Sunday, June 21, 2026

sísifo

não sei se poupei mundo da minha enorme mediocridade ou dos pingos de genialidade cujo espasmo momentâneo me aconteceu quase que secretamente. ser medíocre é algo deturpado pelo empobrecimento do conhecimento etmológico da palavra. medíocre, resumindo, é aquele que está na metade da subida de algo, originalmente montanha. o que me faz ressaltar que por outro lado a mediocrização atual da palavra gênio, que ganhou até a corruptela jênio, é escalada do nada. nas artes do canto, composição poesia, escrita, fotografia, interpretação, direção, não tive montanhas também sequer planícies. mas muitos montes, serras, morros, colinas, elevados, dos quais em muitos bruscamente interrompi a escalada mesmo sabendo que poderia chegar mais alto. e isso na maioria das vezes por confirmar que tinha talento para tal mas decerto enorme medo ou melhor dizendo receio das alturas do sucesso. de cima, toda altura é precipício. de baixo nada é precipício se você não está num buraco. nem covardia tampouco insegurança. arte tornou-se mais que nunca negócio.e, decididamente, sou péssimo em fazer negócios. e sobretudo jamais me acostumaria aos juros e dividendos que tem de se pagar em tempo, vida pessoal, paz e saúde mental e fisiológica. desci a colina muito mais seguro do que quando galguei a subida. desci sem sentimentos de fracasso acabei por encontrar minha caverna( não a de platão) quase à beira-mar onde tudo ecoa e me espelha sem plateia e onde aprendi que " o mar é o céu virado de cabeça para baixo".  tudo que o faço não precisa de outro para reconhecimento. para o artista isso pode parecer contradição. e neste caso é muito mais difícil para o médiocre do que para o gênio, pois o gênio se basta, até quando diz chega, basta. já o medíocre, continuará tentando indefinidamente.

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