viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Wednesday, October 23, 2024
vai ver se eu estou lá na esquina ( já adianto que não estou )
muito se canta, se louva, se apanagia, o encontro de alguém com outro; a quem chamam de alma gêmea, cara metade; metade da laranja ( argh! ) e o chulezeiro, sempre há um chinelo velho para cada pé torto. é o atestado da mais completa frieira, da incapacidade humana de fazer valer a sua vida por inteiro ( e de produzir analogias e ou ditados pra lá de "pés de chinelo" - com sua origem não menos estigmatizadora ). o grande encontro da vida e na vida, é o encontro consigo mesmo. raro, alucinógeno, algumas vezes tenebroso mas sempre o mais revelador e tão pouco cultuado na crítica comportamental. quanto mais você procura o encontro através do outro mais longe você está de sí. é sempre fuga, perdição, disfarce. nunca é você mesmo. até porque, não sendo você, você mesmo, continuará a saga do outro e dos outros. não se trata de narcisismo ou jogos de palavras bobo. trata-de da verdade. como alguém desencontrado de si mesmo pode produzir encontros? no máximo, trombadas. por isso, quando alguém se declara a mim dizendo que eu sou " a tampa da sua panela ", a calda ferve e eu digo vai ver se eu estou lá na esquina. e trato de sair do local, para evitar o alto risco de alguém voltar e dizer: não, não está.
Friday, October 18, 2024
"museus de grandes novidades"
nada pode ser pior que um futuro cheio de passado; um presente cheio de futuro; e um passado mal passado.
Friday, October 11, 2024
miragem
só sei amar a distância. de perto, sou um desastre. então, como diz a canção, tão longe de chegar mas perto de algum lugar.
Thursday, October 03, 2024
pondo as asas de molho
ver beleza onde quase ninguém vê. quem a vê ? quase ninguém. e estes são pra lá de privilegiados. poderia até dizer que se conhece uma pessoa pelo que ela consegue ver, para lá das aparências . se sou um deles? seria cabotino da minha parte dizer que sim. mas meu anjo torto, que me incita a "desafinar os contentes", as vê como ninguém. e às vezes, quando não está de saco cheio da minha insensibilidade, forjada na formação do lugar comum, das frases feitas, das imagens soporiferas, me dá umas cutucadas no ombro e aponta : - alí seu bronco. também me impulsiona a não busca da perfeição. a perfeição é uma punição ao humano. a imperfeição, para muitos uma tragédia, é dádiva. acentua nossa revolta em "sermos" a imagem e semelhança de um deus que, até na sua representação perfeita, é uma mentira hedionda e deslavada, urdida por humanos - por quem mais seria ? - a beleza da imperfeição, não. é real e verdadeira quando se a vê. não faz uso de truques baratos. a imperfeição bela se recusa a usar maquiagem. despe-se aos olhos de quem não é treinado para ser cego à vida que acontece fora dos manuais. e como a vida fora disto é grandiosa e bela. a perfeição tem limitações extremamente perigosas e danosas a nossa essência. dentro deste prisma, tudo que não é perfeito não merece vida. não tem cor, não tem, sabor, não tem música. é sempre um quase e um se. e quem já não se deixou aniquilar por um quase e um se ? atire a primeira pedra quem não. a imperfeição é uma miríade de possibilidades, o que não quer dizer que ater-se a tal visão seja um ato degenerado. mas a perfeição, diz o cantor ( impopular nestes tempos de bostorantismo) é uma meta perseguida pelo goleiro da seleção ( o resto da frase atualize como quiser ). a própria perfeição tem muito a agradecer a imperfeição. sem esta o que seria dela? já a imperfeição se basta, não está perdida em si mesma. não está em constante onanismo. até na gramática, o perfeito do indicativo não tem o aplomb do imperfeito. e de imperfeição em imperfeição a minha meta é um dia dar uma cutucada nos ombros do meu anjo torto e dizer: alí seu bronco. não seria imperfeito?
Wednesday, October 02, 2024
sei
sei ser não sou poeta. mas sei que sinto como poeta, o que a vida tem de dura arte. mas sinto muito isto não basta para fazer (me) poeta. aproximação é um termo tempo que distancia. e qual a distância entre a poesia e a vida? de cuja medida a poesia extrapola, aprofunda, pesa e anestesia com vicios, a dor que não passa, dando azo as palavras certeiras que comportam peso do mundo antes de se tornarem formações rochosas, onde uns poucos cavocam diamantes e encontram escorpiões. não sei ser mas sei sentir como se soubesse ser. mas isto só não se basta. não me basta. e dou-me um basta. ser poeta é antes de tudo não o ser sendo. o poeta não passa de um pistoleiro mal remunerado da quadrilha dos artistas; cujos alvos ele não tira do envelope: ele coloca. e às vezes coloca tanto e tão fundo que rasga o feito da existência que não cabe no bolso furado. o poeta não é o homem da carteira vazia e da cabeça nas nuvens. poeta é o homem comum deslocado. pés socados no chão de barro e asas dependuradas atrás da porta do infinito roídas por cupins. o poeta é o poison que se tornou anti veneno. mas isso às vezes é um xarope.
Tuesday, October 01, 2024
quase apneia
e seu eu te dissesse que nada mais és do que um morto sonhando? perguntarias : simbólica ou literalmente? e eu te responderia: viver ou morrer, vais saber ?quanto a mim, advinha? vou continuar sonhando pra me sentir vivo. estar morto é sempre muito sonolento. mas o ronco, até no além, sempre atrapalha. tu roncas?
a invisível pena do ser
a cada dia vão se avolumando em mim histórias e estórias que pedem para serem contadas. ora aguilhoando, ora sutis como brisas que minhas sobrancelhas sequer percebem mas os poros sim. são contos, crônicas, poemas, ensaios e até romance que nunca me atrevi ser. meus elfos, duendes e gnomos são eles. como também o são, ainda mais furiosos, horrendos personagens, que fariam terror aos do cinema, que nos meus rascunhos se veriam voltados à matinê. mas não escrevi nunca. sou pálido escritor. o que vem em jorro deixo na calçada dos escarros. alguns amigos dizem que cuspo pra cima e o compositor que me esqueço acima do sol. poderia, com mais sorte do que talento, ousar brilhar a alcunha de escritor. é um grande exercício de vida. mas o fitness dos meus devaneios é favorável a câimbras do estilo. meu ego e minha vaidade não ajudam muito. são como vírgulas mal colocadas, o que aliás faço a tal ponto que me epitetaram como o cara das vírgulas esquizofrênicas. e aí percebi que a esquizofrenia é bem mais centrada que a tal lucidez com a qual querem nos modelar. contos, poemas, romance, histórias e estórias são como carrapichos em minha corrente de tempo espaço do sentir. incomodam, mas depois de um tempo você deixa quieto. é o seu jardim das delícias e dos horrores mais do que particular. só você tem acesso e isso o meu eu gosta. assim como gosto de detestar as maiúsculas, com suas posturas que se querem superiores menosprezando-as de tal maneira que a minha repulsa as reticências as igualam. e aí já é gozo duplo matar estes dois ditames de uma só canetada e sem gastar tinta. eu me tornei um ser digital apenas para revigorar o analógico. gosto de máquinas de escrever, de discos de vinil, de cds nos rádio despertadores, de dançar na luz negra, de camisetas furadas a namorar levis surradas, de assistir a madrugada copular com o sol nascente e de fotografar tudo isso com filmes que só podem ser revelados em minúsculos quartos, aqueles ondem se escondem abismos, florestas e himalaias nunca desbravadas. isto posto, já tentei escrever sem pontuação, que pra mim é o melhor da causa. é assim que se vive sem ponto final na dimensão que sou. ao não escrever apenas antecipo isto. o que não quer dizer que os contos, poesias, crônicas, ensaios e até romances não existam em profusão sem pontuação alguma. os que tentaram ler ficaram confusos, sem saber interpretar o que realmente eu estava dizendo ou querendo. mas no fundo eles estavam querendo ler as suas histórias e não as minhas. e aí fica difícil pra qualquer escritor digo eu relendo o que não rolou.
Friday, September 20, 2024
alerta climático ou este meu otimismo é o que me estraga
trago boas novas para as crianças de agora: vocês não terão netos. sim, poderia dizer filhos. mas o que é isso? eu não sou um pessimista. aliás, meu otimismo é o que me estraga. crianças: quem viver não viverá.
Tuesday, September 17, 2024
herança de familia ou bilhete da loteria genética
infarto do miocárdio; acidente cerebral vascular; diabetes; calvície; câncer de próstata; câncer de pele; erisipela; trombose; varizes, muitas; problemas vasculares; pressão alta; doença renal crônica ( esta adquiri do meu próprio bolso e a psoríase souvenir de alguma outra existência); flebite quase quase não. como vêem, sou um homem fagueiro com a possibilidade de vir a ser herdeiro de muitas propriedades herdadas de família com registro cartorial no IML. mas desde já transfiro de boa fé a quem se interessar possa. bônus de isenção de ITBI e nalguns casos isenção de imposto de renda no pacote. alguém se habilita?
Friday, September 13, 2024
geração z
geração de merda. até pra comer um cu pedem que enviem a localização. e tem de ser em tempo real; porque se for aproximada, eles enfiam a rola no umbigo isso se não enfiarem no próprio.
Friday, August 30, 2024
dedada ou qual o tamanco do seu tempo?
senso comum, dizem fundamentado por constatações cientificas, que na velhice ou idade avançada, como querem, você não só encolhe fisicamente como existencialmente. mas alguns, muito poucos, não. crescem e crescem muito. e obviamente não estou falando de estatura física mas de estatura moral, política, artística. os que crescem no fim da estrada são os grandes, como aqueles corredores de maratona, principalmente os que saeem lá de trás e arrancam pra fazer a diferença muito além de romper as barreiras e linha de chegada. são estes os que dão uma tamancada entre tão somente viver e dar um alô para a eternidade. o tempo, de vez em quando, merece uma dedada.
que solidão que nada
meus discos preferidos, meus livros, fundamentais - e até os supérfluos - meus adorados animais, que me compreendem como ninguem, sejam os cães, os gatos e de lambuja, sem esquecer as plantas, timbus, cururus, saguis, gandus e pássaros, muitos, quase tantos como punhetas, o que também conta. como se sentir solitário assim mesmo vivendo "sozinho"? solitário me sentiria naquele almoço tradicional de família ao domingo, onde nada faz sentido e o prato servido é conversa requentada e vazia conversa, com as obscenidades, mediocridades e reacionarismos de sempre, sempre acompanhados da sobremesa moral religiosa, que desperta ânsias de vômitos, antes do cafezinho que fumaça ventriloquismos náuseabundos. antes só do que mal acompanhado é pouco. e lá vamos lá para a multidão que habita o meu quintal.
encoachadas
nestes tempos de acéfalos digitais, que se julgam crânios, a figura do coach suge como disputador oficial de púlpitos com a horda pentecostal do toma tudo na base do toma lá o copo d'água milagrosa "saloba" e dá cá o pix gordo. numa época que a internet deu voz aos imbecis, chega a ser paradoxal que alguém ainda mais imbecil surja para ser facilitador da imbecilidade alheia que se julga pra lá de esperta e diferenciada. o coach, é sinônimo de sucesso: pra ele , sempre faturando alto cagando regras que vão dá maneira correta de bolinar a cabeça do alfinete a limpeza da chaminé da estação interestelar. o coach tem a formatação correta de como falar, se portar, se auto valorizar, cagar, cuspir, comer, se masturbar (eita!), até de dar o cu debaixo do pé de melancia. e, pasmem! existe até o coach do coach. resumindo: o coach é aquele/a cara que tem a fórmula mágica de fazer com que você não seja mais você, enquanto ele cada vez mais segue sendo coach e enrabando você. tudo dentro dos procedimentos aprimorados como nos recomenda todo coach que se preze.
caduquices
hoje fiz vitamina de banana no liquidificador velho para ele não se sentir rejeitado. sei bem o que é isso. agora vai que o novo fica com ciúmes?
Thursday, August 29, 2024
no mundo do faz e conta
jornalista, publicitário, músico, cantor, compositor, ator, diretor, escritor, poeta, contista, memorialista, jogador de basquete ( pivô de cabeça. sim, aos 13 era alto para o esporte ) quase locutor, dublador e etc etc pra caralho.
Wednesday, August 28, 2024
do próprio umbigo
a arte me faz vivo
(e sei disso porque cada vez que me deparo com arte - muito mais do que com os artistas - meu corpo estremece e sou tomado pela emoção de sentir o belo em todas as suas formas até mesmo nas disformes)
não que eu seja propriamente artista
muito embora toda pessoa o seja
até que a sociedade o mate com sua burocracia formatadora de seres dormentemente rastejantes
restando aos que se salvam a loucura ou a manifestação artística autêntica que no fundo é uma espécie de loucura iluminada
muito embora provenha de recônditos de escuridão que muito se assemelham a um vulcão
mas é diferente o universo do artista que não se deixa contaminar pela osmose do mercado
o verdadeiro artista
aquele que produz realmente arte
livre de conceitos definições e galerias
urra seu inconformismo em jorros
que mais parecem ressacas de morte
que explodem as paredes em vomitos de matéria viva
a arte que se domestica deixa de ser arte e se torna produto
e produto não é arte
é adorno de prateleira
por tanto muito difícil ser artista no capitalismo
não que seja fácil noutro istmo qualquer
mas sobreviver de arte
é figura de espírito
não de bolso
são as regras do sistema
o artista não é uma ilha
é um universo a parte
mas que não deixa de ser o universo
que cada vez mais somos formatados para não ver não ser não sentir
a vida sem arte nem de longe parece vida
mas como os mortos hão de perceber isto?
Tuesday, August 27, 2024
o magarefe
faça amolada
corto a carne
sem cebolas
destemperado
e sem sal
caralho
e antes que faça bife dos meus braços
desosso músculos
e chego às veias
onde não corre sangue nem mel
sem surpresas
pra que cortes? ô estúpido!
murmura em salmoura
alma desfiada
já havia cheiro de carne oficina
em cada esquina dos amores
embriagados pela púrpura
ora dos fracassos ora dos acertos
que tudo acaba na mesma valsa
dependurado no corpo
estes pedaços expostos
e os que se guardam atrás do balcão
perfazem o corpo dilacerado em vida
é que se dilatará em morte
é a tal coisa
peça picanha e se contente com coxão mole
ou então faça sopa de ossos que
não existem amores gourmets
amor é carne de pescoço, lagarto, costela seca, ponta de agulha, cupim e outras paletas chinfrins
ainda assim
para cada amor
a cutelaria da existência
recorta em partes
o animal inteiro
que não se reconhece avulso
no açougue dos amores atemporais
e se carne de cabeça tem sustança
é o tesão
o que bombeia todas as paixões (até as meias bombas)
que resultam almôndegas
após juntar os nacos que se quedam ao chão
a carne moída
dos abandonos em gancho
já ganha cartaz de preço baixo promoção em nome do coração
este pobre coitado
já pelancudo
que sempre leva com tudo
quando muitas vezes nem esteve presente
destarte
nada repugna tanto
quanto limpar esta sujeirada
madrugada a dentro
na escrita debalde
palavras a rodo
sebo nas galochas
para que de manhã o restabelecimento
esteja reluzente como um balcão de açougue ao levantar das grades
meus fregueses sempre elogiam o asseio do ambiente
ávidos por sangue romantizado até suspeitam da sujeira no retalho que ali houve
mas tamanha higiene do estabelecimento
que bem faz valer azougue seu nome
dão de ombros
e retocam a maquiagem na superfície espelhada do balcão frigorífico que pensam eles conservará suas faces
mas por trás das portas de serviço
avental luvas toucas
ainda não lavadas
já se tornam refúgio
das moscas varejeiras
que desconfiam que o homem pós labor
de mente desanuviada
só pensa agora em coloca-las no poema
desidratadas.
entre o alzheimer e o parkinson
memórias em fragmentos são
lembranças de pedras sólidas
assentadas em sonhos de nuvens
que se afogaram em estrelas cadentes
dançantes e meteóricas como as pulsações do coração que já reinou sobre a razão das razões
as paixões de antes
já não se refletem no pênis
que não reflete as tesões de espelhos
antes quebrados do que bolorentos e embaçados
mas que refletem o homem que desponta entre a neblina outrora nascimento agora fim de linha com seu desaparecimento em aparições cada vez mais tênues
tudo isto é um pouco do muito tudo
que se perde e se acha em cada instante que falece a cada momento que renasce
a mão de cujos dedos tantos acordes não mais
tristemente implora aos ouvidos novos tons
daqueles que vêem e escutam canções de beto guedes com sua timidez noz moscada de sensibilidade mordida
com os mesmos olhos molhados apesar de tanta presbiopia ante o futuro que cada vez mais uva que se torna passa
assim assim o cérebro é uma mapa estelar muito maior que o universo
que o homem tenta desvendar para provar sua incapacidade de entender a si próprio mesmo nas noites de lua cheia mais estreladas
pois guarda sol de escuridão
que queima seu espírito como o frio ártico de um sol que um dia foi incandescente
e eis que num átimo de eletricidade química, física e atômica tudo permanece e se esvai como a criança que deitou adolescente e acordou homem lobisomem
esquecido de tanto lembrar.
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