misterwalk
viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Friday, October 02, 2026
ainda não está escuro
se soubesse antes, o quanto a solidão me aquece, enriquece e acalma, não teria perdido tempo com más ou boas companhias, que sejam. deveria ter sido mais solidário com minha solidão: a única que verdadeiramente me amou ( ou suportou ) e amará até o fim e para a qual entrego, desnudo, tudo o que sou no que restou. mas temo que ela merecia coisa bem melhor. consolo ou libertação, chegará o momento em que ela se quedará sozinha, sem nenhum espelho.
Thursday, September 10, 2026
calderon na minha barca
já lhe bateu a sensação de que tudo é memória, que você não está mais vivo? pelo sim, pelo não, viva! mas calderon, mémoria é sonho ou sonho é memória?
Wednesday, August 26, 2026
autoimune
diante do frenesi histérico da idiotia religiosa; da estupidez bombada do terraplanismo; da ignorância muito acima da ciência dos antivacina; do neopentecostalismo abrindo as portas do estelionato, em qualquer modalidade - nem caroço de feijão escapa - dos feminicídios, da fobia assassina a cada letra dos LGBQTIAPN+; do ideal da liberdade subjugado pelos celulares; do ethos político nunca antes tão reacionário e de uma moral tão mofada que até gogumelos brocha, não faltasse um neoliberalismo que traz o "zumbizinato" aos pobres e classe média, concluo, sim, que a humanidade finalmente conseguiu: alcançou o estágio de autoimunidade. há quem diga que tal estágio, quase alcançado por pouco na idade média, quase spoiler do que hoje é, faltando-lhe o príon das redes sociais. agora temos, agora fodeu: a distopia venceu a utopia. o sonho acabou pra valer. dormindo ou acordado, nossa desgraça é a mesma. boletos são a espada de dâmocles ceifando geral, da arquibancada aos camarotes. não somos mais donos de nossos corpos, de nossas vontades, e assim sendo, violentando a nós mesmos e uns aos outros chegamos a autoimunidade. o indivíduo multidividido reage ao coletivo como o inimigo a ser eliminado e o coletivo vê no indivíduo o alvo a ser abatido. ambos cada vez mais numerosos a diminuir suas fileiras paradoxalmente. a mesma batalha que ocorre biologicamente, em quem padece de doença autoimune, agora acontece no corpo social tal e qual. o resultado será o mesmo: extinção do hospedeiro. alguns dirão, já não era sem tempo mas você vai primeiro.
Tuesday, August 25, 2026
em estado de choque ou choque de realidade
a vida e suas projeções, nos entes mais simples aos mais complexos, nada mais é que um fenômeno eletroquímico, eis a verdade. no fundo no fundo, da cabeça mais desmiolada ou do mais profundo cu, células em pandemônio organizado de sequências de impulsos elétricos e químicos, tenho de repetir. então se doer diante dos acontecimentos da vida - a excecão de dores de dente, ouvido ou câncer nos ossos - é claro que há outras dores até piores ô idiota desernergizado - é uma espécie de compulsão ao gasto de energia e química na ilusão de que isso nos torna mais humanos. sentimentos vãos ou nobres, a mesma base. energia e química predominantemente no cérebro em disparo condicionado, em partes predeterminado em parte resultante do aprendizado dito social. no fundo no fundo, aprendemos com muito mais facilidade a doer do que ser felizes. uma dificuldade que depois de tantos mil e mil anos de evolução ( quero dizer que olhando para a humanidade hoje há bastante controvérsia se realmente evoluímos) não conseguimos superar. até parece que dói mais ser feliz do que estar dodói. seria a felicidade entrópica ou distópica? é aqui que entra a arte, pois como disse o poeta (revolucionário que se tornou reacionário) "a arte existe porque a vida só não basta" . mas ora ora, também na arte, a dor, tantas vezes ainda mais dilacerante, não nos deixa e a felicidade quase nunca dá profundidade à arte. considerando que somos uma pilha ou bateria, de recargas sem garantia, cuja durabilidade oscila ao sabor do acaso e da necessidade, na dualidade dor ( física e ou emocional ) e felicidade, o que mais nos descarrega ou recupera a " bateria"? o estado de dor ou felicidade? a julgar pela minha bateria em fim de carga, nem uma coisa nem outra, já que somos baterias viciadas em falsos carregamentos.
Wednesday, August 19, 2026
Tuesday, August 18, 2026
veni vide vici
as minhas batalhas, travo sozinho, mesmo na pior condição de inferioridade numérica. muitas, das quais perdi - algumas fragorosamente - poderia ter vencido, se agregasse aliados. acontece que não gosto da sensação de não saber se a lâmina que me perfura, foi de um aliado e não do inimigo, para o qual me preparo. para o inimigo não dou as costas e assim, mesmo em maior número, a batalha é frente a frente. e reza a lenda que temos alguma chance. é uma tática de sobrevivência pra lá de arriscada. mas é risco calculado. e risco calculado aumenta probabilidades mesmo onde não há nenhuma. e a prova disso é que ainda estou aqui.
Sunday, August 16, 2026
Subscribe to:
Posts (Atom)