misterwalk
viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Monday, October 26, 2026
o organista (não confundir com onanista)
tocava o velho hammond como se manejasse uma navalha; para além do picador de gelo nas notas soltas e acordes dissonantes. mas era naquela passada de mão, de canto a canto do(s) teclado(s), que a navalha se fazia sentir, frenesi subindo estômago acima, tremendo a caixa leslie e fazendo o sangue borbulhar nas veias quase entupidas, suas e dos ouvintes. no mais, quase seria orgasmo se não fosse a incontinência.
memórias da pelle
nestes dois últimos anos foram anos em que mais vivi morri aos pouquinhos com muita intensidade mas devagarinho, repassando em sonhos e memórias tudo o que vivi. memória em ampulheta digo: se quando se morre "sua vida inteira passa a sua frente em segundos", quando chegar a hora terei um branco. afinal, pra que repassar o que morri?
Saturday, October 17, 2026
fazei o bem sem olhar a quem
no afã de fazer o bem, você quase sempre vai se dar mal. com isso estou dizendo que você não deve fazer o bem? longe disto. mas não espere papel higiênico macio, perfumado e picotado.
Friday, October 02, 2026
ainda não está escuro
se soubesse antes, o quanto a solidão me aquece, enriquece e acalma, não teria perdido tempo com más ou boas companhias, que sejam. deveria ter sido mais solidário com minha solidão: a única que verdadeiramente me amou ( ou suportou ) e amará até o fim e para a qual entrego, desnudo, tudo o que sou no que restou. mas temo que ela merecia coisa bem melhor. consolo ou libertação, chegará o momento em que ela se quedará sozinha, sem nenhum espelho.
Thursday, September 10, 2026
calderon na minha barca
já lhe bateu a sensação de que tudo é memória, que você não está mais vivo? pelo sim, pelo não, viva! mas calderon, mémoria é sonho ou sonho é memória?
Wednesday, August 26, 2026
autoimune
diante do frenesi histérico da idiotia religiosa; da estupidez bombada do terraplanismo; da ignorância muito acima da ciência dos antivacina; do neopentecostalismo abrindo as portas do estelionato, em qualquer modalidade - nem caroço de feijão escapa - dos feminicídios, da fobia assassina a cada letra dos LGBQTIAPN+; do ideal da liberdade subjugado pelos celulares; do ethos político nunca antes tão reacionário e de uma moral tão mofada que até gogumelos brocha, não faltasse um neoliberalismo que traz o "zumbizinato" aos pobres e classe média, concluo, sim, que a humanidade finalmente conseguiu: alcançou o estágio de autoimunidade. há quem diga que tal estágio, quase alcançado por pouco na idade média, quase spoiler do que hoje é, faltando-lhe o príon das redes sociais. agora temos, agora fodeu: a distopia venceu a utopia. o sonho acabou pra valer. dormindo ou acordado, nossa desgraça é a mesma. boletos são a espada de dâmocles ceifando geral, da arquibancada aos camarotes. não somos mais donos de nossos corpos, de nossas vontades, e assim sendo, violentando a nós mesmos e uns aos outros chegamos a autoimunidade. o indivíduo multidividido reage ao coletivo como o inimigo a ser eliminado e o coletivo vê no indivíduo o alvo a ser abatido. ambos cada vez mais numerosos a diminuir suas fileiras paradoxalmente. a mesma batalha que ocorre biologicamente, em quem padece de doença autoimune, agora acontece no corpo social tal e qual. o resultado será o mesmo: extinção do hospedeiro. alguns dirão, já não era sem tempo mas você vai primeiro.
Tuesday, August 25, 2026
em estado de choque ou choque de realidade
a vida e suas projeções, nos entes mais simples aos mais complexos, nada mais é que um fenômeno eletroquímico, eis a verdade. no fundo no fundo, da cabeça mais desmiolada ou do mais profundo cu, células em pandemônio organizado de sequências de impulsos elétricos e químicos, tenho de repetir. então se doer diante dos acontecimentos da vida - a excecão de dores de dente, ouvido ou câncer nos ossos - é claro que há outras dores até piores ô idiota desernergizado - é uma espécie de compulsão ao gasto de energia e química na ilusão de que isso nos torna mais humanos. sentimentos vãos ou nobres, a mesma base. energia e química predominantemente no cérebro em disparo condicionado, em partes predeterminado em parte resultante do aprendizado dito social. no fundo no fundo, aprendemos com muito mais facilidade a doer do que ser felizes. uma dificuldade que depois de tantos mil e mil anos de evolução ( quero dizer que olhando para a humanidade hoje há bastante controvérsia se realmente evoluímos) não conseguimos superar. até parece que dói mais ser feliz do que estar dodói. seria a felicidade entrópica ou distópica? é aqui que entra a arte, pois como disse o poeta (revolucionário que se tornou reacionário) "a arte existe porque a vida só não basta" . mas ora ora, também na arte, a dor, tantas vezes ainda mais dilacerante, não nos deixa e a felicidade quase nunca dá profundidade à arte. considerando que somos uma pilha ou bateria, de recargas sem garantia, cuja durabilidade oscila ao sabor do acaso e da necessidade, na dualidade dor ( física e ou emocional ) e felicidade, o que mais nos descarrega ou recupera a " bateria"? o estado de dor ou felicidade? a julgar pela minha bateria em fim de carga, nem uma coisa nem outra, já que somos baterias viciadas em falsos carregamentos.
Wednesday, August 19, 2026
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