viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Monday, August 26, 2024
i want to be alone
muito embora todos creditem a garbo, há quem diga que ela nunca disse. vou lá saber? mas o fato, é que realmente i want tô bem alone.
Thursday, August 22, 2024
aviso aos navegantes
que confundem bússola com buceta: o cu não fica mais embaixo. e para chegar a ele, é preciso dobrar o cabo da boa esperança.
Wednesday, August 21, 2024
limitações da lingua
quando nelson rodrigues vaticinou que os idiotas iriam vencer - porque eles são muitos - não levamos muito a sério. afinal, era o reaça de plantão a marretar sua metralhadora giratória. mas quando umberto eco asseverou que a internet deu voz aos imbecis, já estávamos cercados de pulhas pra tudo que é lado.e são tantos os idiotas e imbecis ( entre outros gêneros danosos ao humanismo ) que me faltam palavras para adjetivá-los sem cometer repetições indignadas e redundâncias alopradas. as limitações da lingua frente aos bilhões de idiotas e imbecis sugerem um estado ainda piorado por uma geração que classifica duas linhas de "textão". de há muito, após estrupiar o aurélio, que já comecei a espinafrá-los em todas as línguas que conheço e não conheço. até em esperanto já os açodei. e faz falta não dominar os hieráticos, o kanji e as línguas indo-asiáticas e árabes. temo por isso mesmo estar me tornando um idiota na variante do avesso. na falta disso tudo estou aprendendo réplicas em banto ou nagô ou até mesmo em alguma língua indígena não importa o continente. como isso demora, vou usando por enquanto o bom e velho : vão tomar no seu cu.
Monday, August 19, 2024
vez não vez sim
às vezes
sob esses lampiões imaginários
dessas esquinas sujas e perigosas do presente
me imagino tombando no futuro
as palavras em falta
a ânsia exalando em sangue
com as mãos do avesso
eu apenas imagino
que ontem estive aqui
a luz compactuava comigo
e eu como não fumo
fumaça o vazio.
Sunday, August 18, 2024
Saturday, August 17, 2024
feliz não aniversário
q idade tenho? cabeça não sabe. corpo também não. aliás mente, aparenta menos do que deveria, não se sabe por saúde ou rebeldia. documentos atestam número mas existência nem sempre corresponde a prova dos nove. fato é, que neste looping, ora manda o corpo e o não corpo. ora manda a cabeça e a não cabeça, incluindo, sem fazer piada velha, cabeça de baixo. no estado atual das coisas isso tem aspectos dúbios. na juventude, ser velho é uma merda. na velhice, ser jovem recordação ou não - é um degradê entre ser uma merda e ser cruelmente bom enquanto dura, nos lembram artrites, artroses, joelhos e sandices, a nova consciência deste limbo, onde brigas de gato entre a capacidade do corpo alquebrado responder aos estímulos do cérebro que continua a fazer-me rebelde. desafio as hienas do alzheimer e parkinson em lapsos de tempo onde existir é mais que necessidade um prazer. by the way, quando se comemoram aniversários, sopram-se velas. nunca gostei. se a vida é um sopro, vou lá gastar os meus com velas, que mais do que qualquer outra coisa prenunciam velas de caixão? sequer gasto meu tempo soprando feridas. o que sopro é vida enquanto houver. nem que seja pelo fundo.
mundo de merda
tempo vivemos onde todas as qualidades para se respeitar alguém são as mesmas usadas para decretar sua morte civil ( o que rima com gil ). " saudades" de um tempo onde pão pão queijo queijo e não este pão com merda, este pão com linguiça podre, este pão com nutella vencida, que se tornou o debate de qualquer ordem ou desordem neste país de coliformes mentais.
paraíba sim senhor
nenhum edifício do altiplano é mais alto do que cátia de frança. destes edifícios se diz estarem mais pertos das nuvens. cátia é a própria nuvem. de seus cachos brancos ao sorriso derramado, habitam neves do kilmanjaro, raios e trovões de asgard, o mauna loa, bruxas intemporais e a menina e seus inseparáveis óculos de criança a cutucar o mundo com sua visão poiética que a torna um avatar de si própria, sendo ela cada vez mais ela. andaram querendo mudar o nome da capital da paraíba. pois bem: defenestrem joão pessoa e assentem cátia de frança.
eternidade
a eternidade é o esquecimento. é lá onde tudo se encontra em movimento perpétuo. perdição alada em parafuso. que afunda, exatamente onde um dia emergiu a lembrança para ser devorada pela areia movediça da ampulheta derramada em si própria. o esquecimento é uma benção. a lembrança, uma maldição. esqueçamo-nos enquanto é tempo - lembranças não passam de lambanças. é como querer dar corda pra quem já está enforcado; como querer dar corda para um relógio, cuja corda rebentou trincando até o vídro do mostrador, por onde ponteiros se puseram em desabalada fuga do cárcere que é a contagem do tempo que ilude todos aqueles que os contam em horas, minutos e segundos. o tempo é a soma de todos os esquecimentos, onde os quasares pulsam mas sem jamais se tornarem universo.
Tuesday, July 23, 2024
Wednesday, July 03, 2024
pequenas anotações musicais 2
beatles ou rolling stones? cindy lauper é que é. mas madonna é que tornou-se a "rainha do pop" - ainda bem porque cindy detestaria. e puta que o pariu! que porra é está de designar artistas como reis disso ou daquilo? é o realce do pensamento servo. fodam-se! por isso cindy foi e é imensamente maior e melhor que madonna, cantando, compondo, performando, ativando, criando. realmente disruptiva. madonna foi uma excelente " gerente de banco" , se é que me entendem.
pequenas anotações musicais
lennon e mccartney. "the great composers since bethoven" e blá blá blá. mas quem compôs here come the sun e something foi harrison. next! ( e vão se foder porque sem a bateria de ringo, beatles seria 1 beat requentado )
Friday, May 03, 2024
profecia
terei o destino de todos os cães que não salvei e jamais as sete vidas dos gatos que salvei.
acidentes geográficos
na juventude, um iceberg. tufo de músculos estendidos , sexo and rock roll, emoções e sonhos em dispersão, que tanto mais não acontecidos, mais davam base, com tanta ilusão derretida, tanto beijo partido, tanto amor deslavado. acontece; dá-se menino rapaz homem se desminliguindo, esvaindo-se em lava de borboletas em rodopio desfigurado. ah! mas isso tudo tem mais a ver com vulcão, diriam: esse fogo todo não combina se é frio o iceberg? ( como se o gelo não queimasse) mas a geografia humana engana. além disso, só uma metáfora mal sucedida assim se revelaria, pois apenas a ponta se mostrou, já que todo o resto petrificou ensimesmado. hoje, passado presente tempo futuro, um inselbergue. nenhuma melhor definição, metáfora, analogia. mas naquele monolito pedrado na paisagem dita nordestina de secura e amplidão quiçá ainda esconda, quem sabe? pequena nascente que um dia se tornou icebergue.
Wednesday, May 01, 2024
sorrateiramente
cada vez mais somos poucos e loucos. mas ao contrário das multidões tatibates e engalfinhadas na mediocridade, nos temos a arte ou as artes como beiras e no rasgar dos tempos as artimanhas de permacer imutáveis em nossa invisível mudança.
Friday, April 26, 2024
átimo
nada mais longo que um breve instante. e como se o longevo não bastasse, há os casos (e não só de amor) onde este breve se queda para sempre.
Sunday, April 21, 2024
daquelas
remexendo e esvaziando gavetas. estufadas de tantas lágrimas e risos em bolor crescente, acho até fotos desbotadas com os gases dos tempos passados, a forçar as paredes de tais gavetas presas por um futuro que em breve não mais as sustenta. tanta vida vivida e vida que foi embora e pior: vida que não chegou a ser vivida. mas o que mais me chateia é a poeira dos tempos. isso causa uma alergia daquelas. e o resultado não é saudade ou muito menos depressão nem sequer leve nostalgia. mas porra, dá uma rinite daquelas.
Saturday, April 20, 2024
a plenos pulmões
vida é sopro. catacrese que nos diz que é átimo ou seja: nada mais que breve instante. mas este sopro não vem de nenhum soprador de vidro divino, como muitos espertalhões sempre quiseram fazer crer. fazendo disto seu meio de vida; e assim encher seus bolsos, em sua ânsia de roubo e poder, desfiguradamente engabelando paspalhos que creditam a deuses seu sopro de vida e assim submetendo ela, a sua vida, a ditames que só a enfraquecem, enquanto perdem o controle sobre a mesma. ou seja novamente mais e mais se metamorfoseando em títere. e títere, é sabido, não tem vida própria. e muito menos pulmões. assim, é sensato, rico, magnânimo, que seja você a soprar a sua própria vida. portanto as suas velas, longânimo que seja ou senha para tal. mas tal assoprado, há que cuidar, não seja de tal forma destrambelhado ou de tal modo assaz ansioso que o sopro saia pela culatra ou seja pelo cu, o que lhe trará uma vida cu, vida de merda ou não mais que um peido, o que convenhamos é uma bosta. mas há antídoto. há que se demandar sensibilidade, inteligência, afeto, para as gentes e para as artes, sem esquecer os bichos e a natureza, incluindo a sua própria, que não se desliga da outra por mais que vivamos um tempo onde assim o é e que por isso mesmo estamos a perder tal quantidade de sopros que vivemos asfixiados pelos outros e por nós mesmos. carece cuidar que antes de soprar temos de aspirar: o bom ar, os bons sentimentos - e nada disto tem a ver ou precisa de deuses - tão delicadamente como assopramos a nuca do amante ou o arranhão da criança, que depois de cessar o choro, descobrirá que o assopro também contém bactérias ou seja: quem assopra também morde. e que muita gente assoprada morde os beiços.
Sunday, April 07, 2024
to be or not to be
não sei se sou mais humano porque os animais, o olhar dos animais, me emociona profundamente ou se há muito deixei de ser humano, por que os animais, o olhar dos animais, cada vez mais me emociona profundamente; e é neles que me reconheço.
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