viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Sunday, July 05, 2026
osteoartrite
é certo que colin hay nunca foi bonito. mas quando se é jovem, até o mais feio dos feios tem a beleza da juventude ( e pensar que tantos se matam por não viver isso ). colin hoje, calvície adiantada, barba escocesa que lembra homens do mar em seus rebocadores, com a voz intacta e o canto melhor do que quando era jovem ( e pensar que tantos se matam por não viver isso ) ao violão, quase como se fosse qualquer de nós a cantar, porque simplesmente gostamos de cantar, seja no banheiro, no quarto ou no jardim, ainda que tolamente pensemos ser pássaros, canta como nunca. colin, tudo aparenta, está de bem com a vida e sente e nos dá a sensação de como é leve cantar sem compromisso com multidões. na forma simples e quase pura, exala cancões que gosta, além das próprias. e isso desperta logo uma vontade de pegar um violão e tocar. gosto de artistas assim, despojados, sem cenários e figurinos a empestiar o canto. e sobretudo daqueles, que em vez de ficar contando posses, automóveis, mansões ou instrumentos de coleção, continuam cigarra ainda que "man at work". eu mesmo, já fiz muitas sessões ao violão, num velho country vox, que cupins paraibanos, por desatenção minha, destruíram. hoje não canto melhor e sequer posso mais tocar. a osteoartrite endureceu-me os dedos a tal ponto que nem os acordes com cordas soltas me salvam. dedos endurecidos mas a emoção não. vejo e ouço colin e faço-lhe vocal, que até intriga gatos e cães na platéia. é, não estou morto e pensar que tantos se matam por não viver isso. https://youtu.be/wJHSPkUurDA?is=HPkvjJewKYnSIGq9
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