viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas.
atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés.
vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
nada mais fugaz do que a beleza e a gostosura(ainda mais agora) das mulheres.
mas também é límpido e certo, de que nada nos causa impressão mais duradoura - até sexualmente falando - do que esta mesma beleza e tesoice
passageira.
para alguns/algumas a beleza finda por ser um castigo eterno enquanto houver memória.
procurei a professora de canto e disse-lhe na bucha, sem solfejo: não vim aqui aprender a cantar, porque cantar eu já sinto - para não dizer eu já sei. vim aprender a respirar, porque isso eu já não canto. a isto podes me ensinar? pausa e mais pausas. não me deu a mínima ou seria semi-mínima?
bom, de qualquer jeito eu continuo respirando;mal e "porcamente", mas vou levando. até quem sabe encontrar o diafragma numa boa ou faça disso o meu registro, apesar dos pesares contralto.
olhos marejados, minha vó olhou para suas pernas marrons de erisipela e disse-me num tom de tristeza que não saberia anos a quantos iria me marcar: - estas pernas já foram tão bonitas.
anos passados, olho as minhas. e compreendo algo do todo que me escapou naquele dia, muito embora levemente sentisse o peso, não sei se das palavras ou das pernas.
sei hoje que não era de estética que minha vó falava. era das sombras da morte; que já lhe subiam por entre as veias dilatadas para nunca mais voltar.
que será da minhas, já que nem posso aguar que já foram belas?
se há coisa que me recordo é que nas situações de agonia ou êxtase eu nunca me abandonei. penso que isso faz uma diferença enorme na hora de abandonar ou ser abandonado.
às vezes quase me esqueço de envelhecer. mas meu corpo lembra.
o que a memória lembra o corpo desfaz lentamente. ou de supetão.
por isso às vezes, já não me importo se quase me esqueço de te esquecer. o meu coração já faz por ti e por mim o que eu devíamos fazer há muito tempo.
esquecer sem lembrar que é preciso bater cada vez mais silenciosamente para deveras ser esquecido até o completamente batido.
já se tornou um hábito. cenas
de histeria geral em torno do papa, enterram de vez as minhas
possibilidades de crença em divindades, ainda mais nas que peidam.
diz, e mostra, a história, que alguns eventos e pessoas passaram em branco de tão adiantados para o seu tempo.
eis o fósforo para compreensão de uma sociedade onde os obscuros fazem história enquanto os iluminados são incompreendidos.
de vez em quando me vem à língua gosto de amores interrompidos com sabor de cigarros abandonados no balcão; principalmente depois do cafezinho. donde concluo, que destes vícios todos - mulheres, cigarros e cafés - todos de matar de bom ou de ruim, a fumaça das lembranças é o que mais canceriza quem se torna avesso à vida.
do meu casebre, de contas pagas, banhos frios, e moedas catadas nos forros das bermudas, eu observo os condomínios de carnês e as mansões de prestações, com suas guaritas e outras mazelas. nelas, passarinhos e outros animais de duas ou mais patas que lá vivem, vivem escravos as gaiolas que cada vez mais se tornam alçapões.
no meu casebre, não existem gaiolas. passarinhos e animais de todo o tipo entram e ficam à vontade e assim também se sentem para ir embora. enquanto não, dividimos migalhas de pão. juntamente com a brisa, uns assobiam, outros latem, outros miam, outros simplesmente espreguiçam,a canção da liberdade que eu tento não desafinar com meus assobios que riem do meu bico.
Rilkean heart I looked for you
To give me transcendent experiences
To transport me out of self and aloneness
And alienation into a sense of
Oneness and connection ecstatic and magical
I became a junkie for it
I came looking for the next high
And I'm sorry
I've been putting the search on the wrong place
I understand that you're confused
Feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then
The reality, with...
Becoming truly self-reliant and become connected
With something beyond me
That is where I have to go
I'm so sorry I've been putting the search on the wrong place
You're lost and don't know what to do
But that's not all of you
That's your reality today
And that is all okay
* se você gosta de outras músicas vá até o endereço edecepcione-se: não tocamos
sertanejo(nem universitário nem anafalbeto) pagode ou axé. apenas música
que as pedras, plantas e animais ouvem(as gentes ensuderceram faz
tempo).
in tempo: abaixo a letra completa de rilkean heart que estranhamente não ouvimos cantadas em nenhuma das versões originais do cocteau(sequer no locais onde a compilamos) mas que são cantadas pela fae wong(cover made in china - escute sem preconceito)
Rilkean Heart
I looked for you to give me transcendent experiences
To transport me out of self and aloneness sent alienation
Into a sense of oneness and connection, ecstatic and magical
I became a junkie for it
I come looking for the next high and I'm sorry I've been putting the search
on the wrong place
I understand that you're confused, feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then, the reality
With cleaning up my emotional life and getting in touch with myself
I'm beginning to ground myself in my own sense of being as an entity
One entity on the planet,
Becoming truly self reliant
And become connected with something beyond me
That is where I have to go
I'm so sorry I've been putting the search on the wrong place
You're lost and don't know what to do
But that's not all of you
That's your reality today
And that is all okay
I understand that you're confused, feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then, the reality
Rilkean heart
Rilkean
heart x7
I'm lost I don't know what to do
It's not all on you
That's the reality today
Right now it's all okay
I understand that you're confused
Feeling overwhelmed
Love's a feeling straight from then
The reality
....condição paradoxal do ser humano – solitário e frágil, mas almejando a totalidade....(na cult, sobre o "claustrofóbico" sokurov acerca de seu filme fausto.
Como
a gente se perde! A linguagem que o meu sangue entende — é esta. A
comida que o meu estômago deseja — é esta. O chão que os meus pés sabem
pisar — é este. E, contudo, eu não sou já daqui. Pareço uma destas
árvores que se transplantam, que têm má saúde no país novo, mas que
morrem se voltam à terra natal. Miguel Torga.
“O que resta pra você fazer numa idade em que a maioria da
população adolescente de todos os lugares decidiu que você é o cara? A
oferta era incrível. Seis meses antes eu não achava ninguém para transar
– tinha de pagar, se quisesse muito.
Uma hora não existe mulher nenhuma para mim no mundo. Não tem
jeito, elas só ficam no ‘bla bla bla bla’. No instante seguinte, ficam
rodeando você sem parar. E então você fica: uau! Quando troquei o
desodorante, as coisas definitivamente melhoraram. Então é isso que elas
querem? Fama? Dinheiro?
Ou é pra valer? E, claro, como você nunca teve
chance com mulheres bonitas, começa a ficar desconfiado.
Fui salvo mais vezes por mulheres do que por homens. Às vezes, só
um leve abraço e um beijinho, sem mais nada. Só me mantenha aquecido
por essa noite, só um segurando a onda do outro enquanto as coisas estão
difíceis, quando está tudo uma dureza. E eu digo: “Porra, por que você
está se importando comigo quando sabe muito bem que sou um filho da puta
e amanhã vou dar no pé?”. “Não sei. Acho que vale a pena”, ela diz.
“Bom, não vou ficar discutindo”. A primeira vez que isso rolou foi com
uma turma de mocinhas inglesas em algum lugar no Norte, naquela nossa
primeira turnê (1961/1962). Depois do show você vai para o bar ou para
um pub, e do nada acaba no quarto do hotel com uma garota muito, muito
legal, que está indo fazer faculdade em Sheffield, estudar Sociologia e
sei lá o que, e que decidiu ser especialmente legal com você. “Achei que
você fosse uma moça esperta. Eu sou guitarrista. Só estou de passagem”.
E ela diz: “É, só que eu gosto de você”. Gostar ás vezes é melhor do
que amar.
No final dos anos 50, os adolescentes eram o novo mercado visado
pela publicidade. Teenager é um termo inventado pela publicidade, uma
expressão bem calculista. Ao chama-los de teenagers foi criado todo um
movimento entre os adolescentes, uma espécie de autoconsciência, que
originou um mercado não só para roupas e cosméticos, mas também para
música e literatura e tudo mais. Essa faixa etária acabou sendo
etiquetada à parte. E houve uma verdadeira explosão, um lote inteiro de
púberes quebrando a casca do ovo e brotando naquela época. Beatlemania e
Stonemania. Aquelas eram justamente as meninas que estavam morrendo de
vontade de viver alguma outra coisa. Quatro ou cinco sujeitos magrelos
ofereceram a válvula de escape, mas elas a teriam encontrado em qualquer
outro lugar. Nunca me esqueço do poder das adolescentes de treze, catorze,
quinze anos, quando elas estão em bando. Elas quase me mataram. Nunca
senti tanto medo de perder a vida como quando me vi cercado por
adolescentes. Elas me esganaram, me rasgaram as roupas, a carne, e
quando o bando entra nesse nível de frenesi, é difícil descrever,
expressar o quanto é aterrorizante. Os policias fugindo apavorados, e
então resta só você diante da carnificina que essas emoções
descontroladas podem causar. Acho que foi em Middlesbrought. Eu não
conseguia entrar no carro. Eu tentava entrar e aquelas malditas me
arrancavam os pedaços. O problema é que quando pegam você, não sabem o
que fazer. Quase me estrangularam com um colar, uma ficou agarrada nele
de um lado, a outra puxando o colar do outro, “Keith, Keith”, e enquanto
isso me esmagavam. O motorista entrou em pânico. O resto dos caras já
tinha entrado no carro e ele simplesmente decidiu que não estava a fim
de esperar. Fiquei ali, sozinho no meio daquela aldeia de hienas
desvairadas. A próxima coisa que me lembro é de que acordei num beco
perto da porta de acesso ao palco, porque evidentemente os policiais
tinham tirado as pessoas. Eu tinha desmaiado por sufocação. Elas todas
estavam em cima de mim: “O que vocês querem de mim agora que me
pegaram?”. Lembro de uma cena de contato real com essas meninas, um momento
completamente inesperado, uma vinheta. O céu está carregado, dia de
folga! Subitamente despenca uma tempestade. Do lado de fora do hotel
vejo três fãs das mais fanáticas. O penteado bufante delas está
sucumbindo sob a força das águas, mas elas não saem de lá. O que o pobre
músico pode fazer? “Entrem aqui, meninas”. Meu cubículo está agora
entupido com três garotas encharcadas. Elas soltam vapor, tremem.
Ensopam meu quarto. O penteado das três, um desastre. Elas estão
tremendo por causa da tempestade e porque estão no quarto de seu ídolo.
Reina a confusão. Uma coisa é tocar do palco para elas, outra é ficar
cara a cara. Toalhas se tornam uma coisa muito importante, assim como o
banheiro. Elas fazem uma precária tentativa de se ressuscitar. Todos
nervosos, tremenda tensão. Eu lhes ofereço café temperado com bourbon,
mas não há nem vestígio de sexo no ar. Ficamos sentados conversando e
rindo, até o céu limpar. Eu chamo um taxi para elas. Despedimo-nos como
amigos.”
("Gostar às vezes é melhor que amar" (by mac) - Trecho de “Vida”, autobiografia de Keith Richards lançada no Brasil pela Editora Globo)