Tuesday, June 02, 2026

rapaz asseado

um bom sabonete. idem escova de dentes e pasta, sem esquecer o fio dental, só para lembrar que já não tenho todos os dentes, porque relaxei e algo que me calce os pés, sem complicar. nada da moda. apenas calçado. eis os luxos que ainda mantenho pois nem perfume me queda mais. findo a caminhada como a comecei. mas antes era sabão de côco, que eriçava ainda mais os cabelos, kolynos sem ah! gessy lever que fosse e uma havaiana que era moda antes que a moda fosse vender havaiana falsificada nas lojas oficiais das havaianas. a cada banho renovo a pele de cobra criada e o bom cheiro; não que fedesse mas banho tomado dá aquela sensação de que o mundo é um mar de rosas e que os espinhos não passaram de um sonho que caiu da cama e o caldo escorreu pelo ralo do box. escovar os dentes é agora um ritual de encontro. o espelho mente para mim e eu lhe confesso verdades que antes não ousava. tudo é simples, como é simples, pelo menos na aparência, respirar o cheiro do bom sabonete que acabei de abrir e alcançar alquimias do passado, presente e futuro. não digo a marca porque não me parece bem fazer comercial. mas já foi phebo, agora não mais. marcas já não me importam, tampouco as do corpo. apenas o cheiro de um certo requinte com suas espumas que gracejam luxuosas e espevitadas sobre a epiderme que as recebe de bom grado. antes, banho corrido, escovar dentes nem sempre, desprezar a toalha e pé no mundo. agora, que o mundo não dá mais pé, é respirar fundo -  daí a importância  do bom sabonete - e suspirar até a essência acabar.