Tuesday, December 06, 2011

rosa de luxemburgo

meus heróis não morreram de overdose. morreram sob tortura. ou, o que é pior, sob o peso de uma sensibilidade tal a impregnar-lhes a inteligência que findou por levá-los a pior morte de todas: o, em nada pomposo, esquecimento.

Friday, September 23, 2011

sem sacrifícios



os únicos deuses em que acreditava, eram os da mitologia(greco-romana) estes sim dão a exata medida do que nos espera quando acreditamos, seja em deus(es) e homens.

 

Sunday, September 18, 2011

quase marquês


como libertário, até poderia dizer que fiz história. agora, como libertino, ainda me faltam preceptoras.

digamos que por enquanto não passo de um marquês do sarro.

Sunday, September 11, 2011

o posto dos iguais ou em busca da vida tranqüila



desperdício. gastamos a maior parte do tempo na vida a procurar pelos iguais. quantos enganos na busca da vã similaridade, que apenas nos dá o tédio da segurança que não existe na vida – quiçá nem mesmo na morte. por isso, os créditos negativos de consumição ao fim de vidas que se tornaram lentilhas tamanha palidez em modorra de arrependimentos que não ousam sequer confessos. não finda o tempo de sacrifícios de outro tipo a que somos submetidos por não termos nos lançado a odisséia de não buscar o diferentemente igual.

Friday, September 09, 2011

sete vidas ou aos retardatários




da minha quadra alguns, da rua vizinha muitos. habituam-se rápido as porções, que julgo generosas, de ração e leite que deposito na calçada,sempre acompanhadas de afagos e uma boa dose de conversa para manter os assuntos em dia.

há dias em que por um motivo ou outro atraso .e isso me preocupa bastante. principalmente aos domingos, que é um dia de mais fome para os largados gatos, pois não há recolha de lixo e portanto nada para remexer e comer.a despeito do tempo que esboroa quando chego tarde estão lá dispostos nos lugares de sempre marcados por eles mesmo a minha revelia. quando não, levantando-me em torno da meia noite lá estão e o ritual procede.quando some algum - e somem muitos - penso:- como será quando eu sumir? se eles que tem sete vidas esfumaçam-se num repente, que do meu repente será o tempo de espera para os gatos que não tem sete vidas certamente para ficar esperando por mim que as vezes pego-me iludindo como dono de apenas uma vida que mesmo esta finda continuará a chegar para alimentá-los para toda a nossa fome de conversas de sempre.

Monday, September 05, 2011

o buraco é mais em em cima mas também é mais embaixo


antípodas por conceito, deus e liberdade. um, existindo ou não, escraviza. o outro, jamais deifica - apesar de tanta lavagem cerebral, a que chamam de pregação, para imiscuir um no outro o que ao fim e ao cabo, acaba sendo a negação dos dois na prática. prática de uma teoria onde a parábola torna-se a parábase incontestável, para os que acreditam em deus, e detestável para os que não.

a liberdade sempre foi tratada como uma coisa diabólica quando trata-se de justamente do contrário. se a tomássemos verdadeiramente como a base da condição humana para alcançar estágios mais acima, como por exemplo, ter um mínimo de vergonha na cara em explorar deslavadamente o outro, inclusive, e principalmente, em nome de deus e até mesmo da própria liberdade.

Friday, September 02, 2011

with a little luck



quando perguntam por ela, ele diz que um dia o reencontro acontecerá. a velha foto perdida surgirá como uma miragem e o perfume do envelope do seu último suspiro sucumbirá ao cheiro de madeira antes que a gaveta fechada no susto decepe o que restava dos seus pequenos dedos de lembranças.

Tuesday, August 30, 2011

troco

em certa perspectiva, os pobres tem a vida muito rica mas eles são pobres.

sob certa ótica, espelhadamente complementar, os ricos tem a vida muito pobre mas eles são ricos.


Monday, August 22, 2011

vesti azul


já não se fazem olds man como antigamente.

não estou falando de picasso ou burroughs, por exemplo, que detonou sozinho todas as preventivas sobre drogas. exceção da regra, por aventuras, o homem fez tudo de não encontro aos manuais de vida saudável e tornou-se longevo, produtivo e iconoclasta - e bota iconoclasta nissso - apesar de todo alcatrão e toda espécie de química alucinógena que ousou adentrar seu corpo passando longe dos abrigos e piedade dos que o detestam ou não o compreenderam, destestável por isso mesmo: eis o retrato da nossa pobreza ontológica: detestar tudo aquilo que não se compreenda. capítulo a parte, a parte em que assassinou a mulher, quando quis bancar o guilherme tell(robim hood depois dos filmes não se pasta mais) e em vez de acertar a maça sobre a cabeça daquela que amava - sim, ele a amava, como só os homossexuais sabem amar uma mulher - acertou em cheio a cabeça.

mas voltando ao assunto dos old, and womens que avançaram no tempo, estou falando da mutação que confere novos olhares sobre os que passam dos sessenta, setenta, já não tão difícil oitentas e começam a se contar centenas de casos sobre os noventa operantes.
para a minha geração, quando da adolescência, nos conturbados anos sessenta(toda adolescência é conturbante, até mesmo a desta geração que não merece a minha simpatia tamanha idiotia. coisas de velho?) sim, completar quarenta era o adeus as colegiais, o preparo para pousar a barriga em algum bairo de subúrbio recordando elvis e similares?elvis teria similares? hum, o tempo passa - e como isso é bom, ao contrário do que se pensa em contrário, desde que evidentemente você o torne um aliado( o tempo é o que você faz dele, não se esqueça, diz o mote do comercial de certa marca de relógios, contraditoriamente? descartáveis).

já nos anos oitenta, quarentões passaram a ser o charme para lolitas e borboletas cansadas. anos 90: cinquentões já se tornam capazes de fazer o que até eles duvidavam. fim do século passado e os sessentões não viam no espelho a imagem do fim do mundo e com a descoberta da internet descobriram que era possível sim fazer também aquelas sacanagens virtuais para além de sonhos molhados, por lágrimas. no travesseiro.
viramos o século e setentões, homens e mulheres, dizem não ao fim do sexo, refinam-se em modos e atitudes - menos os dedicados a carolagem e outros tipos de associação com religião - metem a mão na massa a frente ou na retaguarda de ongs e muitos deles são a vanguarda intelectual de um tempo onde os adolescentes conseguem se dizer geração y mas que não sabem nada do bé a bá da escrita que os espera. inclusive ler ou interpretar o que quer que seja.
casos há em que oitentões e noventões, seguem em frente, sem muletas psicológicas, fisicamente e intelectualmente invejáveis(sem a aflição que nos causam certos anciões de terços incontáveis a desmanchar-se a nossa frente, alguns com corcovas a mostrar o peso do tempo hipócrita) - levando a vida, não a normal que imaginamos para longevos bem comportados que devem suplicar a nossa caridade, mas muito pelo contrário a nos confrontar com seu " mau exemplo" ante a covardia de uma juventude que já nasceu, em sua grande maioria, imprestável e com defeitos de fabricação graves no tocante ao carátere propósitos.
mas como definir então o momento em que nos tornamos velhos - terceira idade ou melhor idade é mais um daqueles eufemismos com os quais o politicamente correto anula a verdadeira luta política -   ou não? para além das ameças concretizadas ou não dos avcs, enfartos, diabetes, alzheimers, parkinsons, escleroses, neuroses, que aterrorizam tanta gente? como deciframos esta virada do placar ? já que decididamente a fonte da juventude não há, muito embora já se flerte com as possibilidades concretas de nos tornarmos cyborgs com peças de reposição negociadas na prateleira?
penso que nos tornamos velhos quando deixamos de sonhar e passamos a recordar. e mais velhos ainda quando ficamos a sonhar e deixamos de realizar. e muito mais ainda quando perdemos a capacidade de dizer não,quando nos confinamos ao papel de dizer sim, quer pela comodidade, quer pelo medo de não ter aonde cair, como se algo fosse necessário quando se está a cair.

a vida nem sempre é o contrário da morte. tampouco a morte é a sua negação.há muitos vivos mortos, de tão enterrados em convenções, e muitos mortos vivos acima de qualquer suspeita. portanto, digo que a vida é a morte vestida de azul para um baile de debutantes que dura o tempo do compasso de espera de cada um. e se torna mínima ou máxima pelo andamento que se marca e se forja entre o acaso e a necessidade do convívio consigo próprio nesta imensa orquestra chamada universo, que se expande e se contrai muito mais dentro da cabeça de cada um do que fora. neste contexto - e para mim em todos os outros - a figura de deus, que o senso comum define como uma espécie de maestro de todos os universos, é tal a daqueles maestros cuja batuta regedora tem apenas a função de tentar conter, mas sem conseguir, o solo de vida, fora da partitura, dos verdadeiros imortais.

in tempo: não é porque vocês vestem jeans que podem achar-se vessidos de azul. de há muito que a geração jeans mais do que desbotada ficou-se pelo roxo mofo mortalha.


Tuesday, July 19, 2011

elevador


religiões, todas; agremiações instituídas, que chegam a se tornar países, onde líderes e seguidores se transformam em tiranos e vassalos. uma coisa, tanto como a outra, responsável pelos níveis mais rasos que a humanidade já atingiu ao contrário da pregação de elevação dos mesmos.
como diria o bardo, deus, se existir, não necessita de intermediários. e para além disso, registre-se que até agora o único altíssimo que vê ou ouve são os gritos dos mercenários da fé a cobrar pedágio para a estrado do fim sem começo.

Saturday, July 16, 2011

galo da madrugada


todo dia via o sol. here come the sun. viesse o astro ou não. e por isso mesmo cantava enquanto a aldeia muda o tachava de louco.
a tal da loucura radiante incomodava. e quanto.

Thursday, July 14, 2011

crossroads


uma encruzilhada nos apresenta a velhice. de um lado a demência, parcial ou total, com sua solidão acrítica e degenerativa.
de outro, a total lucidez. ou o mínimo que seja dela, nunca com menos ou pífio impacto.
a solidão crítica inconforma-se lado a lado com a possibilidade da loucura ante a monstruosidade que é ver sem galanteios as coisas como elas realmente são enquanto o frenesi da sociedade a liquidifica e serve miragens.
a terceira idade ou a melhor idade nada mais é aquela que nos foi roubada desde a infância pelas convenções que agora se derramam pelas fraldas geriátricas do que deveria ter sido visto e revisto e não foi.

Tuesday, July 12, 2011

demasiadamente humano

nem a melhor das vinganças causaria o estrago que a estrias e celulites fizeram no orgulho de todas aquelas que desprezaram o mundo por se acharem demasiado gostosas.

Wednesday, July 06, 2011

sintagmática ou paradoxo com tosse


era um ponto e vírgula sem cabeça- um underline aspirando travessões, uma interrogação sem exclamações, um cecedilha tomado como ser sem cedilha, um parentêntese revelando sua artrose, um til ancião, um colchete sem teclado. em suma: era um apagado ou teclado quase suspirando pelas mãos de unhas roxas da adolescente que não tinha ponto de vista nenhum naquela tarde de lanhouses sem perspectivas.

Monday, June 20, 2011

somethings


algumas coisas impossívelmente tão perto que maioria das vezes tornam-se mui mais distantes daquilo que você jamais imaginou alcançar. já possivelmente longícuas, muito mais longe do que sua vista possa alcançar, estão as vezes tão perto, certas coisas, que basta respirar mais forte para sentir a sua expiração
no armário da sua cabeça, o longe e perto, vão se amontonando no espaço do perto e do longe que muito pior do que o ficou distante é o perto demais para assim ser percebido.
acontece com coisas e pessoas mesmo quando você não sabe diferenciar uma das outras, longe ou perto sendo você a própria coisa que se aproxima ou distancia da pessoa que você pensa que é.

Wednesday, June 15, 2011

casaco marrom

a maioria das pessoas com quem falo ou escuto falar vive profundamente infeliz em suas felicidades. eu, muito em contrário, sou cada vez mais feliz em minhas incontáveis infelicidades.

Friday, June 10, 2011

gracia plena


todos somos demasiado cruéis para com a morte, que afinal no frigir dos ovos, e na grande maioria dos casos, apenas alivia a vida de duvidosos viventes quando não de quem já vai tarde.
no fundo, no fundo, a morte liberta a vida semicontida ou que já não valia mais viver em quem se deixou escravizar por ela, a vida, sem dizer-se própria.

Monday, June 06, 2011

deus é fichinha


que o diabo existe, custei muito a acreditar. mas enfim me convenci.

é impossível não fazê-lo depois de assistir as suas encarnações triplas tais como na figura do semipresbítero silas malafaia em pleno de seus vários surtos, edir macedo na versão bispo - que move seus cavalos como ninguém- e o r.r. soares, no modelito melífluo,uma das versões bem sabidas do demo como se costuma falar. se estes isso e aquilo não são o diabo o que haveria de ser então o próprio? só se forem os padres cantores.

mas pior do que isso, só a tropa de segunda a segunda, que os substitui nos horários locais, quando os anjos da madrugada tem recaídas, com seus óleos e rosas ungidas e os apelos fatais e mortíferos de ressurreição da vida financeira. tamanha desfaçatez fria o diabo corar não estivesse ele protegido pela maquiagem necessária para afirmar-se no vídeo.