí saí do maternal direto para o vestibular
sem fazer as provas da adolescência
quanto nem na teoria tive notas boas
é o classico, é o científico, é o lado prático da vida
que aprova por múltipla escolha
até os que não fizeram das suas
por falta de opção ou por falta da mesma
hoje, notório saber
eis-me aqui de formando
registro e diploma de suficiência existencial
cujo prego estilhaçou a parede do tempo que nunca pude ter
sentido público
oncinha, cadela viralata, que além do primor pela limpeza, destaca-se por habilidades natas para conseguir o quer, não só enterra suas fezes, como muitas vezes faz o mesmo com a cagada dos demais cachorros.
oncinha não teria vida limpa em brasília, cidade de “cachorradas” políticas.
cagadas demais. até mesmo para uma cadela com sua mania de limpeza e com a melhor boa vontade para manter a limpeza pública.
oncinha não teria vida limpa em brasília, cidade de “cachorradas” políticas.
cagadas demais. até mesmo para uma cadela com sua mania de limpeza e com a melhor boa vontade para manter a limpeza pública.
conselheiros conjugais
bem-te-vis, um casal. todos os dias vem dar-me lições de harmonia e fidelidade, enquanto fazem compras no supermercado do meu jardim.
Monday, January 23, 2006
burocracia alfandegária
nascido em recife
criado no rio
embalado em joão pessoa
e exportado para portugal
a devolução deu-se pela inspeção sanitária ou pela imprecisão da nota fiscal?
criado no rio
embalado em joão pessoa
e exportado para portugal
a devolução deu-se pela inspeção sanitária ou pela imprecisão da nota fiscal?
Sunday, January 22, 2006
recife faz água
sob todas as pontes de vista
a miséria encalhada nas marés secas
e afogada nas marés cheias
espuma como as entranhas de caranguejo morto
nem move nem comove
urbe que nem queixa-se mais
de tanta feiura no ferver
de um desaguar entupido
dos rios de outrora púrpuras e piabiçus,agora pus
onde antes dos peixes
os meninos morreram por falta de oxigênio
cidade de ilusórias vistas aéreas
postcard amarelada de sí mesmo
hoje apenas afunda,
deita-se e borbulha
totalmente crustácea
de pernas pro ar
a miséria encalhada nas marés secas
e afogada nas marés cheias
espuma como as entranhas de caranguejo morto
nem move nem comove
urbe que nem queixa-se mais
de tanta feiura no ferver
de um desaguar entupido
dos rios de outrora púrpuras e piabiçus,agora pus
onde antes dos peixes
os meninos morreram por falta de oxigênio
cidade de ilusórias vistas aéreas
postcard amarelada de sí mesmo
hoje apenas afunda,
deita-se e borbulha
totalmente crustácea
de pernas pro ar
Saturday, January 21, 2006
amores impossíveis
entre a menina do flautim e o menino da trompa algo que nunca poderá fugir da partitura.
cliper
as laranjadas de hoje,
tão preocupadas com diet-light das embalagens
até suco de laranja tem dentro
não tem química com as crianças
aquela que nos fazia comparsas e detratores
dos sucos e refrescos caseiros
viciados já na falta de uma pitadinha de ferrugem ao gosto
sim as tampinhas enferrujavam
num tempo em que os tampinhas também tomavam cacete recreio afora
até mesmo pra desenferrujar
enquanto lambíamos a garrafa como imãs
colados no último gole da ferruginosa marca
tão preocupadas com diet-light das embalagens
até suco de laranja tem dentro
não tem química com as crianças
aquela que nos fazia comparsas e detratores
dos sucos e refrescos caseiros
viciados já na falta de uma pitadinha de ferrugem ao gosto
sim as tampinhas enferrujavam
num tempo em que os tampinhas também tomavam cacete recreio afora
até mesmo pra desenferrujar
enquanto lambíamos a garrafa como imãs
colados no último gole da ferruginosa marca
sensação térmica
por instantes livre da carroça -e da peia
cata de alumínio, pets e de um tudo quase tonelada
burrinho refresca a nuca
enquanto pasta na orla quase último tufo de capim
ruminando, olha a cidade petrificar-se sobre o mar
e conclui que ele tornou-se peixe fora d´água
e zurra como esguinchos
chorando escamas
cata de alumínio, pets e de um tudo quase tonelada
burrinho refresca a nuca
enquanto pasta na orla quase último tufo de capim
ruminando, olha a cidade petrificar-se sobre o mar
e conclui que ele tornou-se peixe fora d´água
e zurra como esguinchos
chorando escamas
na orla do quase, memórias de manaira a tambau
querem-na arrumadinha, arrumadinha e pra lá de belas
minhas quase praias sem ondas
ai destroem antigos casarões de veraneio
casas de pescadores, colônias e cascalham-te com calçadas de quases tudo inútil
arrancando coqueiros que dão cachos de história por contar e onde muita gente boa foi futrida
arrancam do arquivo fotos em preto e branco de vendedores de brebote, frutas, cestarias, redes e carregadores de peixe fresco
sem esquecer dos gatos de rua e cachorros vira-latas
soprando as jangadas com ventos de má fé
que desejam as gameleiras
agora tudo são pixéis de fiorinos e minivans koreanas
quase desfile de traileres de apetites deturpados
da gente que pisa na calçadinha como estivesse se pisando pegajoso
e como se não bastasse o coco verde perdeu-se da foice
o urbanismo asséptico substitui as mijadinhas purificadoras
dos bebados nos cantos da rua
por boca de esgotos que vão parar nos cantos da nossa boca
amargas bem mais do que ressacas
proibidas ao mergulho
e, toque final,
sobem em seu lugar
arquitetura
de peixes de plástico
como consolo aos aquários dos dias de sol
minhas quase praias sem ondas
ai destroem antigos casarões de veraneio
casas de pescadores, colônias e cascalham-te com calçadas de quases tudo inútil
arrancando coqueiros que dão cachos de história por contar e onde muita gente boa foi futrida
arrancam do arquivo fotos em preto e branco de vendedores de brebote, frutas, cestarias, redes e carregadores de peixe fresco
sem esquecer dos gatos de rua e cachorros vira-latas
soprando as jangadas com ventos de má fé
que desejam as gameleiras
agora tudo são pixéis de fiorinos e minivans koreanas
quase desfile de traileres de apetites deturpados
da gente que pisa na calçadinha como estivesse se pisando pegajoso
e como se não bastasse o coco verde perdeu-se da foice
o urbanismo asséptico substitui as mijadinhas purificadoras
dos bebados nos cantos da rua
por boca de esgotos que vão parar nos cantos da nossa boca
amargas bem mais do que ressacas
proibidas ao mergulho
e, toque final,
sobem em seu lugar
arquitetura
de peixes de plástico
como consolo aos aquários dos dias de sol
Friday, January 20, 2006
iniciação sexual
perfume de morena suada com bunda tobogâ que se esfrega no meu pau pirulito de leite condensado que mal tem tamanho pra sair das minhas calças curtas farda do curso de admissão.
ônibus nem está tão cheio sequer metade das minhas espinhas desta não me safo que agora não dá pra me afastar mais que já estufou a calça feito guarda-chuva.
já lambi o céu da boca já resolvi quatro problemas de matémática de cabeça e a rola não arreda-pé dali cobrinha doida pra se enrascar farejando buraco fundo.
já me sinto apedrejado pelas tias que não tiram olho do onde não há mais espaço entre quadris num rôla não rola dançando a musica dos buracos dos paralelepípedos onde tudo se encaixa e infla a ponto de rasgar as vestes quando lanço mão da cartada final jurando a mim mesmo que sou macho.
penso nela como travesti para ver se o pau amolece.
porra nenhuma esporrei-me todo e nem tinha idade pra usar cuecas.
a turma da esquina vai passar o resto da vida dizendo que sou veado porque gozei pensando em homem.
e não é que foi bom, demais?
ônibus nem está tão cheio sequer metade das minhas espinhas desta não me safo que agora não dá pra me afastar mais que já estufou a calça feito guarda-chuva.
já lambi o céu da boca já resolvi quatro problemas de matémática de cabeça e a rola não arreda-pé dali cobrinha doida pra se enrascar farejando buraco fundo.
já me sinto apedrejado pelas tias que não tiram olho do onde não há mais espaço entre quadris num rôla não rola dançando a musica dos buracos dos paralelepípedos onde tudo se encaixa e infla a ponto de rasgar as vestes quando lanço mão da cartada final jurando a mim mesmo que sou macho.
penso nela como travesti para ver se o pau amolece.
porra nenhuma esporrei-me todo e nem tinha idade pra usar cuecas.
a turma da esquina vai passar o resto da vida dizendo que sou veado porque gozei pensando em homem.
e não é que foi bom, demais?
PF
cadáver cheio de gordura, mãos atadas em corda, ainda dá sangue pra sarapatel, embora nele se pense como chambaril.
a culinária típica do recife é servida na hora do almoço com o tempero dos programas policiais.
farinha pouca meu pirão primeiro.
o povaréu rí histérico de quem morreu no seu lugar e pede pra esconder o cardápio.
a culinária típica do recife é servida na hora do almoço com o tempero dos programas policiais.
farinha pouca meu pirão primeiro.
o povaréu rí histérico de quem morreu no seu lugar e pede pra esconder o cardápio.
ponto final
já fomos a cidade dos trolleys puxados por burros, dos trolleys a vapor, dos trolleys elétricos e até dos trolleys bus.
hoje nem trilhos. perdemos o bonde da história.
hoje nem trilhos. perdemos o bonde da história.
perfumaria de aprendiz
em recife aprende-se de nariz empinado que a miséria fede independentemente da nossa podridão.
Monday, January 16, 2006
la luna y un perro lhamado solitud
(ejercicio de uno aprendiz de español)
en la luna plena
tan sola
piensa el lobo viejo
debe haver un sítio
donde todos los lobos
aullan
mirando la tierra
debe haver una compañera
en la luna a espera de mi, piensa
e se va aunque más arriba
en lo más alto de los montes
cierto de alcanzarla
con aullidos semi-partidos
por el más puro silêncio
elevados
de una contemplación
de dolores
ojos postos en sombras
su deseos por la loba em la luna
és como o deseo de los amantes separados
como todos los deseos
desenamorados
inacansables
pero
necesários
para que la vida
no sucumba a muerte
antes de venir la hora
como necessário és
para que la muerte
también no renqueie ante
vidas vividas tan solas
porque en cada alma ferida
por el reflexo de la solitud
tiene una gota de sangre
en vaso
de vino
hablando a consciencia
de que
en cualquier corte hay vida
escurriendo
tal qual como en los cortes
de la luna
esferas
de mejillónes
quando si tiene
ojos
puestos em círculos
tan pierto
e tan lejo
que pensamos en ella como
tenendo piel de manzana
en verdad
és mascada por dioses del tiempo
y sus perros estelares
que lo hacen
sin hacer ningúm
sonido
como és sin sonido
la dor de sueños partidos
mordidos
por el cielo
de
quiem
tiene
o gruñido
contemplativo
de un corazon agredido
como un rabo mordido
pelos dientes de la traición
tantas vezes
a sus próprios
sueños
así
doblan uivos
em sostenidos
y bemóis
digeridos em las presas
hasta que súbito
la garganta
acuosa de sangre
de un corazon
murciélago
que tiene ojos con asas
más sin dirección
mira las vidas vacias
como la suya
en las lunas menguantes
que
fueram depositadas
en sus ojos
de perro lunar
lhamado murciélago
e poeta terrestre
sin nombre
que tiene una vida de perro
espectro
de otras vidas
que conosce
apenas
como
conosce
ás sombras
de la luna
en que se pierdem
sus ojos
de niño e hombre separados
por uma armadilha cualquier del tiempo
que cercenou
alguna pierna
que nao tuve coraje de roer
para lhe salvar de tal destino
de traer
partes destrozadas
y
así
el tiempo
nem siempre
tan silencioso
as veces
aulla como el viento
en sus pulmones
a
la
luna
a quiem
le falla
el aire
tambiém
e por eso
solo por eso
no responde
a sus aullos
fue assim que el lobo viejo veo lo tienpo pasar
encuanto tiene husmeo preso a los passos de su própria vida vivida en círculos
como se fueram
el passos
de la compañera
que mira
em la
luna
que soporta
su sina
en silêncio
y dolor
de mirar-se
siempre
en mitades
mismo
cuando
plena
porque le falta
la mitad
plena.
lisboa, 22/23/24 de abril de 2002.
en la luna plena
tan sola
piensa el lobo viejo
debe haver un sítio
donde todos los lobos
aullan
mirando la tierra
debe haver una compañera
en la luna a espera de mi, piensa
e se va aunque más arriba
en lo más alto de los montes
cierto de alcanzarla
con aullidos semi-partidos
por el más puro silêncio
elevados
de una contemplación
de dolores
ojos postos en sombras
su deseos por la loba em la luna
és como o deseo de los amantes separados
como todos los deseos
desenamorados
inacansables
pero
necesários
para que la vida
no sucumba a muerte
antes de venir la hora
como necessário és
para que la muerte
también no renqueie ante
vidas vividas tan solas
porque en cada alma ferida
por el reflexo de la solitud
tiene una gota de sangre
en vaso
de vino
hablando a consciencia
de que
en cualquier corte hay vida
escurriendo
tal qual como en los cortes
de la luna
esferas
de mejillónes
quando si tiene
ojos
puestos em círculos
tan pierto
e tan lejo
que pensamos en ella como
tenendo piel de manzana
en verdad
és mascada por dioses del tiempo
y sus perros estelares
que lo hacen
sin hacer ningúm
sonido
como és sin sonido
la dor de sueños partidos
mordidos
por el cielo
de
quiem
tiene
o gruñido
contemplativo
de un corazon agredido
como un rabo mordido
pelos dientes de la traición
tantas vezes
a sus próprios
sueños
así
doblan uivos
em sostenidos
y bemóis
digeridos em las presas
hasta que súbito
la garganta
acuosa de sangre
de un corazon
murciélago
que tiene ojos con asas
más sin dirección
mira las vidas vacias
como la suya
en las lunas menguantes
que
fueram depositadas
en sus ojos
de perro lunar
lhamado murciélago
e poeta terrestre
sin nombre
que tiene una vida de perro
espectro
de otras vidas
que conosce
apenas
como
conosce
ás sombras
de la luna
en que se pierdem
sus ojos
de niño e hombre separados
por uma armadilha cualquier del tiempo
que cercenou
alguna pierna
que nao tuve coraje de roer
para lhe salvar de tal destino
de traer
partes destrozadas
y
así
el tiempo
nem siempre
tan silencioso
as veces
aulla como el viento
en sus pulmones
a
la
luna
a quiem
le falla
el aire
tambiém
e por eso
solo por eso
no responde
a sus aullos
fue assim que el lobo viejo veo lo tienpo pasar
encuanto tiene husmeo preso a los passos de su própria vida vivida en círculos
como se fueram
el passos
de la compañera
que mira
em la
luna
que soporta
su sina
en silêncio
y dolor
de mirar-se
siempre
en mitades
mismo
cuando
plena
porque le falta
la mitad
plena.
lisboa, 22/23/24 de abril de 2002.
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