Thursday, February 26, 2009

anti-bbb ou o churchil que o bial esqueceu

para os menos familiarizados, churchil, roosevelt e stalin: qual seria o teor da conversa: a ana pudim de coco ou a indefecavel naiá? (sugestão de legenda em pensamento para o roosevelt: que velho chato do caralho!)

os editoriais intelectualizados do big brother brasil, corporificados ao zelo pela canastrice do pedro biau, bilau, blau-blau?mostram, para quem vê algo mais do que bundas em gelatina, que o pior do bbb não está dentro. está fora. sejam quais forem os participantes.

não vou usar da verga para debastar o bbb e sua significação, enquanto produto distorcido e eufemizado de algo tão terrivelmente assustador na sua origem, que não o deixa de ser em suas ramificações e progressões. mesmo que elas se reduzam a um programa de meia punheta, já que nem isto é assumido. deixando para os leitores menos incautos as intenções ao que se pretende com este laboratório para além dos niquéis contratuais, o que a longo prazo converte-se em não mais que efeito colateral.

prendamô-nos ao significado da citação churchiliana no prêambulo da retirada da casa do caubói. interessante também ressaltar as bases compactuadas para não se discernir o que é realmente falta de respeito. afinal, ser chata é muito pior que velha(velha e chata então?) na medida em em que os velhos são aceites (não integralmente ao que parece) como concorrentes de igual para igual, deparamonos com a distinção - que é muito mais, uma distorção do estigma de respeito velhice - uma vez que é considerado falta de respeito tratá-la de igual para igual, seja ou não a forma usada chula ou chiste de mau gosto(caberia num programa assim etmologias do que é bom ou mau gosto?).

pedro bial, sinalizando editorialmente a verdade da casa - comportamento seguido à risca pela globo, no seu tele-jornalismo principalmente, nem vou falar da novelas, como caminho das índias, citou churchil: "em tempos de guerra, a verdade é um bem tão precisoso que deveria ser escoltada por um bando de mentiras", o que tem significados que vão além também da esfera das lentes do programa, ao ditar uma compormentalização onde caubóis que sacam rápido contra a mentira do respeitável estabelecido, mesmo acertando no alvo, não tem vez, nem no programa nem na sociedade de uma maneira geral. o que é muito cômodo num mundo de flexibilização, na verdade genuflexão imposta por quem já de há muito perdeu-se, de e da verdade, só lhe restando a escolta da mentira. aliás, isto assim dito equivaleria a dizer que na verdade a naiá é mesmo uma velha chata pra caralho? e que ninguém teve peito de dizer na lata? para fazer o jogo do bom-mocismo que engole o cuspe e o catarro visando o milhão?

bem, rodou o peão. confirmando o ditado turco: diga a verdade e saia correndo. neste caso ele o corrido.

mas como o citado é churchil, relembremos outra citação: " a mentira roda meio mundo antes da verdade ter tido tempo de colocar as calças" churchil.

voyeurs ou exibicionistas, antes de colocarmos as calças(o que faz a audiência cair) dentro e fora do bbb, independentemente da idade, teremos, todos, a ouvi-lo fadados a perder o verdadeiro sentido da guerra e do que devemos combater de verdade, com a verdade, para além das citações de algibeira ou seria de cartucheira ?
Now playing: steely dan - dirty work via FoxyTunes

Sunday, February 22, 2009

do homem, sem folia

chove no carnaval. as alegrias - e as tristezas - estão molhadas. a alma, lavada, como os paralepípedos que registram mas não guardam de quem os pés que lhe deixam marcas - de nada adiantaria mesmo tal sua existência breve, eternamente fadados a feira de cinzas.

acho graça caminhar por entre os momentos que a mírdia não registra. ai vou eu sem máscaras ou fantasias, homem de nenhum disfarce, aprisionado no enredo do sou o que sou, e que se foda o mundo, inclusive eu, bloco sem nenhum seguidor, pelo menos por agora, nem de longe.

livre dos epítetos - e do xixi - de carnaval da multi-culturalidade, do melhor carnaval do mundo o ar até parece estar mais respirável: ladeiras mais bucólicas, gatos, vira-latas e bem-te-vis tem instantes de calma. até as lagartixas concordam que sim sem nenhum clarim a ribombar-lhe os intestinos. silêncio quase monástico - já cantado por alceu - deste modo onde tarol, sem fala, rima com o olho e as narinas do farol.

estandarte do bloco do eu sozinho passo sem cogitar agremiações, usufruindo do que a chuva traz e leva ao mesmo tempo. tudo e nada, contados às favas por ninguém. mesmo que seja eu a observar que o homem do meio dia é, sim e não, o reverso do homem da meia noite em suas tristezas e alegrias. muito embora em mim não haja pantomima patrocinada. só disposição - ou suposição - de pensar que o carnaval com chuva é a única maneira de não deixar os homens se tornarem bonecos de uma folia que mais cedo ou mais tarde comandará suas cabeças até o ponto de corte, na goela que vai cuspir em desprezo o sol que antes desceu redondo e gelado como convém ao galhardete de muito antes enforcado nos postes, até estes pelo peso de tão institucionalizada alegria envergados.

Now playing: lulu santos - éros e tanátos via FoxyTunes

Tuesday, February 17, 2009

fosse médico e era igual


já não soam a mentiras as vantagens que contava em roughs.

fartou-se antes do infarto por vivê-las como se mentiras fossem; alteradas com a convicção de quem agora faltava apenas a meia verdade? isso, se muito, depois de tanto regurgitar sobre o antes tarde do que nunca, porque não mais cedo? vai ver a hora é mesmo esta.

por anos a fio, que não sabidos a certo quantos, contadas as noites tornadas dias e os dias tornados semanas, se era mais ou menos homem pelo que fazia ou deixava de fazer, o homem que se dizia publicitário o que não importa se na verdade fosse apenas médico, um homem; só isto. fruto e vítima da mordida de coisas ancestrais que o marketing julga que trinca quando molda mas não separa sequer do arroto.

isto posto e findo, não tinha agora nada mais do que estórias para contar.
seria esta sua riqueza ou apenas a receita final do placebo que com que se auto-receitou a vida inteira?

Now playing: gomez - get myself arrested via FoxyTunes

Saturday, February 14, 2009

ensaio geral


vida é pra viver e não pra ver.
quem fica só assistindo a vida passar paga um preço.

ultimamente tenho me dado conta que em boa parte dela tornei-me um espectador e talvez até mesmo, sinal dos tempos, um tele-espectador, um net-espiador.

para além da perda, resta algum ganho?que não tenha veia sociológica? talvez, talvez.

não gosto de tudo que vi - a meu respeito inclusive - mas também não desgosto de tudo, inclusive dos desgostos.

o preço de se observar é caro. camarote, platéia ou na fila do gargarejo. muitas vezes além das minhas posses.

se aprendi com tudo o que vi? nem que seja por "osmose ou contágio"? certamente que sim, pensei algumas vezes, certamente que não noutras. estava certo algumas, errado? quantas nem sei quanto.

mas é fato que apesar de ter a consciência de que ver a vida passar é algo bem menor do que vivê-la - isto se você não for um observador para a eternidade, como o fazem alguns poucos imortais - pelo resultado de suas observações, sejam artísticas ou científicas - não peço de volta o dinheiro do ingresso pelos espetáculos que ví dentro do espetáculo da vida - tantas vezes em nada espetaculosos e ou grandiosos e sim, pequenos, medíocres, quando não mórbidos e de uma crueldade, que só mesmo a condição da vida é capaz de conservar.

não peço bis, mas como diria o bardo, bem que tudo que eu vi( e vivi) podia ter sido apenas um ensaio.

mas não foi. é a vida. tenha-a eu vivido ou mediocremente só observado.

Now playing: air - remember via FoxyTunes

Saturday, February 07, 2009

caras de cão



ao receber o globo de ouro, mickey rourke, catapultado da sarjeta ao olimpo por uma atuação soberbamente orgânica em " o lutador ", agradeceu aos seus cães, enfatizando que, às vezes, a única coisa que um homem tem no mundo é o seu cão.

dono de seis cachorros no momento, todos retirados de abrigos, reafirma que na sua pior fase, seus cães deram-lhe afeto e o ensinaram que ele podia cuidar de algo vivo, e não só o destruir. disse ainda que não estaria ali se não fosse por eles. e que espera reencontrá-los quando morrer.

o que será dos homens que sequer tem os seus cães, se calhar nem os seus demônios, destes do tipo que atropelam intencionalmente cachorros, principalmente quando estão engatados, ou daqueles que jogam água fervente em cães e gatos, ou deixam-lhes morrer á mingua, não sem antes uma boa tortura ou envenenamento, quando não do intestino, d´alma pelo abandono ?

qual a cara de cão que não existe em outros nós ?

para estes animais, haverá salvação ?

Now playing: jarabe de palo - perro apaleao via FoxyTunes

Wednesday, February 04, 2009

qual recheio de um sorriso de sonho ?


independe do tônus das maças de qualquer rosto. certas pessoas conservam um frescor inexplicável nos sorrisos. não se pode dizer que é obra de quem viveu só bem pois, várias vezes, vem de quem sofreu como jó. tampouco é coisa da idade, pois já vi muitos sorrisos teens em gente que já virou o século de há muito e muito sorriso dilacerado em quem certamente virará o outro. de qualquer modo chega a ser atômico no momento em que ocorre. poder-se-ia até dizer que é comparável antípoda ao sentir orgasmo. pois, se o orgasmo nos dá a visão de tanátos em átimos, estes sorrisos dão-nos a visão da vida desabrochando nova e novamente nova numa reverberação que chega ao exterior como um susto bom.

não se deve perder tempo com a explicabilidade destes sorrisos. só aproveitá-los. quem tem a sorte de encontrá-los pela frente, pode até acreditar que a vida vale a pena, tamanha graça ao espocar a luz do seu bem-estar. é como ver uma pessoa mordendo o sonho de fazer o bem e respigando o recheio nos outros que tem a graça de tê-lo a frente. se tal sorriso provém do homem ou mulher com sorriso casado para com o seu bem, pode-se mesmo dizer que é um sorriso cheio de sonho.

e, se assim é, assim sendo, não se resiste a de que é feito o recheio de um sorriso de sonho? creme, goiaba ou marmelo ? ou simplesmente lambidas de gente ferida de vida e sol ?

Now playing: travis - the last laugh of the laughter via FoxyTunes

Tuesday, February 03, 2009

sem fôlego


eu vou aonde você for, disse julieta.
mas ela não sabia nadar, constatou romeu, arquejante, do outro lado da margem.

Now playing: jarabe de palo - agua via FoxyTunes

rotunda


enquanto todo mundo sonha com um carro novo eu sonho com um carro velho.

então, a tal diferença entre o sonho e a realidade, é isto mesmo: na aparência de velhos, sonhos que se querem sempre novos; e pesadelos, na figura de uns tantos novos, que se tornarão velhos, sem jamais ser sonhados.

Now playing: solomon burke - only a dream via FoxyTunes

Monday, February 02, 2009

sorriso de dentes

realmente admirável, e invejável, a capacidade que algumas pessoas tem de rir de si próprias.
mas só quando a piada é boa.

Now playing: Black Merda - Ashamed via FoxyTunes

Saturday, January 31, 2009

a pior das saudades

sentir saudades, de ter saudades; ou seria de não sentir? ou ainda: sentir saudades de sí mesmo?

ou nem isto?Now playing: squeeze - satisfied via FoxyTunes

Wednesday, January 28, 2009

com a boca no mundo

o silêncio é a síntese daquilo que não quer calar.
o problema é que faz um estrondo tão grande que na maioria das vezes potencializa a voz dos energúmenos que gostaríamos de ver calados.

Now playing: The Answer - No Questions Asked via FoxyTunes

Tuesday, January 27, 2009

da falta de visão ampliada


a presbiopia veio, como é de se esperar, por volta dos quarenta e poucos, o que é sempre muito pouco quando se vive de olhos abertos para o que vier.

a falta de visão para longe, mais tarde, dez anos depois, mais ou menos, a memória talvez já acompanhando a falta de visão.

acostumado, por formação - ou deformação - profissional a focar nos detalhes, e neles buscar, para o bem e o mal, a diferença, sem óculos, perde-se, por assim dizer, o distanciamento crítico. é o que acontece agora quando estou sem lentes.

ao mesmo tempo, surge uma nova maneira de ver as coisas - na verdade de não ver - o universo turvo, ao contrário do que poderia se pensar, é mais bonito, as mulheres, por exemplo, principalmente. sem lentes, inclusive as do amor, todas são belas. não há imperfeição. vê-se, ou melhor é tudo uma programada ilusão de óptica. a loura fatal, onde de loura apenas a tintura que lhe corrói o tônus, a depender dos nossos reflexos ressurge teen.

na verdade, descobri este novo dom da visão por esquecimento dos óculos. como sem eles apenas perco os detalhes, mas continuo tendo a visão do todo, arrisquei dirigir sem eles. e aí não deu outra: um mundo novo abriu-se para mim.

mulheres feias passaram a se sentir atraentes; homens carrancudos, não mais que de soslaio tornaram-se simpáticos, grupos grotescos tornam-se pitorescos e assim por diante. e de certa maneira, torno-me um mensageiro da felicidade, pois assim cego, nada me espanta e a tudo reajo com a naturalidade da suspensão do susto pela ausência da percepção da forma esvaziada nos seus contornos mais devidamente preenchida pelas expectativas de outras ânsias.

quem assim olhado, passada a sensação da impossibilidade internalizada do primeiro instante de recusa pelos olhos de quem sempre enxerga o mesmo, guarda lembrança para o resto dos dias destes. e, como dizem os especialistas em serem convocados para redundar nos tele-jornais , a autoestima aumenta e o bem estar se espalha, deixando todo mundo mais feliz neste desfoque acertado.

e como a felicidade é um tipo de crack de efeitos e duração ainda mais devastadora , não é de surpreender que isto vicie. dá mesmo vontade se sair sem óculos a todo instante, para ver a vida mais feliz. um vício dentro de outro chamado vida, do qual também é muito difícil largar por vontade própria, de maneira que vamos procurando enxergar o que nos mantém vivos mesmo por desfoque os mais ou menos que vislumbramos enxergar.

e assim, apesar de todos os desenganos, que os acertos ou enganos da nossa visão boa ou má sempre acabam por nos trazer ou para aqueles para os quais depositamos nosso olhar mais profundo ou equivocado, esta falta de visão ampliada nos conduz a amores cegos, cujo melhor é que não tateiam no escuro como fazem aqueles despertados pelo melhor da nossa visão.

no fundo, no fundo da retina, olhamos e sabemos que não está lá. nem sequer nos nossos olhos. é algo muito antes dela, também da formação da lágrima, e até do brilho que se recusa a nos espelhar como realmente somos em nossa mais completa escuridão.

Now playing: The Fevers - Seu Olhar (Temptation Eyes) via FoxyTunes

Saturday, January 17, 2009

quase lucáksiano


mesmo na mentira há que se ter uma certa verdade. qualquer que seja o ato, sem convicção, torna-se ainda mais falso do que o é sendo verdadeiro.

Now playing: crosby, stills & nash - Deja Vu via FoxyTunes

Sunday, January 11, 2009

o fim do trema

bom, não é o fim do mundo;ainda.

mas num país em que mais da metade da população, com otimismo, é analfabeta funcional, o que não justifica a academia medíocre que tem, o fim do trema, abolido há tempos pela funcionalidade dos não eruditos, não amolece, nem endurece, a linguiça.

ou seja: permanecemos sem saber, e sem opinar, de que é feita a mesma - não a "linguiça", eram salsichas na verdade, que como advertia balzac, esta e leis, melhor não saber como são feitas - mas a reforma, cujo princípio da salsicha que se aplica a feitura da mesma, cujos resultados práticos colocam ainda mais biquinhos, onde não devia haver, entre portugueses, principalmente, com certa razão, enquanto por cá, os biquinhos certos tornam-se outros ainda mais deformados.

p.s. ainda sobre a reforma. k,w,y, tornam-se por decreto oficialmente letras do alfabeto. ora pois, pois: qualquer menino de periferia tem a letra incrustada em seus registros - em portugal é registo, isso sim merecia reforma, mas qual? - de nascimento, através de construção eufônica e sintática de doer os ouvidos, e o senso de ridículo, mas pragmática aos olhos de quem de nascimento estratificado sem nome de brasão apela para o inusitado como pedra base ao reconhecimento da diferenciação entre os aprisionados pela não reforma econômica(no português de portugal é económica; sim para os portugueses não falamos português mas sim brasileiro, uma espécie de sub-língua, pior que se dialeto fosse) o que é a glórya. mas isso é quase latim; ou não?

Now playing: Amy Winehouse - You Know I'm No Good via FoxyTunes

Saturday, January 10, 2009

Friday, January 09, 2009

sem soutien

ditado chinês nos fala sobre a perfeição do seio da mulher quando exato na mão de um homem honesto.

na terra brasílis, grassa sem obséquios, a auto-obsessão pelos peitos siliconados das mulheres verde-amarelas. o que não deve causar espécie a ninguém. afinal, aqui é o paraíso dos homens que fazem princípio de vida, tudo levar na mão grande, não importa a quem ou o quê peitos não os tenha.

Now playing: Querosene Jacaré - O boby via FoxyTunes

Wednesday, January 07, 2009

bem bom, mal mau

o bem, para ser bom, deve ser praticado de forma discreta, quase silenciosa, invisível até, se é que se tem a fé para tanto; o mal, para ser mau, da forma mais espalhafatosa possível; grandiloquente na medida da suas maldades, e até amplificado na raiz da sua praia seca, que seca a quem nele mergulha.

mas a turma do bem, deve experimentar, pelo menos uma vez na vida, a pratica espalhafatosa, grandiloquente e amplificada do bem-bom, que é para sentir o gostinho de até onde pode ir a maldade.

já a turma do mal, não precisa experimentar mais nada: porquê, pra chegar onde chegaram, já haviam experimentado o bem-bom que não lhes deixou gosto de voltar ao anonimato do ovo.

Now playing: André Geraissati - flores de fumaça via FoxyTunes

Wednesday, December 31, 2008

bipolar

o feliz ano novo está cada vez mais e mais e mais, velho. mas a gente insiste em tratá-lo como criança. coisas da terceira idade?
Now playing: stevie ray vaughan - life by the drop via FoxyTunes

Tuesday, December 30, 2008

descomplicadora ou complicando ainda mais

passei a vida almejando ser simples; mas como compliquei, já que fato é, o ser simples é pra lá de complicado.

e é isso que nos mata, quando não enterra antes, vez que quando a vida complica-se por demais, dá-se a morte que a tudo simplifica. menos a morte em vida, coisa bastante complicada pra se explicar assim de forma simplificada que não é bem o contrário de morte morrida.

mas independentemente desta, não vá ficar aí pensando que morrer é simples, nem que viver é complicado. tente viver(e morrer) sem se complicar, mesmo se a coisa estiver complicada. facilite, mas mas não entregue de bandeja. cuide-se pois, para não ser simples demais ou seja: não se quede um "simplesinho" que pior, nem sendo simplório.

quando o simples torna-se um complicador em vez de simplificador pode-se dizer com certeza que você está simplesmente complicando quando no máximo deveria estar sendo complicadamente simples.

Now playing: Van Morrison - Keep it Simple via FoxyTunes

Saturday, December 27, 2008

reveillon de mim mesmo ou good-bye stranger

de tempos em tempos deveria ser obrigatório: separar-mo-nos de nós mesmos por um tempo. nada de visitas ao espelho. nada de referências amigáveis, ou não, que nos possibilitam ir acompanhando o trabalho do tempo em nossos rostos, em nossos corpos. em nossos sinais particulares de existência, para além do conto da carochinha de que há gente para qual o tempo não passa.

aparências, longe delas por um tempo, teríamos, enfim, um encontro com a verdade que começa a granular-se a partir dos quarenta para alguns, outros mais cedo do que tarde, mas nunca, nunca.

após este período, digamos sabático, de nós mesmos com a nossa imagem, teríamos sim, um quadro de como realmente estamos bem diferente daquele(s) a quem vamos nos acostumando no dia-à-dia do espelho, que dilui mui lentamente a imagem com a qual convenciona-se que gostaríamos de ser lembrados na maioria dos casos.

e ai, entenderíamos, a verdade - ou a falsidade - de quem não nos vê há muito tempo, e de seu tamanho espanto, que logo tentam consertar com disfarce que não cabe no tamanho do susto, ante o que o tempo fez do rosto que pensamos existir, e que de há muito não está mais ali, enganados que somos pelo espelho que nos dilui aos pouquinhos, como ele mesmo ao sofrer ação dos respingos da pasta de dentes, cuja abrasiva espuma também colabora com o sorriso que sequer imaginamos rí de nós o tempo inteiro ao tempo que nos derrete a moldura.

de volta deste tempo, tomaríamos o mesmo susto - que entre tantos há de ser nalgum se soslaio positivo como sinal dos tempos - que tomam aqueles que não nos vêem há muito e que que teatralizam variações repetidas pelo tempo como o " nossa como você está bem; o tempo para você não passa", enquanto dizem para elas próprias à boca chiusa ou mais tarde em conversas pra fora do tempo - minha nossa como ele, ou ela, está acabado, ou sibilam sorrisos de quase vingaça "pensou que ia ser jovem a vida inteira? ", confissões que muito provavelmente você trocará consigo mesmo reproduzindo as mesmas reações em cadeia.

quanto a mim, desapareço e volto de tempos em tempos. e a cada vez sou outro no espelho, bem diferente do bem acabado que ironicamente julgava ser, esquecendo a ironia agulhada da expressão bem acabado.

depois de tantas idas e vindas, em tempos desencontrados marcados por pausas síncopadas, um rosto em mutação me diz que o importante mesmo não é estar mal ou bem: e sim não estar acabado. o resto vai se compondo. mesmo quando se decompôe em partes ou no todo de um rosto que imaginamos conhecer ou desconhecer, tal como a imagem superficial que o associa em contabilidade adulterada de rugas e pés de galinha contabilizadas em perdas ou ganhos a depender das contas apropriadas.

dando um tempo descobre-se que este rosto desaparece quando se constata que o tempo apenas nos emprestou, talvez até mesmo por engano, disponibilizando-nos imagem que não é, nem nunca foi, nossa, apenas para tomá-la de volta, quando mais nos apegamos a ela que se vai sem sequer nos dar direito a um goodbye acalentado.

Now playing: américa - goodbye via FoxyTunes

Tuesday, December 23, 2008

brasileirinhas

que o brasil é, decididamente, uma pais bunda, é óbvio abundante. mas e o brasileiro? não passa sequer de um povinho cu?
Now playing: erasmo carlos - aquarela do brasil

Monday, December 22, 2008

ia abadá, abadá sifú

no brasil, à rigor, nada é preto no branco. tudo é fantasia; barata, haja vista o preço do ultraje.
e por falar nisto garçom, o que é que esta mosca faz na pedra de gelo do meu uísque que de sopa não tem nada?
Now playing: xutos&pontapés - estupidez via FoxyTunes

zé sozinho ou álibi para ser do jeito que sou

infância sem patins, patinete ou pebolim.
agora querem me incluir na turma da peteca da praia do poço.
puta que o pariu! que eu vou.
phodam-se!

Now playing: Carlos Dafé - Zé Sozinho via FoxyTunes

Thursday, December 18, 2008

" eu pensei que todo mundo fosse filho de papai-noel"

por toda a parte, a sensibilidade do natal pipoca como se uma data pudesse resolver os problemas do calendário humano. preocupações, as mais dignificantes, principalmente com os pedidos das criancinhas com suas intermináveis listas de presentes, necessários ou não, como o é necessário o quilo de farinha para a boca que não tem feijão.

mas e as criancinhas que nem mais voz tem? alguém se preocupa com seu silêncio nestes tempos de badalos e sinos que não ecoam em suas respirações ?

Now playing: the mahotella queens - ma , africa via FoxyTunes

Friday, December 12, 2008

instrumento de tortura

toda flauta doce tem um gosto amargo.

quem recebeu o instrumento da tia ou da mamãe-vovó, devidamente acompanhado do método para a educação sabida musical sabe o azinhavre na boca. uns, de tanto, perdeu o bico até para assobio, para não dizer as asas para a música.

Now playing: Lulu Santos - ninguém merece via FoxyTunes

Monday, December 08, 2008

apagão geral

dizem que o natal é sobretudo uma festa de luz interior, o tal espírito de natal.
mas a julgar pelo número sem-fim de luzeszinhas (e viva o made in china) e luzeszonas(nas árvores dos shoppings, principalmente) a humanidade anda pra lá de apagada.
no peito, sequer uma luzinha cu de vaga-lume que seja.

Now playing: boozoo bajou - night over manaus via FoxyTunes

Thursday, December 04, 2008

adônis

já fui bonito um dia e não me dava conta disto. quando dei, já era, feio.

Now playing: bixo da seda - é como teria que ser via FoxyTunes

Wednesday, December 03, 2008

filosofia de para-choque

de que vale vencer sem paixão? lutas inglórias são mais apaixonantes. agora, onde coloco isto: no traseiro ou dianteiro?
p.s. não vale para para-choques de caminhões caixa-forte.

Now playing: Pata de Elefante - Sooopraaa!!! via FoxyTunes

Wednesday, November 26, 2008

sem pádedeus

se chegou onde chegou e não tem escolha ou você está sozinho ou está solo: sapateie. mas não chore. chorar só vai estragar sua fantasia.

Now playing: Jarabe De Palo - Cry (If You Don't Mind) via FoxyTunes

Monday, November 24, 2008

vôo de ícaro

encontro a pomba ao cair da noite trêmula junto a um portão que lhe é falso abrigo. tem uma das asas machucadas e quase não oferece resistência quando lhe pego. no chão, que não é seu território, será presa fácil de gatos, cachorros e sabe-se lá de alguém que não terá o que jantar.

tenho-lhe imensa pena e não penso nem um pouco que os pombos são os "ratos do ar", com suas pulgas e três ou quatro possibilidades de transmissão de doenças que podem matar um homem. mas não posso ajudá-la, pois não tenho mesmo como abrigá-la numa casa já ocupada por cães e gatos as pencas.

é claro que num esforço além do que posso fazer agora, poderia levá-la e ver o que conseguiria fazer pela sua asa que não sei se abocanhada. mas de certa maneira também não posso me permitir a este voo. coloco-a então sobre um muro alto de parapeito e plantas que podem servir-lhe de abrigo, em noite que ameaça chuva e de onde se cair, agora ou pela manhã, não sei o que acontecerá.

e saio voando, ou melhor, mancando dali.

Now playing: The Black Crowes - Oh Josephine via FoxyTunes

Friday, November 21, 2008

de uma tragada só

- filho da puta profissional ou amador? indagou o incubido sem paciência.
- ahn? titubeou o farsante, medo vazando os olhos. o desentendido decifrando a mensagem. bilhete final chapado com o suor de cuspe na testa.
- amador. afinal deu-se por concluir. profissional não se engasga com caroço quanto mais sem. e, tendo dito, disparou o teco bem no meio do cú do filha da puta, amador - a propósito: dizem que assim o atingido leva um tempão pra morrer e dói pra cacete. um sangrar preguiçoso em dueto com uma dor ácida que só piora a medida que o sangue se esvai. filho da puta a gente mata assim. não tem essa de dar teço na cabeça ou no coração, coisinha ridícula e asseada, rapidinha mais para perdão do que para fim de fatura. e na medida, não deixa de ser um ato de responsabilidade social: zero desperdício de balas, que chumbo é coisa ruim pra natureza.

então, é no cú. a merda peidando alto, mais que o balaço, meleiro do caralho, flash do fato mais parecido com fim de feira. mais preste atenção, se o filho da puta, alem de amador for bundão, a coisa não é fácil. portanto, se a via for essa, aprume o bicho e facilite a obra enterrando o cano até o tambor. mas num força, se não trava e ai nem queira imaginar a merda de outra cirscunstância. isto observado, não falha com método, metodicamente falando.
(continua)

esta história de matar é vicio. coça que nem cio. se começa, não para. não se mata por gosto que não seja outro de sangue. controlar? adianta jurar que bem que tentei ? digo até que de fumar até deixei. mas matar, ainda mais com a quantidade de filho da puta, profissional e amador, que anda por aí? não é fácil. deixar de fumar, a gente até que deixa. mas de matar-matar, a porca torce o rabo. não dá jeito. é da hora. o sujeito passa um tempo na moita, disfarça com outros prazeres, bebida, mulher, comida, tabaco, mais dia menos dia o dedo coça e aí o trabuco campeia. foi assim que na falta de coisa melhor matei um filho da puta, amador, o que é bem diferente de um filho da puta profissional, não por questão de status mais por questão de senso do dever aplicado.

mas era filho da puta, e isso é o que interessa no frigir dos ovos(deles).
mas sabem de uma coisa? buraco feito, bateu um vontade de fumar de matar. foi preciso muita força de vontade. segurou, apertado mas segurou. e não fumou. se agüentar mais duas destas, lampejou que tava curado - da falta de tabaco.

vicio filho da puta este de fumar. mais fácil matar filho da puta. e foi assim que comecei a tragar ao maços.

Now playing: John Forgety - Joy of my life via FoxyTunes

Friday, November 14, 2008

básico instinto ou isso que levas aí

gosto imenso da sensação de não ter destinos e ao mesmo tempo de saber que não há para onde correr.

a vida ali na frente, sem pedaços de escolha, apenas o bife do mal passado fomentando o molho da parte que virá.

e o que virá, virá. não se sabe se colo ou companhia ou apenas sombra de alguém pra cravar-lhe a lâmina que cerze a cicatriz. o corte da realidade é caco de sonho não conquistado. não sangra mais arde como nada igual.

nestas tardes em que o sono bate mais o calor o repele como mosca, presumo que o sono é apenas um todo, desmembrado. a vida não.

feita de pedaços contabilizados no todo. alguns são o todo que se torna maior que os pedaços outros. d´outros, apenas pedaços que nunca somarão metades.

assim, ando cada vez mais sozinho. e quanto mais sozinho mais acompanhado: do todo ou em partes eu me abasteço de mim mesmo. e torno-me um vivente cego para as lâminas deste ser vidente.

Now playing: Fito Paez - Eso que llevas ahí via FoxyTunes

Wednesday, November 12, 2008

daqui a cincoenta anos

- faz tempo não?
- nem tanto;
- ora se faz, nem me lembro quando foi a última vez?
- deve ser por isso então que pergunta?
- pergunta?
- faz tempo não?
- ah! isso é força de expressão. frase do tipo quem é vivo sempre aparece. na falta de coisa mais elaborada a gente solta o clichê.
- mas faz tempo não quer dizer que a gente desapareceu?
- não é bem assim. é apenas uma maneira, digamos resumida, de tentar saber o que a pessoa andou fazendo quando estava longe dos nossos olhos.
- quer dizer então que aquela estória de que o que os olhos não veem o coração não sente é falsa ?
- não sacrifica. eu estava só perguntando como você tem andado; e não por onde tem andado. em suma, se estava vivo, capice?
- ah! então tá bom. quando souber te respondo.

Now playing: allman brothers - in memory of elisabeth reed via FoxyTunes

Thursday, November 06, 2008

quase purê

“fé cega, faca amolada”, descasque esta: certas batalhas existem para serem travadas e não para serem vencidas.

é duro compreender isto. muito mais que perde-las. são derrotas ainda mais solitárias, porque desabonam o compreensível. ao perdedor que não fique de joelhos, um esgarçar de ironia, quase riso, que disfarça a trajetória do sal da lágrima perdida.

nesta batalhas, os vencedores fazem disto um alarde ao nível do carnaval. e o riso da vitória, fantasiosa ou não, é sustentado por números. e números são números. mas até para eles, perdedores são como noves fora.

com as máscaras de tal carnaval, o cordão dos puxa-saco cada vez engrossa mais, enquanto você não passa de porta-estandarte do bloco da solidão. quase suicídio é o sentimento. quase: eles só te matam se você quiser. caso contrario torna-te um incomodo sobrevivente a tal ponto que te chamarão de louco. eis a verdadeira face da lucidez. a cara borrada é a deles, não a tua.

de resto, cascas aos perdedores e aos vencedoras as batatas.

Now playing: I califfi - marshal jim 100 via FoxyTunes

Monday, November 03, 2008

um olho no humano outro no prato

um fundo de garrafa pet mal cortado. o suficiente para que seja improvisado um comedouro para que o gato sarnento de rua faça as refeições que lhe propus dar.

nada demais, eu sei. no espaço das calçadas fronteiriças sempre que saio ele está lá. vigiando cada vez mais os meus passos e dando-me bom dia quando saio ou boa noite ou madrugada quando chego.

o gato de pequenos olhos amarelos tem linha. black-white, se não fosse a sarna a altura do pescoço, que lhe deixa quase parecendo um galo em petição de miséria, seria uma peróla em qualquer sofá de cobertura.

penso que se tiver acesso a alimentação que não seja provida azeda ou quase-podre pelo lixo, sua sorte pode melhorar. não há de alcançar o sofá, mas alcançará mais rápidos muros e outros roteiros de fuga. já que na vida de rua, olho vivo sem forças, não basta para sobreviver.

com o gato aprendo que existe algo que não melhora. não a sua sarna, mas a enorme coceira humana em sua sina de sarna. já perdi as contas das vasilhas que andei a cortar para improvisar o tal vasilhame onde o tal gato possa se alimentar. mal as coloco, e sempre tem alguém a chutá-las, despejá-las, roubá-las, enfim, desaparecem como se o destino raso a que se lhe destinam agora fosse algo mais importante do que matar a sede e a fome do gato que tem linha, apesar da sarna, coisa que decidamente os humanos, adultos e crianças, que somem com a vasilha não tem.

para não perdê-las, fico de vigia, e o gato, que aprende rápido, como se já não soubesse o que é o dejeto humano após tanto tempo na rua, come o mais rápido que pode, para tentar salvar o pescoço: um olho no humano, outro no prato.

um simples vasilhame de pet "malamanhado" acaba sendo o portal revelador de quem é quem neste mundo de chuta-vasilhas sem nexo: o gato sarnento que tem linha, e que não a perde. mesmo sabendo que sou eu que lhe ajuda, e que não chuto - nem vasilhames, nem gatos - mantém a distância, alertando-me para evitar o contágio com os sarnentos sem linha que indubitavelmente são os humanos e não o gato que ainda que sarnento seja o é de outra espécie.

Tuesday, October 28, 2008

lusco-fusco

olhos verdes sargaço, era o mar. mar não, oceano.
olhos azuis estelares era o céu. céu, não era o universo.
olhos castanhos mel, era o próprio, próprio não, era mais que isso, sendo a pura própolis, a visão da colméia nua.
olhos negros como o petróleo, petróleo não, eram o pré-sal a superfície.
olhos cinza fôscos, nenhum brilho à vista, mais ainda assim não havia nenhum prenúncio da escuridão que lhe poria fim ao lume para todos os olhos que não tem a correspondência da visão de quem apenas enxerga pela imaginação.

Now playing: The Flying Burrito Brothers - Just Can't Be via FoxyTunes

Thursday, October 23, 2008

item de bagagem

andava a procura do lugar que imaginava tornaria tudo diferente. um lugar só seu, tão seu que nenhum outro lugar pareceria igual. mas o que precisava ser diferente era o próprio. do jeito que estava, não iria mesmo a lugar nenhum que não fosse ele. o que dava no mesmo de sempre: ficar a pensar num lugar diferente.
Now playing: Brett Anderson - A Different Place via FoxyTunes

Tuesday, October 21, 2008

um quase bocejo

tenho dormido pouco ou quase nada ultimamente. não se trata de insônia ou de algum castigo posto. o dia é pouco para quem não tem nada a fazer. para se ficar na mais completa vagabundagem seriam preciso no mínimo quarenta e oito horas só para o período vespertino.

o nada fazer toma um tempo absoluto do fazer tudo mesmo que ele se traduza em nada neste momento.

há tantos sonhos por dormir que por enquanto é melhor não acordá-los.


Now playing: sondre lerche - sleep on neddles via FoxyTunes

Sunday, October 19, 2008

lazer invertido

em dias de domingo, só pra variar, deviamos todos subir o morro como descem os meninos do morro para a praia. desconfio que, sem revanchismos, e sem paternalismo, sairiamos ganhando, inclusive o espírito de meninos outra vez.
Now playing: Milton Banana - O menino desce o morro via FoxyTunes

Monday, October 13, 2008

passeio vespertino à beira-mar

um pouco de ar marinho vai me fazer bem no final da tarde. e lá vou eu, iludido, mirando pombos em orlas que não tem gaivotas e onde os ratos afugentam gatos, mal respeitando chusmas de cães que vão vivendo enquanto podem por alí.

se isso já não era um prenúncio, as narinas trazem-me a verdade em flagrância que nos é a todos familiar. maresia? qual nada. o mais profundo e inequívoco cheiro de bosta, que antevem mancha marrom a brotar tripudiando do verde daquilo que já foi meu mar.

de graça resta a placa que alerta aos turistas sobre a possibilidade, bem concreta, de ataque dos tubarões. quer dizer, se eles ultrapassarem - tubarões e humanos - não a barreira de coral mas a de bosta daqueles que a fizeram e contemplam da varanda dos novos edifícios a beira-mar da primeira cidade patrimônio-cultural do país.

moral da história: ou a nossa cultura é uma merda ou nosso maior patrimônio agora é bosta.

Now playing: Agalloch - The Isle Of Summer via FoxyTunes

Sunday, October 12, 2008

a tensão ao cruzar a linha


ultrapassada a linha, a maioria pensa logo em voltar. por poucos metros que sejam, a distância da volta metamorfoseia-se em quilométrica. e, para piorar, nada do que você deixou lhe espera, mesmo quando abre os braços para você.

a linha que separa o que foi e o que pode ser, é justamente você. e ainda assim, são poucos os que cruzam a linha com algo mais que tesão.





Now playing: Brett Anderson - Knife Edge via FoxyTunes

Wednesday, October 08, 2008

moldura ou: creme dental com flúor

".... quando olho no espelho, estou ficando velho e acabado".

o velho hit do cassiano bateu hoje de frente com a minha imagem. velho e acabado? pergunto a mim mesmo ainda mais trincado: por dentro, ou por fora, o que mais velho e acabado?

a vaidade, ou talvez um resto de afirmação da sobrevivência, procura saídas frente a imagem, que ainda consegue sorrir diante dos sete anos de azar a mais. talvez esta a melhor resposta. ainda consigo cuspir diante das "questões existenciais", levantadas pela mente sonolenta de quem ainda acorda com dantes.

diante da falsa idade do dilema que tem lá a sua verdade, a testa franze mais: o que seria pior? estar mais velho e acabado por dentro ou por fora?

bem, pior que isso, só mesmo os dois ao mesmo tempo, gargarejo.

termino de escovar os dentes e desembaço a imagem do espelho. por hoje ainda dá pro gasto. amanhã estarei melhor do que ontem, se não fossem estas olheiras que a espuma de outras manhãs as vezes esconde.




Now playing: cassiano - a lua e eu via FoxyTunes

Thursday, October 02, 2008

o futuro do antigamente

saudosos estão sempre a dizer que antigamente é que era. isso e aquilo, antigamente é que era bom.
eu, quero saber é como vai ser o antigamente do futuro.

Now playing: zuco 103 - fome total via FoxyTunes

Wednesday, October 01, 2008

pena por pena

imaginar que confinamos seres que não sabem o que é limitação de espaço a um espaço exiguo e "humanamente" preparado sempre me causou uma enorme confusão.

sempre que passo por alguma varanda ou cômodo onde vejo gaiolas com passarinhos, lembro-me que o canto da liberdade assoviado por aqueles bicos é soprado sempre por um apito violentado no furo no peito da ave em vida empalhada. não se consegue imaginar a dor de um ser de asas sem vôo em plena vida por toda uma vida. nem mesmo os que vivem na prisão chegam perto, por mais miseráveis que sejam as suas condições.

?que espécie somos nós, capazes de cantar hinos a liberdade e tornar este mesmo canto tão sufocado, tão aguilhoado, tão mesquinho, tão dilacerado? temos ouvidos assim tão tôscos? que escutando a melodia da tristeza saudamô-na apenas como beleza conquistada em cárcere privado?

creio que para todas as espécies, seria muito melhor que o homem desaparecesse da face da terra. só assim a liberdade a habitaria por completo.

mas desejar isso não seria pregar uma espécie de liberdade condicionada?

da minha gaiola digo que as aves – e alguns homens – não deveriam nunca escutar o canto da liberdade na forma como lhe soam os pássaros com e sem penas. apenas imagina-lo-íamos de uma forma tal, que nunca os pudéssemos aprisionar no que quer que fosse, sequer no pensamento.

e assim, permanecendo livre, quanto mais inatingível, maior a liberdade de nunca tê-los como objeto de domínio, posse, cativeiro ou escravidão.

os sonhos de quem não tem asas são sempre diferentes de quem as tem, inteiras ou partidas. aprisionadas ou perdidas e pior ainda: sequer percebidas




Now playing: yothu yindi - Tribal Voice via FoxyTunes

Tuesday, September 30, 2008

Sunday, September 28, 2008

causa mortis

choramos pelos brinquedos perdidos mas não pela perda do espírito da brincadeira.
e é isto que nos mata(antes do tempo)

Now playing: BLS - Lost Heaven
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Friday, September 26, 2008

tatibate

- qual a sua música preferida, perguntou, puxando conversa.
- o silêncio, respondeu-lhe, pausada e musicalmente falando.
Now playing: charlelie couture - mon amour interdit via FoxyTunes




Tuesday, September 23, 2008

ausência imperdoável

detesto enterros.

primeiro, porque a coisa em sí fede. sejam flores, sejam parentes, seja o presunto. apesar de tudo que se diga e se faça em contrário.

segundo, porque para quem tem como meta o "descanse em paz", preço de tal cerimônia também cheira a furto.

pretendo não ir ao meu. mas ao que tudo indica não terei como justificar a ausência de uma presença que certamente não fará falta alguma. mas que contentará a muitos, a uma distância quanto mais melhor. ainda que muitos reclamem da falta de troco para o pedágio.

meu projeto de vida, ou seria de morte, ser escapadiço ao velório apesar de aí já não mais ser. se o enterro é uma grande sacanagem. o velório é o supra-sumo. enquanto o cadáver luta para acostumar-se com a fria, as orelhas fervem a cada legenda dos "convidados". devo providenciar então, algum para o suborno. se quiser escapar dessa roubada que é o velório, espécie de entrada para o prato principal que fatalmente levará alguém a comer a sobremesa: a viúva ou o viúvo. em que pesem uns degenerados que não param de pensar em traçar o resto da família incluindo as avós e poodles.

se antes bastavam umas moedas para o barqueiro,agora exigem cadastro,identidade e cpf e fiador. fiador para o morto?! sim, principalmente se ele for muito vivo.

por isso tudo mesmo estou mortificado desde já. mas por enquanto vou fingindo, ao que tudo indica mal: os cus dos coveiros que o digam.

Now playing: Lesbians On Ecstasy - Mortified
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Monday, September 22, 2008

pôncio pilates

viver não cansa. o que cansa são as flexões(as genuflexões nem me fale).

Now playing: Sly & the Family Stone - Keep on Dancin'
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Sunday, September 21, 2008

ao tabelião

de minha mãe, as pernas finas. do meu pai, o "bucho de guaru". da minha vó, as manchas da erizipela.

do meu avô, a propensão a ficar sábio mas quase certeza arruinado; como se não bastassem as ameaças do coração.

dos tios, a próstata sempre ameaçadora.

perante tal lista que, se continuo, revelar-se-ia interminável, resolvi então dar uma basta. e me auto-deserdar, desta herança de família que reunida praguejou irredutível. nem os primos aceitam que eu cumpra outro destino que não seja a sina.

atesto-lhe de firma reconhecida que o meu destino será outro: o de não passar adiante tal tradição, mediante o recurso de abdicar também de filhos. coisa que na família apenas um intentou mas que sofreu o recurso da adoção.

blood is blood. mas comigo não violão. nas minhas veias corre mágoa.

Now playing: Serj Tankian - The Unthinking Majority
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Wednesday, September 17, 2008

Tuesday, September 16, 2008

cântico quase quântico

piamente acreditava que paralelas se encontram ao final. quantos múltiplos do tempo que se mede com outro tempo levaria, ao menos para que chegasse próximo de um afago, ainda que fosse calafrio nas penugens da mão dela ?

eternidade sem curvas? ou de novo seria preciso um big-bang?
Now playing: washington espinola - feeling allright
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Monday, September 15, 2008

anti-onda-éter

?que deuses são estes que para serem ouvidos cada vez mais precisam de programas de televisão? de horários comprados na latada, com a grana arrancada da comida das crianças, dos remédios do idosos, da esperança tomada da auto-resolução da vida por bispos em constantes cheques-mates endossados por eles mesmos?

patrocinadores e patrocinados garantem que sua fé em deus lhes dá mais espaço, sobretudo.

Now playing: Erasmo Carlos - queremos saber
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Sunday, September 14, 2008

afeganistão

montanhas de pedras picando a vista; enquanto prometeus às avessas revelam a escuridão dos homens, não importa a fé.
Now playing: Yusuf Islam - Midday ( Avoid City After Dark )
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Saturday, September 13, 2008

como um pudim

tiro na nuca da moral. caiu de boca. as testemunhas negaram o fato, como convinha à pudícia.
Now playing: La Oreja de Van Gogh - cuentame al oido
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Friday, September 12, 2008

das más companhias

cada vez mais chego a conclusão(nada modesta)de que não há melhor companhia para mim do que mim mesmo.
Now playing: Rinôçérôse - My Demons
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Thursday, September 11, 2008

uma questão de vocação

para ser ermitão. pois nada como não ter quem lhe importune, a começar de você mesmo.
Now playing: renato teixeira - vira-bosta
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Wednesday, September 10, 2008

das mulas

tenho muitas dúvidas sobre um processo eleitoral onde a quantidade predomina(sempre) sobre a qualidade; onde vota-se obrigado em nome da liberdade; e onde candidatos ditos democratas arrestam milhares, milhões de votos com base em suas praticas desonestas e até criminais.

mas não tenho dúvidas nenhuma sobre a democracia. ainda que ela permita isso.

certeza tenho mesmo, é que nós não fazemos por merecê-la ou fazê-la melhor. isto antes, durante e depois do voto. e assim sendo, talvez por isto mesmo, a mula manque.

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Now playing: Van Morrison - School of Hard Knocks
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Monday, September 08, 2008

gramática mortal

na saída da lan house, pé esquerdo no asfalto, direito em cima do meio-fio. não deu tempo sequer de colocar os dois em paralelo. um solavanco e no tranco passou-se no vácuo do vulto que a tudo escureceu. foi livro pra todo lado, gramática aos seus pés. no último respiro ainda ouviu de memória as recomendações maternas: "do colégio para casa, que lugar de gente decente não é na rua". e assim, de pronto, expirou um sonoro vá pra puta que os pariu! que deixou ensimesmados os poucos transeuntes que presenciaram o brado.
tivesse um pouquinho mais de vida e não escaparia da correção de memória: - pra não, viu? que pra é coisa de gentinha.
mais um pouquinho de ar e ela ainda lhe torturaria: quando é que você vai aprender a escrever no português correto meu filho? freqüentando lan house é que não vai.
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Now playing: Stanley Clarke - School days
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Now playing: Stanley Clarke - School days
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Sunday, September 07, 2008

too far(anjos do sul)

pensou que o caminho da volta seria mais rápido do que o de ida mas esqueceu-se do quanto havia caminhado.
talvez melhor assim. podia desanimar e querer voltar do meio.
fora longe demais. e nestes casos a volta só podia ser para frente. para sempre.
e esta foi a descoberta de quem descobriria o que nunca descobriu apesar de ter percorrido todo o caminho.
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Now playing: Sergio Dias - Anjos Do Sul
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Friday, September 05, 2008

memórias modestas

feito de muitos que não conseguiam ser um só ele não conseguia ser ele mesmo.
alma fragmentada ou sementes por desbrochar?
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Now playing: Luiz Melodia - Congênito
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Wednesday, September 03, 2008

histórias que as fonoaudiólogas não contam

era gago. e se precipitadamente você julga que isso atrapalhava o casa nova, pode ir tirando o cavalinho da chuva. muito pelo contrário era disso que elas gostavam. e como.

curiosidade e o uso da palavra ou melhor das meias palavras certas. elas comiam os dedos para saber o que ele estava querendo dizer. havia riso sim, mas não o riso da pilhéria, da galhofa, do vexame. havia o riso nervoso do que será que aqueles lábios carnudos(gago sem lábio carnudos não tem lá muita chance) queriam dizer. e o segredo maior era que para além da curiosidade delas, aquela pendenga feminima mal resolvida que ele explorava muito bem: qual delas não gostaria de ser aquela que lhe curou a gagueira, pelo menos momentaneamente, a tal ponto de ouvir o que as outras nunca ouviram? e assim lá ia ele. gago por cima mas muito ágil e fluente por baixo.

da ala masculina, ninguém nunca acreditou muito nesta história. mas encasquetavam-se: não era rico, bonito nem tanto, e mesmo " que melasse o pinto no açucareiro toda manhã" nenhuma evidência pomposa do porque fazer aquele sucesso todo com as mulheres, fossem quais fossem, independente de estatura moral, carnal, espiritual. o gago atraia mais mulheres do que papel-mosca. e mulher-mosca(depois das mulheres frutas vem as moscas) nunca era demais, e assim passavam boa parte do tempo a pensar muitas vezes numa certa pose de pensador que não correspondia exatamente a figura de rodin.

e assim, quem diria, era o galo do pedaço, gago. absurdo ou impossível, o gago despertava o sol, quer dizer o calor da bacurinha no mulherio.

mas como nem gagueira dura para sempre, mudaram os tempos, outras mulheres no pedaço e eis que esbarra numa fonoaudióloga que ninguém sabe se contratada pela tal ala masculina que fez-se desgraça daquelas que não é pouca nem bobagem: curou-lhe a gagueira.

hoje mais solitário e melancólico do que pequeno príncipe a sós em outro planeta, não passa de um tatibate a tresandar delirantemente a busca de emoções fortes, a tal ponto de pensar em fazer da língua semi-coto que lhe traga a gagueira de volta.
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Now playing: Sheryl Crow - If It Makes You Happy
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Sunday, August 31, 2008

felicidade geral

- infelizmente, para mim e para meus inimigos, sou do jeito que sou.
- mas e os amigos?
- bem, alguns parecem ser mais felizes do que somos.
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Now playing: van morison - underlying depression
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Thursday, August 28, 2008

Sunday, August 24, 2008

gênese ou matrix(versão demo?)

do ponto de vista dos evangélicos, aquilo que é circunspecto ao universo da parábola é tomado como verdade absoluta e factual, através da eloquência do cuspe que parece ser ainda maior que a idéia de fé, uma espécie de geléia real que depositada na realidade verbal adensa-a à condição de realidade factual inquestionável.
e a verdade factual? bem esta é tratada em toda sua existência como se fosse assim parábola ou melhor seria: fábula?


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Now playing: George Harrison - here comes the moon(demo version)
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Thursday, August 21, 2008

Sunday, August 17, 2008

intermitentemente, familiar e padrão, o que de um jeito assim como está, já é um anormal normal

saberemos cada vez menos o que é ser humano, livro das previsões, citado por saramago, na abertura de “ as intermitências da morte”; livro cujo busílis é a “greve da morte”, num certo pais onde subitamente ninguém mais falece, com as conseqüências ad absurdun disto.

no brasil, a morte trabalha dobrado. faz hora extra, se desdobra no terceiro, quarto turno, e nos sábados, domingos e feriados, está lá fazendo bico de vigilante, com sotaque de milícia ou policia em linha com traficante.

pode-se dizer filosofastramente que no brasil, todo mundo leu, mesmo sem saber quem é wittgenstein: afinal, cada dia a população pensa mais na morte, tratada como quase da família fosse, mais dia ou menos dia, mais cedo ou mais tarde, de pré-aviso avistada, estando sempre onde sempre esteve mesmo apesar do nosso pensamento de que ela lá não estaria assim pensando fazendo tudo ao nossa alcance para que ela nos alcance com mais trabalho do que o mal súbito do mais simples ao mais complexo que quanto mais é o trabalho dela sem complicar.

a morte, no brasil, é hoje a operária padrão. e ainda assim pensando nela, nos abismamos mas não reconhecemos a posição em que, não ela, mas nós, a colocamos.

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Now playing: fug - el diablo
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Saturday, August 16, 2008

câmbio negro

algumas pessoas, tão à frente do seu tempo, pagam por isso muito alto preço.
mais do que epítetos de lunáticos, erráticos, bruxos ou semeadores da desordem, o esquecimento é a taxa mais conservadora deste câmbio que desvaloriza à desgraça aquele que troca a mediocridade geral pela abstenção a ordem tida como natural das coisas.

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Now playing: Novos Baianos - Samba do Sociólogo Louco
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Thursday, August 14, 2008

duela a quien duela

mau negócio brigar com os mortos. de saída você já está em desvantagem.
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Now playing: Joss Stone - Bruised But Not Broken
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Sunday, August 10, 2008

um dia D ou seria um dia P?

de dúbio.

pra uns júbilo
pra outros urro.

nenhuma unanimidade à vista
neste dia de paternidade pra lá de duvidosa.

resto do ano
é um salve-se quem puder
pelo menos enquanto durem as prestações

e nem pense que amor com amor se paga
porque agiota ou banco que se preza
não perdoa nem pai nem filho nem seu se seu fosse
garantido assim que a data nunca fique em branco.

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Now playing: Ave Sangria - O Pirata
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Friday, August 08, 2008

o silêncio é ouro

o verdadeiro negócio da china é promover falsas aberturas e encerramentos pra valer.

a única abertura destas olimpíadas, foi tão ou mais ensaiada do que as reuniões do partido e os discursos do comitê(olímpico idem). e são tão convicentes que em cada parte do mundo - isso já antes dos jogos, imaginem agora - há uma lembrança de que por qualquer troquinho nós fechamos os olhos a qualquer muralha a liberdade a nossa frente.

o extraordinário deste espetáculo não é o que vemos. mas é o que acontece nos bastidores. que a despeito da sua grandiloquência, mesmo que seja apenas um sopro o que nos chegue, é completamente silenciado pelas regras do jogo que nós ajudamos a construir na ânsia de enxergar a todo custo o que não se vê.

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Now playing: rita ribeiro - olhozinho
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Wednesday, August 06, 2008

da mais profunda escuridão

como todo aquele que via pensou sempre que enxergava tudo que podia enquanto podia mas decididamente nunca tinha ido tão fundo.

a tal cegueira cotidiana agora súbita e intemporal era agora a única forma de enxergar o que nunca havia enxergado antes.

coisa sem graça a desgraça. tanto tempo cego enquanto julgava que via. e agora, cego, pressentiu que finalmente passaria a enxergar alguma coisa para além do óbvio fato de estar mais cego do que nunca.

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Now playing: les innocents - lune de lait
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Tuesday, August 05, 2008

olho vivo

olhar firme não significa nunca olhar para os lados, acima ou abaixo.

o verdadeiro olhar firme, consegue descobrir coisas novas onde antes só se vê o normal. e é ainda mais apurado do que o olhar que só vê coisas novas e enxerga montanhas as sombras que lhe fazem os cílios.

ver o novo de novo onde só se viam coisas velhas é algo que não se faz às cegas de lembranças. olhe firme, olhe para onde anda, olhe para o que desanda e não desanda. mas lembre-se que olhar é algo mais do que ver, o que exige apenas estar de olhos abertos simplesmente.

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Now playing: baaba maal - dunya salan
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Saturday, August 02, 2008

crise de identidade

em nossas carteiras o papel é do american bank note ltda., com o copywright de ambos os lados da célula de identidade.
pô!nem ao menos somos uma s.a?

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Now playing: nilson chaves - toca tocantins
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Friday, August 01, 2008

gil demitindo-se da cultura antes de ser ministro

“a cultura a civilização
elas que se danem ou não

somente me interessam
contanto que me deixem meu licor de jenipapo
no papo das noites de são joão
somente me interessam
contanto que me deixem meu cabelo belo como a juba de um leão

contanto que me deixem
ficar na minha
contanto que me deixem
ficar com a minha vida na mão
minha vida na mão
minha vida

a cultura a civilização
elas que se danem ou não

eu gosto mesmo é de comer com coentro
eu gosto mesmo é de ficar por dentro
como eu estive a algum tempo na barriga de claudina
uma velha baiana cem por cento

a cultura a civilização
elas que se danem ou não"

(gilberto gil, 1969)


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Now playing: Gal Costa - Cultura E Civilização
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Sunday, July 27, 2008

gangorra

priorize o elevado. mas não se esqueça que o impulso vem sempre de baixo para cima e nunca de cima pra baixo. este só lhe enterra.
mas cuidado como a intensidade do impulso. intensidade também lhe ferra.
não seja comedido. apenas seja leve. que o resto sobe.
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Now playing: Gilberto Gil - The Three Mushrooms
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Saturday, July 26, 2008

foi você que começou primeiro

a turma dos turbantes quer pegar a turma dos sem turbantes ou foi a turma dos sem turbantes que quis pegar a dos não turbantes?

não se sabe. que dizer; sabe-se mas falseiam-se os com e sem turbantes.

agora se a turma dos não turbantes tivesse turbantes e as dos turbantes não tivesse turbantes, seria diferente?

sério? mas de qual turba é você ?

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Now playing: Cat Stevens - Miles From Nowhere
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Friday, July 25, 2008

remember

todos aqueles que ajudei algum dia me esqueçeram.
os que não ajudei, nunca.

há um empate técnico de certa forma.
não fico lembrando de quem ajudei.
mas não esqueço quem não.
eles mereciam e eu não esta lembrança.

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Now playing: air - Track 06
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Wednesday, July 23, 2008

o ator e o método

entre o acting e o timing escolha o timing que é definitivamente o mais importante.

até mesmo a verdade, independentemente do acting, sem timing pode ser transformar em algo desastroso. não se esqueça que grandes mentiras, mais pelo timing do que pelo acting, passaram a história como a história é. pequenas mentiras no acting certo colocaram a verdade a nocaute.

e esta história que a verdade sempre vem à tona, experimente fazer isso fora do timing para ver o resultado afogado.

o fato é que nem sempre o bom acting ajuda. o bom acting sem timing torna-se over. com o timimg certo, mesmo o mau acting, ganha um certo ar de espontaneidade e credibilidade.

fazer a escolha, também é uma questão de timing.
agora parta para o acting, se for o timing.

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Now playing: ian dury - you´re my baby
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Monday, July 21, 2008

dolores da dercy

morreu não como um bicho acuado.
mas como bicho preso na cela da pseudo-liberdade
que seus palavrões pensavam lhe dar

tornou-se escrava disto só
bicho de circo centenário
exibido pela idade
que não lhe calava a boca
mas tornava o escracho ainda mais escravizante
quando sempre teve muito mais para mostrar
inclusive no silêncio
que dela sempre foi arrancado aos palavrões

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Now playing: Flaviola E O Bando Do Sol [Brazil] - Noite
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Thursday, July 17, 2008

quem viver verá ?

no pilar da sabedoria o homem zen, como os políticos, nunca diz que sim ou não. diferentemente deles, jamais diz jamais ou talvez. apenas veremos.
e assim séculos se passaram mas não tantos ainda como ainda é preciso apenas para o veremos.

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Now playing: caetano veloso - oração ao tempo
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Saturday, July 12, 2008

elementar

a teimosia em sí não é um defeito. o defeito está no tipo de teimoso que a abriga.

Thursday, July 10, 2008

amy: ame-a ou deixe-a

que tem gente que gosta de dar palpites na felicidade dos outros sabemos aos montes.

winehouse, estimulou novamente a outra categoria: a que gosta de dar palpite na infelicidade dos outros. quer dizer, infelicidade na nossa maneira, certinha, amarradinha, merdinha de ver as coisas.

freaks, junkies, outsiders sempre hão de existir. ao menos para nos mostrar como é a nossa droga de vida desencorajada por uma normalidade que é uma droga só. esta sim, droga poderosa, devastadora. mais viciante do que crack. do qual devemos passar ao largo da cracolândia que alimentamos em cada cidade que viemos principalmente por conta da nossa moral assétpica, que primeiro “guetiza” depois anuncia concessões à ajuda mas só se mudarmos o modo da percepção do mundo daqueles que não o percebem como os ditos normais, equilibrados, que ao fim e ao cabo são os únicos responsáveis pelo que esta aí.

não me dá a menor dó desta gente que fala da amy como uma indigente, coitadinha, que tem por castigo o desatino do espectro de perdida. tudo em nome de um movimento anti-enfisema hipócrita, e em nada solidário.amy passa as ser o exemplo da vez para mostrar o que acontece com mocinhas que chutam o balde. é a bomba relógio que antecipa o fim do blackbird que queremos – sempre- ver na gaiola. deste mal das gentes não sofro: querer – sempre - colocar na gaiola os que cantam a liberdade, seja ela auto-destrutiva ou não. e toda a liberdade – autêntica – é destrutiva de alguma coisa. é o preço da liberdade . mas não desta que aceita cartão de crêdito ou débito.

o mundo é o que é por estar repleto de gente que a tudo enfisema, incluindo a própria vida. asmática pela pequenez e mediocridade que palpita a todo instante sobre a vida da amy. até aquela coisa que apresenta o jornal da manhã da globo, arvora-se a palpitar sobre o “desperdício” que á trip que todos afirmam bad - pra quem cara pálida?) da amy.

julgamos, sentenciamos, praguejamos pelo que a droga da mídia nos enfia no cerebelo. no fundo são estes que mataram jimi, janis, cazuza, renato e outros tantos. vida e voz amordaçada, sem nem um porre que tenha valido a pena, sem sequer experimentar o absinto do que ousam falar, eis a gloriosa classe mírdia a professar sua peninha de plantão(dias sim, dias não
eu vou sobrevivendo sem um arranhão da caridade de quem me detesta )isso sim é dose cavalar da pior de todas as drogas: o coquetel de cinismo, hipocrisia, interesses financeiros, e religiosos(dá para separar?) e haja qspês dos momentos que compõem a falsa moral da amoralidade.

a verdadeira droga que controla a nossa cabeça é o éter entre o que pensamos, dizemos e fazemos. por isso cada vez mais gente perdida no mundo (e não só das drogas) onde os não-drogados são os maiores viciados na destruição do que quer e quem quer que seja que não fume, beba, injete ou mame o que para eles é considerado absolutamente normal. normalísssimo.

junto deles amy não passa de alguém careta demais cuja ingenuidade vai se extinguir – não pelas drogas – mas pelos efeitos da combinação de mídia e show-business, regurgitando o vômito de sempre das questões familiares e particulares em nome da síndrome de abstinência falsamente provocada.

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Now playing: Amy Winehouse - Intro/Stronger Than Me
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Wednesday, July 09, 2008

insone

apesar da escuridão no meio da noite as coisas ficam mais claras. mas justamente nesta hora você pega no sono e amanhã recomeça tudo outra vez. às escuras.

Tuesday, July 08, 2008

pêndulo

não é porque você não o tem o rabo preso que vai sair por ai abanando o coto a torto e a direito. pois é assim que muita gente acaba por tê-lo preso. abane o suficiente para deixar todo mundo com vontade de lhe ver ainda mais de rabo solto.

Monday, July 07, 2008

trabalho forçado

julho chega e os pais não sabem o que fazer com os filhos.
por quê os fizeram? por quê fazê-los?
bom, se não sabem o que fazer com os filhos nas férias, não saberão responder os tais porquês.

Sunday, July 06, 2008

separações

as vezes, as dos outros, nos fazem sofrer mais do que as nossas.

Saturday, July 05, 2008

sem acostamento

mal acostumados ao costume, costumam sofrer mais do o de costume.
e é assim, pela força do costume, que achamos que nada mais se move em outra direção, que não seja a que estamos acostumados, o que em outras palavras quer dizer que estamos parados já faz tempo.

Friday, July 04, 2008

irônia semiótica

de um jeito ou de outro, che continua libertando. que o diga betancourt.

Wednesday, July 02, 2008

a elegância


para poucos. principalmente para aqueles poucos que se permitem no exagero, e ainda assim permanecem exageradamente contidos numa elegância tal que lhe reconhecemos o estilo nem que seja pela aba.

Monday, June 30, 2008

Sunday, June 29, 2008

no ressurrections


viva enquanto está vivo.
parece óbvio, estúpido? é não.
tem gente que deixa para viver quando está morto.


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Now playing: aynsley lister - little wing
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Thursday, June 26, 2008

semler

o best-seller, o livro do não-schollar-escolado, o revolucionário que impressionou o mundo dos negócios, o livro que vendeu dois milhões de exemplares, negociado por um quarto do seu valor, numa liquidação de pré inventario do wall-mart, abandonado na cesta dos 9,90, as dúzias.

quem virou a mesa de quem à seco ?