sem crachá, sem culto, sem bíblia, sem deus.
sou um homem a quem os outros que a isso dão valor dizem ser um homem sem nada. mas por esses nadas que por outras vias são tudo, acredito piamente que nada disso é importante para a felicidade de ter uma vida digna e em paz – omnia mecum porto* - ainda que as vezes transtornada, justamente por conta daqueles que vitimam pela peçonha movida pela inveja que despertam-lhe os libertos e desprendidos, os sem crachá, sem culto, sem bíblias, sem deus.
isso não quer dizer que não possa levar um tiro na nuca por não ter nada disso. aliás já basta o que eu levo no quengo por ser um homem sem crachá, sem culto, sem bíblia, sem deus.
mas com certeza não levarei tiro por conta de crachá, culto, bíblia e deus ou deuses – por deusas sempre há riscos - o que não me impede de contristar-me perante o estampido que estupidifica ainda mais a condição humana, a despeito do que pensam os homem e mulheres com crachá, com culto, com bíblia, com deus, entre eles o que apertou o gatilho.
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* trago comigo todas as coisas. resposta do filósofo bias, da grécia, àqueles que, fugindo ao exército persa, se admiravam de ver o sábio sair sem nada levar. para bias só valiam as riquezas do espírito.
viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Monday, March 30, 2009
Saturday, March 21, 2009
a outra face daquela a quem deram as costas
cuilibet in arte sua perito est credendum*
a deposição de josé pimentel da cruz do espetáculo da paixão de nova jerusalém deu-se, juram cantando ou não o galo três vezes, entre outras crucifixões, por conta da face marcadamente nordestinada de um josé que nunca negou fogo a fé no espetáculo, como se estivéssemos nós em região de cenários abundantes em cristos de cútis e irís zefirellianamente platinadas .
foi assim que iniciou-se a renovação carismática do espetáculo, devidamente assessorado - ou seria assoreado? - pela regras implacáveis do show business coisa que, convenhamos, a igreja entende mais do que ninguém. mas que no seu show must go on teve a sabedoria de nunca mexer, nem no enredo, nem na aura do protagonista, mudando apenas a tipografia do cartaz, conforme a língua.
sem querer colocar mais espinhos nas rosas e nas sandálias do murilo, que vai mais longe em outras praias, por acaso teria ele cara de cristo amanteigado? como deveria ter um protagonista global, destinado ao papel de corromper a autenticidade de um espetáculo que se fez global sem necessidade da globo, cujo interesse no espetáculo e vice-versa não é a multiplicação do pão, vinho ou fé, e sim dos trinta dinheiros calculados a peso de rostos que: ou são a moeda da cara da hora ou a de plantão comercial.
junto do murilo, ainda mais com aquela interpretação de caras e bocas cafuçu de canastra que se vê no "trailer", pimentel é, ou seria, um adônis no papel que sempre lhe coube, e que lhe eternizará pelo milagre operado pelo trabalho do "ator e seu duplo" que superou o personagem sem a necessidade da maquinaria(grotovski o endossaria?) o que em se tratando de cristo não é mole, até porque ele também era um deus na interpretação. e antes que vociferem blasfêmia a mim, que olhem-no, ao josé pimentel, com os olhos do povo que lhe abençoa e pede bençãos ao reis dos reis do arruda, como se diante do próprio ressucitado estivesse.
em matéria de cristo, quem calça as verdadeiras sandálias do pescador? certamente não é quem usa havaianas. e, para sermos justos, dupé também não vale. muito certamente a anatomia do personagem não está também nas ipanemas. e assim voltamos ao marco zero, onde a circunferência nos ensina que até a roda mais perfeita empena posta à prova ante a filosofia do prego.
Now playing: Amelinha - Santo E Demônio via FoxyTunes
* a quem é perito em sua arte deve-se dar crédito
a deposição de josé pimentel da cruz do espetáculo da paixão de nova jerusalém deu-se, juram cantando ou não o galo três vezes, entre outras crucifixões, por conta da face marcadamente nordestinada de um josé que nunca negou fogo a fé no espetáculo, como se estivéssemos nós em região de cenários abundantes em cristos de cútis e irís zefirellianamente platinadas .
foi assim que iniciou-se a renovação carismática do espetáculo, devidamente assessorado - ou seria assoreado? - pela regras implacáveis do show business coisa que, convenhamos, a igreja entende mais do que ninguém. mas que no seu show must go on teve a sabedoria de nunca mexer, nem no enredo, nem na aura do protagonista, mudando apenas a tipografia do cartaz, conforme a língua.
sem querer colocar mais espinhos nas rosas e nas sandálias do murilo, que vai mais longe em outras praias, por acaso teria ele cara de cristo amanteigado? como deveria ter um protagonista global, destinado ao papel de corromper a autenticidade de um espetáculo que se fez global sem necessidade da globo, cujo interesse no espetáculo e vice-versa não é a multiplicação do pão, vinho ou fé, e sim dos trinta dinheiros calculados a peso de rostos que: ou são a moeda da cara da hora ou a de plantão comercial.
junto do murilo, ainda mais com aquela interpretação de caras e bocas cafuçu de canastra que se vê no "trailer", pimentel é, ou seria, um adônis no papel que sempre lhe coube, e que lhe eternizará pelo milagre operado pelo trabalho do "ator e seu duplo" que superou o personagem sem a necessidade da maquinaria(grotovski o endossaria?) o que em se tratando de cristo não é mole, até porque ele também era um deus na interpretação. e antes que vociferem blasfêmia a mim, que olhem-no, ao josé pimentel, com os olhos do povo que lhe abençoa e pede bençãos ao reis dos reis do arruda, como se diante do próprio ressucitado estivesse.
em matéria de cristo, quem calça as verdadeiras sandálias do pescador? certamente não é quem usa havaianas. e, para sermos justos, dupé também não vale. muito certamente a anatomia do personagem não está também nas ipanemas. e assim voltamos ao marco zero, onde a circunferência nos ensina que até a roda mais perfeita empena posta à prova ante a filosofia do prego.
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* a quem é perito em sua arte deve-se dar crédito
Thursday, March 19, 2009
duros na queda
é muito fácil, facílimo, fácilzinho mesmo enganar o povo.
mas é muito difícil -e bota difícil nisso - convencê-lo de está sendo redondamente enganado.
Now playing: André Geraissati - americas via FoxyTunes
mas é muito difícil -e bota difícil nisso - convencê-lo de está sendo redondamente enganado.
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Thursday, March 12, 2009
o arcebispo

cara de aborto ou estupro? questiono-me vendo o esgar dito canônico na face do excomungador.
desta alma agoniada pela verdade que falseia, sendo ele o maior excomungado, não se deve esperar nada além da compulsão ao castigo. pois enferrujada pela autoridade que se proclama tão férreamente acima dos desígnios do homem, sua cruz é avessa ao símbolo do que prega, nela verga o peso de um direito canônico que se quer acima do direito dos homens, sendo ele próprio um direito do homem usurpador do próprio homem: pois renega o homem a escravatura da imagem do que é o próprio arcebispo e não só por apenas parecer não sendo ao fim e ao cabo nada do que parece.
estejamos certos de que onde há dogmas, não há o amor e o perdão necessário; nem para a individualidade nem para a humanidade. apenas a submissão à vontade férrea de uns tantos que em convicção astutamente encarnada assumem o papel de deus. deus que obviamente não existe para além do papel de excomungador.
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Tuesday, March 10, 2009
sinapse

jacob do bandolim é carlos paredes alegre. carlos paredes é jacob triste.
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Sunday, March 08, 2009
conceito desumano

aonde há o homem não pode haver felicidade. pois a definição da espécie é por sí só a anti-felicidade.
é que esta espécie é uma tristeza só. o que cada vez mais se comprova, em sua histórica sina de destruição própria e de tudo que a rodeia, incluindo a própria felicidade.
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Thursday, March 05, 2009
quando a falta é excesso de respeito e vice-versa
As pessoas criam regras que não cumprem, impõem comportamentos que não têm, esperam o respeito que não dão e ditam princípios que não seguem. Angela Beirão.
a grande questão que se impôs no pig brother foi o respeito, que um tal caubói não teve com uma certa senhora sexagenária, que por sua vez não deu a mínima de respeito a negros e judeus, entre outras coisas as mesmas, com os mesmos para não variar.
pais estranho este brasil e seus brasileiros. que desrespeitam a tudo e a todos fora da tal casa, incluindo as suas, mas que por força da gravidade tomaram as dores de maneira tal, tal como a " neta" jogada de tal senhora, que até a ela caiu nas graças dos votantes que a retiraram do paredão tal e qual. isto, provavelmente, em parte pela sua defesa da velha senhora - que não é só chata pra caralho mas antes de tudo uma jogadora amoral que aboletou-se nas cobertas de truques emocionais baratos - em parte também tratando-se a respeito da bunda que lhe é um troféu na manga ou seria tanga, em números de irritações e brotoejas masturbadas.
pior que a imagem de uma bunda de respeito(para uns tantos) "abilolada", é a falta de respeito, pela não-igualdade e respeito ao pressuposto de brothers: quem entra num jogo destes - que já se vai no número 9 - não pode querer o privilégio de respeito por questões etárias(nem invocá-la: " é uma senhora") já que se iguala a todos que se permitirem estar nesta, com todas implicações éticas a respeito disto. afinal, abrir mão do respeito, para além da privacidade, é o preço da cartela do milhão, isto está mais do que implícito.
mas não sejamos assim tão mais realistas - pra não ficarmos chatos pra caralho - mas não seria de estranhar que o critério de ascenção de sexagenários à tal prova - uma conquista? - que pressupõe que lá dentro todos são iguais e merecedores do mesmo tratamento - portanto, passíveis de situações onde a gíria, o calão - alto ou baixo - e que portanto deve contemplar a todos sem distinção tenha sido assim tão, tão desrespeitado?
se a jovem é chata pra caralho, isto não é considerado desrespeitoso porque inserido no padrão de linguagem já aceito - inclusive dicionarizado - como do target - sim, uma coisa do caralho, para o bem e para o mal, significa o superlativo, daí tanto é bom pra caralho, como é chato pra caralho. assim é revelador o clamor e as consequências da jogada do clamor pelo respeito para com os mais velhos, o que revela a retomada aos códigos anti-bbb, no momento que lhes convém.
num país que quase ninguém respeita as vagas de estacionamento para os sexagenários; ou portadores de necessidades especiais. que a fila dos sexagenários, tenha se tornado meio de vida(não por culpa deles) e que ninguém respeite os direitos estabelecidos em lei para as senhoras e senhores que são desrespeitados ao nível do acinte, seja nos hospitais públicos, nos postos do inss, no transporte público, clamar pelo respeito a uma velha senhora dentro do big brother é uma espécie de catarse efetiva -e perigosa- num contexto comportamental geral.
por isso o brasil inteiro se sentiu desrespeitado quando um caubói disse que uma pig brother era chata pra caralho; o que não era nenhum desrespeito para com a verdade dos que não caem em chantagens e pantomimas senhoriais, ainda mais exploradas num jogo "corporativo".
merece respeito este brasil? e estes brasileiros?(os de dentro e os de fora da casa) que se julgam assim tão bigs e brothers?
Now playing: kiko veneno - respeto via FoxyTunes
p.s. o programa do faustão, que colocou na berlinda o andré, revelou a face de mulheres - novas e velhas - que se sentiram desrespeitadas. pela reação, são tão iguais ou piores que a naiá, a começar da outra véia chata para caralha(lucimara parisi) no papel de inquisidora de conhecimento tão aprofundado quanto pífio como a sua falta de lugar no programa.
mas o pior de tudo foi ver o caubói capitulando da sua posição. arreglando para ficar de bem com a opinão pública, visando melhoria de imagem com fins comerciais. isto sim indesculpável, já que assim passou de provocateur a caubói chato pra caralho. e aí, haja falta de respeito para com sí próprio, bem ou mal defendido até agora.
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Saturday, February 28, 2009
rasgando a fantasia (e vestindo a verdadeira)

acabou o carnaval. agora é que o verdadeiro baile vai começar. todo mundo mostrando a verdadeira cara, só que fantasiada de outra. e com que capricho heim? assim, cumpre-se o velho mandamento que manda dar o outro lado, falso, quando o primeiro não colou.
os figurões do bloco, claro, não seguram o estandarte, apenas o declinam. mas como tem sempre gente do próprio povo disposta a segurar o povo ora ladeira abaixo ora ladeira acima, a depender dos interesses do bloco do deixa disso, estaciona na praça que continua sendo do povo - menos a da esplanada - enquanto o céu é do avião apenas na marchinha que esconde outro refrão.
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Thursday, February 26, 2009
anti-bbb ou o churchil que o bial esqueceu
para os menos familiarizados, churchil, roosevelt e stalin: qual seria o teor da conversa: a ana pudim de coco ou a indefecavel naiá? (sugestão de legenda em pensamento para o roosevelt: que velho chato do caralho!)os editoriais intelectualizados do big brother brasil, corporificados ao zelo pela canastrice do pedro biau, bilau, blau-blau?mostram, para quem vê algo mais do que bundas em gelatina, que o pior do bbb não está dentro. está fora. sejam quais forem os participantes.
não vou usar da verga para debastar o bbb e sua significação, enquanto produto distorcido e eufemizado de algo tão terrivelmente assustador na sua origem, que não o deixa de ser em suas ramificações e progressões. mesmo que elas se reduzam a um programa de meia punheta, já que nem isto é assumido. deixando para os leitores menos incautos as intenções ao que se pretende com este laboratório para além dos niquéis contratuais, o que a longo prazo converte-se em não mais que efeito colateral.
prendamô-nos ao significado da citação churchiliana no prêambulo da retirada da casa do caubói. interessante também ressaltar as bases compactuadas para não se discernir o que é realmente falta de respeito. afinal, ser chata é muito pior que velha(velha e chata então?) na medida em em que os velhos são aceites (não integralmente ao que parece) como concorrentes de igual para igual, deparamonos com a distinção - que é muito mais, uma distorção do estigma de respeito velhice - uma vez que é considerado falta de respeito tratá-la de igual para igual, seja ou não a forma usada chula ou chiste de mau gosto(caberia num programa assim etmologias do que é bom ou mau gosto?).
pedro bial, sinalizando editorialmente a verdade da casa - comportamento seguido à risca pela globo, no seu tele-jornalismo principalmente, nem vou falar da novelas, como caminho das índias, citou churchil: "em tempos de guerra, a verdade é um bem tão precisoso que deveria ser escoltada por um bando de mentiras", o que tem significados que vão além também da esfera das lentes do programa, ao ditar uma compormentalização onde caubóis que sacam rápido contra a mentira do respeitável estabelecido, mesmo acertando no alvo, não tem vez, nem no programa nem na sociedade de uma maneira geral. o que é muito cômodo num mundo de flexibilização, na verdade genuflexão imposta por quem já de há muito perdeu-se, de e da verdade, só lhe restando a escolta da mentira. aliás, isto assim dito equivaleria a dizer que na verdade a naiá é mesmo uma velha chata pra caralho? e que ninguém teve peito de dizer na lata? para fazer o jogo do bom-mocismo que engole o cuspe e o catarro visando o milhão?
bem, rodou o peão. confirmando o ditado turco: diga a verdade e saia correndo. neste caso ele o corrido.
mas como o citado é churchil, relembremos outra citação: " a mentira roda meio mundo antes da verdade ter tido tempo de colocar as calças" churchil.
voyeurs ou exibicionistas, antes de colocarmos as calças(o que faz a audiência cair) dentro e fora do bbb, independentemente da idade, teremos, todos, a ouvi-lo fadados a perder o verdadeiro sentido da guerra e do que devemos combater de verdade, com a verdade, para além das citações de algibeira ou seria de cartucheira ?
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Sunday, February 22, 2009
do homem, sem folia
chove no carnaval. as alegrias - e as tristezas - estão molhadas. a alma, lavada, como os paralepípedos que registram mas não guardam de quem os pés que lhe deixam marcas - de nada adiantaria mesmo tal sua existência breve, eternamente fadados a feira de cinzas.acho graça caminhar por entre os momentos que a mírdia não registra. ai vou eu sem máscaras ou fantasias, homem de nenhum disfarce, aprisionado no enredo do sou o que sou, e que se foda o mundo, inclusive eu, bloco sem nenhum seguidor, pelo menos por agora, nem de longe.
livre dos epítetos - e do xixi - de carnaval da multi-culturalidade, do melhor carnaval do mundo o ar até parece estar mais respirável: ladeiras mais bucólicas, gatos, vira-latas e bem-te-vis tem instantes de calma. até as lagartixas concordam que sim sem nenhum clarim a ribombar-lhe os intestinos. silêncio quase monástico - já cantado por alceu - deste modo onde tarol, sem fala, rima com o olho e as narinas do farol.
estandarte do bloco do eu sozinho passo sem cogitar agremiações, usufruindo do que a chuva traz e leva ao mesmo tempo. tudo e nada, contados às favas por ninguém. mesmo que seja eu a observar que o homem do meio dia é, sim e não, o reverso do homem da meia noite em suas tristezas e alegrias. muito embora em mim não haja pantomima patrocinada. só disposição - ou suposição - de pensar que o carnaval com chuva é a única maneira de não deixar os homens se tornarem bonecos de uma folia que mais cedo ou mais tarde comandará suas cabeças até o ponto de corte, na goela que vai cuspir em desprezo o sol que antes desceu redondo e gelado como convém ao galhardete de muito antes enforcado nos postes, até estes pelo peso de tão institucionalizada alegria envergados.
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Tuesday, February 17, 2009
fosse médico e era igual

já não soam a mentiras as vantagens que contava em roughs.
fartou-se antes do infarto por vivê-las como se mentiras fossem; alteradas com a convicção de quem agora faltava apenas a meia verdade? isso, se muito, depois de tanto regurgitar sobre o antes tarde do que nunca, porque não mais cedo? vai ver a hora é mesmo esta.
por anos a fio, que não sabidos a certo quantos, contadas as noites tornadas dias e os dias tornados semanas, se era mais ou menos homem pelo que fazia ou deixava de fazer, o homem que se dizia publicitário o que não importa se na verdade fosse apenas médico, um homem; só isto. fruto e vítima da mordida de coisas ancestrais que o marketing julga que trinca quando molda mas não separa sequer do arroto.
isto posto e findo, não tinha agora nada mais do que estórias para contar.
seria esta sua riqueza ou apenas a receita final do placebo que com que se auto-receitou a vida inteira?
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Saturday, February 14, 2009
ensaio geral

vida é pra viver e não pra ver.
quem fica só assistindo a vida passar paga um preço.
ultimamente tenho me dado conta que em boa parte dela tornei-me um espectador e talvez até mesmo, sinal dos tempos, um tele-espectador, um net-espiador.
para além da perda, resta algum ganho?que não tenha veia sociológica? talvez, talvez.
não gosto de tudo que vi - a meu respeito inclusive - mas também não desgosto de tudo, inclusive dos desgostos.
o preço de se observar é caro. camarote, platéia ou na fila do gargarejo. muitas vezes além das minhas posses.
se aprendi com tudo o que vi? nem que seja por "osmose ou contágio"? certamente que sim, pensei algumas vezes, certamente que não noutras. estava certo algumas, errado? quantas nem sei quanto.
mas é fato que apesar de ter a consciência de que ver a vida passar é algo bem menor do que vivê-la - isto se você não for um observador para a eternidade, como o fazem alguns poucos imortais - pelo resultado de suas observações, sejam artísticas ou científicas - não peço de volta o dinheiro do ingresso pelos espetáculos que ví dentro do espetáculo da vida - tantas vezes em nada espetaculosos e ou grandiosos e sim, pequenos, medíocres, quando não mórbidos e de uma crueldade, que só mesmo a condição da vida é capaz de conservar.
não peço bis, mas como diria o bardo, bem que tudo que eu vi( e vivi) podia ter sido apenas um ensaio.
mas não foi. é a vida. tenha-a eu vivido ou mediocremente só observado.
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Saturday, February 07, 2009
caras de cão

ao receber o globo de ouro, mickey rourke, catapultado da sarjeta ao olimpo por uma atuação soberbamente orgânica em " o lutador ", agradeceu aos seus cães, enfatizando que, às vezes, a única coisa que um homem tem no mundo é o seu cão.
dono de seis cachorros no momento, todos retirados de abrigos, reafirma que na sua pior fase, seus cães deram-lhe afeto e o ensinaram que ele podia cuidar de algo vivo, e não só o destruir. disse ainda que não estaria ali se não fosse por eles. e que espera reencontrá-los quando morrer.
o que será dos homens que sequer tem os seus cães, se calhar nem os seus demônios, destes do tipo que atropelam intencionalmente cachorros, principalmente quando estão engatados, ou daqueles que jogam água fervente em cães e gatos, ou deixam-lhes morrer á mingua, não sem antes uma boa tortura ou envenenamento, quando não do intestino, d´alma pelo abandono ?
qual a cara de cão que não existe em outros nós ?
para estes animais, haverá salvação ?
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Wednesday, February 04, 2009
qual recheio de um sorriso de sonho ?

independe do tônus das maças de qualquer rosto. certas pessoas conservam um frescor inexplicável nos sorrisos. não se pode dizer que é obra de quem viveu só bem pois, várias vezes, vem de quem sofreu como jó. tampouco é coisa da idade, pois já vi muitos sorrisos teens em gente que já virou o século de há muito e muito sorriso dilacerado em quem certamente virará o outro. de qualquer modo chega a ser atômico no momento em que ocorre. poder-se-ia até dizer que é comparável antípoda ao sentir orgasmo. pois, se o orgasmo nos dá a visão de tanátos em átimos, estes sorrisos dão-nos a visão da vida desabrochando nova e novamente nova numa reverberação que chega ao exterior como um susto bom.
não se deve perder tempo com a explicabilidade destes sorrisos. só aproveitá-los. quem tem a sorte de encontrá-los pela frente, pode até acreditar que a vida vale a pena, tamanha graça ao espocar a luz do seu bem-estar. é como ver uma pessoa mordendo o sonho de fazer o bem e respigando o recheio nos outros que tem a graça de tê-lo a frente. se tal sorriso provém do homem ou mulher com sorriso casado para com o seu bem, pode-se mesmo dizer que é um sorriso cheio de sonho.
e, se assim é, assim sendo, não se resiste a de que é feito o recheio de um sorriso de sonho? creme, goiaba ou marmelo ? ou simplesmente lambidas de gente ferida de vida e sol ?
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Tuesday, February 03, 2009
sem fôlego

eu vou aonde você for, disse julieta.
mas ela não sabia nadar, constatou romeu, arquejante, do outro lado da margem.
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rotunda

enquanto todo mundo sonha com um carro novo eu sonho com um carro velho.
então, a tal diferença entre o sonho e a realidade, é isto mesmo: na aparência de velhos, sonhos que se querem sempre novos; e pesadelos, na figura de uns tantos novos, que se tornarão velhos, sem jamais ser sonhados.
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Monday, February 02, 2009
sorriso de dentes
realmente admirável, e invejável, a capacidade que algumas pessoas tem de rir de si próprias.
mas só quando a piada é boa.
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mas só quando a piada é boa.
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Saturday, January 31, 2009
a pior das saudades
sentir saudades, de ter saudades; ou seria de não sentir? ou ainda: sentir saudades de sí mesmo?
ou nem isto?Now playing: squeeze - satisfied via FoxyTunes
ou nem isto?Now playing: squeeze - satisfied via FoxyTunes
Wednesday, January 28, 2009
com a boca no mundo
o silêncio é a síntese daquilo que não quer calar.
o problema é que faz um estrondo tão grande que na maioria das vezes potencializa a voz dos energúmenos que gostaríamos de ver calados.
Now playing: The Answer - No Questions Asked via FoxyTunes
o problema é que faz um estrondo tão grande que na maioria das vezes potencializa a voz dos energúmenos que gostaríamos de ver calados.
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Tuesday, January 27, 2009
da falta de visão ampliada

a presbiopia veio, como é de se esperar, por volta dos quarenta e poucos, o que é sempre muito pouco quando se vive de olhos abertos para o que vier.
a falta de visão para longe, mais tarde, dez anos depois, mais ou menos, a memória talvez já acompanhando a falta de visão.
acostumado, por formação - ou deformação - profissional a focar nos detalhes, e neles buscar, para o bem e o mal, a diferença, sem óculos, perde-se, por assim dizer, o distanciamento crítico. é o que acontece agora quando estou sem lentes.
ao mesmo tempo, surge uma nova maneira de ver as coisas - na verdade de não ver - o universo turvo, ao contrário do que poderia se pensar, é mais bonito, as mulheres, por exemplo, principalmente. sem lentes, inclusive as do amor, todas são belas. não há imperfeição. vê-se, ou melhor é tudo uma programada ilusão de óptica. a loura fatal, onde de loura apenas a tintura que lhe corrói o tônus, a depender dos nossos reflexos ressurge teen.
na verdade, descobri este novo dom da visão por esquecimento dos óculos. como sem eles apenas perco os detalhes, mas continuo tendo a visão do todo, arrisquei dirigir sem eles. e aí não deu outra: um mundo novo abriu-se para mim.
mulheres feias passaram a se sentir atraentes; homens carrancudos, não mais que de soslaio tornaram-se simpáticos, grupos grotescos tornam-se pitorescos e assim por diante. e de certa maneira, torno-me um mensageiro da felicidade, pois assim cego, nada me espanta e a tudo reajo com a naturalidade da suspensão do susto pela ausência da percepção da forma esvaziada nos seus contornos mais devidamente preenchida pelas expectativas de outras ânsias.
quem assim olhado, passada a sensação da impossibilidade internalizada do primeiro instante de recusa pelos olhos de quem sempre enxerga o mesmo, guarda lembrança para o resto dos dias destes. e, como dizem os especialistas em serem convocados para redundar nos tele-jornais , a autoestima aumenta e o bem estar se espalha, deixando todo mundo mais feliz neste desfoque acertado.
e como a felicidade é um tipo de crack de efeitos e duração ainda mais devastadora , não é de surpreender que isto vicie. dá mesmo vontade se sair sem óculos a todo instante, para ver a vida mais feliz. um vício dentro de outro chamado vida, do qual também é muito difícil largar por vontade própria, de maneira que vamos procurando enxergar o que nos mantém vivos mesmo por desfoque os mais ou menos que vislumbramos enxergar.
e assim, apesar de todos os desenganos, que os acertos ou enganos da nossa visão boa ou má sempre acabam por nos trazer ou para aqueles para os quais depositamos nosso olhar mais profundo ou equivocado, esta falta de visão ampliada nos conduz a amores cegos, cujo melhor é que não tateiam no escuro como fazem aqueles despertados pelo melhor da nossa visão.
no fundo, no fundo da retina, olhamos e sabemos que não está lá. nem sequer nos nossos olhos. é algo muito antes dela, também da formação da lágrima, e até do brilho que se recusa a nos espelhar como realmente somos em nossa mais completa escuridão.
Now playing: The Fevers - Seu Olhar (Temptation Eyes) via FoxyTunes
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