Saturday, December 27, 2025

cochilo

alguns velhos só pesadelos. muitos poucos, sonhos. eu, insônia. 

Tuesday, November 25, 2025

rituais

diversas explicações sobre os impactos do símbólico sobre a vida, a vida real, aquela que não aparece nas simulações dos meios de comunicação. alguns, sórdidos, outros, macabros mas há, sim, lúdicos, telúricos, com seus eflúvios e sentimento de alvíssaras. quanto a mim, passo ao largo, principalmente os de iniciação ou fim. velório, por exemplo: nem se eu fosse môsca. contudo, perto do fim, não por mim, mas pelos outros ou pela outra, quedo-me em concessão: velório nem fodendo. mas depois de cremado ( sou claustrofóbico e já basta os apertos que passei na vida para ser enterrado) vá lá que seja: minhas cinzas num barquinho, num fim de tarde, naquela praia onde vivi alegremente, como se não houvesse fim do verão, discretamente, empurrado entre marolas, ainda que logo mais, muito provavelmente, retorne a areia. pronto. está feito o ritual da despedida da ida sem volta. contudo, algo em mim, sussurra: caralho! já não basta tu morrer queimado seu filho da puta e tu ainda quer morrer afogado? pensando bem. de morte morrida, basta uma, e deste ritual ninguém escapa. 

Thursday, November 20, 2025

meia bomba

envelhecer, e bem, é pra poucos. mas calma que nem tudo é um pesadelo na velhice. mas sim, há também coisas terriveis que podem te acontecer nela. exemplo: quando a cabeça quer e o corpo não obedece. e como desgraça pouca é bobagem, o corpo quer mas a cabeça nem sabe que o corpo existe. achou ruim? tem mais, por cima de queda coice: cabeça e corpo nada mais além de cansaço, dor e esquecimento. contudo, se cabeça e corpo, ainda dando umas traulitadas, regozije-se, você estará melhor que a tal geração Z, cabeças de bagre e corpo de frankstein - que me desculpe o original, aquela que precisa de localização atual para achar um endereço - que dirá um cu - senão eles enfiam no umbigo, se for aproximada. a minha geração, pelo menos, pelo tato ou pelo cheiro, chega ao endereço rapidinho. mesmo aos 72, que já não tem a graça dos 69;). a gente bambeia mas ainda saracoteia como ninguém. 

Monday, November 17, 2025

celso boy blues

desta vez não deu. desci (ou subi)  com o felling mas faltou o resto. e assim não me tornei o guitarrista, -ainda que meu foco fosse o canto e a composição - que poderia ter sido. e quando pensei que ainda havia tempo a artrite psoriática endureceu as mãos e o restante das possibilidades, até de tocar com os pés. então, mestres do olimpo, como não há retrofit, a julgar pelo tempo que me resta, se voltar, que eu não volte como um hendrix, um devadip, um clapton, um robin trower, um rory gallagher, um gary moore, um mick taylor, um alvin lee. que eu volte como um. b. b. - o king nem me caberia pois recuso a monarquia mas reverencio o riley ben. p. s. se não der, com muito gosto, já que somos xarás e adoramos blues, podem me legar um celso blues boy que não por mera coincidência adorava e era adorado pelo b. b. king. antes de pedir demais, que alguém o diga, contra solo que acertei na minhas escolhas de ouvido. 

Thursday, November 13, 2025

fazendo estória

viva bem, até não mais poder, as suas estórias. no futuro, quem sabe, elas serão história. e se você mais nada tiver, as terá. e nada mais desgraçado, miserável e terrivel, do que envelhecer sem ter estórias pra contar. fazer história é outra estória. 

Tuesday, November 11, 2025

pequeno grande homem

ah! as coisas pequenas. grandes pequenas coisas que de tão grandiosas, quem pode vê-las por inteiro? senão partes, que nós apelidamos de coisas pequenas. isto posto, como o humano se torna pequeno diante delas. não cessa de se achar, com arrogância emperdenida, algo assim assim, maior de grande, que de grande mesmo ele não tem nada. eternamente pequeno, no grande engano da sua pequena existência, finda pequeno grande homem. e por pura desfaçatez, não mais do que isso, alimenta ideia de que as tais coisas pequenas equivalem a sua própria pequenez, que ele não reconhece grande. e como se tanta pequenez não bastasse, ainda menor, em seu pequeno mapa do tempo, onde sequer aprende, com o ínfimo tempo que lhe é concedido, a verdadeira ordem de grandeza e pequenez, contidas no quântico da vida, com as partículas de suas chegadas e partidas que mal se enxergam na eterna idade. pobre pequeno grande homem.