Sunday, September 11, 2011

o posto dos iguais ou em busca da vida tranqüila



desperdício. gastamos a maior parte do tempo na vida a procurar pelos iguais. quantos enganos na busca da vã similaridade, que apenas nos dá o tédio da segurança que não existe na vida – quiçá nem mesmo na morte. por isso, os créditos negativos de consumição ao fim de vidas que se tornaram lentilhas tamanha palidez em modorra de arrependimentos que não ousam sequer confessos. não finda o tempo de sacrifícios de outro tipo a que somos submetidos por não termos nos lançado a odisséia de não buscar o diferentemente igual.

Friday, September 09, 2011

sete vidas ou aos retardatários




da minha quadra alguns, da rua vizinha muitos. habituam-se rápido as porções, que julgo generosas, de ração e leite que deposito na calçada,sempre acompanhadas de afagos e uma boa dose de conversa para manter os assuntos em dia.

há dias em que por um motivo ou outro atraso .e isso me preocupa bastante. principalmente aos domingos, que é um dia de mais fome para os largados gatos, pois não há recolha de lixo e portanto nada para remexer e comer.a despeito do tempo que esboroa quando chego tarde estão lá dispostos nos lugares de sempre marcados por eles mesmo a minha revelia. quando não, levantando-me em torno da meia noite lá estão e o ritual procede.quando some algum - e somem muitos - penso:- como será quando eu sumir? se eles que tem sete vidas esfumaçam-se num repente, que do meu repente será o tempo de espera para os gatos que não tem sete vidas certamente para ficar esperando por mim que as vezes pego-me iludindo como dono de apenas uma vida que mesmo esta finda continuará a chegar para alimentá-los para toda a nossa fome de conversas de sempre.

Monday, September 05, 2011

o buraco é mais em em cima mas também é mais embaixo


antípodas por conceito, deus e liberdade. um, existindo ou não, escraviza. o outro, jamais deifica - apesar de tanta lavagem cerebral, a que chamam de pregação, para imiscuir um no outro o que ao fim e ao cabo, acaba sendo a negação dos dois na prática. prática de uma teoria onde a parábola torna-se a parábase incontestável, para os que acreditam em deus, e detestável para os que não.

a liberdade sempre foi tratada como uma coisa diabólica quando trata-se de justamente do contrário. se a tomássemos verdadeiramente como a base da condição humana para alcançar estágios mais acima, como por exemplo, ter um mínimo de vergonha na cara em explorar deslavadamente o outro, inclusive, e principalmente, em nome de deus e até mesmo da própria liberdade.

Friday, September 02, 2011

with a little luck



quando perguntam por ela, ele diz que um dia o reencontro acontecerá. a velha foto perdida surgirá como uma miragem e o perfume do envelope do seu último suspiro sucumbirá ao cheiro de madeira antes que a gaveta fechada no susto decepe o que restava dos seus pequenos dedos de lembranças.

Tuesday, August 30, 2011

troco

em certa perspectiva, os pobres tem a vida muito rica mas eles são pobres.

sob certa ótica, espelhadamente complementar, os ricos tem a vida muito pobre mas eles são ricos.


Monday, August 22, 2011

vesti azul


já não se fazem olds man como antigamente.

não estou falando de picasso ou burroughs, por exemplo, que detonou sozinho todas as preventivas sobre drogas. exceção da regra, por aventuras, o homem fez tudo de não encontro aos manuais de vida saudável e tornou-se longevo, produtivo e iconoclasta - e bota iconoclasta nissso - apesar de todo alcatrão e toda espécie de química alucinógena que ousou adentrar seu corpo passando longe dos abrigos e piedade dos que o detestam ou não o compreenderam, destestável por isso mesmo: eis o retrato da nossa pobreza ontológica: detestar tudo aquilo que não se compreenda. capítulo a parte, a parte em que assassinou a mulher, quando quis bancar o guilherme tell(robim hood depois dos filmes não se pasta mais) e em vez de acertar a maça sobre a cabeça daquela que amava - sim, ele a amava, como só os homossexuais sabem amar uma mulher - acertou em cheio a cabeça.

mas voltando ao assunto dos old, and womens que avançaram no tempo, estou falando da mutação que confere novos olhares sobre os que passam dos sessenta, setenta, já não tão difícil oitentas e começam a se contar centenas de casos sobre os noventa operantes.
para a minha geração, quando da adolescência, nos conturbados anos sessenta(toda adolescência é conturbante, até mesmo a desta geração que não merece a minha simpatia tamanha idiotia. coisas de velho?) sim, completar quarenta era o adeus as colegiais, o preparo para pousar a barriga em algum bairo de subúrbio recordando elvis e similares?elvis teria similares? hum, o tempo passa - e como isso é bom, ao contrário do que se pensa em contrário, desde que evidentemente você o torne um aliado( o tempo é o que você faz dele, não se esqueça, diz o mote do comercial de certa marca de relógios, contraditoriamente? descartáveis).

já nos anos oitenta, quarentões passaram a ser o charme para lolitas e borboletas cansadas. anos 90: cinquentões já se tornam capazes de fazer o que até eles duvidavam. fim do século passado e os sessentões não viam no espelho a imagem do fim do mundo e com a descoberta da internet descobriram que era possível sim fazer também aquelas sacanagens virtuais para além de sonhos molhados, por lágrimas. no travesseiro.
viramos o século e setentões, homens e mulheres, dizem não ao fim do sexo, refinam-se em modos e atitudes - menos os dedicados a carolagem e outros tipos de associação com religião - metem a mão na massa a frente ou na retaguarda de ongs e muitos deles são a vanguarda intelectual de um tempo onde os adolescentes conseguem se dizer geração y mas que não sabem nada do bé a bá da escrita que os espera. inclusive ler ou interpretar o que quer que seja.
casos há em que oitentões e noventões, seguem em frente, sem muletas psicológicas, fisicamente e intelectualmente invejáveis(sem a aflição que nos causam certos anciões de terços incontáveis a desmanchar-se a nossa frente, alguns com corcovas a mostrar o peso do tempo hipócrita) - levando a vida, não a normal que imaginamos para longevos bem comportados que devem suplicar a nossa caridade, mas muito pelo contrário a nos confrontar com seu " mau exemplo" ante a covardia de uma juventude que já nasceu, em sua grande maioria, imprestável e com defeitos de fabricação graves no tocante ao carátere propósitos.
mas como definir então o momento em que nos tornamos velhos - terceira idade ou melhor idade é mais um daqueles eufemismos com os quais o politicamente correto anula a verdadeira luta política -   ou não? para além das ameças concretizadas ou não dos avcs, enfartos, diabetes, alzheimers, parkinsons, escleroses, neuroses, que aterrorizam tanta gente? como deciframos esta virada do placar ? já que decididamente a fonte da juventude não há, muito embora já se flerte com as possibilidades concretas de nos tornarmos cyborgs com peças de reposição negociadas na prateleira?
penso que nos tornamos velhos quando deixamos de sonhar e passamos a recordar. e mais velhos ainda quando ficamos a sonhar e deixamos de realizar. e muito mais ainda quando perdemos a capacidade de dizer não,quando nos confinamos ao papel de dizer sim, quer pela comodidade, quer pelo medo de não ter aonde cair, como se algo fosse necessário quando se está a cair.

a vida nem sempre é o contrário da morte. tampouco a morte é a sua negação.há muitos vivos mortos, de tão enterrados em convenções, e muitos mortos vivos acima de qualquer suspeita. portanto, digo que a vida é a morte vestida de azul para um baile de debutantes que dura o tempo do compasso de espera de cada um. e se torna mínima ou máxima pelo andamento que se marca e se forja entre o acaso e a necessidade do convívio consigo próprio nesta imensa orquestra chamada universo, que se expande e se contrai muito mais dentro da cabeça de cada um do que fora. neste contexto - e para mim em todos os outros - a figura de deus, que o senso comum define como uma espécie de maestro de todos os universos, é tal a daqueles maestros cuja batuta regedora tem apenas a função de tentar conter, mas sem conseguir, o solo de vida, fora da partitura, dos verdadeiros imortais.

in tempo: não é porque vocês vestem jeans que podem achar-se vessidos de azul. de há muito que a geração jeans mais do que desbotada ficou-se pelo roxo mofo mortalha.


Tuesday, July 19, 2011

elevador


religiões, todas; agremiações instituídas, que chegam a se tornar países, onde líderes e seguidores se transformam em tiranos e vassalos. uma coisa, tanto como a outra, responsável pelos níveis mais rasos que a humanidade já atingiu ao contrário da pregação de elevação dos mesmos.
como diria o bardo, deus, se existir, não necessita de intermediários. e para além disso, registre-se que até agora o único altíssimo que vê ou ouve são os gritos dos mercenários da fé a cobrar pedágio para a estrado do fim sem começo.

Saturday, July 16, 2011

galo da madrugada


todo dia via o sol. here come the sun. viesse o astro ou não. e por isso mesmo cantava enquanto a aldeia muda o tachava de louco.
a tal da loucura radiante incomodava. e quanto.

Thursday, July 14, 2011

crossroads


uma encruzilhada nos apresenta a velhice. de um lado a demência, parcial ou total, com sua solidão acrítica e degenerativa.
de outro, a total lucidez. ou o mínimo que seja dela, nunca com menos ou pífio impacto.
a solidão crítica inconforma-se lado a lado com a possibilidade da loucura ante a monstruosidade que é ver sem galanteios as coisas como elas realmente são enquanto o frenesi da sociedade a liquidifica e serve miragens.
a terceira idade ou a melhor idade nada mais é aquela que nos foi roubada desde a infância pelas convenções que agora se derramam pelas fraldas geriátricas do que deveria ter sido visto e revisto e não foi.

Tuesday, July 12, 2011

demasiadamente humano

nem a melhor das vinganças causaria o estrago que a estrias e celulites fizeram no orgulho de todas aquelas que desprezaram o mundo por se acharem demasiado gostosas.

Wednesday, July 06, 2011

sintagmática ou paradoxo com tosse


era um ponto e vírgula sem cabeça- um underline aspirando travessões, uma interrogação sem exclamações, um cecedilha tomado como ser sem cedilha, um parentêntese revelando sua artrose, um til ancião, um colchete sem teclado. em suma: era um apagado ou teclado quase suspirando pelas mãos de unhas roxas da adolescente que não tinha ponto de vista nenhum naquela tarde de lanhouses sem perspectivas.

Monday, June 20, 2011

somethings


algumas coisas impossívelmente tão perto que maioria das vezes tornam-se mui mais distantes daquilo que você jamais imaginou alcançar. já possivelmente longícuas, muito mais longe do que sua vista possa alcançar, estão as vezes tão perto, certas coisas, que basta respirar mais forte para sentir a sua expiração
no armário da sua cabeça, o longe e perto, vão se amontonando no espaço do perto e do longe que muito pior do que o ficou distante é o perto demais para assim ser percebido.
acontece com coisas e pessoas mesmo quando você não sabe diferenciar uma das outras, longe ou perto sendo você a própria coisa que se aproxima ou distancia da pessoa que você pensa que é.

Wednesday, June 15, 2011

casaco marrom

a maioria das pessoas com quem falo ou escuto falar vive profundamente infeliz em suas felicidades. eu, muito em contrário, sou cada vez mais feliz em minhas incontáveis infelicidades.

Friday, June 10, 2011

gracia plena


todos somos demasiado cruéis para com a morte, que afinal no frigir dos ovos, e na grande maioria dos casos, apenas alivia a vida de duvidosos viventes quando não de quem já vai tarde.
no fundo, no fundo, a morte liberta a vida semicontida ou que já não valia mais viver em quem se deixou escravizar por ela, a vida, sem dizer-se própria.

Monday, June 06, 2011

deus é fichinha


que o diabo existe, custei muito a acreditar. mas enfim me convenci.

é impossível não fazê-lo depois de assistir as suas encarnações triplas tais como na figura do semipresbítero silas malafaia em pleno de seus vários surtos, edir macedo na versão bispo - que move seus cavalos como ninguém- e o r.r. soares, no modelito melífluo,uma das versões bem sabidas do demo como se costuma falar. se estes isso e aquilo não são o diabo o que haveria de ser então o próprio? só se forem os padres cantores.

mas pior do que isso, só a tropa de segunda a segunda, que os substitui nos horários locais, quando os anjos da madrugada tem recaídas, com seus óleos e rosas ungidas e os apelos fatais e mortíferos de ressurreição da vida financeira. tamanha desfaçatez fria o diabo corar não estivesse ele protegido pela maquiagem necessária para afirmar-se no vídeo.

Tuesday, May 31, 2011

filosofastro


fora da filosofia, a vida não tem - e não merece - salvação.

Sunday, May 29, 2011

fuso de fora


um tanto ou quanto adiantado com o futuro, e por demais atrasado com o passado, o presente parece ter perdido o pulso. mas no fundo é só uma questão do relógio biológico que não mede mais as horas como certamente.

Friday, May 20, 2011

incontinência biológica




não mais do que de repente o nada dispara e o tudo acontece

Thursday, May 19, 2011

em tempos de apocalipse


violencia mais que diabólica dos nossos dias. não se pode ir a qualquer lugar que que tem logo um sujeito com uma bíblia querendo nos assaltar.

Sunday, April 17, 2011

autoestima

não sou lá grande coisa é bem verdade. mas eu me sinto muito bem do jeito que sou e estou, ao contrário da grande maioria da sociedade.

Monday, April 11, 2011

essa garota promete


- o que vc quer? perguntou o ciquentão, mais para lá do que pra cá, a garota pós teen cujos pelos oxigenados das coxas denunciavam estática só de lhe olhar. e, arrematando, com vontade de comer mas fazendo força para manter o regime: guardião de ranhos de insônia, sou cada vez mais um abdomem que teima em distender-se, uma têmpora a caminho do desmatamento. e para não alongar muito, portador de uma gengivite quase crônica que já de lhá muito abalou-me o siso. resumindo: não tenho mais dentes nem para comer filé nem para roer o seu joelho.
e ela: - well, então vamos começar pelo dentista.

Tuesday, March 29, 2011

Tuesday, March 15, 2011

overture



ela, tão bemol. e eu, tão sustenido.
e sobram segunda e terças menores, quartas justas e quintas aumentadas. aumentadas também a sexta e sétimas. as oitavas justas e nonas, já as décimas maiores são rituais de passagem chegando a décima primeira, justa, a décima segunda, diminuta, até a quase inacançável décima terceira maior.
eis a suite de vidas que, feitas de intervalos, só música soam para ouvidos absolutos.

Tuesday, February 22, 2011

chiaroscuro


quando tá escuro eu vejo. quanto tudo tá claro eu me perco. sobram em mim asas de morcego as pampas e falta radar as pompas ou seriam as pombas?.

Wednesday, February 16, 2011

vacances


andei com ganas de tirar férias de mim.
dizem os especialistas - sinal dos tempos, quando há, e a necessidade de haver especialistas, para tudo, até para ensinar a usar corretamente o detergente da loiça - mas sim, férias, fazem bem a alma, até dos desalmados. então que seja: vamos às féras d´outro na pele de mim ou o reverso que se passe na alfândega .
porém, pensando bem, se não devo ser desta espécie, dos desalmados, sou quase todo um workaholic de mim mesmo. e assim, certamente, iria me por a trabalhar em férias, o que não é nem de longe recomendável generica e especialissimamente falando.
destarte(é preciso ser uma besta ou um vadio das letras para usar esta palavra), vou seguir a risca aquele bordão para o turismo português - vá para fora cá dentro - e ensimesmar-se nas minhas imensas rasidões abissais.
estas férias prometem ou não?

Tuesday, February 01, 2011

declaração de amor inverso



se me amas, dá-me teu fígado, quando estiver-mos separados a mais de vinte anos; daqui a um tempo, onde eu não serei, nem tu, tudo aquilo que amei em essência, inclusive na aparência.




(a propósito de uma notícia veiculada hoje com falso alarde - aliás era rim e não fígado, mas fígado é coisa de prometeu, para quem não sabe -onde o essencial passou desapercebido, como passa tudo aquilo que a hemodiálise não filtra).


Friday, January 28, 2011

poltergeist ou bulbo catódico


onde ela vê mais televisão? em casa, no aparelho, já não tão convencional, no celular, smart? mas tão burrinho quanto ela, no computador, vale computar o tempo de lanhouse, ou no receptor movelbilístico do carro chinês que ela não se cansa de gambar?
o que ela não vê é que ela não se vê na tela como costumava ser. mais humana e por isso mesmo mais nunca mais a vi.

Friday, January 21, 2011

droga de epitáfio


dizem que a droga é péssima porque ela é boa. não vou entrar em deméritos. mas se assim é, particularmente, muito particularmente, ele anda cada vez mais um drogado da vida. exarcebadamente já seria um eufemismo, chapadão, seria muito pouco para a quantidade de vida tomada na veia aos pares quase que nunca que não seja o tempo inteiro. na verdade o xuto é o tempo todo que respira o que sabia e o que procurava decifrar. dependente sem retorno, dá para imaginar qual será o seu fim: morreu de overdose porque a vida é uma droga e não, como quererão comentar os no coments, por que a sua vida era o que era.

Tuesday, January 18, 2011

Thursday, January 06, 2011

maldade à toda prova


que estranhos tempos estes, em que a pratica da bondade tem sido perseguida como um meio de ativação social politicamente correta que, nada mais nada menos, representa, e tão-somente, a busca da autocola do rótulo de olha como ele é fraterno .e assim, o mundo fica cada vez mais mau de se viver. com toda esta bondade dos bonzinhos que é tão malévola do que a mais crassa maldade.
eu, por mim, prefiro os maus de coração do que os bons de" marketing". afinal, lidar com a verdade nem sempre é bom. mas é menos mal do que lidar com o vão da vaidade que vai até os confins da pulha para se dizer boa de alma e cuia.

Monday, December 13, 2010

fidelidade a toda prova


depois de todos estes anos permaneço fiel a mim mesmo. não sei se seria diferente caso as separações, amigáveis ou litigiosas, não fossem tão caras.
custa mesmo os olhos da fuça olhar a si ou a outrém e não vê-lo mais alí como o velho sobretudo ou chapéu que no fundo funcionam como bengala para a saída que planejamos há anos mas ficamos sempre adiando para o último momento deserdado, quando então desertamos, imagino, de tudo, até da fidelidade do pulmões aos narizes que, suspiro e suspeito, não mais acendem e só apaga.


permaneço fiel e inacabado a tudo que sou enquanto vivo. quem se acaba é o mundo e, dentro dele, o que de mim já não faz parte por mais fiel que eu seja ao que já me deixou para nunca mais seguir-me em frente.

Monday, December 06, 2010

Friday, November 26, 2010

beatnick


meus melhores amigos, dizia ele o compositor, são, além dos cães, meus livros, meus discos e meus instrumentos musicais, incluindo-se entre eles, caralho, o meu cacete.

Monday, November 22, 2010

eunuco

nunca sonhava, apenas deitava e dormia. contando ovelhas castradas, que se esfumaçavam em bandos de roncos sós.

Tuesday, November 09, 2010

honoris causa


envelheço, por enquanto apenas biologicamente, o que não é pouco, nem de longe, nem perto. observo, com rigor, que não sou mais tão inteligente quanto eu era ou, segundo as más línguas, o que eu acho que era.
em compensação, estou menos turvo e sagaz, ao menos nas sobremesas. e se a palavra não tivesse tanto sebo, diría que um um tiquinho mais sábio. but a little bit only desta tal lasquinha de tirinhas de tiquinhos que tentam compensar vida arrancada aos nacos.
se estudei ou atentei mais para o conhecimento necessário para isto, pouco provável, muito pouco provável. o que fiz, foi justamente não estudar e não aprender, o que definitivamente não devia ser apreendido. afinal, chega um momento em que a vida já se basta de tantos erros.

Friday, November 05, 2010

o banana

havia uma pedra no meio do caminho. mas ele tinha à mão, uma banana de dinamite.

Thursday, November 04, 2010

hannah arendt


tão incrustado da realidade vivida quê às tantas tinha de fotografar-se para só assim enxergar o que era real.

Sunday, October 24, 2010

Monday, October 04, 2010

Tuesday, September 28, 2010

sonrisal

gato preto dá azar, passar por baixo de escada dá azar, chinelo emborcado dá azar, amar, dá azia.

Tuesday, September 21, 2010

Friday, September 17, 2010

inversamente proporcional


há quem dê tudo, que ao fim e ao cabo não significa nada. há quem dê nada, o que ao fim e ao cabo significa tudo, ou melhor: o fim de tudo que era nada.

Sunday, September 12, 2010

Saturday, September 11, 2010

com os olhos no chão


quanto mais perfeita a beleza, mais dói; mais até do que a feiura mais horrenda. assim são nossos olhos, não nascidos para enxergar o que de mais belo seja ou não o reverso da feiura.

Monday, September 06, 2010

Monday, August 09, 2010

palavra de anjo


o homem que nesta terra miserável mora entre feras sente inevitável necessidade de também ser fera. (augusto dos anjos, versos íntimos)

Thursday, August 05, 2010

slow food

tempo, bem ou mal, muito precioso para ser digerido com pressa.

Tuesday, March 02, 2010

o amor é mesmo fundido ou antimônio do vazio


dizem que o bom do amor é a espera, com a posterior conclusão, sabe você de que, of course.

mas quem espera, normalmente ou anormalmente, desespera.

conclusão ou, vá lá que seja, soluço: vale a pena esperar pelo amor que se espera ou encontrar o que não se desespera?

na dúvida, muita gente fica esperando, e de novo a tal espera que, se não desespera,destempera.

o amor é mesmo fundido?

Thursday, February 11, 2010

porque se deve amar sempre os gatos(ou as gatas)

no primeiro beijo, o amor salta aos olhos da cara. a língua estala, a baba escorre, se duvidar até catarro engole, tamanho o desejo, a tesão, alguns dizem ilusão. e haja espaços públicos e privados para tanta demonstração de como o amor é lindo.

não há de passar muito tempo, quanto anos? até que o cuspe engasgue, enrolando a cuspida, a língua anestesie a dama e o lorde, que cada vez mais recorrerá as putas, pigarreie na hora h. do quarto iluminado, cada vez mais obscuro e envergonhado da luz que lá fora aponta o fim de caso da retina com a imagem, assombra o mofo em tufos de esmegma. na mesinha de cabeçeira, linho de lenço cambraia lentes intactas e uma griffe da armação que ainda que se queiram conferentes de bom gosto de nada mais já adiantam quando a imagem da perfeição sucumbe ao gosto do gasto.

os que amam tanto, de tanto amar em umidez de enxurrada em breve não se suportarão justamente por isso mesmo. por sua própria natureza o corpo fluidifica ora para dentro e ora para fora o que já não serve aos propósitos da secura.

o amor baba, a boca escarra, a língua seca, isso tudo até que dava pra suportar mas aquela mijada semi-incontinente na porta do banheiro nem cachorro faz.

Friday, January 08, 2010

carpe diem

virada do ano. todo mundo fazendo promessas de tudo um pouco e sabe-se mais o quê, para mudar de vida. dos pequenos aos grandes detalhes, como por exemplo, perder a barriga, a verruga, livrar-se da operação na bexiga ou refestelar-se no prêmio da loteria que é quase certo não virá.

vida - bem ou mal - vivida, e seus traços, são como varizes. uma vez instaladas, não adianta querelar. seja qual for o laser que se sonhar, elas vencerão e ficarão eternizadas na batata dos seus tiques existenciais para sempre. mesmo que apagadas por recursos dolorosos - são falsas também as promessas que não vai haver dor - e prontamente não se as vejam, elas e você sabe, estão lá.

quanto a mim, de há muito não faço promessas. concentro-me em não tentar ser uma pessoa nova - ou na mania de fazer tudo velho de novo como se fosse outro sob a disfaçatez de uma falsa mudança, a viver como novo, as mesmas coisas de sempre(mas há quem acredite que vai perder a barriguinha-sem deixar de abarrotar-se de chopps e chouriço, e que o sexo tântrico vai salvar seu casamento ou união de outros interesses. satisfaço-me com os centavos atirados a fonte do desejo, que carregam o pedido, sem troco, de manter-se exatamente como sou, fiel a mim mesmo, e a minha teimosia taurina. afinal, leva-se uma vida - tantos nem assim - para aperfeiçoar o que quer que seja, inclusive os defeitos, que se aprimorados a excelência, acabam-se tornando virtude, ao contrário das virtudes que não resistem as tentações que derrubam promessas que esvaem-se na duração do tempo de bolhas de espumantes.

sonhos, varizes, anos novos, promessas, precisam de tempo de vida, mais do que tudo. e isto, é exatamente o que temos cada vez menos. para que então desperdiçá-lo tentando ser o que já não mais seremos, se sequer somos o que prometemos ontem, antes de todos a nós mesmos?

Sunday, December 13, 2009

Friday, November 13, 2009

panorama econômico

na vida, paga-se um preço elevado para se ser feliz. curioso que sempre há quem o faça atentando sempre em fazer alguma economia para o caso de não dar pro gasto.
já para se ser infeliz, paga-se um preço ainda muito maior que o dobro. e acostuma-se, nestes gastos, a não se fazer economia alguma. esbanjamos até não poder mais, já que para se ser feliz estamos sempre receiosos de esbanjar de mais da conta.

Wednesday, November 11, 2009

dois pra lá dois pra cá

e da mesma família. o que pode ser tão um horror quanto maravilhoso.

Wednesday, November 04, 2009

it´s now or never

- faz tempo (levou quase dois meses para dizer isso).
- pois é.
a frente um mar rúbio, um frio de outono, gaivotas e golfinhos rasantes, areias em sílvios tão finos quanto elas, interrompidas aqui e ali por despautérios de siris que se enroscavam em algas que teimavam em tapar o sol com a sua lerdeza.

(continua? nos próximos meses)

Tuesday, October 13, 2009

provas de amor

-ah! vai, mostra, mostra que me ama.
- e você não vai mostrar também?
- mas eu pedi primeiro. prova que me ama, vai, mostra.
- só se você mostrar o que eu pedi.
- eu mostro, mas primeiro você prova que me ama de verdade e mostra. anda, vai, não vai doer nada! mostra vai...
- o mesmo digo eu para você? mostra que eu não aguento mais.
- mostra você. mostra logo. mostra logo porra! mostra logo a porra da senha desta conta, senão eu não te mostro a porra da borboletinha que se esconde tatuada na minha buceta!

Friday, October 09, 2009

12 de outubro

toda criança já foi velha um dia. mesmo as que morreram sem saber o que era criança e o que era ser velho.

Tuesday, October 06, 2009

lumiar dos vagalumes

amores grandiosos não acontecem nem vivem em casa. isto posto, beijou-a em cuspe e foi-se noite a fora, a catar pirilampos ao som de johnny mathis.

Saturday, September 26, 2009

mas que perfeito

encontrei ainda quase agora hoje o meu amor do presente . e não pensamos no passado e nem fizemos planos para o futuro. foi a sensação mais próxima do que costumam chamar por uma eternidade.

Friday, September 18, 2009

pretérito futuro

encontrei hoje o meu amor do amanhã e fizemos, de novo, planos para o passado, que para nós sempre foi entremeado de presentes sem futuro.

Thursday, September 10, 2009

particípio passado

encontrei hoje o meu amor de ontem e fizemos, de novo, planos para o amanhã, que para nós sempre foi entremeado de futuros sem passado.

Saturday, September 05, 2009

pão de loas

recomendam, quase sempre já banguelas, que é míster separar o joio do trigo. mas para isso é preciso saber o que é casca e o que é miolo, o que pelo andar da carruagem mostra que muita gente mastigou o caroço pensando que era pão.

Thursday, September 03, 2009

quase antítese

não se enganem os afoitos e incautos: é preciso, mais é preciso mesmo, muito método para viver sem método.

Wednesday, September 02, 2009

quase dialética

de soslaio olha-se e pensa-se sobre os homens que vivem pensando em mulheres. ora, nada de mal há nisso, desde que não haja mais mulheres do que pensamentos.

Tuesday, August 25, 2009

cama box(thend)

adeus, eu vou para não voltar

esperança a gente sempre tem

mas juro que desta vez não dá

não chore tanto assim, afinal de contas não é tão ruim

aumenta o espaço, a mesa aumenta, a cama a luz acesa

e você pode agora até -sem sobressaltos- roncar.

Monday, July 27, 2009

sem manteiga

no dia dos namorados, por falta de grana, imaginei improvisar um gift semi-naiff
e dei uma tapioca ao meu amor.
a reação dela ao meu presente ?
um coco.

Saturday, July 25, 2009

corpus christi

os cílios quase polém de papoulas
os lábios que não lembravam nenhum implante
mãos de pianista, alguém comentou certa vez
o que caiu bem naquele espírito cuja voz era a de
um quase rod stewart como se fosse um quase chet baker

seu reflexo no espelho, poison
que o tempo se encarregaria de antidiotizar

assim por muito tempo viveu entre a fímbria da agonia e do extase
no pedaço que nunca pode ser refletido
sem saber sequer o que era dele na ausência e no embaço.
e do que era e não era para ser retido no seu mais puro reflexo

o trinco é que gente nunca sabe nunca se o auto-retrato foi realmente pintado por quem imaginaria ser afinal dele.

Now playing: beatles - getting better
via FoxyTunes

Thursday, July 23, 2009

de como comer uma mulher feia para expiar os pecados cometidos para comer mulheres bonitas.

.... eu sei, ela disse, mas se deixar de fumar eu vou engordar terrivelmente.

quando ela disse isso eu tive certeza de ter encontrado a mulher que procurava. ela possuía pelo menos um certo grau de vaidade, e isso, tendo em vista as circunstâncias fazia dela a mulher ideal. alem de ser um pecado, a vaidade é, de todos os riscos, aquele que torna a mulher mais vulnerável. ela pode resistir à gula, deixando de comer batata frita, à avareza, pagando mais a empregada favelada, à inveja, reconhecendo ter sido um sucesso a operação plástica da amiga, à preguiça, comprando um despertador barulhento para acordar mais cedo, à luxuria,fugindo para a igreja,mas à vaidade ninguém resiste. e a vaidade leva a todos os outros pecados. e o primeiro deles é exatamente a luxúria.

(rubens fonseca, in joana, um dos 27 contos de ela, companhia das letras.)

Now playing: badfinger - baby blue
via FoxyTunes

Tuesday, June 30, 2009

na baixa do sapateiro

misterwalk está trocando o solado. enquanto isto a coisa não vai andar por aqui. sapateiros, sabem como é: pedem cinquenta por cento adiantado e prometem o calçado para quinze dias que nunca duram menos que um mês. e como nisto já estamos todos calejado, coloquemos, os pés - e as barbas de molho .
vamos ver quanto tempo as nossas pegadas resistem sem caminhar.

Thursday, June 04, 2009

aproveite o vácuo

toda perda representa um ganho de espaço. vale para biscuits, babilaques e amores que lhe depenaram.

Monday, June 01, 2009

comprovação comprovada

está definitivamente provado, comprovado e abalisado pelos mais insquestionáveis estudos, pesquisas e estatísticas científicas ou não: o avião é o meio de transporte mais seguro do mundo; principalmente se você não estiver nele, quando se sucede a aplicação da regra à exceção, momento em que se comprova outra verdade insofismável: mesmo coxos, só os deuses podem voar e, mesmo assim, nunca para sempre.

Monday, May 25, 2009

auto-contrôle

não era dado a curvas. aprumou a direção e pisou fundo. até o fim. arrebentando o espaço para toda e quaisquer dúvida sobre a sua capacidade de manter-se reto fosse qual fosse a situação.

Wednesday, May 13, 2009

Tuesday, May 12, 2009

auto-ajuda

difícil é ajudar a quem não nos ajuda a ajudá-lo.

Monday, May 11, 2009

muito vivo

aquele que salva é infitamente superior aquele que mata. mas é preciso estar vivo para reconhecer isto.

Wednesday, May 06, 2009

insuspeito

todo aquele que não é suspeito de nada é muito suspeito. mas cuidado para não acentuar isto em demasia, porque isto também é muito suspeito, mesmo que você não seja suspeito de nada.

Now playing: Black Merda - For You via FoxyTunes