ficar pensando nelas necrosa a memória
e afinal, você não é nenhuma lagartixa para ficar esperando o rabo crescer
parte para outra
e que venham novos rabos partidos.
viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Wednesday, June 25, 2008
Tuesday, June 24, 2008
Saturday, June 21, 2008
a queima-roupa
comprar fitas piradas, invocam, é lidar com o dinheiro do crime organizado no país.
mas qual o dinheiro que circula no brasil que não seja fruto do crime organizado?
(a começar do banco central).
mas qual o dinheiro que circula no brasil que não seja fruto do crime organizado?
(a começar do banco central).
Friday, June 20, 2008
quase cuspida
na ponta da língua residem abismos dos quais já saltamos para o vácuo há séculos antes de descrevermos sustos que não houveram com palavras.
Thursday, June 19, 2008
acento português
os sabores das palavras tem vida própria
nenhuma reforma ortográfica vai mudar isso
nem lá nem cá
para a felicidade das más línguas sem acertos
e regras tortas de uma diplomacia de particípios pretéritos
que pulula dos acentos e hifens como se ao mar já não fossem jogadas as palavras cujo destino só a elas cabe a a mais ninguém, donas do seu nariz e do som com que querem sair das bocas que só se unem em beijos, quando há.
Now playing: xutos & pontapés - tonto
via FoxyTunes
nenhuma reforma ortográfica vai mudar isso
nem lá nem cá
para a felicidade das más línguas sem acertos
e regras tortas de uma diplomacia de particípios pretéritos
que pulula dos acentos e hifens como se ao mar já não fossem jogadas as palavras cujo destino só a elas cabe a a mais ninguém, donas do seu nariz e do som com que querem sair das bocas que só se unem em beijos, quando há.
Now playing: xutos & pontapés - tonto
via FoxyTunes
Wednesday, June 18, 2008
Tuesday, June 17, 2008
descontando o atraso
o que foi, foice
braço, mão, paixão, perna, pedaço de seio ou orelha
agora coto de vida irrecuperável
eis a sua nova tatuagem avant-garde.
braço, mão, paixão, perna, pedaço de seio ou orelha
agora coto de vida irrecuperável
eis a sua nova tatuagem avant-garde.
Monday, June 16, 2008
novidade algures
pense. pense novo. mas insisto em avisar, vai trazer mais problemas à si do que aos outros.
Sunday, June 15, 2008
quase apnéia
já fui melhor do que sou. e com o passar do tempo vou construindo a certeza de não serei pior do que já fui.
de certo modo, isto equivale a dizer que não estou tão ruim quanto já fui. e que ainda posso melhorar no que tenho de melhor. ou pior, na pior das hipóteses.
ambas as hipóteses existem, o que é fato. na prática realmente significa que sempre podemos evoluir mesmo na regressão ou vice-versa.
complicado? nada. tudo é muito simples quando você está vivo. mesmo quando pensam que você está morto.
só não pode é esquecer de acordar.
de certo modo, isto equivale a dizer que não estou tão ruim quanto já fui. e que ainda posso melhorar no que tenho de melhor. ou pior, na pior das hipóteses.
ambas as hipóteses existem, o que é fato. na prática realmente significa que sempre podemos evoluir mesmo na regressão ou vice-versa.
complicado? nada. tudo é muito simples quando você está vivo. mesmo quando pensam que você está morto.
só não pode é esquecer de acordar.
Thursday, June 12, 2008
Wednesday, June 11, 2008
placar adverso
ah! o futebol, com seu poder monstruoso de despertar as massas; para a ira, a paixão, o desvairio, a superação, o fanatismo e até a barbárie.
que estranho time chamado este brasil? onde as suas torcidas, passivas, que vestem camisetas e bonés do time adversário para torcer cabisbaixos, são incapazes de manifestar a mesma energia, a mesma indignação, a mesma revolta, a mesma capacidade de organização – vândala que seja – quando está em jogo contra sí a injustiça, o desmando, a opressão, o achincalhe, o preconceito, o poder que arbitra, como bem quer e pode, não só o resultado dos jogos mas as regras de um jogo desregrado, onde só os mesmos ganham e a torcida só paga para ver isto mesmo.
se estou falando assim porque não gosto de futebol? não. eu até gosto de futebol. não sou é fanático. e meu time é dos sem-camisa e pés no chão.
que estranho time chamado este brasil? onde as suas torcidas, passivas, que vestem camisetas e bonés do time adversário para torcer cabisbaixos, são incapazes de manifestar a mesma energia, a mesma indignação, a mesma revolta, a mesma capacidade de organização – vândala que seja – quando está em jogo contra sí a injustiça, o desmando, a opressão, o achincalhe, o preconceito, o poder que arbitra, como bem quer e pode, não só o resultado dos jogos mas as regras de um jogo desregrado, onde só os mesmos ganham e a torcida só paga para ver isto mesmo.
se estou falando assim porque não gosto de futebol? não. eu até gosto de futebol. não sou é fanático. e meu time é dos sem-camisa e pés no chão.
Sunday, June 08, 2008
smiles
cada vez mais difícil reconhecer um sorriso verdadeiro. tanto branqueador a solta por aí que nem mesmo um sorriso amarelo nos aparece para o dar o sinal de que pelo menos um sorriso falso ainda podemos ver de verdade.
Friday, June 06, 2008
paradoxos convergentes

momentos fulgazes eternizados na memória
momentos eternos fulgazes pela mesma memória
que se defende e se arranja como pode
o eterno torna-se fulgaz e vice-versa
eternizam-se como um felpa no cerebelo do homem tornado minotauro
ou desaparecem como desaparece o tempo que nos leva de crianças a homens num susto ruim
tempo medonho, tempo pedófilo, tempo, tempo, tempo, tampo mau, tempo bom, sempre em falta, nunca em excesso, de linhas tênues entre o que é, o que já foi, o que está vindo e já passou pelo hoje com gosto de nunca mais
em farrapos de lembranças
o fito do tempo
agulha uma memória de belezas que cerze terrível cicatriz
já que nada é mais convergente do que a beleza e crueldade daquilo que é belo e do que não é
na memória de quem não tem mais
e se lembra aos lapsos dizendo que antes tê-las vivido do que não
ledo engano do que se foice
assim, rastro de sangue e crueldade
molda a existência a amnésia
que seletiva o que não queremos lembrar, tal como aquilo que não queremos esquecer
muito embora nunca saibamos bem o que devemos esquecer ou lembrar
confudidos no tempo da memória que converge paradoxalmente para a velocidade proporcional ao peso que se carrega alem da tara
tal qual um velho caminhão torto e desgovernado que desce ladeira abaixo com o mesmo êxtase da juventude em subidas
isso dura um átimo
deslocamento que atinge outros lados da vida
que a morte não
aí sim nos lembramos e esquecemos realmente de tudo
num jorro que afoga-nos em memória
preanunciada desde o começo
tão cheia e tão vazia que se imaginou inesgotável
num paradoxo de convergências ou vice-versa que estoiraram o saco
Saturday, May 24, 2008
sem sentido
flexibilidade é para com os contorcionistas;
disciplina é para com os bailarinos;
amor incondicional é para com os animais;
precisão é para com os ou as cobras;
infalibilidade, nem para nem com os deuses;
pecado é para com, e somente, os gloriosos;
o inferno, é aqui, e não cabe todo mundo que já está, quanto mais a maioria, que deveria, mas fica de fora;
mas o céu, o céu sim, é para todos. todos os sem ter nada mais o que fazer da vida para acreditar numa eterna, desperdiçando a coisa mais valiosa que já teve em mãos aqui e agora;
por isso, a rigidez é para com os mortos;
perdão, só se for de vingança;
e palavras, só as sem sentido. porque são as únicas que ainda realmente tem algum para e com.
disciplina é para com os bailarinos;
amor incondicional é para com os animais;
precisão é para com os ou as cobras;
infalibilidade, nem para nem com os deuses;
pecado é para com, e somente, os gloriosos;
o inferno, é aqui, e não cabe todo mundo que já está, quanto mais a maioria, que deveria, mas fica de fora;
mas o céu, o céu sim, é para todos. todos os sem ter nada mais o que fazer da vida para acreditar numa eterna, desperdiçando a coisa mais valiosa que já teve em mãos aqui e agora;
por isso, a rigidez é para com os mortos;
perdão, só se for de vingança;
e palavras, só as sem sentido. porque são as únicas que ainda realmente tem algum para e com.
Wednesday, May 21, 2008
Saturday, May 10, 2008
parece coisa de cinema
valente é o nome do filme que serviria mais para j.lo do que para a melhor combinação de queixo, nariz, madeixas louras e olhos azuis de hollywood, sem falar da inteligência e, acima de tudo, independência: jodie foster. mas jodie é foster(não foi intencional) e vê-la atuando é sempre um prazer, ainda que não salve o argumento.
tal qual nossa maitê, o tempo passa e suas belezas permanecem. não intactas. permanecem. reconhecemô-las como quarentonas ou cinquentonas, rugas marcadas e expressões que lhes são próprias da velhice que lhes deseja. mas são belas quarentonas e cinquentonas, que certamente não dirão i want to be alone, pelo menos tão cedo ao que parece.
valente trata de vingança, prato que se diz come-se frio. mas não é esta a questão.a questão é que os chicanos agora são a bola da vez em todo roteiro onde não dá mais para colocar negros como nigger. antes de obama a coisa já havia mudado a ótica para o politicamente correto: aquela safra onde todo negro quer ser denzel washington na pele dos papéis de quem faz justiça no blockbuster do verão(que saudade de sidney poitier)mas sempre sob a mira de um white reaça todo. por isso mesmo mexicanos são os maus da fita agora ou seja: todo cucaracha que falar espanhol(argentinos falam castelhano, não esqueçam) não só neste mais em uma porrada de filmes que começa a refletir que o muro erigido pela indústria de los angeles é bem mais danoso e efetivo, se é que se pode dizer isto, que o muro de bush.
se é claro para muitos que não foi o poderio bélico que elevou os usa a categoria de dominador mas sim a indústria do cinema com sua amplificação, distorção e imiscuição do american way of life, não deve ser coincidência que mediante a pressão do méxico o cinema antecipe na sua forma ideológica o que será um país com mexicanos pulando o muro por isso mesmo necessário.
os próximos filmes colocarão nossos rodrigo santoros de periferia como a bola da vez?
nossos zés cariocas vão virar urubus?
bom, há diversas formas de vingança. no filme jodie acaba convencendo um detetive, negro of course, que é melhor mesmo eliminar os chicanos do pedaço assumindo nem que seja o papel dos brancos para preservar o agora seu.
e tome de the happy end.
tal qual nossa maitê, o tempo passa e suas belezas permanecem. não intactas. permanecem. reconhecemô-las como quarentonas ou cinquentonas, rugas marcadas e expressões que lhes são próprias da velhice que lhes deseja. mas são belas quarentonas e cinquentonas, que certamente não dirão i want to be alone, pelo menos tão cedo ao que parece.
valente trata de vingança, prato que se diz come-se frio. mas não é esta a questão.a questão é que os chicanos agora são a bola da vez em todo roteiro onde não dá mais para colocar negros como nigger. antes de obama a coisa já havia mudado a ótica para o politicamente correto: aquela safra onde todo negro quer ser denzel washington na pele dos papéis de quem faz justiça no blockbuster do verão(que saudade de sidney poitier)mas sempre sob a mira de um white reaça todo. por isso mesmo mexicanos são os maus da fita agora ou seja: todo cucaracha que falar espanhol(argentinos falam castelhano, não esqueçam) não só neste mais em uma porrada de filmes que começa a refletir que o muro erigido pela indústria de los angeles é bem mais danoso e efetivo, se é que se pode dizer isto, que o muro de bush.
se é claro para muitos que não foi o poderio bélico que elevou os usa a categoria de dominador mas sim a indústria do cinema com sua amplificação, distorção e imiscuição do american way of life, não deve ser coincidência que mediante a pressão do méxico o cinema antecipe na sua forma ideológica o que será um país com mexicanos pulando o muro por isso mesmo necessário.
os próximos filmes colocarão nossos rodrigo santoros de periferia como a bola da vez?
nossos zés cariocas vão virar urubus?
bom, há diversas formas de vingança. no filme jodie acaba convencendo um detetive, negro of course, que é melhor mesmo eliminar os chicanos do pedaço assumindo nem que seja o papel dos brancos para preservar o agora seu.
e tome de the happy end.
Friday, May 09, 2008
semana cinematográfica
o filme é super lançamento. o astro do gladiador é a estrela. mas pera aí, o que é que faz na cena aquele celular quase do tamanho de um tijolo e ainda mais com uma baita de uma antena ?
ah! super lançamento reciclado?!!? um filme do passado apresentado no presente como se fosse o futuro intocado?
que mentes brilhantes. recauchutar um filme que passou desapercebido e servir o requentado como se fosse o prato do dia.
mas pera aí de novo. isso não é um tipo de pirataria da boa fé dos que só descobrem o tijolo depois da tijolada?
escolha o seu idioma e xingue a vontade
por uma questão de coerencia, retirem pelo menos os filmes anti-pirataria já que não deu para editar o celular carantão.
e isso foi só o começo da semana que começa pelo fim da picada.
ah! super lançamento reciclado?!!? um filme do passado apresentado no presente como se fosse o futuro intocado?
que mentes brilhantes. recauchutar um filme que passou desapercebido e servir o requentado como se fosse o prato do dia.
mas pera aí de novo. isso não é um tipo de pirataria da boa fé dos que só descobrem o tijolo depois da tijolada?
escolha o seu idioma e xingue a vontade
por uma questão de coerencia, retirem pelo menos os filmes anti-pirataria já que não deu para editar o celular carantão.
e isso foi só o começo da semana que começa pelo fim da picada.
Thursday, May 01, 2008
do trabalho e seus dias feriados mal e porcamente contabilizados
uai? não deveria ser o dia da preguiça, que o diga o paul lafargue?
p.s. se não sabe quem é o autor do "direito a preguiça", deixe de ser preguiçoso e aproveite o feriado, que já nem é tão mais feriado assim, e aprenda. genro do marx, detestado por ele, digamos que ele escreveu o "ócio criativo" da época.
pode acreditar que dá um trabalhão inglório ser preguiçoso o que geralmente acontece com quem trabalha muito, mas não segundo as normas.
pensando bem, o dia do trabalho, está mais para dia da escravidão. branca?
p.s. se não sabe quem é o autor do "direito a preguiça", deixe de ser preguiçoso e aproveite o feriado, que já nem é tão mais feriado assim, e aprenda. genro do marx, detestado por ele, digamos que ele escreveu o "ócio criativo" da época.
pode acreditar que dá um trabalhão inglório ser preguiçoso o que geralmente acontece com quem trabalha muito, mas não segundo as normas.
pensando bem, o dia do trabalho, está mais para dia da escravidão. branca?
Monday, April 28, 2008
o livro dos insultos

de rui castro sobre seletas de h.l.mencken, caricaturado na capa acima. nele, entre outras pérolas, lê-se que poucos bichos são tão estúpidos ou covardes quanto o homem. quem sou eu para duvidar se os comentários postados não o desmentem ?
se descubro-me estúpido, não fico nada feliz. mas se me descobrisse covarde certamente não ficaria nada alegre. em compensação escapo de ser o "reductio ad absurdum da natureza animada", que é, ser estúpido e covarde ao mesmo tempo.
então, ao menos um coisa de cada vez. se não for possível ser cada vez menos coisa e mais homem(se nem todo homem é covarde, todo covarde é homem?) e nunca a coisa toda ao mesmo tempo, principalmente ambígua.
e quem quiser que confie pra começar - como diz mencken - em deus, aquele que sempre nos tapeou no passado.
de antemão, antes que a estupidez e a covardia abatam-se sobre os de sempre, valho-me de mencken para subvertê-los: um relincho vale mais do que dez mil silogismos.
o certo é que comentários não incomodam - a maior covardia seria a sua censura - mas a covardia do anonimato presente no elogio ou no ataque acabam por transformar a estupidez assinada em peça digna de respeito.
Sunday, April 27, 2008
da mais completa falta de juízo
um imbróglio qualquer e recomendam-me: - procure um advogado de sua confiança.
desde quando há advogados confiáveis?
alguém já viu advogados no inferno? pois. o diabo é uma besta mas não é besta.
desde quando há advogados confiáveis?
alguém já viu advogados no inferno? pois. o diabo é uma besta mas não é besta.
Saturday, April 19, 2008
ao reverso
um só homem bom e só
um só homem só e bom
um bom homem só e sal
um só homem sal e só
um só homem bom e doce
um só doce sem amargo
sem embargo um homem
só é bom
um só sal e doce
um homem só um
inteiro
entre tantos meio
homens
quase nada de sí
só apenas sós
sem bom, sem sal, sem doce
já nem são homens bons ou maus
só sal, amargo, azedo, só apenas
multidão de homens sem sal
sem sol, sem sombra,
sem, sem, sem, sem
as dezenas de centenas
sem centelhas
aos milhares de reversos
sem versos
sem pegadas
sem estepes por alcançar
sem contudo saber que o tudo deles é sempre sem sempre e já agora para sempre cada vez mais distantes do
homem bom e só
doce e sal
que soa azinhavre em meio a tal multidão
um só homem só e bom
um bom homem só e sal
um só homem sal e só
um só homem bom e doce
um só doce sem amargo
sem embargo um homem
só é bom
um só sal e doce
um homem só um
inteiro
entre tantos meio
homens
quase nada de sí
só apenas sós
sem bom, sem sal, sem doce
já nem são homens bons ou maus
só sal, amargo, azedo, só apenas
multidão de homens sem sal
sem sol, sem sombra,
sem, sem, sem, sem
as dezenas de centenas
sem centelhas
aos milhares de reversos
sem versos
sem pegadas
sem estepes por alcançar
sem contudo saber que o tudo deles é sempre sem sempre e já agora para sempre cada vez mais distantes do
homem bom e só
doce e sal
que soa azinhavre em meio a tal multidão
Wednesday, April 16, 2008
isabella: crônica de uma morte anunciada

sempre a defendi, mas agora tenho de concordar: a televisão realmente faz mal às crianças. mal que de quanto mais abominável mais se faz interminável numa série sem vida sobre isabela. nenhum ser a tal ponto destratado imaginaria tamanha desconstrução na decomposição de uma vida infantil em nome de uma solução que somente uma sociedade doente a tal ponto por climaxes de audiência vicia-se no insaciável aumento de volume em vez de desligar todos os aparelhos responsáveis por isso, inclusive o policial e jurídico, que se integram ao espetáculo de forma nada neutra.
a ânsia mórbida de descobrir os culpados não faz de nenhum de nós inocente. e já a partir do segundo dia nos enfeixa na lista dos suspeitos que alimentam o caldo putrefálico onde as nuances mostram-nos exatamente como somos: sedentos de corpos de delito e nem um pouquinho verdadeiramente comprometidos com a essência do absurdo que acontece diante da barbárie de um provável arremesso de uma criança de seis anos de uma janela de apartamento exatamente como todos os dias faz a maioria dos moradores com a garrafa pet, o amasso do maço de cigarros, o papel do bombom descartado ou cascabulhos qualquer que no fundo do ato não deixa de ser uma espécie de treinamento para a falta de comprometimento com os bons valores que se existentes jamais alimentariam um espetáculo igual a este, quer como atores, quer como telespectadores.
Tuesday, April 15, 2008
reforma ortográfica

caráter,honra,valores,coragem,princípios,ética,responsabilidade,vergonha,honestidade,
verdade. alguém meteu a mão na ortografia e reformou o texto original. o que está escrito não está batendo com o que se fala. o que se fala não está batendo com o que está se fazendo. o que está se fazendo não está batendo com o que se está pensando. e o que está se pensando é uma trombada ortográfica a tal ponto que deixa estas páginas enrugadas por gente de cara de pau pra lá de alisada pelos verbetes ausentes.
Friday, April 11, 2008
ponto de vista
Thursday, April 10, 2008
queda para o baixio
fechem as janelas da tv para que mais meninas iguais a isabella não caiam no fundo do poço que se tornou o jornalismo brasileiro na sua ânsia equivocada e amoral de alta definição de uma espécide de voracidade jornalística que reproduz o sangue dos fatos em cardápio cabidela.
fazer da tragédia drama barato como se isso fosse novela, chega a ser tão hediondo quanto o acontecido em sí.
as suposições retransmitidas em caráter de repetência dramatizada à exaustão não revelam ânsia pela verdade tampouco indignação pelo fato. apenas exploração do vácuo moral e ético que se abateu sobre todos nós do alto daquela janela.
fazer da tragédia drama barato como se isso fosse novela, chega a ser tão hediondo quanto o acontecido em sí.
as suposições retransmitidas em caráter de repetência dramatizada à exaustão não revelam ânsia pela verdade tampouco indignação pelo fato. apenas exploração do vácuo moral e ético que se abateu sobre todos nós do alto daquela janela.
Monday, April 07, 2008
fora do calendário
Saturday, April 05, 2008
passa a régua

numa tarde de sábado modorrenta, bandos das gentes vazia lotam bares de homens pombos e mulheres pardais.
embebedando-se de tédio, não se vê nada nas mesas que preencha palavras de espírito.
uma comedoria intensa, uma cagadoria igual. sem canto por fazer os arrotos compoem a sinfonia.
ao canto, na perna esquerda de alguma mesa, conversam gato esquálido, cachorro vencido pelos carrapatos e barata semi-morta.
a vida é curta. muito curta, confirma uma formiga estatelada que ali mesmo, ontezinho a noite, perdera asas num vórtice orllof.
no fundo, no fundo, o ambiente está às moscas. retrato do sábado que nem sequer começou no se acabo do antes do ontem.
Friday, March 28, 2008
não salva nem a sí próprio
o último filme dele é tão ruim que, nem ele, que consegue resgatar seja o que for em qualquer buraco que esteja, consegue salvar-se dele próprio. e menos ainda resgatar a imagem do que um dia suscitou debate ideológico tatibate sobre a face lisa da ideologia de poucas palavras e haja flecha, faca e explosão no melhor estilo pipoca caveirão.
john rambo, o quarto filme, consegue a proeza de tornar-se uma paródia de sí tão séria que o rambo da amazônia, se comparação houvesse, elevar-se-ia aos pincaros de cinema cult.
a coisa é tão feia que nem sequer combina com ketchup do fast-food onde você vai lambuzar-se de verdade. no filme, o sangue derramado em nome de uma produção literalmente sem pés e cabeças, é ralo e qualo o produto roteirizado e dirigido por um stallone que sequer lembra o silvester.
e isso é tudo que você vai retirar do filme que um dia enfaixou a cabeça de uma geração que ainda assim tinha mais miolos do que ele tem hoje.
p.s. o trailler é muito melhor que o filme. acaba rapidinho. portanto não tortura nem meleca ninguém.
john rambo, o quarto filme, consegue a proeza de tornar-se uma paródia de sí tão séria que o rambo da amazônia, se comparação houvesse, elevar-se-ia aos pincaros de cinema cult.
a coisa é tão feia que nem sequer combina com ketchup do fast-food onde você vai lambuzar-se de verdade. no filme, o sangue derramado em nome de uma produção literalmente sem pés e cabeças, é ralo e qualo o produto roteirizado e dirigido por um stallone que sequer lembra o silvester.
e isso é tudo que você vai retirar do filme que um dia enfaixou a cabeça de uma geração que ainda assim tinha mais miolos do que ele tem hoje.
p.s. o trailler é muito melhor que o filme. acaba rapidinho. portanto não tortura nem meleca ninguém.
Wednesday, March 26, 2008
todo poder as putas mas não aos filhos

aquilo que votações e revoluções não conseguem as putas estão fazendo ou seja: destronando poderosos falso-moralistas que sob todos os ângulos são grandessissimos filhos da puta. mas não misturemos uns com as outras. por uma questão de ordem na pauta deveríamos ter mais putas, por exemplo, no congresso(e menos fihos da puta) e teríamos uma limpa que de forma prática faria a reforma política que todos dizem desejar mas não votam. aliás, nem eles, nem nós.
somos portanto filhos da putas imprensados entre nossa covardia filho da puta e uma orquestração filho da puta do poder filho da puta que a todos domina menos as putas quando elas resolvem botar a boca no trombone como só elas sabem fazer.
Wednesday, March 19, 2008
violência televisiva

na televisão um programa sobre os maus tratos e violência para com os idosos. dois tipos de violência são exibidos. aquela em sí, de cuidadores disparando porradas e empurrões criminosos em gente que nem parece humana, tamanha distancia de sí mesmo naquilo que já foi, e a violência, repetida, da velhice levada ao extremo na decrepitude inflexível do tempo. chega a se sentir o cheiro do decomposto pelo texto do repórter no ar, acirrado pelas imagens sem qualidade captadas por cameras ocultas, que agora nos fazem testemunhas oculares do abandono e miserabilidade da espécie.
canal seguinte, sobras de gostosas levadas ao ar por apresentadora semi-acéfala numa espécie de tunel do tempo invertido, se nos fosse permitido assim viajar pela outra ponta da baba humana.
desligo a tv e vou dormir sentindo a pele despregar mais um pouco do que já fui e já não sou. creio que esta noite, em minutos, envelheci décadas.
já não era sem tempo ?
Monday, March 17, 2008
com os meus olhos de cão
título de livro da hilda hilst, escritora-texto, que na sua casa do sol, para além de homens e mulheres das teorias e práticas literárias,abrigava mais de cincoenta cachorros.
cansado, labute da minha obra diária de nunca menos de 12 horas chego a casa onde me esperam 13, que já foram mais, ficando eu viúvo de suas ausências.
a última, águia, dobbermann, contrariava todos os estereótipos em relação a raça e a sua utilização idiota nos filmes. meiga e carinhosa, tornou-se mãe, irmã, companheira de brincadeiras do tsunami, vira-lata preto com orelhas de dálmata e uma pulsão que lhe antecipou o nome. só águia aguentava o tsu.
sem ela, tsu perdeu-se no pedaço de quintal que lhe cabe, impossibilitado de estar com os demais, por conta das brigas com folks e ganido.
cabe-lhe então o passeio, no fim da noite. quase capotando, mal deixo o carro na garagem, ele explode no convite à rua.
sigo-lhe os passos e vou assomando novas energias. chego a orla inteiro junto com o tsu que sucumbe a grandiosidade do mar. seu menear da cabeça e seus olhos levam-me junto as sensações de olhar o mar, se não da primeira vez, após longo tempo distante.
deixo-me levar cada vez mais por sua curiosidade e tento exergar com seus olhos de cão
o que ele vê naquele mar escuro de onde incessantemente curioso suga uma brisa e marolas que não espantam as andorinhas noturnas que bicam a areia que lhes alimenta.
não sei se tsu, aonde enxergo apenas saudade e um desejo que águia desponte na impossibilidade da vida ressurgida na escuridão das águas, vê apenas as outras possibilidades de brincadeiras que a vida nos proporciona, tal como as marés entre suas idas e vindas, vazantes e cheias, perdas e ganhos.
o fato é que ainda não consigo abanar o rabo. tsu faz isso por mim. e neste instante, com meus olhos de cão vêjo nele um cão-beija-flor que insiste em me lamber apesar de tal espinho.
cansado, labute da minha obra diária de nunca menos de 12 horas chego a casa onde me esperam 13, que já foram mais, ficando eu viúvo de suas ausências.
a última, águia, dobbermann, contrariava todos os estereótipos em relação a raça e a sua utilização idiota nos filmes. meiga e carinhosa, tornou-se mãe, irmã, companheira de brincadeiras do tsunami, vira-lata preto com orelhas de dálmata e uma pulsão que lhe antecipou o nome. só águia aguentava o tsu.
sem ela, tsu perdeu-se no pedaço de quintal que lhe cabe, impossibilitado de estar com os demais, por conta das brigas com folks e ganido.
cabe-lhe então o passeio, no fim da noite. quase capotando, mal deixo o carro na garagem, ele explode no convite à rua.
sigo-lhe os passos e vou assomando novas energias. chego a orla inteiro junto com o tsu que sucumbe a grandiosidade do mar. seu menear da cabeça e seus olhos levam-me junto as sensações de olhar o mar, se não da primeira vez, após longo tempo distante.
deixo-me levar cada vez mais por sua curiosidade e tento exergar com seus olhos de cão
o que ele vê naquele mar escuro de onde incessantemente curioso suga uma brisa e marolas que não espantam as andorinhas noturnas que bicam a areia que lhes alimenta.
não sei se tsu, aonde enxergo apenas saudade e um desejo que águia desponte na impossibilidade da vida ressurgida na escuridão das águas, vê apenas as outras possibilidades de brincadeiras que a vida nos proporciona, tal como as marés entre suas idas e vindas, vazantes e cheias, perdas e ganhos.
o fato é que ainda não consigo abanar o rabo. tsu faz isso por mim. e neste instante, com meus olhos de cão vêjo nele um cão-beija-flor que insiste em me lamber apesar de tal espinho.
Tuesday, March 11, 2008
primeiros socorros e direção defensiva
dia de prova de revalidação da carteira de condução. é irônico falar em direção defensiva e primeiros socorros num pais onde as estradas não permitem a prática de direção defensiva por questões infra-estruturais e os primeiros socorros sempre soam aos últimos. junto comigo um velho motorista de caminhão que tem as mãos suadas pois vai pilotar um computador pela primeira vez. mas fácil seria dirigir um truck sem cambio sincronizado. os calos das mãos que devem ter dirigidos muitos fenemês são por sí só quase mouses. mais isto não lhe confere intimidades com a máquina. apenas o distancia ainda mais do gabarito de um teste pra lá de desgabaritado. sorri nervoso e pergunta sobre o teor da prova. nada que você não tenha conhecimento na prática e o bom senso não responda a resposta certa.olha para mim misto de desconfiado e apavorado e entendo a sua preocupação. alguém de bom senso diria que sobreviver tanto tempo nas estradas brasileiras depende de bom senso?
Saturday, March 08, 2008
tropa de elite 3267
a rua foi assaltada, quer dizer alguém ou melhor o carro de alguém que trabalhno no escritório não se sabe bem de que do governador. ele ou parte dele manda colocar dois pms de prontidão doravante o dia todo.
e lá ficam eles o dia todo de pé sem poder sentar um minuto sequer, normas do regimento,ordem unida,tática dos sem número.
enquanto isto os assaltantes descansam impunes esperando a policia se cansar.
e lá ficam eles o dia todo de pé sem poder sentar um minuto sequer, normas do regimento,ordem unida,tática dos sem número.
enquanto isto os assaltantes descansam impunes esperando a policia se cansar.
Friday, March 07, 2008
inversamente proporcional ?
pesquisa enterra estigma sobre a velhice como agente conservador mostrando que quanto mais ficamos velhos mais liberais nos tornamos. minha conclusão é que com a expectativa de vida progressivamente a aumentar caminhamos para nos tornar uns devassos. mas isto decididamente não é culpa nossa. é dos jovens. nunca houve uma geração tão reacionária e babaca como a de hoje. fazer sexo com o computador? minha nossa. haja punheta sem imaginação.
Monday, March 03, 2008
nike dá-te asas
um velho par de tenis entrelaçado no alto dos fios. alguma alma voadora desprendeu-se deles sem autorização paterna?
cópia relés, nem valeu o tiro na nuca. ficou lá perdido no espaço. originais não ganhariam tanto destaque. estariam a passos largos dali.
outras pernas, outras palavras.
cópia relés, nem valeu o tiro na nuca. ficou lá perdido no espaço. originais não ganhariam tanto destaque. estariam a passos largos dali.
outras pernas, outras palavras.
Saturday, March 01, 2008
Tuesday, February 19, 2008
Thursday, January 17, 2008
no wireless
misterwalk agora caminha em terras onde não há net,e portanto orkut, wayn, my space, carbon made, flickr, sem deixar de por isso ter gente antenada.
esporadicamente, se passarmos por alguma aldeia que tenha um net-café, quem sabe postemos alguma coisa.
caso não, fica para o carnaval ou depois dele, na quarta cinzas que antecipa o armagedon que nos espera.
esporadicamente, se passarmos por alguma aldeia que tenha um net-café, quem sabe postemos alguma coisa.
caso não, fica para o carnaval ou depois dele, na quarta cinzas que antecipa o armagedon que nos espera.
Wednesday, January 02, 2008
hellboy, passagem de ano ou feeling allright
nem champagne nos pés, nem beira-mar, nem branco.
pipoco de fogos: aquele martirio para quem gostaria apenas do silencio da paz; não bastasse a desconfiança do embutimento do aviso dos traficantes que em 2008 vai ter droga para todos se fartarem, a policia inclusive.
mas o pior são as promessas jamais cumpridas que vão desde as promessas de emagrecer, parar de fumar, dar um jeito na vida, e a pior delas(escolha a sua opção) pedido de paz mundial e juras de amor eterno(por motivos óbvios desconsiderei promessas de políticos de situação e oposição)
dias antes vejo um filme que com efeitos especiais tenta reproduzir os efeitos especiais que só as mentes de uma geração conseguiam emprestar aos gibis. a fala de um dos personagens, ele próprio um gênio em corpo de aberração(não bastasse a aberração de ser gênio) referindo-se a outra aberração em crise, isto por si só mais uma aberração: quando se é uma aberração descobre-se que em certas horas só se pode contar consigo mesmo.
tenho o mesmo sentimento toda a passagem de ano.
e durmo com um sorriso do hellboy que envelhece distante alheio a tudo mais que não me faça realmente feliz.
pipoco de fogos: aquele martirio para quem gostaria apenas do silencio da paz; não bastasse a desconfiança do embutimento do aviso dos traficantes que em 2008 vai ter droga para todos se fartarem, a policia inclusive.
mas o pior são as promessas jamais cumpridas que vão desde as promessas de emagrecer, parar de fumar, dar um jeito na vida, e a pior delas(escolha a sua opção) pedido de paz mundial e juras de amor eterno(por motivos óbvios desconsiderei promessas de políticos de situação e oposição)
dias antes vejo um filme que com efeitos especiais tenta reproduzir os efeitos especiais que só as mentes de uma geração conseguiam emprestar aos gibis. a fala de um dos personagens, ele próprio um gênio em corpo de aberração(não bastasse a aberração de ser gênio) referindo-se a outra aberração em crise, isto por si só mais uma aberração: quando se é uma aberração descobre-se que em certas horas só se pode contar consigo mesmo.
tenho o mesmo sentimento toda a passagem de ano.
e durmo com um sorriso do hellboy que envelhece distante alheio a tudo mais que não me faça realmente feliz.
Thursday, December 27, 2007
amores perros
não peço que me ame. apenas que gostes dos meus cachorros. e ai de ti se me traíres, destratando-os.
Tuesday, December 18, 2007
hô hô hõ
o natal vem chegando ou melhor já chegou(é preciso garfar o décimo terceiro ou o décimo segundo dos otários o quanto antes).
como diria o bardo, o mês das falsas promessas promete.
como diria o bardo, o mês das falsas promessas promete.
Monday, December 17, 2007
crise de valores
escrever menos para escrever mais. entendi finalmente o que recomendam os clássicos.
preparo-me para isso ao escrever nada, o que não quer dizer necessariamente que estou escrevendo tudo.
preparo-me para isso ao escrever nada, o que não quer dizer necessariamente que estou escrevendo tudo.
Wednesday, December 12, 2007
bom dia
as portas da padaria o cão vira-lata aguarda alguém que lhe seja capaz de dar bom-dia com um pedaço do que seja pra comer.
contemplo-o antes de estacionar. de porte médio, pelo castanho, olhos caramelo, tem mesmo cara de gente boa e já me ganha de saída, ou melhor, de entrada. se estiver aqui ainda quando eu sair ganha uma festa e um pedaço do meu café.
adentro a padaria para o habitual. o de sempre, confirma a moça do outro lado do balcão o que confirmo com um aceno - o de sempre é uma vitamina de banana , pão com ovo e um café médio sem leite (já basta o da vitamina).
do assento do balcão, que mais parece assento de guarita, elevo-me a condição de observador priviliegiado de todos que estão dentro da padaria naquele momento. são cerca de vinte pessoas, entre crianças, adolescentes, um pouco mais, maduros e gente quase senil. nenhum deles tem um sorriso na boca sequer naquele começo de manhã ensolarada. muito menos os empregados.
guardo pouco menos de um quinto do pão com ovo que é ainda um pão francês avolumado.
pago a conta e dou ao cão, esta altura já com crise de consciência.
pela espera, rabo abanando, e aquele sorriso de bom dia que só o otimismo de um cão enxergava naquela manhã, apesar de ser um cão de rua, merecia tomar café no meu lugar.
mas claro que num lugar onde os sorrisos estivessem a altura do sorriso largo do seu. bom dia de cão que era muito maior do que de todos aqueles de uma padaria inteira
contemplo-o antes de estacionar. de porte médio, pelo castanho, olhos caramelo, tem mesmo cara de gente boa e já me ganha de saída, ou melhor, de entrada. se estiver aqui ainda quando eu sair ganha uma festa e um pedaço do meu café.
adentro a padaria para o habitual. o de sempre, confirma a moça do outro lado do balcão o que confirmo com um aceno - o de sempre é uma vitamina de banana , pão com ovo e um café médio sem leite (já basta o da vitamina).
do assento do balcão, que mais parece assento de guarita, elevo-me a condição de observador priviliegiado de todos que estão dentro da padaria naquele momento. são cerca de vinte pessoas, entre crianças, adolescentes, um pouco mais, maduros e gente quase senil. nenhum deles tem um sorriso na boca sequer naquele começo de manhã ensolarada. muito menos os empregados.
guardo pouco menos de um quinto do pão com ovo que é ainda um pão francês avolumado.
pago a conta e dou ao cão, esta altura já com crise de consciência.
pela espera, rabo abanando, e aquele sorriso de bom dia que só o otimismo de um cão enxergava naquela manhã, apesar de ser um cão de rua, merecia tomar café no meu lugar.
mas claro que num lugar onde os sorrisos estivessem a altura do sorriso largo do seu. bom dia de cão que era muito maior do que de todos aqueles de uma padaria inteira
Tuesday, December 11, 2007
planera dos macacos 2
chimpanzé dá um banho de memória em estudantes universitários.
estudantes universitários não conseguem atingir um percentual acima dos 26% de capacidade de leitura com compreensão de um texto relativamente longo e que seja algo mais que simples.
estes chimpanzés são mesmo uns fanfarrões. queria ver esta memória toda se fizessem faculdade.
concorrendo com gente assim não tinha como não serem bem sucedidos no teste.
este é mais um caso de experimento dito empírico suspeito pelo uso de amostras contaminadas.
estudantes universitários não conseguem atingir um percentual acima dos 26% de capacidade de leitura com compreensão de um texto relativamente longo e que seja algo mais que simples.
estes chimpanzés são mesmo uns fanfarrões. queria ver esta memória toda se fizessem faculdade.
concorrendo com gente assim não tinha como não serem bem sucedidos no teste.
este é mais um caso de experimento dito empírico suspeito pelo uso de amostras contaminadas.
Monday, December 10, 2007
planeta dos macacos 1
a matéria mostra a adoção de uma gatinho por uma macaca que dele cuida com desvelo e carinho. finda a reportagem, que também encerra o programa jornalística o apresentador, pensa ele, brilha no improviso: " e com esta macacada vamos encerrando o nosso tele-jornal".
então, é assim: para os humanos, no "auge da sua evolução", o ato de amar instintivamente o desprotegido, sem discriminação de espécie, não passa de uma macacada.
e é com esta mentalidade que queremos salvar a espécie, outras espécies e o planeta.
salve-se quem puder: dos humanos.
então, é assim: para os humanos, no "auge da sua evolução", o ato de amar instintivamente o desprotegido, sem discriminação de espécie, não passa de uma macacada.
e é com esta mentalidade que queremos salvar a espécie, outras espécies e o planeta.
salve-se quem puder: dos humanos.
Saturday, December 08, 2007
mortos-vivos
diante da morte do dito cujo, quanto todos apelam a redenção e ao perdão, denuncia-se as canhalices do defunto ou chora-se junto com a canalha sobrevivente, para engrossar o caldo ?
Friday, November 30, 2007
de soslaio

3 pombos na janela que voam em curva espantados pela adolescente ao celular.
um casal de namorados num pega mas não pega ali mais à frente.
o bem-te-vi que escapa da sombra do gato.
e o reflexo do meu olhar caindo ao poente na visão que divide-se pela faca do tempo interminável em que o olho pisca e toda imagem é cisco duro como um batente.
Tuesday, November 27, 2007
nada magnânimo
peguei-me na prática de um magnanismo que em mim desconhecia. selecionando livros para dar de presente, assim como músicas(sim caro leitor não se dá mais discos, leia-se cd, dá-se músicas) entre tantas outras coisas que julgo eu magnanimanente, sempre, a contribuir para a melhora dos seres ao redor do meu alcançe, evitando a armadilha do dar o que eles gostam para cair na ainda pior do dar o que eu gosto.
mas que grande descarado me tornei, descubro na encolha, para não usar de outros vocábulos, digamos assim menos magnânimos. fazer dos meus olhos e ouvidos os ouvidos ávidos de uns poucos ouvidos surdos, não moucos, que conheço e que imagino a influenciar para o bom caminho.
e isto exatamente num momento em que estou a me auto-desencaminhar farto desta parcela magnânima do mundo que quer fazer das suas experiências cardápio de outrem em todos os sentidos, todas as colunas, todos os sites, todos os meios.
mas que grande descarado me tornei, descubro na encolha, para não usar de outros vocábulos, digamos assim menos magnânimos. fazer dos meus olhos e ouvidos os ouvidos ávidos de uns poucos ouvidos surdos, não moucos, que conheço e que imagino a influenciar para o bom caminho.
e isto exatamente num momento em que estou a me auto-desencaminhar farto desta parcela magnânima do mundo que quer fazer das suas experiências cardápio de outrem em todos os sentidos, todas as colunas, todos os sites, todos os meios.
Monday, November 26, 2007
projeto de vida
pedem-nos, implacavelmente, retidão na vida.
mas quem disse que a vida é reta?
não é a vida um céu e inferno de curvas abruptas e sinuosas, de sobes e desces, desconcertantes, de lentidão e velocidades estonteantes? de girandõlas e redemoinhos ascendentes e descendentes?
estamos rodeados de guardas de trânsito ávidos em multas. há juizes morais que nos infernizam a vida, esquecendo que para cada lanterna que nos cobram apagada, não legislam eles em punição própria e adequada por crateras em suas rodovidas na estrada de muito pior sortilégio, estas sim que nos perigam a vida com muitos piores danos. aliás, iguaiszinhos ao que nos faz a guarda em "blitzs".
farto de levar multas de quem a torto e a direito quer me cobrar retidão. observo que
retidão na vida é morte, tal qual lhe arrumam no caixão. mas deixo claro, que convém manter uma certa retidão de princípios, sejam eles curvos, oblíquos ou o que seja. sem no entanto confundir retidão de princípios com retidão moral, pois esta costuma deixar seus ditos praticantes num estado de corcundez que é atingido muito antes do equívoco da longevidade retilínea.
e se nada entendeu, seja reto, como niemeyer. que justamente por isso é o senhor das curvas.
mas quem disse que a vida é reta?
não é a vida um céu e inferno de curvas abruptas e sinuosas, de sobes e desces, desconcertantes, de lentidão e velocidades estonteantes? de girandõlas e redemoinhos ascendentes e descendentes?
estamos rodeados de guardas de trânsito ávidos em multas. há juizes morais que nos infernizam a vida, esquecendo que para cada lanterna que nos cobram apagada, não legislam eles em punição própria e adequada por crateras em suas rodovidas na estrada de muito pior sortilégio, estas sim que nos perigam a vida com muitos piores danos. aliás, iguaiszinhos ao que nos faz a guarda em "blitzs".
farto de levar multas de quem a torto e a direito quer me cobrar retidão. observo que
retidão na vida é morte, tal qual lhe arrumam no caixão. mas deixo claro, que convém manter uma certa retidão de princípios, sejam eles curvos, oblíquos ou o que seja. sem no entanto confundir retidão de princípios com retidão moral, pois esta costuma deixar seus ditos praticantes num estado de corcundez que é atingido muito antes do equívoco da longevidade retilínea.
e se nada entendeu, seja reto, como niemeyer. que justamente por isso é o senhor das curvas.
Saturday, November 24, 2007
senso de paternidade
fazendo charminho, desastrados ou dengosos, toda vez que meus cães sentam-se ou pululam a minha volta, e me olham com o sentimento que sei, é amor aos catorze pedaços, corrobora-se aos píncaros a minha decisão de não querer ter filhos e optar por uma vida de amores caninos e caudas abanando, com mares de céus naqueles olhares lânguidos onde remelas são estalactites da mais pura sinceridade.
o que parece uma barbaridade nesta escolha, apenas é mais pura expressão do senso de paternidade que tanta gente diz ter mas do qual duvido muito. afinal, um pai sempre sabe o que é melhor para seus filhos.
o que parece uma barbaridade nesta escolha, apenas é mais pura expressão do senso de paternidade que tanta gente diz ter mas do qual duvido muito. afinal, um pai sempre sabe o que é melhor para seus filhos.
Friday, November 23, 2007
território II
visto assim pelos olhos do siri, a enorme bunda branca da dona boa esparramada na areia parecia uma loca. e o que é melhor, bem disfarçada por sargaços. não imaginem o faniquito que ela deu ao se ver nas garras do dito cujo buraco a dentro, ou quase.
Wednesday, November 21, 2007
território
o cachorro vira-lata latiu para a dona boa que abanava o rabo no seu pedaço. pudera. onde já se viu uma dama assim tão vagabunda?
Tuesday, November 20, 2007
gostosa
de longe não assustava. mas de perto, a coisa pega, quer dizer não pega.
biquini vermelho, corpo empapado de água oxigenada, dois vidro e meio só para a barriga, outros tantos para cada peito, mais meia dúzia para os culotes e nadica de meio para a bunda que não tinha.
todo domingo, lá estava ela na antiga praia do quartel de casa caiada.
espetáculo grotesco? o que é isso para quem não conhece felinni? niente, se coubesse italiano no seu pedaço de areia.
mas o fato é que anastácia do jeito dela vivia feliz a sua vida e deitava e rolava naquele pedaço inventando trejeitos de pin-up.
chegava por volta das dez e meia e antes das três voltava a pé percorrendo o longo trajeto no asfalto quente que fervia onde não devia e esfriava aos buracos na ladeira de onde morava ela lá pelos bultrins cruzando espaço doutras olindas.
resto da semana, cozinhando em espaço exíguo de bar e restaurante de fim de linha, onde era conhecida pelo mocotó, não o próprio, mas com pirão, que não vou "butar" areia na história relembrando a praia.
e com um mocotó daquele, faziam fila, o que é de imaginar, pra comer o prato da gostosa, como era conhecida.
fim de semana, merecido, quem não sabia, ouviu como zoeira braba o reconhecimento do lá vem a gostosa, por um dos da fila em fim de semana aproveitando também o pedaço, e muito menos quando ela gargalhando rispostou: - já tá babando de longe heim, tô aqui pegando uma corzinha que é para dar um grau no material, amanhã você vai querer chupar até os ossos.
biquini vermelho, corpo empapado de água oxigenada, dois vidro e meio só para a barriga, outros tantos para cada peito, mais meia dúzia para os culotes e nadica de meio para a bunda que não tinha.
todo domingo, lá estava ela na antiga praia do quartel de casa caiada.
espetáculo grotesco? o que é isso para quem não conhece felinni? niente, se coubesse italiano no seu pedaço de areia.
mas o fato é que anastácia do jeito dela vivia feliz a sua vida e deitava e rolava naquele pedaço inventando trejeitos de pin-up.
chegava por volta das dez e meia e antes das três voltava a pé percorrendo o longo trajeto no asfalto quente que fervia onde não devia e esfriava aos buracos na ladeira de onde morava ela lá pelos bultrins cruzando espaço doutras olindas.
resto da semana, cozinhando em espaço exíguo de bar e restaurante de fim de linha, onde era conhecida pelo mocotó, não o próprio, mas com pirão, que não vou "butar" areia na história relembrando a praia.
e com um mocotó daquele, faziam fila, o que é de imaginar, pra comer o prato da gostosa, como era conhecida.
fim de semana, merecido, quem não sabia, ouviu como zoeira braba o reconhecimento do lá vem a gostosa, por um dos da fila em fim de semana aproveitando também o pedaço, e muito menos quando ela gargalhando rispostou: - já tá babando de longe heim, tô aqui pegando uma corzinha que é para dar um grau no material, amanhã você vai querer chupar até os ossos.
Monday, November 19, 2007
numa certa ponte histórica do recife
atravessou a ponte ligeiro e já na cabeça da ponte lembrou-se, não sabe como, a sua andava uma merda, que saíra de casa sem documentos. voltar tudo aquilo, puta que o pariu, calor sufocante, suor escorrendo em pingas, gente feia e mal cheirosa a lhe atrapalhar os passos, chutou as pilastras e bradou isso é uma tabaca de chôla. mediu a distância entre uma cabeça e outra da ponte e quase chorou de tanta raiva da distancia hiperbolizada pelo sol à pino. caralhos me fodam! voltar um carai, nem que se foda. e pulou na frente do ônibus que lhe petelecou a bunda projetando-a sobre a murada fazendo-o cair de cabeça na lama fétida do rio. desemborcado o cidadão, repetia quase afogado, voltar um carai, cuspido de lama em plena bosta de rio.
populares prestativos e bombeiros amuados convergiram. surtou e foi de gaia.
de cima da ponte um bando de cornos mansos amontoava-se sob um sol à pino para apreciar a teimosia alheia.
populares prestativos e bombeiros amuados convergiram. surtou e foi de gaia.
de cima da ponte um bando de cornos mansos amontoava-se sob um sol à pino para apreciar a teimosia alheia.
Thursday, November 15, 2007
pior que um amor perdido
o gatinho que alimentei até se tornar gigante, hoje não me reconhece mais. súbito sumiu do telhado juntamente com a gata mãe, grávida, que por quase mês, não sabia deles. ela não ví mais. teria morrido de parto, veneno, cachorro ou carro? ele, encontro na rua seguinte, mancando e assustado, sem a memória olfativa que talvez a distância hoje imposta não permita o reconhecimento.
acontece também com pessoas. subitamente, desaparecem, e ficamos assim sem entender porquê. faz parta das gentes. agora, com animais, nos causa ainda mais estranheza porque não entendemos seus motivos, já que sempre temos a pretensão de entender os motivos das gentes ou pelo menos atribuir-lhes loucura, ingratidão ou puramente sacagem, traição.
com os animais é diferente. a cara assustada que não reconhece aquele a quem saudava com largos ronronados produz um não sei o quê que torna o silêncio lancinante. e mostra que a limitação humana é algo bem mais tonitroante do que a incapacidade de saber o que acontece ali na rua mas está muito acima dos telhados das nossas cabeças.
acontece também com pessoas. subitamente, desaparecem, e ficamos assim sem entender porquê. faz parta das gentes. agora, com animais, nos causa ainda mais estranheza porque não entendemos seus motivos, já que sempre temos a pretensão de entender os motivos das gentes ou pelo menos atribuir-lhes loucura, ingratidão ou puramente sacagem, traição.
com os animais é diferente. a cara assustada que não reconhece aquele a quem saudava com largos ronronados produz um não sei o quê que torna o silêncio lancinante. e mostra que a limitação humana é algo bem mais tonitroante do que a incapacidade de saber o que acontece ali na rua mas está muito acima dos telhados das nossas cabeças.
Monday, November 12, 2007
porque progresso não é a mesmo coisa que desenvolvimento
cada vez mais a compra de carros é facilitada.
cada vez menos se tem espaço para circular com eles.
breve vamos chegar mais rápido andando a pé.
o progresso é deveras impressionante para quem é impressionável.
as bicicletas, cada vez mais caras e roubadas. os tênis idem.
mas continuamos firmes perseguindo os fins com todos os equivocos dos meios.
cada vez menos se tem espaço para circular com eles.
breve vamos chegar mais rápido andando a pé.
o progresso é deveras impressionante para quem é impressionável.
as bicicletas, cada vez mais caras e roubadas. os tênis idem.
mas continuamos firmes perseguindo os fins com todos os equivocos dos meios.
Friday, November 09, 2007
um pouco de céu

nada mais do que de estrelas pó de pirlimpimpim e um azul infinito e distante a povoar. um pouco de céu é algo que todos querem conquistar. mas cada um a sua maneira, ainda que vivendo por isso, evita o método mais fácil de lá chegar. aquele que pressupôe um
pouco de terra por sobre o corpo que não mais sonha o que de certo estraga a paisagem.
penando bem, dispensemos por hoje esta ânsia ancestral por um pouco de céu e este pouco de terra que ao final fará o céu desabar sobre nossas cabeças e não mais aos poucos. fiquemos por cá às voltas com os muitos do inferno que ao menos em parte nos permite outras vontades inclusive esta de um pouco de céu.
Wednesday, November 07, 2007
Sunday, November 04, 2007
olimpo mais embaixo
acordo e descubro que minha mulher ronca.
ainda bem penso. e com alívio passo a amar-lhe ainda mais.
antes assim. estava difícil sustentar o relacionamento com uma deusa.
ainda bem penso. e com alívio passo a amar-lhe ainda mais.
antes assim. estava difícil sustentar o relacionamento com uma deusa.
Friday, November 02, 2007
Thursday, November 01, 2007
puro amor
cachorro! disse ela.
vaca! disse ele.
e se amaram com a furia e o amor que só os animais de espécies diferentes podem expressar.
vaca! disse ele.
e se amaram com a furia e o amor que só os animais de espécies diferentes podem expressar.
Wednesday, October 31, 2007
W.C.
achava-se uma bosta, e nem sequer boiando.
pensando-se assim, deu descarga no vácuo.
e lá voltou ele para o trabalhinho de merda que pagava as suas contas e seus tragos com um travo de papel higiênico na alma toda lambuzada de vaso.
pensando-se assim, deu descarga no vácuo.
e lá voltou ele para o trabalhinho de merda que pagava as suas contas e seus tragos com um travo de papel higiênico na alma toda lambuzada de vaso.
Tuesday, October 30, 2007
take-away
mordeu-lhe a lingua e ela reclamou em plena gravação: - ei! isso não é beijo técnico.
e ele, em plena gravação, beijou-a novamente e comeu-a aos pedaços.
desnecessário dizer que ela ficou muda, enquanto a equipe técnica estupefata constatava que não gravara o take, pois apenas se tratava de um ensaio.
moral da história: já não se fazem novelas como antigamente?
e ele, em plena gravação, beijou-a novamente e comeu-a aos pedaços.
desnecessário dizer que ela ficou muda, enquanto a equipe técnica estupefata constatava que não gravara o take, pois apenas se tratava de um ensaio.
moral da história: já não se fazem novelas como antigamente?
Monday, October 29, 2007
justiça poética

as mesmas palavras que conquistam o amor, separam-no.
palavras como para sempre, insubstituível, a primeira vista, não há ninguém igual a você, acabam por ser repetidas, em maior ou menor intensidade, para outros que em maior ou menor intensidade a repetirão para nós ou para outros.
o amor tão bem expresso em palavras não nasceu para promessas. as promessas ou juras de amor são um convite à sua negação.
o amor caladinho, mudo de nascença, acaba falando mais alto. e sem ter que prometer nada a ninguém, nem ser cobrado por isso, fica livre para ficar caladinho em sua sina de ser amor com a intensidade da palavra não dita que dura por isso mesmo uma eternidade até que convencidos disto falamos o que não devíamos.
Thursday, October 25, 2007
por falta de história
Wednesday, October 24, 2007
buracos da vida
bastante tempo sem manutenção levei hoje o carro para fazer alinhamento. é necessário, pensei, pois tenho sentido a direção torta e cada vez que passo num buraco ele puxa para um lado.
feito o serviço, constatei, quem precisa de alinhamento sou eu.
feito o serviço, constatei, quem precisa de alinhamento sou eu.
Monday, October 22, 2007
a estagiária

selecionada, a teen-ager volta agora confirmada sua vaga de estágio. dá-me um abraço não púdico para o qual não estava absolutamente preparado, formalmente encafifado na pretensa postura de homem mais velho, e diretor da agência, quando percebo que, sim, realmente estou tornando-me um cinquentão passado, pois fico levemente ruborizado, sem nenhum pensamento maldoso, se quer que eu diga, outra característica do cinquentão que agora se explica, quando percebo que nem isto me aproxima mais da adolescência, pois os adolescentes de agora dificilmente ficam ruborizados, o que só confirma com um sim novamente, que realmente estou ficando ultrapassado.
mas como não tenho cara de tiozão e tampouco faço trocadihos do tipo "sentra" aqui, há uma leve esperança de que possa me acostumar com estes abraços e deles tirar uma casquinha, no bom sentido, claro, já que se fosse cafaja, a idade, d´um ou de outro, pouco importaria na condução de reflexões, caindo no lugar comum ardiloso do ela tem idade para ser sua filha
nada como um abraço simplesmente porque a alegria nos invade e queremos transmitir isso sem pensar em nada mais do que a alegria que nos toca.
esta estagiária promete. nem bem começou e já está me ensinando alguma coisa bem mais importante do que vou transmitir para ela.
mas é bom parar por aí. ainda sou muito novo para aprender outras coisas para as quais ainda não estou preparado agora.
Sunday, October 21, 2007
quase auto-crítico
não é que eu tenha problema com o número de leitores. mas ele bem que eles poderiam se manifestar de outra maneira.
se escrevo, não me dão bola. se paro, chovem à procura do espaço em branco.
creio que sou uma espécie de talento nato antítese destes que fazem sucesso escrevendo o que quer que seja que de um jeito ou de outro findam sendo auto-ajuda, conquistando milhares de leitores, coisa que consigo não escrevendo coisíssima nenhuma.
mas como sou um sujeito não chegado a fama, canso-me desta vida de best-seller e continuo vez por outra a escrever uma coisinha, só para não esquecer-me de quão valioso é a mediocridade espacejada.
se escrevo, não me dão bola. se paro, chovem à procura do espaço em branco.
creio que sou uma espécie de talento nato antítese destes que fazem sucesso escrevendo o que quer que seja que de um jeito ou de outro findam sendo auto-ajuda, conquistando milhares de leitores, coisa que consigo não escrevendo coisíssima nenhuma.
mas como sou um sujeito não chegado a fama, canso-me desta vida de best-seller e continuo vez por outra a escrever uma coisinha, só para não esquecer-me de quão valioso é a mediocridade espacejada.
Wednesday, October 17, 2007
paradoxo do travesseiro
quem vive não dorme. quem não dorme não vive.
aí, ou você é muito vivo, e não está dormindo, ou está dormindo e não vive.
não vá então morrer de sono. e tome cuidado para não morrer de viver.
acontece que a vida é para ser vivida e não dormida.
e agora o que é que você vai fazer? a conversa já está lhe dando sono?
viva, por que eu vou dormir. e qualquer dia destes vou ficar um morto-vivo para sempre.
aí, ou você é muito vivo, e não está dormindo, ou está dormindo e não vive.
não vá então morrer de sono. e tome cuidado para não morrer de viver.
acontece que a vida é para ser vivida e não dormida.
e agora o que é que você vai fazer? a conversa já está lhe dando sono?
viva, por que eu vou dormir. e qualquer dia destes vou ficar um morto-vivo para sempre.
Tuesday, October 16, 2007
cisco estelar
dia nem tão bonito assim. confluência da paulista com a augusta.
mulheres paulistas são elegantes(nem todas das oscar freire).
homens, nem tanto, apesar de pensarem que gravata e paletó dão casaca a otário.
transito grave,buzinas agudas.
ela desce de um ônibus e eu do outro lado.
por um momento, não mais que um momento, não mais que um triz, um olhar para fora do óculos.
fiquei cego por uns cinco minutos, tempo suficente para nunca mais na vida a ver.
mulheres paulistas são elegantes(nem todas das oscar freire).
homens, nem tanto, apesar de pensarem que gravata e paletó dão casaca a otário.
transito grave,buzinas agudas.
ela desce de um ônibus e eu do outro lado.
por um momento, não mais que um momento, não mais que um triz, um olhar para fora do óculos.
fiquei cego por uns cinco minutos, tempo suficente para nunca mais na vida a ver.
Wednesday, October 10, 2007
ausente por presença
abro a caixa de escrita e não escrevo nada. se não há porquè escrever, para que cumprir obrigação? já fiz isso na escrita e na vida e o resultado ficou bolor.
um dia, dois dias, três dias, não me altero.
a página em branco revela sinais de vida que estão por vir. para que amarelá-los antes do tempo ?
não escrever muitas vezes é um escrever silencioso que por fim acaba falando mais alto.
um dia, dois dias, três dias, não me altero.
a página em branco revela sinais de vida que estão por vir. para que amarelá-los antes do tempo ?
não escrever muitas vezes é um escrever silencioso que por fim acaba falando mais alto.
Friday, October 05, 2007
flagrante de quase adultério ou descasque esta manga
há dias que bem cedinho sigo para o trabalho.
quase madrugo, a tempo de dar bom dia aos guardas-noturnos que hoje menos soturnos, porém ainda de cacete e apito- insusportável - recebem a saudação com a nova nomeclatura que lhes cai como colete de vigilantes.
sem azáfamas de transeuntes, o velho jeg jipe de guerra, desliza macio pelo corpo de uma cidade sonolenta, num trajeto em que é inverso ao sentido coletivo. enquanto todos rumam ao centro, meu destino é na contra-mão, rumo ao sexto-sentido do quase subúrbio na disposiçao geografica do contra-fluxo do transito.
gosto desta sensação do cheiro de orvalho, dos vira-latas espreguiçando-se nas esquinas e gatos tardios correndo para a soneca da manhã. creio que a cidade acorda como se as bicicletas operárias que percorrem artérias prescutassem atalhos mais chegados e assim lhes fizessem cócegas que a fazem desemborcar.
cinco e uma nesga da matina a cidade é como uma mulher semi-desperta na casa que não é nossa. coxas a mostra, bicos dos seios sem a turgidez dos elevadores, vagina não retesada, relaxada a espera de cafuné e quem sabe uma penetração que não seja comandanda pela tesão do mijo. é quase entregue a quem, como eu, passa macio e sem pressa rumo a labuta que não me permite vê-la de outra maneira que não seja assim semi-desperta.
e assim, sol nascendo, vou chegando como se estivesse saindo de uma cidade que não me pertence mas que vou gozando assim, de fininho, enquando seus donos não veem.
a tarde da noite ou madrugada quando volto a sensação já não é a mesma. mas alguma coisa no ar me faz quase ver um piscado a combinar novos encontros madrugais.
eu gosto, ela também. minha mulher nem tanto. também sonolenta, reclama a cada manhã - mas já? fica mais um pouquinho, não posso, digo-lhe eu, tenho de ir trabalhar.
e lá vou eu saindo de uma e entrando noutra, onde curvas e quinas de concreto e maquiagem de aço, ainda novelam tufos de velhas mangueiras que aos olhos do tarado me convidam a uma boa chupada.
a chuva de fininho completa a paisagem de uma cidade de pernas abertas para quem a queira possuir e amar. mas é bom não abusar: principalmente quem tem uma outra cidade sempre por descobrir em casa.
quase madrugo, a tempo de dar bom dia aos guardas-noturnos que hoje menos soturnos, porém ainda de cacete e apito- insusportável - recebem a saudação com a nova nomeclatura que lhes cai como colete de vigilantes.
sem azáfamas de transeuntes, o velho jeg jipe de guerra, desliza macio pelo corpo de uma cidade sonolenta, num trajeto em que é inverso ao sentido coletivo. enquanto todos rumam ao centro, meu destino é na contra-mão, rumo ao sexto-sentido do quase subúrbio na disposiçao geografica do contra-fluxo do transito.
gosto desta sensação do cheiro de orvalho, dos vira-latas espreguiçando-se nas esquinas e gatos tardios correndo para a soneca da manhã. creio que a cidade acorda como se as bicicletas operárias que percorrem artérias prescutassem atalhos mais chegados e assim lhes fizessem cócegas que a fazem desemborcar.
cinco e uma nesga da matina a cidade é como uma mulher semi-desperta na casa que não é nossa. coxas a mostra, bicos dos seios sem a turgidez dos elevadores, vagina não retesada, relaxada a espera de cafuné e quem sabe uma penetração que não seja comandanda pela tesão do mijo. é quase entregue a quem, como eu, passa macio e sem pressa rumo a labuta que não me permite vê-la de outra maneira que não seja assim semi-desperta.
e assim, sol nascendo, vou chegando como se estivesse saindo de uma cidade que não me pertence mas que vou gozando assim, de fininho, enquando seus donos não veem.
a tarde da noite ou madrugada quando volto a sensação já não é a mesma. mas alguma coisa no ar me faz quase ver um piscado a combinar novos encontros madrugais.
eu gosto, ela também. minha mulher nem tanto. também sonolenta, reclama a cada manhã - mas já? fica mais um pouquinho, não posso, digo-lhe eu, tenho de ir trabalhar.
e lá vou eu saindo de uma e entrando noutra, onde curvas e quinas de concreto e maquiagem de aço, ainda novelam tufos de velhas mangueiras que aos olhos do tarado me convidam a uma boa chupada.
a chuva de fininho completa a paisagem de uma cidade de pernas abertas para quem a queira possuir e amar. mas é bom não abusar: principalmente quem tem uma outra cidade sempre por descobrir em casa.
Wednesday, October 03, 2007
pansexual
de manhã ginecologista na unidade de saúde de casa amarela.
a tarde, proctologista no centro de saúde da encruzilhada.
nem me perguntem o que este doutor faz a noite.
pela madrugada!
a tarde, proctologista no centro de saúde da encruzilhada.
nem me perguntem o que este doutor faz a noite.
pela madrugada!
Monday, October 01, 2007
telejornal
a repórter e tão certinha, nem cospe quando fala. o enquadramento? de tão certinho, nem desfoca quando mela.
e o depoimento então? tão certinho, nem gagueja quando corta. .
há que se prever e editar tudo, o tempo todo todo o tempo que é a base verdadeira da moral na história.
a notícia é quente quanto mais esfria. a audiência sobe quanto mais se esfola. a mentira não se encontra com a verdade nem mais onde a memória faz a curva, pois editam até a emoção, que de certinha, nem molha o lenço quando chora.
depois falam que o depoimento do comercial é falso. e o fruto do ensaiado para o vivo? que a nossa frente sempre se desenrola?
de mais ensaiado, nada. nem na novela. deve ser por isso que agente acredita no que vê que se farta até dormir.
boa noite, fátima, boa noite william.
- william, é você?
- onde está você, fátima ?
e o depoimento então? tão certinho, nem gagueja quando corta. .
há que se prever e editar tudo, o tempo todo todo o tempo que é a base verdadeira da moral na história.
a notícia é quente quanto mais esfria. a audiência sobe quanto mais se esfola. a mentira não se encontra com a verdade nem mais onde a memória faz a curva, pois editam até a emoção, que de certinha, nem molha o lenço quando chora.
depois falam que o depoimento do comercial é falso. e o fruto do ensaiado para o vivo? que a nossa frente sempre se desenrola?
de mais ensaiado, nada. nem na novela. deve ser por isso que agente acredita no que vê que se farta até dormir.
boa noite, fátima, boa noite william.
- william, é você?
- onde está você, fátima ?
Sunday, September 30, 2007
vamos a la playa?
bom, hoje é domingo, melhor não. esqueça o restaurante, e a sessão de cinema. televisão então, nem pensar, e futebol, só se você for craque para escapar do trânsito, do flanelinha, da autoridade, da bala sem rumo e da torcida adversária. programas culturais? bem depois que transformaram jardins dos museus em playground e salão de piqueniques, eu não arriscaria. ficar em casa também e arriscado. tem o vizinho, o cunhado mala, e a sogra que resolveu fazer aquela receita que todos mentem para ela dizendo que é boa há quinze anos em nome da harmonia familiar.
pensando bem, ainda bem que a manhã é segunda e a cidade fica mais civilizada apesar de tudo e de todos.
pensando bem, ainda bem que a manhã é segunda e a cidade fica mais civilizada apesar de tudo e de todos.
Saturday, September 29, 2007
sem damas, só vagabundos
quase fervidos pela calçada quente o casal de vira-latas ronda o estacionamento da padaria. parecem indecisos tamanha quantidade de rodopios e indas e vindas naquele pequeno pedaço de calçada onde o cheiro de comida é mais intenso.
típicos vira-latas tem na aparência a marca das ruas e dos mal-tratos de dias quentes, noites gélidas, e artíficios que não se imaginam quantos para sobreviver nesta vida.mas há amor no casal.mais do que isso, cumplicidade. entre os meneios e rodopios e por enquanto pequenos sustos e pontapés que os espantam, não perdem a oportunidade de se acarinharem mutuamente sempre que voltam do espaço da separação que nunca dura ou é maior que cerca de dois metros. basta olhar e ver que nasceram um para o outro para sempre.
enfim, algo comovente nesta manhã de verão que prenuncia calor de outras sortes.
no meio disso tudo o amor dos vira latas é eterno até que a carrocinha(ou um ònibus?)os separe.
mas quem se importa com o um amor que vive sem perfume e que periga morrer de fome na ante-véspera da próxima calçada?
típicos vira-latas tem na aparência a marca das ruas e dos mal-tratos de dias quentes, noites gélidas, e artíficios que não se imaginam quantos para sobreviver nesta vida.mas há amor no casal.mais do que isso, cumplicidade. entre os meneios e rodopios e por enquanto pequenos sustos e pontapés que os espantam, não perdem a oportunidade de se acarinharem mutuamente sempre que voltam do espaço da separação que nunca dura ou é maior que cerca de dois metros. basta olhar e ver que nasceram um para o outro para sempre.
enfim, algo comovente nesta manhã de verão que prenuncia calor de outras sortes.
no meio disso tudo o amor dos vira latas é eterno até que a carrocinha(ou um ònibus?)os separe.
mas quem se importa com o um amor que vive sem perfume e que periga morrer de fome na ante-véspera da próxima calçada?
Friday, September 28, 2007
a verdade do falso paradoxo ou o paradoxo da verdade em falso
todo homem mentiroso tem um discurso pra lá de verdadeiro.
todo homem verdadeiro tem um discurso pra lá de mentiroso.
ao homem que escuta, não resta nada mais que acreditar na mentira de um ou na verdade do outro.
isso se ele não responde à altura.
todo homem verdadeiro tem um discurso pra lá de mentiroso.
ao homem que escuta, não resta nada mais que acreditar na mentira de um ou na verdade do outro.
isso se ele não responde à altura.
Thursday, September 27, 2007
levemente machista mas feminista até os ovos
são duas martas. uma mais para lontra, outra mais para o diabo a quatro.
uma, ministra insossa, precursora de uma liberdade sexual em meados dos anos 80, ao que parece só colocada em prática publicável alguns anos atrás e que talvez por conta disso mesmo andou dizendo que em meio a chateações de espera e camas mal dormidas dever-se-ia relaxar e gozar.
outra, a dita feia que se torna a bela e desejada, num campo onde homens tem de rebolar para fazer o que ela faz. e que de tão bem que faz, que essa sim dá vontade de gozar e relaxar com ela.
a partir de marta, o gol , tido como figura análogica masculina equivalente ao orgasmo tornou-se múltiplo e libertador de verdade.
e se melhor réquiem não há, que se diga que esta marta merece ser beijada dos pés a cabeça pra começo de partida.
uma, ministra insossa, precursora de uma liberdade sexual em meados dos anos 80, ao que parece só colocada em prática publicável alguns anos atrás e que talvez por conta disso mesmo andou dizendo que em meio a chateações de espera e camas mal dormidas dever-se-ia relaxar e gozar.
outra, a dita feia que se torna a bela e desejada, num campo onde homens tem de rebolar para fazer o que ela faz. e que de tão bem que faz, que essa sim dá vontade de gozar e relaxar com ela.
a partir de marta, o gol , tido como figura análogica masculina equivalente ao orgasmo tornou-se múltiplo e libertador de verdade.
e se melhor réquiem não há, que se diga que esta marta merece ser beijada dos pés a cabeça pra começo de partida.
Wednesday, September 26, 2007
abaixo o neocid
há sempre um desenvolto tido como inteligente a deitar falação sobre a chatice dos outros.
no começo até achamos simpático e interessante, pois afinal, quem aguenta ou gosta de gente chata? nem eles próprios
mas a conversa se extende, e por mais inteligente que seja, acaba se tornando chata.
então descobrimos que o chato de todas estas conversas, assim como este post, sobre os chatos, é quando por conta delas nos damos a sentir falta deles.
chato devia vir com um aviso. não ligue. pronto.
no começo até achamos simpático e interessante, pois afinal, quem aguenta ou gosta de gente chata? nem eles próprios
mas a conversa se extende, e por mais inteligente que seja, acaba se tornando chata.
então descobrimos que o chato de todas estas conversas, assim como este post, sobre os chatos, é quando por conta delas nos damos a sentir falta deles.
chato devia vir com um aviso. não ligue. pronto.
Tuesday, September 25, 2007
destino lógico
há um caráter ilógico no procedimento do ser humano, é capaz de urdir as mais estranhas piruetas para desculpar-se a si mesmo e aos outros para não fazer o que tem de ser feito,
com menos energia, peripécias e estratagemas e tudo estaria feito. e quiçá nosso destino, amoroso, profissional ou coletivo modificado.
mas isso seria pedir demais, afinal a ilogicidade do ser humano supera em muito a sua logicidade equivocada.
e assim sendo, acaba sendo lógico que o destino não tenha outra alternativa a cumprir-se de uma certa forma pra lá de insatisfeito.
com menos energia, peripécias e estratagemas e tudo estaria feito. e quiçá nosso destino, amoroso, profissional ou coletivo modificado.
mas isso seria pedir demais, afinal a ilogicidade do ser humano supera em muito a sua logicidade equivocada.
e assim sendo, acaba sendo lógico que o destino não tenha outra alternativa a cumprir-se de uma certa forma pra lá de insatisfeito.
Monday, September 24, 2007
vira-vira vice-versa
brasileiros vão a portugal e voltam aos risos com a enganosa burrice deles.
brasileiro em terras lusas passa de peido a furuncúlo com extrema facilidade. acredita piamente que é realmente esperto e que o resto do mundo acha graça em tudo que faz ou que tem a obrigação de modificar seu modo de agir apenas para parecer inteligente ou admirado de paixão pelos visitantes. a refinada lógica cartesiana portuguesa é sempre interpretada como obtusidade mas será que é assim mesmo ?
quer exemplo: entra o brasileiro no taxi e pergunta: conheces o restaurante tal? o taxista diz que sim, afinal não foi isso que lhe foi perguntado ? e onde fica? sabe? diz que sim o taxista, afinal, não foi isso que lhe foi perguntado?
ora, se em nenhum momento foi dito ao motorista que ele devia seguir para lá, o que faria o taxista? levaria-o lá? para ouvir que em nenhum momento isso lhe foi pedido?
esses brasileiros são uns gajos muito estranhos. entram no taxi para perguntar se conhecemos ou se sabemos onde fica lugares onde eles não dizem se querem ou não ir.
deve ser por isto que nós descobrimos o brasil e não vice-versa e mais uma vez estamos lhes tomando o litoral, pois quem quiser que acredite que nos chegamos lá por calmarias.
brasileiro em terras lusas passa de peido a furuncúlo com extrema facilidade. acredita piamente que é realmente esperto e que o resto do mundo acha graça em tudo que faz ou que tem a obrigação de modificar seu modo de agir apenas para parecer inteligente ou admirado de paixão pelos visitantes. a refinada lógica cartesiana portuguesa é sempre interpretada como obtusidade mas será que é assim mesmo ?
quer exemplo: entra o brasileiro no taxi e pergunta: conheces o restaurante tal? o taxista diz que sim, afinal não foi isso que lhe foi perguntado ? e onde fica? sabe? diz que sim o taxista, afinal, não foi isso que lhe foi perguntado?
ora, se em nenhum momento foi dito ao motorista que ele devia seguir para lá, o que faria o taxista? levaria-o lá? para ouvir que em nenhum momento isso lhe foi pedido?
esses brasileiros são uns gajos muito estranhos. entram no taxi para perguntar se conhecemos ou se sabemos onde fica lugares onde eles não dizem se querem ou não ir.
deve ser por isto que nós descobrimos o brasil e não vice-versa e mais uma vez estamos lhes tomando o litoral, pois quem quiser que acredite que nos chegamos lá por calmarias.
Sunday, September 23, 2007
elementar meu caro watson
a notícia não é nova. mas o que há de novo no front(e no back) deste país?
novo diretor da polícia federal assume e responde pergunta sobre porque nas operações decantadas com tanto alarde os dito cujos suspeitos nunca ficam presos. responde que é preciso prender as pessoas com provas mais consistentemente trabalhadas?
quer dizer que até então que as pessoas estavam sendo presas sem provas ?
ah! bom. fica combinado assim. há esperanças para este país até provas em contrário-
novo diretor da polícia federal assume e responde pergunta sobre porque nas operações decantadas com tanto alarde os dito cujos suspeitos nunca ficam presos. responde que é preciso prender as pessoas com provas mais consistentemente trabalhadas?
quer dizer que até então que as pessoas estavam sendo presas sem provas ?
ah! bom. fica combinado assim. há esperanças para este país até provas em contrário-
Saturday, September 22, 2007
parangolé
o homem segura duas cadeiras de balanço infantis em cada braço. outra leva-a pendurada no pescoço. a última, do tipo cavalinho-sebra, banco longo sem espaldar, traz encaixada na cabeça tal e qual um chapéu de burro ainda que sendo cavalinho infantil.
a temperatura é quente, e tem-se a sensação maior de sofrimento, abandono, e calor, já que passa frente a uma séria de oficinas que assistem a sua passagem sem sequer se ouvir uma buzina.
o homem carrega o cavalinho na cabeça e seu rosto desolado, provavelmente por nenhuma venda, lembra-me, e desperta-me, exatamente a mesma sensação que sinto quando vejo os cavalos, éguas, mulas e jegues presos a seu destino não natural de morrer de peso e cansaço sem que ninguém lhes ouça, prese atenção ou cuide.
assim como o homem que vende cadeirinhas que poderiam estar sendo montadas pelos seus próprios netos sem o peso da necessidade da venda escrava, tal como os animais que deveriam estar no campo ao pasto sentindo nas costas apenas o peso das suas crinas.
homens e animais sujeitados a trabalhos forçados são sempre uma aberração da natureza deturpada pelos nossos erros. e que ainda hoje são vistos pela maioria como estado natural da nossa civilização, com seus costumes de jogar sobre o lombo de animais e homens reduzidos a igual condição, que mesmo no brinquedo de madeira que servirá de brincadeira não deixa de ser produto de homens e cavalos domados a duras penas de renunciar a vida inerente a sua própria condição que não se sabe onde escrito acabaria sendo esta.
a temperatura é quente, e tem-se a sensação maior de sofrimento, abandono, e calor, já que passa frente a uma séria de oficinas que assistem a sua passagem sem sequer se ouvir uma buzina.
o homem carrega o cavalinho na cabeça e seu rosto desolado, provavelmente por nenhuma venda, lembra-me, e desperta-me, exatamente a mesma sensação que sinto quando vejo os cavalos, éguas, mulas e jegues presos a seu destino não natural de morrer de peso e cansaço sem que ninguém lhes ouça, prese atenção ou cuide.
assim como o homem que vende cadeirinhas que poderiam estar sendo montadas pelos seus próprios netos sem o peso da necessidade da venda escrava, tal como os animais que deveriam estar no campo ao pasto sentindo nas costas apenas o peso das suas crinas.
homens e animais sujeitados a trabalhos forçados são sempre uma aberração da natureza deturpada pelos nossos erros. e que ainda hoje são vistos pela maioria como estado natural da nossa civilização, com seus costumes de jogar sobre o lombo de animais e homens reduzidos a igual condição, que mesmo no brinquedo de madeira que servirá de brincadeira não deixa de ser produto de homens e cavalos domados a duras penas de renunciar a vida inerente a sua própria condição que não se sabe onde escrito acabaria sendo esta.
Friday, September 21, 2007
o homem invisível
nesta temporada de trabalho encontro-o todos os dias no café da manhã na padaria globo, no varadouro, olinda.
nessa espécie de ritual, alimento-me do velho hábito carioca da média com pão e manteiga, hoje substituidos pela vitamina de banana, pão com ovo e a xícara média de café, que embora não seja a média, faz-me efeito genérico. não é este o sinal dos tempos?
ele, magérrimo, tipo franzino, bigodes à seculo passado, pede copo grande café e dois sanduiches de pão com ovo nalguns dias, noutros de mortadela. faz quase uma semana que usa bermuda vermelha e não usa camisa.
relembro-o da adolescência. carroceiro que não sei se tratava mal os burros, mas sempre de carroça a cheia a invarialvelmente transportar fretes com todo tipo de encomendas. muito tempo passou, ele não diminui em nada o seu tamanho, que é o que dizem acontece com que vai chegando a alta idade.
seu corpo faz inveja a qualquer adolescente tarado por academia. é um bruce lee talhado pela pobreza a cada músculo delineado, sejam bíceps ou nas marcas das costelas, no ponto entre a surgidez da aparência e o mais um pouco a esqualidez a qual já nos acostumamos em cenas de países de áfrica.
mas isto não é o que interessa. mas sim a dignidade com que se porta. muito mais que um gentleman, tem um porte e uma elegância que só mesmo os homens a quem o tempo e as condições por mais desfavoraveis que sejam não conseguiram extirpar-lhe das vísceras a dignidade.
cumprimenta-me e confesso que não sei se lhe estou à altura, apesar do seu tamanho físico diminuto. mas é sempre um honra tomar um café com um ser humano que mesmo de pés no chão tem a dignidade a levitar-lhe o peso. e isto dito, parto para o trabalho onde cada vez mais gente com dignidade é o que está em falta. e olhe que no fundo, somos todos carroceiros também.
(da vitamina que tomo, observo que a cada dia diminuem o copo e aumentam-lhe o preço. seria esta uma das causas de tamanha falta de dignidade que afligem os comensais brasileiros ? falta de vitamina na dose certa pelo preço justo ? mais uma vez o meu companheiro de café prova que não. não tem dinheiro para a vitamina mas esbanja de maneira digna, a sua, que lhe é natural, nunca ou muito pouco sequer vitaminada)
nessa espécie de ritual, alimento-me do velho hábito carioca da média com pão e manteiga, hoje substituidos pela vitamina de banana, pão com ovo e a xícara média de café, que embora não seja a média, faz-me efeito genérico. não é este o sinal dos tempos?
ele, magérrimo, tipo franzino, bigodes à seculo passado, pede copo grande café e dois sanduiches de pão com ovo nalguns dias, noutros de mortadela. faz quase uma semana que usa bermuda vermelha e não usa camisa.
relembro-o da adolescência. carroceiro que não sei se tratava mal os burros, mas sempre de carroça a cheia a invarialvelmente transportar fretes com todo tipo de encomendas. muito tempo passou, ele não diminui em nada o seu tamanho, que é o que dizem acontece com que vai chegando a alta idade.
seu corpo faz inveja a qualquer adolescente tarado por academia. é um bruce lee talhado pela pobreza a cada músculo delineado, sejam bíceps ou nas marcas das costelas, no ponto entre a surgidez da aparência e o mais um pouco a esqualidez a qual já nos acostumamos em cenas de países de áfrica.
mas isto não é o que interessa. mas sim a dignidade com que se porta. muito mais que um gentleman, tem um porte e uma elegância que só mesmo os homens a quem o tempo e as condições por mais desfavoraveis que sejam não conseguiram extirpar-lhe das vísceras a dignidade.
cumprimenta-me e confesso que não sei se lhe estou à altura, apesar do seu tamanho físico diminuto. mas é sempre um honra tomar um café com um ser humano que mesmo de pés no chão tem a dignidade a levitar-lhe o peso. e isto dito, parto para o trabalho onde cada vez mais gente com dignidade é o que está em falta. e olhe que no fundo, somos todos carroceiros também.
(da vitamina que tomo, observo que a cada dia diminuem o copo e aumentam-lhe o preço. seria esta uma das causas de tamanha falta de dignidade que afligem os comensais brasileiros ? falta de vitamina na dose certa pelo preço justo ? mais uma vez o meu companheiro de café prova que não. não tem dinheiro para a vitamina mas esbanja de maneira digna, a sua, que lhe é natural, nunca ou muito pouco sequer vitaminada)
Thursday, September 20, 2007
quase arroto
almoço de negócios, onde executivos trincam o bife mas o objetivo é comer uns aos outros, negocialmente as vezes nem sempre.
entre falar alto e palitar os dentes fico a perguntar: de que adianta mesmo tanto MBA? e estágios na matriz? qualquer comilança com os chamados bárbaros em seus modos de cinema vikings e as regras mínimas de etiqueta estariam respeitadas.
se há uma coisa insuportável é o barulho de vozes que nada tendo a dizer ainda o fazem sobretudo muito alto. e não é o alcóol que os deixa assim. é questão de berço mesmo para não dizer de beiço.
a histéria dos pontos de vista que se engalfinham em gravatas é sempre mais destestável do que a histéria de mulheres a beira de um ataque de nervos por unhas quebradas
discretamente engulo à seco o meu arroto, mas peido baixinho de forma inevitável.
esta turma contamina o ar e não a minha bufa.
entre falar alto e palitar os dentes fico a perguntar: de que adianta mesmo tanto MBA? e estágios na matriz? qualquer comilança com os chamados bárbaros em seus modos de cinema vikings e as regras mínimas de etiqueta estariam respeitadas.
se há uma coisa insuportável é o barulho de vozes que nada tendo a dizer ainda o fazem sobretudo muito alto. e não é o alcóol que os deixa assim. é questão de berço mesmo para não dizer de beiço.
a histéria dos pontos de vista que se engalfinham em gravatas é sempre mais destestável do que a histéria de mulheres a beira de um ataque de nervos por unhas quebradas
discretamente engulo à seco o meu arroto, mas peido baixinho de forma inevitável.
esta turma contamina o ar e não a minha bufa.
Wednesday, September 19, 2007
pra quem ficou parado naquela estação
nada como uma viagem para você descobrir que não é, nem são, insubstituíveis, maridos, mulheres, funcionários, e sobretudo o pais que tentam lhe impingir numa alegoria farrabunda, ser o melhor e o mais bonito do mundo.
nem precisa ser uma viagem para o outro mundo. logo ali é buenos aires, e a civilização já dá o ar da sua graça, apesar da nossa contribuição espelhada na bandigagem e miséria local que reconhecemos como pior que a nossa mas no fundo sabemos que nisso eles também não ganham mais uma, já que lá a categoria não é tratada como esporte
nem precisa ser uma viagem para o outro mundo. logo ali é buenos aires, e a civilização já dá o ar da sua graça, apesar da nossa contribuição espelhada na bandigagem e miséria local que reconhecemos como pior que a nossa mas no fundo sabemos que nisso eles também não ganham mais uma, já que lá a categoria não é tratada como esporte
Tuesday, September 18, 2007
idade dos enganos
a juventude não é a idade da velocidade. ledo engano, típico de quem entra na contra-mão.
a idade da velocidade, por sí só já dita nas idades altas, é a idade em que você se acha ou lhe é imposta a velhice.
tardia ou precoce, nela entrando, tudo é por demais rápido e veloz. o beijo, o gozo, as ausências, as substâncias digeridas e seus resultados.
tudo é extremamente lento na juventude. tudo é demasiadamente rápido na velhice. prova dada é que você leva uma vida para morrer. e quando se é velho, e pei-buf e você já foi.
é claro que há uns velhinhos renitentes a embaralhar o tráfego.
mas nada que uma sirene ou um guarda-anjo de trânsito não resolva numa lapada.
deve ser por isso que já nascemos com cara de velho. coisas da velocidade da nossa efemeridade. acentuada não nas dificuldades de locomoção em tudo que parece subida da curva da velhice a qual associamos o trôpego. mas sim na banguela da boca e da descida sem freios para o caixão.
Sunday, September 16, 2007
humano demasiadamente humano
gosto de animais, você sabe, exceção apenas a um: o animal humano, com raras e excepcionais exceções. confesso mesmo que muitas vezes aturo-me à contra-gosto.
dos animais dizem-nos perigosos para a maioria. e sobre eles se constroi a nossa desumanidade ímpar na história animal. os dragões de komodo não passam de lgartixas diante da nossa fome de predação
o que homem faz com os animais é animalesco, para você ver só do que somos capazes. subvertemos até a lógica dos significados. o que fazemos de mais humano chamamos de desumano, de coisa de animais, quando nada mais é que coisa saida de nós próprios.
ultimamente os pit-bulls tem sido as vítimas da vez, como já foram os lobos, os gatos, os morcêgos, como também são os tubarões.
invadimo-lhes o seu espaço, destroçamos a sua personalidade, vitimamos a eles e as vítimas deles que antes de tudo são nossas e os exterminamos exemplarmente quando acontece uma tragédia onde crianças ou velhos são navalhados.
vítimas e autoridades dirigem seu ódio aos cães e contra eles é permitida a pena de morte sem recurso. mas os que os adestram (adestrar não é só para o bem ou bons modos), os que se alimentam e alimentam a crueldade das rinhas, continuam sem punição alguma, quando são eles os verdadeiros: pensou que eu ia dizer animais? vocês realmente não aprendem não é humanos ?
dos animais dizem-nos perigosos para a maioria. e sobre eles se constroi a nossa desumanidade ímpar na história animal. os dragões de komodo não passam de lgartixas diante da nossa fome de predação
o que homem faz com os animais é animalesco, para você ver só do que somos capazes. subvertemos até a lógica dos significados. o que fazemos de mais humano chamamos de desumano, de coisa de animais, quando nada mais é que coisa saida de nós próprios.
ultimamente os pit-bulls tem sido as vítimas da vez, como já foram os lobos, os gatos, os morcêgos, como também são os tubarões.
invadimo-lhes o seu espaço, destroçamos a sua personalidade, vitimamos a eles e as vítimas deles que antes de tudo são nossas e os exterminamos exemplarmente quando acontece uma tragédia onde crianças ou velhos são navalhados.
vítimas e autoridades dirigem seu ódio aos cães e contra eles é permitida a pena de morte sem recurso. mas os que os adestram (adestrar não é só para o bem ou bons modos), os que se alimentam e alimentam a crueldade das rinhas, continuam sem punição alguma, quando são eles os verdadeiros: pensou que eu ia dizer animais? vocês realmente não aprendem não é humanos ?
Thursday, September 13, 2007
camarilha
senado que senado ? camara qual camara?
lugar de gente feliz
de renans que reinam absolutos e impunes
sociedade secreta onde o boi engorda sem o olho do dono
enquanto as vacas magras mirram de verdade pela falta dela
lugar de gente feliz
de renans que reinam absolutos e impunes
sociedade secreta onde o boi engorda sem o olho do dono
enquanto as vacas magras mirram de verdade pela falta dela
Wednesday, September 12, 2007
quase gastrônoma
sou sempre convidado para projetos que exigem coragem e pouco apego a dinheiro(pelo menos é o que me dizem. e eu não sei se mais idiota ou esperto quase finjo que acredito).
contudo desconfio que: ou tenho coragem demais da conta, do que me foi calculada, ou levo a sério demais aquele discurso do que agora é para valer, queremos fazer e acontecer, a nossa personalidade é o que importa e tudo o mais que já virou clichê.
por outro lado, o pouco apego a dinheiro é sempre um problema de monta, já que a sua importância ou desimportância é intrinsecamente ligada a coragem.
covardes comem demais. corajosos não tanto. mas porque será que eu, tão corajoso ando engordando ?
imagina-se a coragem musculosa, nunca adiposa. e a covardia sebosa, jamais esbelta.
e se considerar-mos que quase sempre saio a meio do pudim - ou seria butim? - dos projetos dos quais sempre me excluo, quando ouço a frase do não é bem assim, que se passa então? com estes quilos a mais em tanto tempo de como de menos?
talvez seja a hora de mudar de dieta, quer dizer, deste tipo de projetos que se dizem corajosos e padecem da bulimia ante a possibilidade de vir a ser ou no meu caso de não vir a ser.
a falta de coragem no tutano, mais do que a falta de dinheiro, antes de matar de inanição as idéias, matam-nas pela engorda do que não pode ser feito ao custo do que poderia ser.
contudo desconfio que: ou tenho coragem demais da conta, do que me foi calculada, ou levo a sério demais aquele discurso do que agora é para valer, queremos fazer e acontecer, a nossa personalidade é o que importa e tudo o mais que já virou clichê.
por outro lado, o pouco apego a dinheiro é sempre um problema de monta, já que a sua importância ou desimportância é intrinsecamente ligada a coragem.
covardes comem demais. corajosos não tanto. mas porque será que eu, tão corajoso ando engordando ?
imagina-se a coragem musculosa, nunca adiposa. e a covardia sebosa, jamais esbelta.
e se considerar-mos que quase sempre saio a meio do pudim - ou seria butim? - dos projetos dos quais sempre me excluo, quando ouço a frase do não é bem assim, que se passa então? com estes quilos a mais em tanto tempo de como de menos?
talvez seja a hora de mudar de dieta, quer dizer, deste tipo de projetos que se dizem corajosos e padecem da bulimia ante a possibilidade de vir a ser ou no meu caso de não vir a ser.
a falta de coragem no tutano, mais do que a falta de dinheiro, antes de matar de inanição as idéias, matam-nas pela engorda do que não pode ser feito ao custo do que poderia ser.
Tuesday, September 11, 2007
borderline
há uma forte tendência no ser humano, ainda mais mortal nos negócios do que no casamento, de querer salvar o irrecuperável.
na minha profissão, a dúvida se é lucro o tempo ganho com cliente perdido leva mais a falência do que a certeza.
na minha profissão, a dúvida se é lucro o tempo ganho com cliente perdido leva mais a falência do que a certeza.
Monday, September 10, 2007
lugar comum
túmulo.
dentro dele, o que dentro do caixão, bolor e falso rateio, por mais incomum que seja a paisagem do lado de fora, nos nivela a todos: por baixo.
mas há quem se julgue morto exalando outros perfumes. e que julgue isto presença de espírito também.
deixe-se então que a dúvida de outros tantos descanse em paz. não fosse aquela barata alí a desandar o cemitério inteiro com o cheiro peculiar do barro derretido que enlameia qualquer possibilidade de final feliz nessa sintese da nossa história mal contada.
dentro dele, o que dentro do caixão, bolor e falso rateio, por mais incomum que seja a paisagem do lado de fora, nos nivela a todos: por baixo.
mas há quem se julgue morto exalando outros perfumes. e que julgue isto presença de espírito também.
deixe-se então que a dúvida de outros tantos descanse em paz. não fosse aquela barata alí a desandar o cemitério inteiro com o cheiro peculiar do barro derretido que enlameia qualquer possibilidade de final feliz nessa sintese da nossa história mal contada.
Saturday, September 08, 2007
quebra de rotina
o feriado nos acena com a quebra da rotina.
e lá vamos nós para a rotina do feriado.
e lá vamos nós para a rotina do feriado.
Friday, September 07, 2007
parada dura
a liberdade, de expressão inclusive, é valor fundamental para a verdadeira democracia. a independência, entre poderes inclusive, é fundamental para a verdadeira independência.
se a independência de um povo é um conjunto de valores e expressões que não necessitam ser monitorados, porque raio a nossa independência é escrava de uma comemoração que é uma parada militar ?
não deveria ser uma festa popular com a expressão de diversas nuances da participação popular? que na parada não sai da arquibancada?
não que militar não seja povo. mas tem povo de menos é militar demais nesta parada.
portanto, a nossa independência ainda está sujeita a ordem do dia.
se a independência de um povo é um conjunto de valores e expressões que não necessitam ser monitorados, porque raio a nossa independência é escrava de uma comemoração que é uma parada militar ?
não deveria ser uma festa popular com a expressão de diversas nuances da participação popular? que na parada não sai da arquibancada?
não que militar não seja povo. mas tem povo de menos é militar demais nesta parada.
portanto, a nossa independência ainda está sujeita a ordem do dia.
Thursday, September 06, 2007
Wednesday, September 05, 2007
sete de setembro à vista ou seria a prazos de perder de vista ?
feriado se aproximando. a confirmação verde-amarela da nossa eterna escravidão dando mostras novidadeiras.
parada de helocópteros preventivamente pensada para abafar as vaias ao lula.
dia da independência ?
parada de helocópteros preventivamente pensada para abafar as vaias ao lula.
dia da independência ?
Tuesday, September 04, 2007
sentido de proporção

a caminho dos 54 anos, nascido aos 54, as coisas poderiam ser bem piores. mas não. nada assusta, inclusive a barriguinha que mantem-se discreta, fazendo muita inveja a adolescentes tidos como esbeltos. e, como já disse alguém um pouco mais a frente do que eu: "elas ainda olham. cada vez menos, mas olham" (ainda não decifrei completamente quem são elas? se mais jovens ou se as do pau a pau)
uma coisa porém ameaça complicar-se. há que se fazer escolhas paro o futuro cada vez mais breve.
velho tarado, velho gagá, velho ranzinza ou velho legal ?
bom a proporção é de 3 contra 1. mas ainda acho que dá. será ?
p.s. velho legal não elimina necessáriamente a primeira das três opções. ooooh? então tá.
Monday, September 03, 2007
Sunday, September 02, 2007
sem farol
minha profissão? faroleiro
ora, se assim sou, lanço luzes sobre meu caminho
mar de lembranças do futuro
onde só há botes do destino
aos quais me agarro como um náufrago
apegado a sombras que não existem mais
de sonhos iluminados e extintos
ora, se assim sou, lanço luzes sobre meu caminho
mar de lembranças do futuro
onde só há botes do destino
aos quais me agarro como um náufrago
apegado a sombras que não existem mais
de sonhos iluminados e extintos
Saturday, September 01, 2007
zorra total
personagem da galhada faz auto-crítica da globo em programa da globo que agora rí de sí mesma?
a espera da mulher assiste tv de madrugada e comenta - depois ainda repete - " só filme repetido " e questiona: - desenho animado de madrugada, só se for para criança com insônia.
progresso ou efeito macêdo?
nunca a verdade nos fez rir de tanto chorar.
a espera da mulher assiste tv de madrugada e comenta - depois ainda repete - " só filme repetido " e questiona: - desenho animado de madrugada, só se for para criança com insônia.
progresso ou efeito macêdo?
nunca a verdade nos fez rir de tanto chorar.
Subscribe to:
Posts (Atom)



