Monday, July 06, 2026

multiverso

não conheço a explicação abalisada sobre o fenômeno. mas de vez em quando me bate a sensação de que não deixei de estar em muitos lugares onde estive. não são recordações, memórias afetivas ou lembranças desejadas. ainda estou lá, dança de átomos e moléculas, física quântica, onde não reajo com ninguém, apenas caminho por lugares que vivi num quasar pulsar onde a presença é mais que poética. partes de mim parecem nunca ter saído destes lugares sem que hoje sinta alguma falta ou desmembramento. não sinto em momento algum estar numa realidade paralela. o que está lá sou eu sem que seja sombra ou projeção de um lado sobre o outro, enquanto cá estou inteiro ser estar dobrado. a sensação me lembra a representação dos deuses do olimpo observando os humanos sem poder intervir. no meu caso, pareço interver ou melhor interviver. há quem diga que isto acontece apenas post mortem. não me parece, nem acredito, afinal, até prova em contrário, estou vivo. se não, perde totalmente a graça. como diria o bardo, " viver é melhor que sonhar". para além do fato que o ato de sonhar será sempre privilégio dos vivos. aos mortos, o sono sem despertador, sonho de muita gente.

sem colorau

envelhecer dói. dói demais, dói de menos, ao menos dói. palavras de consolo, saudades, pernas trêmulas, memórias curtas, músicas que dançamos sem lembrar as letras. a boca seca a boca baba, eis o pas de deux de agora.
surpresas? as que o espelho nos causa quando ajeitamos os óculos semi embaçados por algumas lágrimas pelos livros que nunca conseguiremos ler. enquanto isso, algum tempo no sofá - ou na rede - assistindo vídeos com pessoas que não interessa que são ou foram famosas mas que gostaríamos de ter namorado enquanto jovens e que ainda nos despertam um tesão de irmandade. ah! os anos 70. o túnel do tempo não tem luz ao fim. só ao começo. quase despedida, envelhecer dói. mas é aquela dor que ainda sentimos por viver. e o zumbido no ouvido é prenúncio de que o trem tá vindo.

Sunday, July 05, 2026

fotofobia ou sucesso anônimo

sou daqueles que poderia ter muito sucesso em várias coisas. em algumas até tive; relativo sucesso. mas não porque tivesse ficado no meio do caminho( 2 ou 3 delas sim) mas no resto, apenas continuei a andar sem holofotes. devo ter fotofobia. 

osteoartrite

é certo que colin hay nunca foi bonito. mas quando se é jovem, até o mais feio dos feios tem a beleza da juventude ( e pensar que tantos se matam por não viver isso ). colin hoje, calvície adiantada, barba escocesa que lembra homens do mar em seus rebocadores, com a voz intacta e o canto melhor do que quando era jovem ( e pensar que tantos se matam por não viver isso ) ao violão, quase como se fosse qualquer de nós a cantar, porque simplesmente gostamos de cantar, seja no banheiro, no quarto ou no jardim, ainda que tolamente pensemos ser pássaros, canta como nunca. colin, tudo aparenta, está de bem com a vida (apesar ou por conta de ter se safado dos revezes) e sente e nos dá a sensação de como é leve cantar sem compromisso com multidões. na forma simples e quase pura, exala cancões que gosta, além das próprias. e isso desperta logo uma vontade de pegar um violão e tocar. gosto de artistas assim, despojados, sem cenários e figurinos a empestiar o canto. e sobretudo daqueles, que em vez de ficar contando posses, automóveis, mansões ou instrumentos de coleção, continuam cigarra ainda que "man at work". eu mesmo, já fiz muitas sessões ao violão, num velho country vox, que cupins paraibanos, por desatenção minha, destruíram. hoje não canto melhor e sequer posso mais tocar. a osteoartrite endureceu-me os dedos a tal ponto que nem os acordes com cordas soltas me salvam. dedos endurecidos mas a emoção não. vejo e ouço colin e faço-lhe vocal, que até intriga gatos e cães na platéia. é, não estou morto e pensar que tantos se matam por não viver isso. https://youtu.be/wJHSPkUurDA?is=HPkvjJewKYnSIGq9

Friday, July 03, 2026

extinção dos botequins

não quero conversa com IA. quero conversa com gente inteligente. mas tá difícil pra cacete. só encontro gente artificial. e a inteligência? nem essa.