Wednesday, February 15, 2012

aos circunspectos


é muito fácil amar as pessoas de longe. de perto não; de perto todo mundo é normal
(ao contrário do que diz o cantor/compositor, que a cada dia que passa está mais normal, seja de perto, seja de longe).

assim sendo a normalidade dos normais é uma verdadeira e fatal monstruosidade. a qual nos acostumamos pela preguiça do hábito. e não pela indulgência que porventura possamos arriscar para com os outros. mas sim para com nós próprios, que gostamos sim, como gostamos, de amar antes o que detestamos, desde que esteja perto de tudo que possa se pensar como contradição, e assim voltar a normalidade recuperada.

Tuesday, February 14, 2012

faro fino


com os animais, aprendi a ser mais humano. na verdade menos. e com isso melhorei sensivelmente como pessoa,até farejo melhor os semelhantes.

photo by isa leshko ( da série animais idosos)
originalmente publicado em bompracachorro.blogspot.com

Monday, February 13, 2012

aula de impostação

goethe afirmava que quem quer dizer tudo acaba dizendo nada.
não seria de todo tolo então dizer que quem nada diz( e não que diz nada) acaba dizendo tudo.
afinal, o silêncio é tudo quando a fala em excesso é nada mais que isso.

Sunday, February 12, 2012

da falta de tudo ou do tudo em falta

não tenho nada mas tenho um orgulho danado de tudo o que eu tenho. 
homessa! dirá o incauto e apressadinho contendor: - de que lhe serviria o orgulho se nada tem?

no entanto, perguntaria: que serventia tem o orgulho de quem tudo tem e nada lhe falta, inclusive a própria?


a falta faz uma falta incomensurável quando nos falta. e sofrem por causa dela mais os que tudo tem do que os que nada tem, mesmo tendo a própria tão em excesso.

Saturday, February 11, 2012

não vai dar pro boquete

ah minha senhora; há de convir que se meu peru não é grande coisa, ele tem lá a sua dignidade, que é coisa que eu até entendo não caiba em sua boca. mas nos outros buracos a gente pode conversar.

Friday, February 10, 2012

stand up!

            sinceramente não sei. se gostaria de ser lembrado por tudo aquilo que fiz ou pelo que não fiz.

não é assim, digamos, uma questão existencial que me aprofunde em insônias. por isso mesmo sigo fazendo ou não fazendo. a memória é uma curva de um paradigma qualquer com uma formulação quase esotérica que sempre tem nome de gringo já que nossos cientistas estão no cheiro do ralo muito pra lá da amnésia.

de tudo o que fiz, sei que o fiz, porque não o fiz como todos gostariam que assim fosse feito. de tudo que não fiz, sei que assim não o fiz porque não não fiz como todos gostariam o feito fosse feto.

e assim dito e feito, a minha existência passou-se longe de todos os nós mas nem por isso ficou livre dos nós cegos que cada descoberta desandaram-me a acabrestar-me nas saídas sem entradas, sem contar que muito embora eu não tivesse espada, buscava o caco de vidro, a tampa de lata de sardinha, o dente já cariado.

este meu riso banguela, pode acreditar, é liberto das amarras em cadeiras que você sequer pensou em não sentar.








Thursday, February 09, 2012

ab ovo

                         todos os dias acordo de galo, hoje acordei em ovo. de novo?

Wednesday, February 08, 2012

amor descarado

o amor de verdade não gosta de mentiras sinceras. mas a humanidade adora acreditar nas mentiras do amor.

Tuesday, February 07, 2012

questão de dna ou antes fosse

thoreau,  para os íntimos

creio que há uma diferença fundamental entre mim e meus homônimos.

eles, nem de longe, querem ser o que sou. busco - se consigo é outra história -  o change the rules, o resist the usual, o disruptivo como norma, principalmente profissionalmente falando. 

e eu, nem de perto, quero o que eles querem ou são: mantenedores do não risco, do medíocre como tábua de salvação. do status cu como prova final do seu pseudo bom senso, senso que cada vez mais fede a coco com baunilha.

Monday, February 06, 2012

sopa de miolos

dúvida, é comer ou não comer a sopa feita dos restos do ontem? que já foi o amanhã? para aquecer o hoje que fará dos miolos o pão ou a pane?

Sunday, February 05, 2012

pras picas

brasileiros bah! sempre tão espertos. mas quando acham que a vaca foi pro brejo, o brejo já se picou faz tempo

Saturday, February 04, 2012

coisa de pobre ou deslize reacionário

mamãe! quando eu crescer quero ter um câncer! exulta o piá, o guri,o curumim,o pirralho, o puto,o moleque, para espanto da mãe que se pela em deus, na periferia de são paulo.

mas só se for para ser tratado no sírio, arremata; para alívio materno que solta a respiração enquanto concomitantemente afaga os cabelos em pûs daquela criaturinha abençoada.

(deus que tudo assiste, não é assim que dizem os pastores? conclui então que aquele espectro de homem, com braços e pernas em constantes saltirares estroboscóspicos decididamente vai longe - um dia ainda acaba presidente, ventila a possibilidade garatujando no bloco de anotações). 

e a vida segue adiante. o menino esfregando melecas na parede lustrando as cerâmicas. o deus dos tornados, que sequer imaginamos em senões assim tão faceiro, dá mais dois passos adiante, cuspindo catarro no tietê para não se mostrar impressionado com a visão de futuro que aquela alma ainda em pimbolim tem da epifania em sociedade.

Friday, February 03, 2012

ante mortem

só morre feliz quem vive tentando !!! 
mas ora,ora, que disparate é este? 
só morre feliz quem morre sonhando. 
ora,pois,pois.

Thursday, February 02, 2012

o preço das coisas com etiqueta

acho que eu não deveria me preocupar. se alguma coisa vai acontecer com você, acontece, não dá para fazer acontecer. e nunca acontece enquanto você não passa além do ponto em que se importa se acontece ou não. acho que é para seu próprio bem que as coisas acontecem assim, porque depois que você para de querer as coisas é quando ter as coisas não vai mais enlouquecer você. depois que você para de querer as coisas é que você consegue lidar com o fato de ter as coisas. ou antes. mas nunca durante. se você consegue coisas quando realmente queria as coisas, você enlouquece. fica tudo distorcido quando alguma coisa que você realmente quer cai no seu colo. andy warhol

Wednesday, February 01, 2012

absurdamente violento

 
a violência é uma ferramenta tosca e impraticável. por isso o espírito, que não conhece a violência, permanece aquém dela: a violência do espírito é uma vitória de suavidade insuperável.

rilke, carta de 1918 (cartas do poeta sobre a vida).

Monday, January 30, 2012

mamy molico

mulher é tudo vaca!abomina o pândego que não se imagina misógino.
e eis que mamãe muge da varanda e diz: - meu filho deixa de ser marrento e vem tomar o seu leitinho

Sunday, January 29, 2012

lúcida visão




há um doido em cada esquina mostrando o mundo como ele verdadeiramente é. mas ninguém percebe.

Saturday, January 28, 2012

receita integral

um pouco de tudo, de tudo um pouco. mas nada à trouxe-mouxe, porque na vida como na gastronomia a ordem de mistura altera o sabor. do tudo para o pouco, exige-se sabedoria. do pouco para o tudo, estômago.

Friday, January 27, 2012

no topo do calo

se não cansa ser do jeito que sou? claro que cansa. o que não cansa, é não ser do jeito que os outros são.

Thursday, January 26, 2012

dúbio, o conselheiro 2






não tem erro cara amiga. se  na hora de decidir você não tiver opção, com certeza você tomará a decisão correta.

Wednesday, January 25, 2012

dúbio, o conselheiro











tenha calma. não é porque seu pau não levanta mais que você tem de andar com a cabeça baixa.

Tuesday, January 24, 2012

de uma só fiada


quem eu sou? 

não sou daqueles que perde o amigo mas não perde a piada - sou um péssimo contador de piadas.eu sou é aquele que perde o amigo mas não perde a fiada.

mas ora lá! que amigo é este que se perde por ter a conversa afinada, justamente para não ter conversa fiada?


então chega de conversa mole. e vai passando adiante.







Monday, January 23, 2012

anátema ou ouvido absoluto




tá, tá, já entendi. cristo se deixou crucificar para nos salvar e a estes indivíduos cantantes.
agora: quem salva nossos ouvidos?

.

Sunday, January 22, 2012

mulheres ricas

quanta pobreza.
e aqui só multiplicada por duas.
imagine por todo o resto.
é por conta de mulheres iguais a estas que continuamos com um contigente humano cada vez maior abaixo da linha da pobreza.

Saturday, January 21, 2012

Friday, January 20, 2012

a sua metade da laranja(supra-sumo)

e agora como penitência, esprema esta laranja, e retire dela todo o azedo do seu viço que transforma os caroços em sementes dos pecados sem perdão.

Thursday, January 19, 2012

água (rabello) que passarinho não bebe

depois de luiza, o canadá nunca mais será o mesmo. se eu fosse membro do governo canadense pedia indenização por danos morais. no mínimo.
no twitter do misterwalk (twitter.com/misterwalk)

Wednesday, January 18, 2012

a tautologia é uma merda ou é repetindo que confirmamos o que somos.

não tem a ver com quiromancia ou mitologia.

tautologia é um vício. e dos piores: o de linguagem. nele a cracolândia é o dia a dia das línguas, ferinas ou eufemistas. é uma espécie de contágio que tanto assola de baixo para cima como de cima para baixo.de  letrados, dos mais requintados, espalhafatosos ou afetados, a analfabetos multi, funcionais ou não. pessoas de ambos os sexos(desde quando existem apenas dois sexos, se desde o início na humanidade os sexos são tantos que não cabem em dois? mas isto é outra história).

você, eu, seu pai, sua mãe, o vigário e o vigarista, não se surpreenda se o professor(ainda mais os de agora) manifestarem-se em tal cagada:  “subir para cima” ou o “descer para baixo”.  “surpresa inesperada” você ser um tal viciado? de repente você começa a lembrar de quantos - inclusive você - estão entregues e confusos ao querer ser mais claros - ou eruditos - borrando-se e ao discurso ao baforar o mesmo conceito ou ideia, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido. existe alguma surpresa esperada? (desculpe ter estragado a sua).e o elo de ligação;  o acabamento final;a certeza absoluta; a quantia exata; nos dias 8, 9 e 10, inclusive; devia ser expressamente proibido fazer isso com o idioma. na verdade é. mas quem escapa do em duas metades iguais; eis um dos sintomas indicativos; e tem mais: há anos atrás; vereador da cidade. que outras alternativas haveriam?; se nos detalhes minuciosos, uma multidão de pessoas revela-se viciada e no fundo do poço? é porque; todos foram unânimes em conviver junto; superávit positivo? não me parece fato real; encarar de frente e amanhecer o dia com uma criação nova sem tais vícios? como retornar de novo; pedir um empréstimo temporário;  fazer a escolha opcional; planejar antecipadamente a abertura inaugural; continua a permanecer; a última versão definitiva; possivelmente poderá ocorrer; comparecer em pessoa; gritar bem alto; propriedade característica de alguns viciados quando o vício torna-se; demasiadamente excessivo.assim  a seu critério pessoal; você pode exceder em muito.

como você vê caro leitor o vício e os traficantes se espelham e se multiplicam em casa e na escola.justamente dois lugares onde tal maleita não deveria encontrar refúgio.a tautologia é uma merda. é muito pior do que dengue. justamente porque ao repetir-mo-mos confirmamos o que somos. e que por talvez sabe-lo tentamos tautologicamente fugir dos destinos dos qual não escapam uma sociedade sem a menor educação para com as palavras e os conceitos que elas exprimem ou que um dia exprimiram.

Tuesday, January 17, 2012

antenados desgraçados

tempos onde todo mundo quer - e precisa - ser jovem. a maldição do tempo corrói quem o vê como inimigo e não o transforma em aliado - para isso é fundamental ter a noção de imortalidade da obra e da fugacidade da existência, seja no  corpo e até mesmo do espírito. 
mais há um fato que chama ainda mais atenção do que a tentativa frustante dos perdidos na meia-idade, e os afogados na terceira, que a todo custo querem ser jovens - e não manter-se jovens, o que de forma alguma é ridículo ou risível mas sim um trabalho de sísifo ante a questão da sobrevivência perdida..
muito pio, e desgraçadamente sem resultado, é quando o jovem tenta ser jovem. ai fudeu!.pois falta-lhes tempo para isso.
como disse picasso, leva-se muito tempo para ser jovem.
o tempo em que se acendem e se apagam as luzes do que não serás.

Monday, January 16, 2012

saúde pública

a maior prova de que a vigilância sanitária não funciona no brasil, é o ratinho ter uma fábrica de cerveja(e que ainda por cima se chama colônia).
pensou em Köln - colônia em alemão, a quarta maior cidade da alemanha em termos populacionais? - desculpe a obviedade. mas ratos vivem em colônias.
é ou não é um verdadeiro escárnio tal fermentação ?

Sunday, January 15, 2012

abaixo a ptose, quer dizer acima


jornal dobrado sob as axilas, olhou-se no espelho e, frente a frente com os seios caídos, respirou profundamente. ainda sob o sustento da inspiração aproveitou para reler novamente a notícia sobre as proteses de silicones francesas que apresentaram problemas.
beliscou os seios e com as mãos sob as mamas fez um movimento síncrono de levante e arrematou sem titubear: o mundo sem silicone fica muito melhor. e não havia a menor dor de cotovelo ou melhor peito caído nisto. era afirmação pura, sem próteses, com certeza.

Saturday, January 14, 2012

ratos pra piranha

o rato mordeu o pé da funcionária do senado. mandaram detetizar. mas só algumas salas restritas. o plenário continua cheio.

Friday, January 13, 2012

de ponta a cabeça

pensar faz doer, disse sthendal. o brasileiro é um anestesiado. e se não o fosse, jamais fingidor,do tipo que pensa o que deveras mente.

Wednesday, January 11, 2012

não te disse mateus? que já não basta a cada dia a tua pena?

sabem o bom deus, o mau, e o feio, que eles estão tentando.

no dia em que os evangélicos tomarem o poder, pelo qual clamam e oram, ora ora, e não só no brasil, o inferno vai se tornar um paraiso. já o paraíso, vai ser um inferno. daqueles. que vai caracterizar como saudoso o capetoso. aquele dito chifrudo ou chinfroso, como queiram, a quem tanta coisa se lhe atribuem, o que por si só já demonstra do que são, também, capazes os espíritos santos. até porque, pra começar, o coisa ruim, não cobra entrada pro picadeiro. e os coisa boa, em tudo que fazem, convenhamos, sim. porque de um jeito ou de outro, há que se admitir, você vai morrer numa grana como manda o figurino espiritual. seria o caso de dizer, neste caso, que quanto mais morto mais vivo ou o já não bem fazejo vice-versa?  agora danou-se: porque quanto maior for seu desejo de frutificar-se financeiramente mais o consignado lhe aperta. também, não me venha com esta de que a conta do capeta (se conta houver) é mais cara. o que absolutamente não é verdade nem meia. ele apenas, como direi, não facilita as prestações, o que é de praxe no negócio da agiotagem das almas, prática em que foi sócio para além da teoria em muitas igrejas. mas vamos ao que interessa, que é o destino do mundo tornado evangélico.

aqui na terrinha brasilis, o que mudaria? perguntariam almas respingadas por suas próprias sombras em desditosa curiosidade, aquela que lhes encafifa o deus ante alguma câmara de segurança que pode ter lhes gravado o mal feito - incluindo a si, bispos, pastores e obreiros - ?

bem, meus filhos, alegrai-vos. porque isso aqui vai continuar sendo o purgatório de sempre. uma embromação dos diabos - e dos deuses - os mesmos, de sempre. uma dantesca repartição pública, onde todo mundo querendo se dar bem vai montando a plataforma burocrática ascencional celestial, tendo como plays mobil, os antípodas e dentro deles toda a galeria : dos mais falsos pobres humildes, aos mais hipócritas endinheirados. não importa que pra isso estejam fudendo quem ou alguém, incluindo a si próprios, sejam eles fudedores da pregação ou os fudidos dos fins da fila de sempre eterna.

e por isso eu não rezo ou nem por isso.

descongestionante

facebook pergunta que pessoas me inspiram?

ora, as que expiram bons fluídos, boas ideias, boas ondas. boa merda que seja: mas tudo numa boa. transpiração e nunca trepanação.

Tuesday, January 10, 2012

na medida inversa do sucesso

somos poucos e bons. quer dizer não tão bons assim. mas também não somos assim tão poucos como pensamos.

Monday, January 09, 2012

nada leve (além do peso de que eu gostaria de ter escrito)

Nada leves, nem queiras ter
Mais do que as pombas, as minhocas
Ou o cachorro do vizinho.
Pensa só na insanidade
Que é ter:
Primeiro, pesa nos sentidos
E freia a imaginação;
Depois, o medo de perder.
Mais que tudo, a bobagem
Profunda de achar que tens:
Que vínculo é esse, absurdo,
Entre um ser vivo e um
Objeto inanimado?
Tens, por acaso, a tarde, o vento?
Este trecho de terra? Por quê?
Quando falas, ele responde?
Por que terás mais esse anel
Do que o ar, ou o Pão de Açúcar?
Medita um pouco no absurdo
Dessa fantasia que é ter,
Depois pensa que sequer tens
A ti, já que não te dominas.
Começa então a viver
A imensidão desta vida.


nada leves, do roberto marinho de azevedo, rio de janeiro, 1940-2003. jornalista e poeta, tornou-se mais conhecido como crítico gastronômico. sob o pseudônimo de apicius, assinou por 35 anos uma coluna no jornal do brasil( no tempo em que o j.b.era marca de jornal  de respeito e não de uísque falsificado) que, acima do gastronômico, era uma aula de escrita com rigor para os admiradores e horror para os diplomas  funcionais. só em 2006 sua identidade foi revelada .

Sunday, January 08, 2012

ah! as putas: que saudade das boas e velhas putas

caio de para-quedas na primeira classe. sou um daqueles privilegiados que o overbooking mandou para a viagem de pernas esticadas, no bom sentido claro, mas que, confesso, duvido a cada solavanco. é que as estradas do ar, no mais das vezes, parecem as brasileiras.e vai que tem algum piloto que não respeita a lei seca?

na poltrona dos privilegiados uma indisfarçável periguete olha-me com sorriso matreiro procurando chamar atenção sobre si. não há necessidade mas ela faz questão de encimar-se com sacolas e sacolas que, imagino, são o resultado de compras em sua viagem, o que se confirma loguinho, pois ela apressa-se em informar, ou seria anunciar: "é que fui a miami fazer umas comprinhas", repetindo o sorriso, agora injetado com um desajeitado sentido de superioridade ou distinção.

para encurtar o voo, comprimo a história. sinal dos tempos. as putas de hoje, burguesas ou não, as que podem e as quando podem, vão a miami fazer compras. quando não, ficam ali pelas cataratas, iguaçú como alíbi para o made paraguai, com perfumes e babilaques que as deixarão inesquecíveis pelo mau gosto.
e esta é a diferença dos tempos de agora para os gloriosos tempos de antão: puta que é puta viajava é para paris. nada de miami, orlando, pedro juan caballero(ir ao shopping china, que horror!). paris sim. e assim deveria ser até hoje, que era e é míster do negócio manter o fleugma, a luz, a putaria em grande estilo, sem perder, um e outro, a putaria e o estilo -o que só se conseguia - e se conseguia - por mais tosco que fosse o coronel, em paris. e tudo como manda o figurino. sem deixar de lado suas finalidades precípuas.aliás, putas sem luz só em fim de carreira, não é mesmo? e ainda assim paris ainda seria o melhor destino
mas vá enfiar isto(nas periguetes) em suas cacholas ou melhor sacolas?
decidamente não se fazem, como de resto, putas como antigamente, c'est à dire...

Saturday, January 07, 2012

lavagem cerebral

maconha não faz mal ao cérebro, muito em contrário, diz pesquisa oposta aos dráusios.agora que tem cérebro que faz mal a erva, eu agarântio.
(twitter do misterwalk: @misterwalk)

Tuesday, January 03, 2012

quase arabesco

aquele que é bom para com os malas acaba sendo mala para com os bons. 
(twitter do misterwalk)

Monday, January 02, 2012

francis calendar

abri a porta.o mundo só vai acabar em dezembro, disseram os maias? mas sabe-se lá. lamento informar que tudo continua como dantes. o mundo acabou faz tempo, paulo francis é que estava certo.

Saturday, December 31, 2011

dias melhores( das e de toda uma vida)

com certeza, nem os primeiros, nem os últimos. adonde foram mesmo parar aqueles do e em meio a travessia, que dadas as circunstâncias sempre nos levará a morrer na praia? e antes fosse ou mesmo que assim seja. afinal, houve uma travessia que não findou a meio, que é sempre muito pior do que o fim no fim do fim.

Thursday, December 29, 2011

calçada da fama

o cuspe de uma cuspida brônquica: é a vida.
a cagada de um passarinho: é a vida.
podia ser pior, a de pombo, dizem, é tóxica: é a vida.
e tome caca de cachorro:  é a vida.
mais no canto é de gente mesmo: é a vida.
bem em cima de um resto de matinho vagabundo que todas as noites revela singela flor: é a vida.
acertada bem no alto do seu cucuruto(cucuruto da flor) pelo bico, fino, do salto alto do travesti?: é a vida.
que em fuga, quebrou o salto, e logo após o queixo, pra combinar com toda esta violência, pior do que a do espancamento? três ou quatro costelas a chutes de coturno: é a vida, que para piorar hemorragia interna o suficiente para a golfada(sangue é a vida ou é a morte) que colore a flor, o resto de matinho, a caca de gente, a de cachorro, a cagada de passarinho e o cuspe de uma cuspida brônquica.é a vida.

Wednesday, December 28, 2011

cicatrizes de fecho-éclair


2012 à vista(para alguns eternamente a prazo). misterwalk encerra a quase hercúlea tarefa de encerras as malas(antes fossem os malas) que nada mais complicado por insistir em fazê-las como sempre e não da forma e conteúdo simplesmente simples. afinal, se desta vida nada se leva, para que querer levar-e trazer- tantas coisas? numa mala que mal cabe uma laranja e nela queremos transportar o mundo, ou melhor, os mundos, despedaçados por onde andamos? nisto e aquilo algo que também temos culpa ao contribuir de alguma forma para este despedaçamento, mesmo que seja a custa de alguns pedaços de nós mesmos, ainda que incrustados em pedaços de construções outras julgadas à revelia como indespedaçáveis.

acompanhante, daqueles que a cada item tudo pergunta, tudo contesta - isso não, só vai ocupar espaço e aquilo, não vai levar?(ainda bem que ele não vai), pergunta, o que estava demorando? - vai pra onde? fazer o quê? - vou para portugal. vou sofrer.
e antes que o silêncio se torne mais um item a ser embalado sem a régua da necessidade respondo e encerro a conversa como se um acorde de paredes acordasse por sobre o frio da sua e das nossas colunas: que lugar, senão portugal, para se sofrer com o prazer que já foi caro a cada um de nossos heterônimos?

a propósito - e não foi porque não coube na mala - deixo-lhes o poema do fecho éclair do antonio gedeão, que certamente não sabia que fecho éclair ou zíper, também se chama rí-rí). deixo-lhes outras coisas mais que não vou precisar em portugal. a falta só incomoda quando se tem tudo que revela o tédio de quem não fez e não lhe fizeram faltas.

" Filipe II tinha um colar de oiro

tinha um colar de oiro com pedras

rubis.

Cingia a cintura com cinto de coiro,

com fivela de oiro,

olho de perdiz.

Comia num prato

de prata lavrada

girafa trufada,

rissóis de serpente.

O copo era um gomo

que em flor desabrocha,

de cristal de rocha

do mais transparente.

Andava nas salas

forradas de Arrás,

com panos por cima,

pela frente e por trás.

Tapetes flamengos,

combates de galos,

alões e podengos,

falcões e cavalos.

Dormia na cama

de prata maciça

com dossel de lhama

de franja roliça.

Na mesa do canto

vermelho damasco

a tíbia de um santo

guardada num frasco.

Foi dono da terra,

foi senhor do mundo,

nada lhe faltava,

Filipe Segundo.

Tinha oiro e prata,

pedras nunca vistas,

safira, topázios,

rubis, ametistas.

Tinha tudo, tudo

sem peso nem conta,

bragas de veludo,

peliças de lontra.

Um homem tão grande

tem tudo o que quer.

O que ele não tinha

era um fecho éclair."

Saturday, December 17, 2011

a falta que faz a loucura em tempos de falsa lucidez


muito se fala em racionalidade,espiritualidade, religião mesmo, e dos descaminhos que o mundo roda em virtude da falta destes predicados. não se deixe enganar caro leitor: nunca o mundo foi tão racional, tão espiritualizado e tão religioso. tanto que até num país dito laico como o nosso(que não tem religião oficial)temos uma protetora oficial com direito a feriado e a uma indústria de gadgets e babilaques da (falsa) fé, à venda, justamente para fomentar o comércio do arrependimento e do perdão, coisa em que as religiões são mestras, sendo a católica pós-doutorada, mas hoje nada em que se compare aos tempos da idade média, isso lá pe verdade. e isto tudo,some-se ao que não é pouco - nem um verdadeiro louco acha - sendo a dita cuja da religião que mancomunou a destruição dos gentios, mas não sem antes meter-lhes muita sífilis e gonorréia através de seguidos estupros seguidos de morte, para não abrir aqui toda uma bíblia de atos prenhes da lucidez civilizatória sempre ungida e benzida fosse qual fosse o descalabro.
agora corrija-me se for capaz: digo que um verdadeiro louco não faria igual. portanto em vez de clamar por tanta racionalidade, lucidez,espiritualidade e religião(seja qual for) as evidências mostram que deviamos enlouquecer verdadeiramente, talvez a única maneira sóbria de dizer não a tudo isto. e por fim alcançar a salvação da genuína lucidez.

Friday, December 16, 2011

bunduda: ou uma quase escatologia da tuberosidade isquiática

amava uma bunda. casou-se com uma mulher bunda, teve um casamento bunda, e uma vida de merda. bom, até aqui nenhuma novidade, afinal: isso é o mínimo que se espera de uma boa bunda.

Thursday, December 15, 2011

trocadilho desgraçado


às vezes, e nem sempre só às vezes, o que fazemos, e o que podemos, de melhor, é o que nos leva ao pior onde literalmente nos fodemos.

Tuesday, December 13, 2011

uma questão de fé

o problema não é você acreditar em deus; ou vá lá, em deuses. o problema é eles não acreditarem em você.

Sunday, December 11, 2011

dizimando

se deus, dizem, não dá mínima para dinheiro, as igrejas; dão: ao máximo.

Friday, December 09, 2011

atraso de vida

de criança, e muito cedo, por mais pequeninos que fossemos, é que devíamos ter aprendido que o " pra sempre, sempre acaba", acaba mesmo, e quase sempre em merda.
e não na adolescência, quando já é tarde demais para vidas que mal começaram e a toda hora tomam tiros de fuzis nos ombros. o resto da vida, os que sobreviverem, o farão apoiados em uma educação sentimental onde recordar é viver. mas recordar mesmo o quê ?

Tuesday, December 06, 2011

rosa de luxemburgo

meus heróis não morreram de overdose. morreram sob tortura. ou, o que é pior, sob o peso de uma sensibilidade tal a impregnar-lhes a inteligência que findou por levá-los a pior morte de todas: o, em nada pomposo, esquecimento.

Friday, September 23, 2011

sem sacrifícios



os únicos deuses em que acreditava, eram os da mitologia(greco-romana) estes sim dão a exata medida do que nos espera quando acreditamos, seja em deus(es) e homens.

 

Sunday, September 18, 2011

quase marquês


como libertário, até poderia dizer que fiz história. agora, como libertino, ainda me faltam preceptoras.

digamos que por enquanto não passo de um marquês do sarro.

Sunday, September 11, 2011

o posto dos iguais ou em busca da vida tranqüila



desperdício. gastamos a maior parte do tempo na vida a procurar pelos iguais. quantos enganos na busca da vã similaridade, que apenas nos dá o tédio da segurança que não existe na vida – quiçá nem mesmo na morte. por isso, os créditos negativos de consumição ao fim de vidas que se tornaram lentilhas tamanha palidez em modorra de arrependimentos que não ousam sequer confessos. não finda o tempo de sacrifícios de outro tipo a que somos submetidos por não termos nos lançado a odisséia de não buscar o diferentemente igual.

Friday, September 09, 2011

sete vidas ou aos retardatários




da minha quadra alguns, da rua vizinha muitos. habituam-se rápido as porções, que julgo generosas, de ração e leite que deposito na calçada,sempre acompanhadas de afagos e uma boa dose de conversa para manter os assuntos em dia.

há dias em que por um motivo ou outro atraso .e isso me preocupa bastante. principalmente aos domingos, que é um dia de mais fome para os largados gatos, pois não há recolha de lixo e portanto nada para remexer e comer.a despeito do tempo que esboroa quando chego tarde estão lá dispostos nos lugares de sempre marcados por eles mesmo a minha revelia. quando não, levantando-me em torno da meia noite lá estão e o ritual procede.quando some algum - e somem muitos - penso:- como será quando eu sumir? se eles que tem sete vidas esfumaçam-se num repente, que do meu repente será o tempo de espera para os gatos que não tem sete vidas certamente para ficar esperando por mim que as vezes pego-me iludindo como dono de apenas uma vida que mesmo esta finda continuará a chegar para alimentá-los para toda a nossa fome de conversas de sempre.

Monday, September 05, 2011

o buraco é mais em em cima mas também é mais embaixo


antípodas por conceito, deus e liberdade. um, existindo ou não, escraviza. o outro, jamais deifica - apesar de tanta lavagem cerebral, a que chamam de pregação, para imiscuir um no outro o que ao fim e ao cabo, acaba sendo a negação dos dois na prática. prática de uma teoria onde a parábola torna-se a parábase incontestável, para os que acreditam em deus, e detestável para os que não.

a liberdade sempre foi tratada como uma coisa diabólica quando trata-se de justamente do contrário. se a tomássemos verdadeiramente como a base da condição humana para alcançar estágios mais acima, como por exemplo, ter um mínimo de vergonha na cara em explorar deslavadamente o outro, inclusive, e principalmente, em nome de deus e até mesmo da própria liberdade.

Friday, September 02, 2011

with a little luck



quando perguntam por ela, ele diz que um dia o reencontro acontecerá. a velha foto perdida surgirá como uma miragem e o perfume do envelope do seu último suspiro sucumbirá ao cheiro de madeira antes que a gaveta fechada no susto decepe o que restava dos seus pequenos dedos de lembranças.

Tuesday, August 30, 2011

troco

em certa perspectiva, os pobres tem a vida muito rica mas eles são pobres.

sob certa ótica, espelhadamente complementar, os ricos tem a vida muito pobre mas eles são ricos.


Monday, August 22, 2011

vesti azul


já não se fazem olds man como antigamente.

não estou falando de picasso ou burroughs, por exemplo, que detonou sozinho todas as preventivas sobre drogas. exceção da regra, por aventuras, o homem fez tudo de não encontro aos manuais de vida saudável e tornou-se longevo, produtivo e iconoclasta - e bota iconoclasta nissso - apesar de todo alcatrão e toda espécie de química alucinógena que ousou adentrar seu corpo passando longe dos abrigos e piedade dos que o detestam ou não o compreenderam, destestável por isso mesmo: eis o retrato da nossa pobreza ontológica: detestar tudo aquilo que não se compreenda. capítulo a parte, a parte em que assassinou a mulher, quando quis bancar o guilherme tell(robim hood depois dos filmes não se pasta mais) e em vez de acertar a maça sobre a cabeça daquela que amava - sim, ele a amava, como só os homossexuais sabem amar uma mulher - acertou em cheio a cabeça.

mas voltando ao assunto dos old, and womens que avançaram no tempo, estou falando da mutação que confere novos olhares sobre os que passam dos sessenta, setenta, já não tão difícil oitentas e começam a se contar centenas de casos sobre os noventa operantes.
para a minha geração, quando da adolescência, nos conturbados anos sessenta(toda adolescência é conturbante, até mesmo a desta geração que não merece a minha simpatia tamanha idiotia. coisas de velho?) sim, completar quarenta era o adeus as colegiais, o preparo para pousar a barriga em algum bairo de subúrbio recordando elvis e similares?elvis teria similares? hum, o tempo passa - e como isso é bom, ao contrário do que se pensa em contrário, desde que evidentemente você o torne um aliado( o tempo é o que você faz dele, não se esqueça, diz o mote do comercial de certa marca de relógios, contraditoriamente? descartáveis).

já nos anos oitenta, quarentões passaram a ser o charme para lolitas e borboletas cansadas. anos 90: cinquentões já se tornam capazes de fazer o que até eles duvidavam. fim do século passado e os sessentões não viam no espelho a imagem do fim do mundo e com a descoberta da internet descobriram que era possível sim fazer também aquelas sacanagens virtuais para além de sonhos molhados, por lágrimas. no travesseiro.
viramos o século e setentões, homens e mulheres, dizem não ao fim do sexo, refinam-se em modos e atitudes - menos os dedicados a carolagem e outros tipos de associação com religião - metem a mão na massa a frente ou na retaguarda de ongs e muitos deles são a vanguarda intelectual de um tempo onde os adolescentes conseguem se dizer geração y mas que não sabem nada do bé a bá da escrita que os espera. inclusive ler ou interpretar o que quer que seja.
casos há em que oitentões e noventões, seguem em frente, sem muletas psicológicas, fisicamente e intelectualmente invejáveis(sem a aflição que nos causam certos anciões de terços incontáveis a desmanchar-se a nossa frente, alguns com corcovas a mostrar o peso do tempo hipócrita) - levando a vida, não a normal que imaginamos para longevos bem comportados que devem suplicar a nossa caridade, mas muito pelo contrário a nos confrontar com seu " mau exemplo" ante a covardia de uma juventude que já nasceu, em sua grande maioria, imprestável e com defeitos de fabricação graves no tocante ao carátere propósitos.
mas como definir então o momento em que nos tornamos velhos - terceira idade ou melhor idade é mais um daqueles eufemismos com os quais o politicamente correto anula a verdadeira luta política -   ou não? para além das ameças concretizadas ou não dos avcs, enfartos, diabetes, alzheimers, parkinsons, escleroses, neuroses, que aterrorizam tanta gente? como deciframos esta virada do placar ? já que decididamente a fonte da juventude não há, muito embora já se flerte com as possibilidades concretas de nos tornarmos cyborgs com peças de reposição negociadas na prateleira?
penso que nos tornamos velhos quando deixamos de sonhar e passamos a recordar. e mais velhos ainda quando ficamos a sonhar e deixamos de realizar. e muito mais ainda quando perdemos a capacidade de dizer não,quando nos confinamos ao papel de dizer sim, quer pela comodidade, quer pelo medo de não ter aonde cair, como se algo fosse necessário quando se está a cair.

a vida nem sempre é o contrário da morte. tampouco a morte é a sua negação.há muitos vivos mortos, de tão enterrados em convenções, e muitos mortos vivos acima de qualquer suspeita. portanto, digo que a vida é a morte vestida de azul para um baile de debutantes que dura o tempo do compasso de espera de cada um. e se torna mínima ou máxima pelo andamento que se marca e se forja entre o acaso e a necessidade do convívio consigo próprio nesta imensa orquestra chamada universo, que se expande e se contrai muito mais dentro da cabeça de cada um do que fora. neste contexto - e para mim em todos os outros - a figura de deus, que o senso comum define como uma espécie de maestro de todos os universos, é tal a daqueles maestros cuja batuta regedora tem apenas a função de tentar conter, mas sem conseguir, o solo de vida, fora da partitura, dos verdadeiros imortais.

in tempo: não é porque vocês vestem jeans que podem achar-se vessidos de azul. de há muito que a geração jeans mais do que desbotada ficou-se pelo roxo mofo mortalha.


Tuesday, July 19, 2011

elevador


religiões, todas; agremiações instituídas, que chegam a se tornar países, onde líderes e seguidores se transformam em tiranos e vassalos. uma coisa, tanto como a outra, responsável pelos níveis mais rasos que a humanidade já atingiu ao contrário da pregação de elevação dos mesmos.
como diria o bardo, deus, se existir, não necessita de intermediários. e para além disso, registre-se que até agora o único altíssimo que vê ou ouve são os gritos dos mercenários da fé a cobrar pedágio para a estrado do fim sem começo.

Saturday, July 16, 2011

galo da madrugada


todo dia via o sol. here come the sun. viesse o astro ou não. e por isso mesmo cantava enquanto a aldeia muda o tachava de louco.
a tal da loucura radiante incomodava. e quanto.

Thursday, July 14, 2011

crossroads


uma encruzilhada nos apresenta a velhice. de um lado a demência, parcial ou total, com sua solidão acrítica e degenerativa.
de outro, a total lucidez. ou o mínimo que seja dela, nunca com menos ou pífio impacto.
a solidão crítica inconforma-se lado a lado com a possibilidade da loucura ante a monstruosidade que é ver sem galanteios as coisas como elas realmente são enquanto o frenesi da sociedade a liquidifica e serve miragens.
a terceira idade ou a melhor idade nada mais é aquela que nos foi roubada desde a infância pelas convenções que agora se derramam pelas fraldas geriátricas do que deveria ter sido visto e revisto e não foi.

Tuesday, July 12, 2011

demasiadamente humano

nem a melhor das vinganças causaria o estrago que a estrias e celulites fizeram no orgulho de todas aquelas que desprezaram o mundo por se acharem demasiado gostosas.

Wednesday, July 06, 2011

sintagmática ou paradoxo com tosse


era um ponto e vírgula sem cabeça- um underline aspirando travessões, uma interrogação sem exclamações, um cecedilha tomado como ser sem cedilha, um parentêntese revelando sua artrose, um til ancião, um colchete sem teclado. em suma: era um apagado ou teclado quase suspirando pelas mãos de unhas roxas da adolescente que não tinha ponto de vista nenhum naquela tarde de lanhouses sem perspectivas.