Wednesday, February 01, 2017

até tu, heterônimo ?

Resultado de imagem para fernando pessoa
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Colhe o Dia, porque És Ele, Ricardo Reis(Heterônimo de Fernando Pessoa)in “Odes”

Sunday, January 29, 2017

o lado azul de bukowski



“Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?”
Pássaro azul de Charles Bukowski

Sunday, January 22, 2017

um conto da hora ? ( a modéstia me impede de dizer que sim ou que não) *






levei pilhinha no bolso. bazar de mercadorias com pequenas avarias – desde quando uma avaria é pequena? sentimental então é rombo - ; nada que me interessasse de imediato. mas pera ai? aqueles relógios de parede grandes e coloridos e olha o design dos números com cara de macarrão derretido. gostei. avarias, bem, vamos lá testar. um dois três, testando, não funciona, lascado trincado, vidro solto, funciona não funciona, funciona. oba! já levei o azul. mas tem verde e laranja trator. vamos testar. um dois três testando. funciona não funciona. ponteiro solto, máquina solta, botões soltos, uma mais lascado do que o outro. acho que não vai dar. deu. primeiro o verde, depois o laranja. no caixa a moça avisa: - cê sabe que as máquinas tem um probleminha, tem de trocar. no brasil aprende-se que probleminha é eufemismo de problemão. é como chamar bundão de bundinha(isto é um eufemismo reverso, minha senhora) achando que a dona da bunda não vai ficar incomodada. sabe como é: se você chega dizendo que a mina tem um bundão ela senta mão na tua cara porque você chamou ela de gorda. mas se disser que ela tem uma bundinha ... leva um tapa na cara porque ela acha que você tá dizendo que ela não tem bunda, logo ela com aquele bundão enorme.
mas ai diante do probleminha, eu, todo esperto, disparo: na-na-nina. estão funcionando eu testei, eu trouxe a pilha, me achando o máximo, como todo otário, que se desmancha com o ar de desdém da moça que dispara: - ah! É, bem eu Tô avisando, não tem troca.




chego em casa, e radiografo as paredes. o azul no quarto, não que azul seja de rapaz, é que azul lembra céu, tranquilidade, enfim, o que é bom para o sono.
no corredor o laranja, tipo semáforo, que é para ser visto de longe e alertar que depois dele vem o vermelho do atraso. e o verde? nada ver com as verduras, na lateral da cozinha.
mas pera ai. hora de dormir e sobe o ruído de uma catraca, de onde será que vem este ruído de tortura que parece comprimir sabe-se lá o que de quem? do relógio azul. pombas! no som ambiente do bazar, não dava para perceber. mas aqui na tranquilidade do quarto, soa como mastigado de amendoim. e os outros, nada, silenciosos e cumpridores irretocáveis na sua função de medir o tempo. então é simples: troco os relógios e acabou-se o probleminha(será que a moça do caixa tinha um bundinha ou um bundão, penso, pano rápido, enquanto troco o azul pelo verde.


e vamos aos sonos dos justos com tudo resolvido. súbito acordo no meio da noite, e nem um barulhinho, mas vê-se que os ponteiros estão movendo a catraca da vida muito embora você não perceba, salvo se for este o foco, o que não é o caso de quem queria dormir como um bebe – de onde raios tiraram esta expressão já que bebes não dormem parecendo mais uma catraca ensandecida com tanto choro e esperneio?


fui dormir e você me pergunta, dormiu bem? após trocar o azul pelo verde? e eu lhe respondo que não fiz  troca. é bom acordar e em vez de silêncio total ouvir algum barulho de vida que não seja o seu, ainda que seja o da catraca de um relógio de bazar com produtos com pequenas avarias.

são estas pequenas avarias, que não emitem sinais de vida fácil, que afinal vale a pena viver com e por elas, ainda mais que dormir com o silêncio total abafa qualquer possibilidade de vida para além do sonho da morte.



 * originalmente publicado no guardanaposdeescriturario.blogspot.com

Monday, January 16, 2017

Sunday, January 08, 2017

quando não é talento que lhe falta mas a fama, parabéns: você é mais um a viver o dilema de salter



antes que você se pergunte o que é salter - um dos dilemas da vida de muita gente,a ignorância sobre o que é realmente importante e o conhecimento, sequer absoluto, sobre o que não é, eu desenho: james salter foi, segundo a crítica e seus pares, um dos melhores escritores do século XX,(duvido que você seja capaz de citar um título dele - até pouco tempo eu também não sabia(ler já é outra história) mas que teve de lidar até o fim com a frustração de não ser famoso.

acontece que o tal dilema não é só o de salter mas de toda uma geração que, tendo algum talento, foi superada por uma geração esvaziada do dito cujo mas capaz de auto-valorizar-se a níveis massivos cultivando a imbecilidade, a estupidez, o vazio oco(isto não é pleonasmo, espero que você saiba o que é) num momento em que a possibilidade de instrução da humanidade nunca foi tão grande mas que paradoxalmente sua ferramenta panaceica finda por ser a caixa de pandora que descamba para as "redes bestiais" num caldo que é jorro de ódio, escárnio, fascismo, retrocesso, perseguição a tudo que for diferente do senso comum hegemônico, ou seja o chorume dos que apelam a deuses, família, moral, bons costumes, falsa correção política para garantir a sua volatilidade peidorrenta que se esgueira por entre a pulhice, a canalhice, as falsas crenças, tudo em nome, ora da fama, ora da manutenção do poder, que também é uma espécie de fama que, como a outra, também mata mas e mais para além do simbólico.

dilema, ora direis, quem não os tem? mas porra! dilema por não ter fama? fodido era por não ter talento, que parece não ser o dilema da cambada de autores que vendem milhares(o que já é muito para quem tem algum talento) ou milhões com as basbaquices de nada com coisa nenhuma enfeitadas em papel celofane que confere a merda aparência de chocolate.

enquanto isto, o trabalho meticuloso de alguns passa desapercebido quando não em branco. mas não seria isto uma espécie de reconhecimento, desde que evidentemente o talento bem haja, grife-se em bold? a perna manca do talento seria a sua sede de reconhecimento, e não pelos pares, mas pela ignaridade da massa? que não sabe a diferença entre broa e biscoito fino?


e se o dilema for a falsa questão de como reconhecer o verdadeiro talento? ora, ora, clamo por fedro, na ante-sala do zen e a manutenção de motocicletas quando a pergunta é feita: " o que é bom, e o que não é bom fedro? é preciso alguém para nos dizer isto ?

o dilema de salter foi ter sucumbido ao fracasso, não seu, mas da sua contemporaneidade. como já o disse mui bem nietzsche, alguns nascem póstumos. seria salter um deles? não é um dilema para quem fica, sequer para quem vai, a falsa angústia do serei enfim reconhecido? então viver é uma luta insana para o reconhecimento? 

a mim quero crer que não. faço o que posso e acredito. se for bom, ótimo, reconhecido, para mim nem tanto, uma merda, fazer o quê? fi-lo porque qui-lo, porque tive vontade e nenhum dilema. a vida- e a morte- ficam bem melhor assim, inclusive a vida dos escritores.




  • Como ficcionista, Salter construiu, ao longo de décadas, uma reputação por ser um narrador conciso e lírico, pouco conhecido do grande público, mas admirado – cultuado – por outros escritores e críticos literários. Muitos o colocavam entre os melhores do século XX. O epitáfio que mais circulou depois de sua morte no dia 19 de junho, aos 90 anos, foi uma descrição do jornalista Nick Paumgarten, num perfil de 2013 da mesma revista que não aceitara seu conto décadas antes. No artigo, Paumgarten diz que Salter não é um “escritor de escritores”, mas um “escritor de escritor de escritores” (a writer’s writer’s writer) ( O PARÁGRAFO ACIMA PERTENCE AO ARTIGO DE ALEJANDRO CHACOFF  http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-106/obituario/o-dilema-de-salter




Sunday, January 01, 2017

retrato do artista enquanto jovem

o apuro no vestir ainda mais apurado nos seus textos



aos 90 anos, "mais afiado do que nunca "

lamento informar-lhe caro leitor sobre o engano que o óbvio representa nesta página, para além do que nele escorrega a vida. 

o retrato do artista enquanto jovem não é o " estiloso" em p&b. o retrato do artista enquanto jovem é este mesmo do "vampiro de curitiba", o homem de boné algo estupefato com a câmera que, como alguns sabem, é um recluso e inimigo da exposição e de quem o revela - chegou a romper com amigos apenas por deram entrevista sobre ele(quer repente ou "piti" adolescente mais jovem?) e é simplesmente um dos, senão o maior escritor brasileiro vivo, muito vivo e tão jovem como nunca fomos dantes.

vir a este mundo e não ler dalton trevisan é muito mais que uma pixotada: é estar enterrado morto para além do pensamento vívido.

Thursday, December 22, 2016

demasiadamente humano


há homens que são muito mais animais do que os outros.
e é justamente isto, sem falsos trocadilhos, que os torna mais humanos. 
principalmente nestes tempos, onde o ser humano, elegido e confirmado no topo da cadeia alimentar, é aquele que: quanto mais humano mais devora incessantemente tudo o que lhe parece ser familiar, classificando de animal tudo o que defenestra ou come, inclusive a si próprio, consciente e inconscientemente lacerado.
aqueles que defendem e vivem de vaquejadas, por exemplo, de há muito esqueceram - alguns sequer souberam - o que é um ser animal.

Thursday, December 08, 2016

sem crise de identidade


pessoas me perguntam porque raio será que gosto mais dos diferentes do que dos iguais?
é simples: porquê sou um deles.

Tuesday, December 06, 2016

contra-dança





há quem diga que a velhice nos traz sabedoria.

duvido muito. e quem, minimamente sábio, não duvidaria? tamanha a patetice, quando não a idiotia ou estupidez crônica, ainda mais a política e religiosa, dos chamados portadores da "melhor idade".

aliás, aceitar esta denominação sem um sonoro "melhor idade no teu cu", em lugar do com as graças de deus, já demonstra que a velhice em nada é sábia.
contudo, dou-lhe o direito de retrucar que o meu escrito não tem sabedoria nenhuma, apenas estupidez.

mas que eu lavei a burra ,ah isso lavei. aliás, enquanto pensar assim talvez eu ainda esteja na melhor idade, aquela que não se conforma com o mundo tal como se nos apresentam - ou querem nos inserir nele - e que sabe na pele que a velhice nada traz de melhor,  sequer as sonecas.

a velhice é um fardo intolerável - ainda mais se você conservar as tais lembranças dos amores perdidos e dos bens que nelas ainda teimam em não se esfumaçar, tal e qual acontecido de verdade.

creio que a velhice é algo tão ardiloso - só muitos e privilegiados poucos sabem adivinhar seus enigmas e deles extrair melhor sortilégio - que em muito se enganam os que procuram aplacar seus males com médicos ou cientistas que sobre tal pronunciam-se com se já não estivessem sob o domínio da implacável senhora, prima-irmã do tempo.

isto posto, opto por seguir o conselho dos poetas - se seguíssemos os conselhos dos poetas em vez de tolamente os classificar de détraqués ou vagabundos parasitas, enfrentaríamos ou desfrutaríamos com melhor sorte dos afagos desfiguradores desta companheira que não abandona quem lhe chega não importa se por passos fortes ou trôpegos- e embebedo-me*. 

e embebedo-me não para fugir, ausentar-me ou alienar-me dela e sim para pegar a sua mão - num gesto mais ousado encher a outra na sua bunda - e dançar com maestria os últimos passos desta dança chamada vida, cuja parceira teima em nos pisar os calos, e acentuar os nossos fracassos e conquistas, com o bico túrgido dos peitos de quem domina um a um o cio dos ciclos finitos, todos eles, dos mesmos contidos aos contenedores da infinitude de todos os tempos, dos findos, ou daqueles por findar e iniciar dos quais não teremos nem seremos lembranças. 


*embebedai-vos (charles baudelaire, em pequenos poemas em prosa - le spleen de paris)

É preciso estar-se, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós vos acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: “É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedaivos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.”





Thursday, November 17, 2016

não há fim sem começo - e vice-versa

recém chegado dos anos cinquenta aos 16, resolvi simplificar as coisas;

talvez, ainda tenho dúvidas sobre isso, por ter ganho com o passar dos anos um pouco de sabedoria - para saber tirar o melhor da vida, já que até agora a vida me tirou o que eu tinha de melhor -  resolvi, mas não como doidivanas, não mais dar tratos à bola. e deixar a vida(ou a morte) me levar. agora vai que vai por que eu tô que tô.

não é um novo começo. sequer um recomeço. viver é uma linha pontilhada de contínuos e fragmentos, de muitas curvas, aclives declives, chegadas e partidas. nunca sabemos se estamos indo ou voltando, por melhor que seja nosso senso de direção. e, o que é muitas vezes pior: se estivemos caminhando em círculos. portanto, sem sair do lugar por mais que o tempo nos iluda que não.

o mais importante - aos troll-sabichões de plantão - nunca saberemos quando será a última vez do começo ou a primeira, e quiçá definitiva, do fim. muitos sequer sabem quando é a primeira da primeira, e se dizem felizes ou infelizes por isso;se é que eles tem a mínima ideia do cataclismo quando isto é mesmo isso.

então, se vai dar pé ou se o afogamento dar-se-à, não é isso mais que me preocupa. afinal, preocupar-se com o que quer que seja, adianta alguma coisa?

então, acelero e ultrapasso essa fase, parafraseando a "filosofia de para-choques de caminhão" :"não me importa se a vida* é manca, eu quero é rosetar".
* no original, se a mula é manca




Monday, November 14, 2016

não seja cúmplice




certas declarações de amor, do tipo " eu te dei ou eu te dou a minha vida", não passam de mais uma tentativa, que no fundo acaba sendo muito escrota, de suicídio; e quase sempre frustada. 
não seja cúmplice. procure outro eu ou outro par, que seja, mas que seja ímpar.

Sunday, November 13, 2016

não é só mais uma canção de amor - muito embora esteja falando de a song for you e não de one more love song

músicas que falam de amor, ou de amores, tendem a ser melosas, xaroposas, ou pirosas, como diriam os portugueses, até mesmo quando falam de suas desgraças. quando em contrário então, ou seja de paixão galopante ou ode a musas confessas, e até mesmo dos " amores platônicos " são mortais, mesmo para quem não seja diabético, tamanho o açucarado.

não há muito com fugir do eu te amo, eu te venero, eu te amo para sempre, ou por toda minha vida. e, para o bem ou para o mal, é bom que assim seja, porque neste rasteiro - ao contrário das normas, discursos, e letras mais elaboradas( que pelo mau costume acabam não sendo consideradas como deviam) - é que se pode constatar ou encontrar verdadeiros achados que demonstram para além do amor, na visão do lugar comum hegemônico e viciante(para o mal da língua{e suponho dos sentimentos}) a grandeza não só do amor, mas do poeta ou vá lá letrista.

your song, do leon russel, que nesta sexta 13 morreu dormindo* traz um destes achados, para além de premônitora:

I love you in a place where there's no space and time
I love you for my life, you are a friend of mine
And when my life is over
Remember when we were together
We were alone and I was singing this song to you 


aqui estão o "eu te amo(num lugar)onde não há tempo ou espaço
eu te amo por(ou pela)minha vida
você é minha amiga
e quando minha vida acabar*
lembre-se de quando estávamos juntos
e que agora estou sozinho cantando esta canção pra você "

resumindo: quanto amores você poderia chamar de "você é minha(meu) amiga(amigo)?

é aqui que reside a questão: é quando o amor tornado amizade(que não deixa de ser amor ou tesudo por isso) é muito mais significativo do que o amor pelo amor ou mesmo pela amizade que conduz ao amor( o caminho inverso é imensamente mais difícil).


isto posto, ouçamos: não o leon jovem(se você não conhece o leon russel, certamente o ouviu tocando e embelezando a música de muita gente conhecida- a grande maioria sem o mesmo talento dele - mas o leon maduro com a emoção totalmente à flor da pele. e logo depois, um leon menos jovem a cantar mais uma canção de amor mas que também não é só mais uma, é uma daquelas que sobressai graças as mãos do "senhor dos teclados" . 







e caso você tenha deixado de lado o leon desatento pela juventude do guitarrista - e também pelo talento(john mayer) - eis o leon a toda, que é para lhe dar um toque,se você for jovem, que provavelmente você não chegará a esta idade fazendo o que o leon fazia aos 74 anos, quando adormeceu para sempre dormindo." portanto não durma enquanto é tempo"




* no twitter publiquei: o senhor dos teclados(e exímio guitarrista) morreu dormindo.apesar d ainda acordado morri meus poucos acordes com ele.
mas pensando bem, não morri meus poucos acordes, na verdade dormi meus poucos acordes com ele. até breve leon.

Saturday, October 22, 2016

consorte - direto do aproveitaenquantodura.blogspot.com


velocidade demais no meu peito
e freios nenhum na minha cabeça

de resto, destrambelhado aos pedais, entregue a força da gravidade,
solto o tambor
e tudo é ladeira abaixo ou ladeira acima
como se a tua bunda estivesse também sem o freio de mão puxado

no fim da reta, já ponta rombuda de alguma estrela candente
a bifurcação de sempre
reacendendo os faróis
e eis de novo o amanhecer desgovernado
"até que a sorte nos separe"
de bom ou mau grado




Thursday, October 20, 2016

@misterwalk

depois de muitas primaveras - seria por conta dos outonos? - decidi não ter mais amores de verão: amores ? só os de inverno.