Saturday, February 28, 2015

não é tão somente uma questão de escolhas

o senso comum, espraiado na literatura dos lugares comuns da auto-ajuda, diz alguma coisa mais ou menos assim: a vida é o que você faz das opções que você constrói ou que se lhe aparecem - isso lhes tiraria o valor ? -  porém, o acaso e a necessidade, quando você está realmente "fudido", quase nunca se dão as mãos, a não ser em templos evangélicos, que é para você ficar com os bolsos descobertos.

ledo engano se me disser que o cotidiano hoje não apresenta muitas opções de você ser quem realmente é, ou o que deseja, em meio ao irônico mundo multifacetado de possibilidades tantas de símbolos e imagens que na maioria das vezes representa mais o vazio da vida atual do que o enchido de linguiça que se tornou a vida para a maioria das gentes.

sempre há opção, mesmo quando não há opção alguma, se o ab ovo não feneceu, o que não deixa de ser uma opção partida ao meio. o não perder a consciência dos fatos é sempre uma opção a mais nestes casos em que a manutenção da personalidade insurge-se como um obstáculo ao bem suceder-se na vida.

cá do meu buraco tenho um livreto de inúteis anotações fúteis onde rabisquei o seguinte: entre o medíocre o e o ruim, eu sempre fico com o ruim. esse ainda pode ter jeito. creio ser um pensamento inevitável para quem também acredita que o bom é inimigo do ótimo. e persegue o ótimo mesmo que isso não seja bom quando a perseguição se dá por interesses outros que não a necessidade de intensidades mais extensas do que os zeros a direita da sua conta bancária.

se você não precisa do ótimo para viver, ótimo. mas não pense que fica mais fácil a sua opção. a simplicidade das escolhas é tão difícil como enxergar na simplicidade o ótimo que você perseguiu como um cão ao seu rabo deixando de enxergar o "osso" que estava a volta tão perto.

nestes casos dificilmente há volta ou voltas. a não ser volta e meia para o desaparecer de vez como pessoa. e não venha me dizer que foi por falta de opção.

Thursday, February 26, 2015

faro fino ou a ironia das coleiras



animais revelam muito mais sobre a personalidade do "dono" do que o dono sobre a personalidade do animal. 

sim, creio que sim. mas é preciso cuidado com as generalizações; e ter faro para ter discernimento sobre os estereótipos do bem, do bom, e do mau, para não falar do feio e do bonito.

não é fácil. aliás fica pra lá de confuso, por exemplo, no caso de hitler, e de seu conhecido amor pelos cães - que ia além dos pastores alemães. sem contar que o regime nazista, foi o primeiro a reconhecer os direitos dos animais (há controvérsia em relação a inglaterra) paradoxalmente, no mesmo ano em que abriu darau, publicava-se: 

«No novo Reich nunca mais se permitirá a crueldade com os animais». Em 1934 proibiu a caça. Em 1937 regulou o transporte de animais por estrada e, em 1938, o de comboio, para que os animais fossem transportados em condições decentes" 

mas na maioria dos casos - incluindo os rappers - é " tiro e queda". muito embora certos donos definam com crueldades a personalidade de um cão, eles acabam por ser revelados - em suas grandezas e pequenezas - pelos sinais emitidos por seus animais, quando não próprios. 

mas é preciso ter faro para tal discernimento. e faro fino é com os cães, e não com os humanos, supostamente, apesar da nossa indissociável animalidade nunca usada para o bem, sequer da própria espécie.

Friday, February 20, 2015

dissabores




























todos temos. quem não. e quem não, por certo os há de ter, e muitos. falo de cátedra. porém, por mais fútil que possa parecer, entre os muitos que tive, e olhe que não foram poucos, poucos se comparam ao de sentir que o gostinho do toddy mudou. ali compreendi que não haveria mais criança em mim e sabe-se lá que adulto sensaboria viria ser.

dizem às más línguas que as pesquisas determinaram um novo sabor. mas como? se ninguém me perguntou nada. talvez porque se sim, ouviriam um sonoro não. pra que mudar um gosto de vida assim, num lamber de beiços, só porque algum engravatado(à época) teve a infeliz ideia de propor a mudança, por motivos de que somente alguém que teve uma mãe que por certo não lhe deu toddy haveria de achar? que saberia este sujeito de toddy? e do que aquilo significava para nós? nada. não sabia nada. e foi um nada que nos deixou com o gosto de nada na boca que jamais voltaria ser do toddy que tanto amávamos.

ah! você acha então que eu estou exagerando? que não passo de um adulto sentimental que fica chorando pelo toddy derramado? então vai conversar com a turma que tomava ovomaltine e de súbito se viu sem o sabor suíço que era "puro malte". mas não diga que é um cara ou uma cara da pesquisa. o risco de ficar sem sentir sabor é imenso. brutal? bom, foi o que fizeram com a gente. sem dó nem piedade. deram um nó na nossa garganta, a tal ponto, que falou em achocolatado, eu engulo em seco. e nada mais que que se compare ou pareça com toddy desce. 

o certo é que, alguns dissabores a gente esquece. outros, morremos com eles atravessados na garganta.

p.s. felizes foram os putos(as crianças) de portugal. lá o sabor do toddy que valia a pena resistiu até os anos 90. quando lá fui, e lá morei, antes do vinho, e de qualquer outra coisa, bebi todo o toddy que podia até não poder mais. uma overdose de toddy que durou anos e anos. até mesmo quando voltei ao brasil carregado de toddy nem um pouco preocupado em ser pego pela fiscalização. o problema é que fui. e na minha cara vi um sujeito da tal fiscalização pegando a lata com olhos marejados e dizendo, anda passa, vai em frente, como se não houvessem dezenas dela nas minhas malas. passei. e fui-me embora. não sem antes, separar algumas latas, e com um bilhete deixá-las para serem entregues ao tal funcionário. creio que assim não haveria risco de alguém dizer que subornei a fiscalização. afinal, passara e nada foi combinado. no bilhete estava escrito: - nestas não há coleção de índios. tinha certeza absoluta que ele saberia do que estava tratando. e assim, mais um sabor juntar-se ia ao meu dissabor que por alguns anos foi dissipado em goles e goles intermináveis do "sabor que alimenta" meus bons gostos até hoje, apesar do enorme dissabor do acontecido. tal como os índios, eu e o tal cara da fiscalização, fomos derrotados pela ferocidade da sede de lucros do homem branco cujo sabor que sacia por certo não é do toddy de antigamente.




Thursday, February 19, 2015

lei da compensação ou quase não dá para ser outsider

mas faça zag e se segure. não fique no zig-zag que ai é que você vai ser tosquiado mesmo.
já que o mundo não anda exatamente como eu andava a espera, eu também reservo-me ao direito de não andar ou ser como todo mundo esperava que eu andasse ou fosse, a começar da indefectível família, tradição e sociedade.

o que mas me emputece, é que eu não encho o saco de todo o mundo, o tempo todo, por tudo e por nada, a começar de ficar buzinando no transito nem bem o sinal abriu, ou nas filas, a gritar o próximo quando o próximo já o deixou de ser.

eu, no máximo dou umas incertas aqui e acolá, que nem sequer fazem cócegas dada a minha insignificância no preterido equilíbrio da desdomesticação ou desmistificação que por si só não basta  - dada a dominação exacerbada a letargia da euforia - ainda mais nestes tempos de carnaval. sou low profile. ninguém mexe comigo e eu passo desapercebido, que é a minha mais nova descoberta de modalidade de felicidade que já anda perigando ser impossível.

bolas! o mundo inteiro parece que se acha no direito de vir me encher o saco dizendo como eu devo andar, devo ser, devo comer, devo foder, devo cagar, devo até não mais poder. até inventaram a figura do treinador pessoal do como fazer para seus haveres e deveres serem otimizados, sabedor desde já, para sua informação, que você vai ficar esmerado no dever adoidado e um pária na toga dos haveres. é a lógica da suruba do comportamento social, que incita os amestrados ao caminho do sucesso assentados nas diretrizes de querer foder sempre o que está na frente, esquecendo o que lhe vai no rabo, com força e sofreguidão não é sorvete. é fumo mesmo. 

então fica o recado, para os da frente e os detrás: não estou interessado. foda-se o mundo! e o mundo todo! mas não todo mundo, porque deve andar por ai uns alguns que talvez ainda sejam capazes de salvar o mundo dele mesmo. mas, quiçá, não o mundo todo. por que ai começa tudo de novo.

Saturday, February 14, 2015

a verdade é que, provavelmente, não sei contar piadas


meus inimigos, muitos, mas nem tanto como gostariam, dizem, alguns, que não poderiam ter melhor amigo. provavelmente pelo trato que tenho com a verdade: sempre em primeiro lugar. e por ser sincero em minhas lutas e postura nas frentes de batalha;

já os amigos, poucos, a maioria, desejam-me aos seus piores inimigos. provavelmente porque não lhes poupo da verdade ainda que lhes seja desfavorável -  na maioria das vezes é - expressa na sinceridade, para eles sempre fora de lugar, dos comentários sobre seus mal-feitos e também sobre seus parcos acertos, sendo o parco a outra face dos meus desacertos, segundo eles, que não foram poucas as vezes que me tiveram como "muy amigo".

dizem de caras assim como eu, que são impingidos ou sofrem do mal do "fogo amigo", expresso no bordão, perde o amigo mas não perde a piada, aquele que queima indiscriminadamente as possibilidades sociais de nexo, compreensão, e engrandecimento profissional, que costumo chamar de arrivismo, carreirismo para os menos íntimos com o dicionário, ainda mais em tempos de redes sociais.

disléxico talvez eu seja, no que escrevo e no que percebo da escrita deles. mas não sou, com certeza alguém que troque a amizade pelo riso imbecil da piada fácil. aliás, tenho cá comigo que um riso de mentira, não passa de um escárnio da verdade. e não vejo nisso grande piada.

isto posto, não venha me contar lorotas, como se fosse verdade, esperando que por ser seu amigo, eu me desfaça em gargalhadas. 








Thursday, February 12, 2015

"existirmos, a que será que se destina" ?

está lá; em qualquer compêndio filosófico, do acadêmico ao empoeirado das bancas de revistas, que o bem mais precioso ao dito humano é a liberdade.

e a história, com tanta história de lutas titânicas e sanguinolentas, extermínios, idas e vindas, vitórias e derrotas, reviravoltas, impasses, tenacidades e superação, daquelas de verdade, e que por isso mesmo fazem a bíblia parecer gibi de segunda, e jesus protagonista de filmes da sessão da tarde, também pode registrar a que ponto chegou este conceito de liberdade nosso mais caro bem.

para alguns, o bem mais caro, bem... é o rolex, o bugatti, a lua de mel em dubai, e a muito pouco idílica, certamente farisaica, e nada mais tresandada a noveau riche que é a cobertura à beira mar, dita e sublinhada, na barra da tijuca.

para nós, pós-60, que nos meados dos anos 70 atingimos a universidade, ainda casa de libertações, revoluções, trepações, conhecimento e dúvidas, não deixa de ser um baque chegarmos a um novo pós-60(desta vez o geriátrico) vendo a universidade transformar-se em centro de obscurantismo e repartição precatória na concessão de diplomas para o exercício do sub-emprego com ares de conteúdo secular que fariam os cursos de correspondência ultrajados tamanho baixio de qualidade - para não falar da universidade à distância.

é de se arrancar os cabelos, de quem ainda os tenha, estar cara a cara com o conceito de liberdade almejado à exaustão onde os olhos lacrimejantes devem-se ao sacrifício físico de horas e horas de aulas de como burlar as dificuldades que são contornadas com truques e apetrechos que não traduzem conhecimento aplicado e sim esvaziamento dele, justamente para a consecução do objetivo libertário catequeticamente (digamos que quis dizer catequese caquética) expresso na aprovação para o concurso público - qualquer um, não importa suas verdadeiras aptidões desde que lhe seja dada a garantia de infelicidade profissional a custa da segurança e da boa vida de muitas horas trabalhadas a menos do que a mais folgada das atividades cá fora, e muitos salários a mais do que faz por merecer a mais árdua tarefa exercida por não concursados, como a dos professores, para completar a dessintonia dos concursos, sem deixar de sublinhar que as escolas preparatórias para tal são uma máquina de fazer dinheiro ao custo ainda mais alto de moer ideais, valores e comportamentos, com a promessa da falsa liberdade de se garantir na vida - desde quando alguma coisa é garantida na vida para além da morte, o que sabem todos, menos os que fazem concurso, claro.

obviamente, que o componente financeiro, no sistema que vivemos é um passe livre, ao menos para ilusão da liberdade. mas o capitalismo, contraditório como ninguém - a  liberdade nunca é contraditória - se por um lado exige renda para transpor os muros e enjaular-se dentro, é o mesmo sistema que lhe escraviza, e mais e mais, para que consiga os meios de pagamento deste enjaulamento tido como libertador.

e assim, resumo da ópera: a luta pelo bem mais caro ao dito humano, tal como está nos compêndios filosóficos, dos acadêmicos aos empoeirados nas bancas de revistas, nada mais é do que a luta para ficar engaiolado a salvo das intempéries da natureza da própria liberdade.

liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós, cantamos um dia enquanto lhe cortamos as asas mal o voo foi ensacado. e se um dia assim cantamos, liberdade abre as asas sobre nós está na hora de abrir a liberdade nós mesmos em nós próprios, olhando em volta, transformando o singular no interesse plural onde: antes o pouco para muitos, todos, do que o muito para poucos, quase ninguém. 

sem esta liberdade no pensamento, não será diferente hoje, não foi diferente ontem, não se vai longe. aliás, fica-se cada vez mais longe do que é ser humano, por mais que o que seja ser humano hoje seja vergonhosamente escravo de tudo, de todos, e de si próprio, a mais miserável das escravaturas. 

Friday, February 06, 2015

escola josé pedro varela(8-2) - estácio, rio de janeiro. turma 10 (d.ondina) em 10/05/62
























lembro. sim me lembro de cada um deles como se fosse hoje, agorinha mesmo. não importa se este hoje tem mais de 50 anos. e olhe que nem sou desses que ficam repassando as lembranças naquele cerimonial de refazer percursos imemoriais que acabam descambando para o álbum de família. desse eu escapei.

mas catando livros a procura de amigos, e quero que saiba desde já que nem todos os livros são seus amigos, mas o que são, são mesmo - encontrei a foto. incrustada numa pseudo encadernação da época, a se desmanchar como imagino estejamos todos nós que estamos nas fotos, decerto uns tantos já passados para outro estado de clique.

só sei que de súbito vi que gostava dos que lembro e gosto com carinho dos que não. até dos invisíveis; que nunca me passaram desapercebidos. recordo seus estratagemas para ultrapassar o tempo que parecia, para eles, menos divertido do que para nós, tidas como crianças "normais" se é que isto é possível. no entanto, admito, tive certa dificuldade em me reconhecer - na foto e no espírito. mas lá estou: orelhas de abano, olhar focado, e um certo ar de quem já sabia que o que tempo pela frente não seria assim-assim , digamos, um recreio de refrigerantes. 

mas acima de tudo, ah! bons tempos. tempos em que ninguém da turma tirava zero em redação(na época chamava-se composição). e por falar em composição, vem-me a percepção agora, é o que tem de sobra nesta foto, cujo vértice é cabeça de alguém na quina onde o vento dobra, e que me induz a ver sob a janela, o que nunca vi dantes: vasos de plantas, que nem sei se esquecidas ou não, mas que por certo, naquele momento, elas que viveriam menos do que nós, estavam tão certas do seu lugar como nenhum de nós mesmo hoje sabe se está agora.

Thursday, January 29, 2015

de relance

ruas cheias, avenidas em pleno vuco-vuco. ou pode ser naquela rua quase beco ou beco quase rua onde se esconde aos olhos dos amadores um dos melhores pé-sujos(tascas) da cidade. 

acontece tanto aqui como acolá. súbito você a vê - ou o vê - e ainda mais rápido do que você viu - ou julga ter visto, acontece na maioria das vezes - evapora-se, escafedeu-se, sumiu.

fazem 20,30,40 anos, um século é o que parece, que você não a via - ou o via - por vezes até julgou, pensou ou desejou ter esquecido. e não mais que de repente tudo volta num olhar de soslaio que confunde. cortou ou não os cabelos? e as crianças ao lado, seus filhos? há quem se espante e diga minha nossa como envelheceu! - queria o quê? são 20,30 ou 40 anos -

paga-se um preço por enxergar de mais - ou de menos - na vida. mas certas visões tenho dúvidas cruéis se valem mesmo a pena. para que enxergar o que não está mais? o que não volta, até mesmo enxergar o que não desaparece? visto ou não visto?

há casos em que a cegueira faz-se necessária. menos para quem ainda assim enxerga de olhos fechados. neste caso, como nos outros, talvez, melhor seria abrir bem os olhos e não deixá-los fechados à vida, espremidos naquela fímbria de retina, tempo, ou geografia, onde o sorriso que nos sorriu, e a lágrima que derramamos, não irão se encontrar tamanha a rapidez do ver ante o tempo em que não tínhamos visto que fecha a janela com batida seca, que dessintoniza a batida de qualquer coração e o sopro de qualquer memória. mas que teimosamente ainda corremos tentando abrir o que nos dará de paisagem o vazio.

sonhar de olhos abertos é uma expressão traiçoeira quando se sonha e se vê o que não é sonho mas que é como se fosse. não me parece alento nunca mais dormir de verdade para manter acordado aquilo que não desperta senão a lembrança de que insistir em relembrar do sonho nos torna apenas sabedores que a noite mal começou e que o dia não trará nova lembranças uma vez que estará ocupado por esta que por conta de não mais que dois segundos nos ficou pregado na testa de saudades rugas.

o que foi - ou quem foi - mesmo que você viu? mesmo vivo era uma sombra, um pedaço de brilho deslocado no passeio. antes olhasse para o outro lado. porque todas as coisas - e os amores - sempre tem um outro lado. escuro, claro, escroto, sábio, leve, otário, mas um outro, que pode ser deixado de lado sem angústias, remorsos ou ressentimentos.

e nunca mais aquele do outro lado da rua, numa esquina, num susto que você não pega mais, aparecerá nas suas falsas dúvidas de verdade.

Wednesday, January 28, 2015

dias de transformação

dias difíceis de acordar e dormir. onde o sono e vida parecem ser beco sem saída.

mas estes são os melhores dias. por que neles se escondem dias de transformação, o que acontece sem que você perceba ou o faça de susto. 

eis que psicólogas se tornam cantoras, ovos se tornam cobras, larvas borboletas, homens pó e pó estrelas e as estrelas em cantos do universo que de tanto contar os homens esquecerão um dia de cantar.

nada do que se apaga foi aceso só por um dia.

e a fumaça do que queima não é o desejo que se esfumaça. é a via láctea que se desdobra universo afora.

agora cuidado para não engasgar na tragada. é a patetada mais comum da transformação.

Friday, January 23, 2015

cosmogonia de boteco ou a teoria do nada

é da natureza humana, privilegiada ou não, preocupar-se com o que não devia. 

ora lá se me dá nos cornos estar interessado sobre o de onde viemos? do porque de aqui estarmos? e do raio que nos parta do para onde vamos ?

nada somos antes, nada seremos depois. e isto não me preocupa nem um pouquinho. 

agora não ser nada durante, ai eu diria que realmente é foda; desperdiçada.


Friday, January 16, 2015

no problems

o mundo anda cheio de pessoas que acham que o resto da humanidade nasceu exclusivamente para resolver os seus problemas.
resolvessem eles próprios os problemas deles, e já resolveriam um dos maiores, se não o maior, problema da humanidade. 

Wednesday, January 14, 2015

demasiadamente humano

na hora de tanto açúcar, diabetes.

na hora de tanto sal, hipertensão - sim eu sei que você gostaria que fosse hiper-tesão. mais sai dessa que na busca disso tudo tudo desandou ainda mais à beça.

enfim, na hora de tanto tudo, tanto nada.

e assim, meu caro, a distopia se torna um lugar comum nesse mundo de gente cada vez mais fora de lugar. mas isso caetano já disse e ninguém ouviu não é mesmo ?

então, "não enche".


Monday, January 12, 2015

auto conhecimento (ou trombada em cheio)

a vida, sequer um sonho, não passa de ledo engano. então, senão a si, tente enganar* os outros da melhor maneira possível. reside nisto uma certa plausibilidade da tal vã, e ainda mais ilusória, felicidade.

*enganar, caro cabrão, não significa armar-se em espertalhão para se dar bem em cima dos outros. significa em vez de genuflexão ante o inevitável ter, nem que seja mísera, certa altivez diante do consigo próprio. 

Monday, December 08, 2014

sim, houve uma vez um verão - ou foram chuvas de ?

lembranças do velho(hoje se diz vintage) e bom vox country western, cujo corpo foi devorado por cupins anos mais tarde, depois de tantas e boas, pela estupidez do desvelo de proteção de outras caixas por quem trouxe tábuas que seriam base -e foram - da contaminação por sua proximidade como calço protetor de colunas de som. do carcomido, guardo o braço; nem que seja para martelar a(minha) cabeça, e as tarraxas que continuam girando sem cordas, esfoliando aquela sensação de quem sabe que nunca mais me afinarão.
e digo mais; que da canção do tempo só o tempo sabe a letra. e tome um sol menor.

Wednesday, November 19, 2014

pé atrás

                  não confio em quem usa "doirado" nem mesmo que seja "d´oiro"

Thursday, November 13, 2014

a minha condição ou vai ser feliz assim na casa do caralho!

ao contrário de tanta gente que consegue ser infeliz até na sua felicidade, eu me safo porque de fato sou feliz até na infelicidade que me fez sua parte.
ao contrário da canção popular, me viro melhor quando tá mais para ruim do que pra bom; e olhe que de certa maneira eu sou até um comodista do caralho.

Tuesday, November 11, 2014

Sunday, November 09, 2014

pé de página


























sim, os livros são uma janela para o mundo. mesmo quando se dá as costas a ele, ao mundo, e nalguns casos, até aos próprios livros depois de lidos ao desprezo. creio que há livros que não se esquece jamais, pois estamos dentro dele ou ele dentro de nós, ainda que esqueçamos quem os escreveu e até os personagens ou o conteúdo não ficcional. mas para alguns as janelas do mundo permanecerão fechadas para sempre. principalmente para os leitores de um livro só - a bíblia principalmente -  ou o capital que seja, ou o decameron ou a ilíada, ou ulysses ou o arco-iris da gravidade.  

e atenção: por mais bonita que seja a arrumação da biblioteca, livros são para serem desarrumados. só assim desarrumam o pensamento que se quer sempre em pezinhos de barro. sim, ao contrário de quem pensa, muito ou pouco, muito pelo contrário, livros são "para confundir e não para explicar". pois o mundo explicadinho, convenhamos está se transformando nesta merda que vivemos. portanto, leia, desarrume, desaprenda e faça de novo, e de novo, até não precisar do rascunho dos outros no de dentro para fora ou no de fora para dentro dos livros.

Wednesday, October 29, 2014

auto-didata


vivo o tempo - ou para os pobres de espírito - a idade onde, mais do que sinto, tenho a certeza e uma necessidade visceral de aprender mais e mais.

mas não quero que me ensinem absolutamente nada mais do que eu não já não saiba, e mesmo aquilo que não sei do modo que outros julgam saber.

estou farto dos modelos de aprendizado oficiais, dos quejandos comportamentais, dos espiritualistas de balcão, dos sensitivos de tudo, da educação dos farrapos, dos dito cujos bons modos, do politicamente correto, dos ai-que-não-me-toquem,dos consultores e dos personal dos despersonalizados, dos títulos e das graduações compradas, sejam a prestações ou a punhetas mal-batidas.

para os "mba", o recadinho ao pé de página: vão as putas e os putos que os pariram! gatos de rua tem mais saber universal do que qualquer acadêmico pós-graduado seja no que for.

olho no homem, olho no prato. esta lição já vale por todas que jamais decifraram as verdadeiras razões dos ronronados.

Thursday, September 18, 2014

inversamente desproporcional ou há um chato no buda(não confundir com um chato na bunda)

acredite. no fundo, no fundo, mas não precisa ir tão fundo,as pessoas irão lhe conquistar - e você a elas - muito mais por seus defeitos do que por suas virtudes.

aliás, em se tratando de certas virtudes, você não conquistara ninguém, sequer um cachorro abandonado, caso não abstenha-se das cujas ditas.

isso não quer dizer que esteja afirmando que as virtudes são desprezíveis. não são. mas muitas vezes o portador delas o é. e quão mais virtuoso mais pé nos escrotos.

então a escolha e decisão de preferir ser mais ou menos virtuoso e ou mais ou menos conquistador é sua.

o fato é que o inversamente proporcional, é inteiramente desproporcional no caso. e desprovido de qualquer densidade deontológica relevante, já que toda conquista, inclusive da virtude, diria buda? não faz sentido.

então como não achar buda, o supremo virtuoso, um chato? diga lá você da sua virtude mais ou menos cacete ou do alto dos seus defeitos menos ou mais irresistíveis.