misterwalk
viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Wednesday, August 26, 2026
autoimune
diante do frenesi histérico da idiotia religiosa; da estupidez bombada do terraplanismo; da ignorância muito acima da ciência dos antivacina; do neopentecostalismo abrindo as portas do estelionato, em qualquer modalidade - nem caroço de feijão escapa - dos feminicídios, da fobia assassina a cada letra dos LGBQTIAPN+; do ideal da liberdade subjugado pelos celulares; do ethos político nunca antes tão reacionário e de uma moral tão mofada que até gogumelos brocha, não faltasse um neoliberalismo que traz o "zumbizinato" aos pobres e classe média, concluo, sim, que a humanidade finalmente conseguiu: alcançou o estágio de autoimunidade. há quem diga que tal estágio, quase alcançado por pouco na idade média, quase spoiler do que hoje é, faltando-lhe o príon das redes sociais. agora temos, agora fodeu: a distopia venceu a utopia. o sonho acabou pra valer. dormindo ou acordado, nossa desgraça é a mesma. boletos são a espada de dâmocles ceifando geral, da arquibancada aos camarotes. não somos mais donos de nossos corpos, de nossas vontades, e assim sendo, violentando a nós mesmos e uns aos outros chegamos a autoimunidade. o indivíduo multidividido reage ao coletivo como o inimigo a ser eliminado e o coletivo vê no indivíduo o alvo a ser abatido. ambos cada vez mais numerosos a diminuir suas fileiras paradoxalmente. a mesma batalha que ocorre biologicamente, em quem padece de doença autoimune, agora acontece no corpo social tal e qual. o resultado será o mesmo: extinção do hospedeiro. alguns dirão, já não era sem tempo mas você vai primeiro.
Tuesday, August 25, 2026
em estado de choque ou choque de realidade
a vida e suas projeções, nos entes mais simples aos mais complexos, nada mais é que um fenômeno eletroquímico, eis a verdade. no fundo no fundo, da cabeça mais desmiolada ou do mais profundo cu, células em pandemônio organizado de sequências de impulsos elétricos e químicos, tenho de repetir. então se doer diante dos acontecimentos da vida - a excecão de dores de dente, ouvido ou câncer nos ossos - é claro que há outras dores até piores ô idiota desernergizado - é uma espécie de compulsão ao gasto de energia e química na ilusão de que isso nos torna mais humanos. sentimentos vãos ou nobres, a mesma base. energia e química predominantemente no cérebro em disparo condicionado, em partes predeterminado em parte resultante do aprendizado dito social. no fundo no fundo, aprendemos com muito mais facilidade a doer do que ser felizes. uma dificuldade que depois de tantos mil e mil anos de evolução ( quero dizer que olhando para a humanidade hoje há bastante controvérsia se realmente evoluímos) não conseguimos superar. até parece que dói mais ser feliz do que estar dodói. seria a felicidade entrópica ou distópica? é aqui que entra a arte, pois como disse o poeta (revolucionário que se tornou reacionário) "a arte existe porque a vida só não basta" . mas ora ora, também na arte, a dor, tantas vezes ainda mais dilacerante, não nos deixa e a felicidade quase nunca dá profundidade à arte. considerando que somos uma pilha ou bateria, de recargas sem garantia, cuja durabilidade oscila ao sabor do acaso e da necessidade, na dualidade dor ( física e ou emocional ) e felicidade, o que mais nos descarrega ou recupera a " bateria"? o estado de dor ou felicidade? a julgar pela minha bateria em fim de carga, nem uma coisa nem outra, já que somos baterias viciadas em falsos carregamentos.
Wednesday, August 19, 2026
Tuesday, August 18, 2026
veni vide vici
as minhas batalhas, travo sozinho, mesmo na pior condição de inferioridade numérica. muitas, das quais perdi - algumas fragorosamente - poderia ter vencido, se agregasse aliados. acontece que não gosto da sensação de não saber se a lâmina que me perfura, foi de um aliado e não do inimigo, para o qual me preparo. para o inimigo não dou as costas e assim, mesmo em maior número, a batalha é frente a frente. e reza a lenda que temos alguma chance. é uma tática de sobrevivência pra lá de arriscada. mas é risco calculado. e risco calculado aumenta probabilidades mesmo onde não há nenhuma. e a prova disso é que ainda estou aqui.
Sunday, August 16, 2026
Monday, July 06, 2026
multiverso
não conheço a explicação abalisada sobre o fenômeno. mas de vez em quando me bate a sensação de que não deixei de estar em muitos lugares onde estive. não são recordações, memórias afetivas ou lembranças desejadas. ainda estou lá, dança de átomos e moléculas, física quântica, onde não reajo com ninguém, apenas caminho por lugares que vivi num quasar pulsar onde a presença é mais que poética. partes de mim parecem nunca ter saído destes lugares sem que hoje sinta alguma falta ou desmembramento. não sinto em momento algum estar numa realidade paralela. o que está lá sou eu sem que seja sombra ou projeção de um lado sobre o outro, enquanto cá estou inteiro ser estar dobrado. a sensação me lembra a representação dos deuses do olimpo observando os humanos sem poder intervir. no meu caso, pareço interver ou melhor interviver. há quem diga que isto acontece apenas post mortem. não me parece, nem acredito, afinal, até prova em contrário, estou vivo. se não, perde totalmente a graça. como diria o bardo, " viver é melhor que sonhar". para além do fato que o ato de sonhar será sempre privilégio dos vivos. aos mortos, o sono sem despertador, sonho de muita gente.
sem colorau
envelhecer dói. dói demais, dói de menos, ao menos dói. palavras de consolo, saudades, pernas trêmulas, memórias curtas, músicas que dançamos sem lembrar as letras. a boca seca a boca baba, eis o pas de deux de agora.
surpresas? as que o espelho nos causa quando ajeitamos os óculos semi embaçados por algumas lágrimas pelos livros que nunca conseguiremos ler. enquanto isso, algum tempo no sofá - ou na rede - assistindo vídeos com pessoas que não interessa que são ou foram famosas mas que gostaríamos de ter namorado enquanto jovens e que ainda nos despertam um tesão de irmandade. ah! os anos 70. o túnel do tempo não tem luz ao fim. só ao começo. quase despedida, envelhecer dói. mas é aquela dor que ainda sentimos por viver. e o zumbido no ouvido é prenúncio de que o trem tá vindo.
Sunday, July 05, 2026
fotofobia ou sucesso anônimo
sou daqueles que poderia ter muito sucesso em várias coisas. em algumas até tive; relativo sucesso. mas não porque tivesse ficado no meio do caminho( 2 ou 3 delas sim) mas no resto, apenas continuei a andar sem holofotes. devo ter fotofobia.
osteoartrite
é certo que colin hay nunca foi bonito. mas quando se é jovem, até o mais feio dos feios tem a beleza da juventude ( e pensar que tantos se matam por não viver isso ). colin hoje, calvície adiantada, barba escocesa que lembra homens do mar em seus rebocadores, com a voz intacta e o canto melhor do que quando era jovem ( e pensar que tantos se matam por não viver isso ) ao violão, quase como se fosse qualquer de nós a cantar, porque simplesmente gostamos de cantar, seja no banheiro, no quarto ou no jardim, ainda que tolamente pensemos ser pássaros, canta como nunca. colin, tudo aparenta, está de bem com a vida (apesar ou por conta de ter se safado dos revezes) e sente e nos dá a sensação de como é leve cantar sem compromisso com multidões. na forma simples e quase pura, exala cancões que gosta, além das próprias. e isso desperta logo uma vontade de pegar um violão e tocar. gosto de artistas assim, despojados, sem cenários e figurinos a empestiar o canto. e sobretudo daqueles, que em vez de ficar contando posses, automóveis, mansões ou instrumentos de coleção, continuam cigarra ainda que "man at work". eu mesmo, já fiz muitas sessões ao violão, num velho country vox, que cupins paraibanos, por desatenção minha, destruíram. hoje não canto melhor e sequer posso mais tocar. a osteoartrite endureceu-me os dedos a tal ponto que nem os acordes com cordas soltas me salvam. dedos endurecidos mas a emoção não. vejo e ouço colin e faço-lhe vocal, que até intriga gatos e cães na platéia. é, não estou morto e pensar que tantos se matam por não viver isso. https://youtu.be/wJHSPkUurDA?is=HPkvjJewKYnSIGq9
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