viagens,rotas e destinos.pirambeiras,becos e ruelas. atalhos e picadas.portas,pontilhões e ponta-pés. vida trilhada à pele.enfim,um blog que coleciona topadas e joanetes a procura da reflexologia podal.
Saturday, March 29, 2014
sem complexos - e sem vírgulas
Thursday, March 20, 2014
marcando território
o mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família. mario quintana
Thursday, March 13, 2014
tá estranho ou cuidado para não sair por onde entrou e ou vice-versa

"Um sujeito trajando bermudas dessas com bolsos laterais largos, uma camisa esporte qualquer e um par de sapatos irrelevante vinha com um saco da tal farmácia na mão, acompanhado por alguém que parecia ser um velho amigo, daqueles com quem a comunicação oral já foi tornada quase dispensável pelo tempo. Mesmo assim ele dizia:
“Estranho, velho... muito estranho. Muito estranho. Muito estranho... Tá estranho...”. A cada repetição da palavra, a estranheza ia ganhando peso e concretude, tornando-se mais indigesta, ácida e cabeluda. A que diabo de estranheza estaria aquele passante de short cargo se referindo afinal?
Aquilo magnetizou minha atenção de tal maneira que me fez levantar da mesa, deixar sobre ela óculos, xícara e outros pertences para tentar ir atrás por alguns metros e desvendar algo mais daquela mensagem cifrada que, apesar do curto vocabulário e do excesso de repetições, parecia conter uma dose incomum de sabedoria, especialmente se comparada à cota média dos comentários colhidos ao pé do ouvido naquele movimentado passeio público.
“É violência, desigualdade demais, medo, economia zoada, gente pobre e rica se acabando no crack, o povo passando mais tempo numa caixa de lata com rodas tentando se mexer na cidade do que vivendo, uma pressão desgraçada e uma competição animal até para comprar um pão com manteiga na esquina, corrupção nojenta até nas esferas mais insignificantes do poder, empresas estatais gigantes à deriva, povo na rua reclamando e quebrando coisas a toda hora, gente amarrando ladrão no poste e descendo o sarrafo. Estranho... tá tudo muito estranho...
Tô pensando em ir embora disso aqui, véio...” foi concluindo nosso personagem enquanto amassava entre os dedos a boca do saquinho de papel com logotipos de laboratórios que trazia nas mãos."
( excerto do texto do paulo lima, publisher da trip, sobre conteúdo principal da edição)
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Sunday, March 09, 2014
e por apenas mais 2.627, reais você leva o ar-condicionado "grátis", esbodegava-se em tal apelo o locutor
| clélia de souza e silva dando ares da sua liberdade por aqui; com seu fiel gurgel que não a descabela há 28 anos |
a tal da maturidade, em mim é como ar-condicionado em carro popular:o carro custa tanto e mais tanto se quiser o ar;
então pra sentir você tem de pagar - pagar pra sentir é sempre uma exorbitância;
em sendo assim, eu continuo um teen emocional: a cabeça fora da janela do corpo, é isso ?
Saturday, March 01, 2014
Wednesday, February 19, 2014
pensamentos que artistas brasileiros(os que algum dia tiveram) esqueceram ou grande fito páez
As pessoas são as pessoas. Os artistas são os artistas. Você, como artista, não pode depender da chegada da sua obra, de como ela é recebida. Você tem que fazer coisas porque tem a necessidade física e espiritual de fazê-las. E se as suas coisas não chegarem ao público, você não pode se ressentir disso. A produção do artista deve acontecer na intimidade de um quarto, com um papel, uma caneta e uma guitarra ou um piano. E a força que vai ter isso no mundo é outra questão. Não sei se você entende o que estou querendo dizer, mas…
Já tive discos que venderam pouco. Eu gostaria sempre que [a criação] fosse uma coisa compartilhada, que chegasse às pessoas, mas chegar a isso não deve ser o único direcional. Porque o sujeito faz coisas para poder compartilhar [com o público], claro, mas se aquilo que você faz não é compartilhado por muita gente… isso não pode ser um drama. O artista não pode fazer sua invenção pensando em como ela vai ser recebida. Se fosse assim, estaríamos mais parecidos com os políticos, que ficam tentando cooptar votos. Não é assim que as coisas são.
Monday, February 17, 2014
vou-me embora pra passar
creio piamente que enquanto espécie passamos do ponto. e como tudo que passa já não dá mais para voltar. já faz algum tempo. basta ver a nossa vida social, fruto indissociável das nossas individualidades que exorbitaram o ponto em questão.
mas para aqueles que ainda não passaram,talvez haja chance de não queimar etapas rumo ao desperdício, que tantas vezes já acontece em criança. a começar pelo desprezo à verdadeira inteligência e sensibilidade, que culmina ora em tolice, ora na esperteza torpe de mamar no regurgito do chorume cultivado pela ingestão do cruel absorvido pelo apetite da covardia ante o prato feito que merecia um não.
o homem, até mesmo na hora de ser comido morto, quanto mais vivo, necessita de outros temperos que não a sua fome de tudo, que torna-se gula quando este tudo representa o nada diante de coisas assaz maiores que nos negligenciamos a ver porque somos instigados constantemente a olhar só para o céu, e a clamar enquanto nós mesmos nos matamos ou nos tornamos miseráveis em glórias de fuligem.
vou-me embora pra passar porque lá não existem reis.
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Saturday, February 15, 2014
escatológica
não, meu caro, ou minha cara, não vou ser eufemista. ficar velho é uma merda. seja qual for a idade.
e sem essa de ficar falando da sabedoria acumulada, das indefectíveis possibilidades da terceira - que filho da puta teria a coragem de atentar mais esta contra os velhos? - idade.
mas por outro lado, perai. é uma merda mas não é nenhuma dor de barriga. nenhuma diarreia extenuante que vá além de umas cólicas de lembranças aqui e ali, e de um certo torpor nas extremidades inferiores e superiores, para não dizer na "na zona do agrião".
por isso, com as exceções de sempre, dá para levar. com certo humor, atinge-se até velocidade de cruzeiro. mas não arrisque rima perfeita entre o eiro e o bueiro, no percurso entre o quintal e a vontade de ir ao banheiro.
porém, sim, concretizam-se outros prazeres na vida que não os desprazeres - é o fundo do poço - para além da dama, do dominó, do carteado, das palavras cruzadas, do tricô e, do valham-me deuses, dos bailes em fim de tarde em alguma instituição geriátrica, todas elas uma merda generalizada. vade retro. idem as preparações religiosas para marcar encontros no céu, que isto só funciona no vaticano, e olhe lá, porquê a eles só resta a liturgia, quando não uns pequenos de sobremesa.
vá sim, nem que seja de ré, para a biblioteca mais próxima. e se não, se lhe falta tesão para os livros, direto ao bar ou puteiro da vizinhança mais próxima, que lá também residem sabedorias milenares. se perdeu a tesão para isso, finda por aqui a leitura e volte lá para os lugares em volta do mesmo.
de resto, se lhes resta saber, se a questão da velhice é ficar na merda, você já passou por isso, em condições muito menos defensáveis quando era jovem e ou extremamente jovem, bebê para ser exato. quem de nós não pastou na merda enquanto recém-nascido, para não dizer lambuzou-se até não mais fartar? até comíamos, coisa que garanto-lhes, não faço mais agora. e que pretendo não o fazer. mas isso são planos. e planos não se deve fazer sem contar com a possibilidade deles darem em merda.
o que é fato é que ainda velho se pode perseguir ideais, sonhos e paixões. desde que consciente da premência do tempo mas sem o desespero que marca a juventude e sua inconsciência de não saber exatamente o que é perdê-la e quando e quanto isto significa. principalmente se você não se deu a chance de ser jovem, fosse qual fosse a sua idade - não se dar a chance de ser velho é a mesma merda também.
e assim na flauta, soltando seus peidinhos, rompa a barra do dia,sem maiores preocupações do ofício. longe dos conselhos médicos que não batem com a patelas desgastadas e das sombras que apressam-se em acompanhar pernas e mentes que antes só pensavam em tornar-se o mais absurdamente visível e que agora divertem-se até com a possibilidade de tornar-se invisíveis até no não foder
sim, repito: a velhice é uma merda. mas pode ser uma merda consistente. principalmente para vidas que ao invés de ficar resumidas ganham - e não perdem - consciência da própria para além dos quocientes impostos.
Friday, February 14, 2014
confiá(ou simplesmente caminhar)
http://tocomusicadeouvido.blogspot.com.br/2014/02/maradona-e-messi-ficam-devendo.html
(Confiá)
Es posible que ya no te fijes En los cuentos que te cuenta El mundo, no hace más que respirar.Es posible que tus ojos Ya no emitan esa luz que enceguecía Hace algún un tiempo atrás.
(Confiá)
Es posible que ya no te fijes En los cuentos que te cuenta El mundo, no hace más que respirar.Es posible que tus ojos Ya no emitan esa luz que enceguecía Hace algún un tiempo atrás.
Ya se fueron todos de la casa Y la mañana envuelve todo,Todo en un profundo azul.
(La verdad se enciende sola
Es una flor en el silencio)Y si hoy ese perfume es el de la soledad, Que quema de luz la habitación.
Es una flor en el silencio)Y si hoy ese perfume es el de la soledad, Que quema de luz la habitación.
Yo quisiera hablar Pero lo que doy es un hombre Viendo el norte solo y loco hacia el sur.
Tengo que confiar, saber esperar.Tengo que respirar, es un panic-attack
Y sacarme de una vez ésta cruz.
Oh, la vida son los círculos, Los circulos dan vuelta, Y los circulos se van.
Cuando yo crei que estaba todo bien, en realidad, estaba haciendo todo exactamente mal.
No es tan grave en verdad Las cosas van moviendose Y se mueven a la larga porque sí.
Y si hoy ese perfume es el de la soledad, Si no confiás no vas a ser feliz.
Y me hices hablar A veces es mejor quedarse quieto Con el trago en la mano en un rincón.
Ya nos veremos (En alguna fiesta), en cualquier ciudad en algún lugar
Cuando me hables con el corazón.
Es tu vida no se puede tocar, Es una caja preciosa no se puede tocar.
Tendrías que saber quién soy.
Oh, Confiá, nena, confiá. Soy todo lo que quieras, También tu suplicio y tu luz.
A vos te gusta la mañana A mi la luna re borracha. Bancátela va a ser siempre así.
No te vendría mal saber que yo no quiero hacerte daño Y ya dejar de sufrir.
Y si me buscás, oh...Vos sos tan incierta, yo también. Y nadie sabe nada, y quién a quién vino a buscar.
Oh, toma my heart, decímelo Contámelo, probame que me hiciste mal, Es una posibilidad.
Y todo lo que no contaste Es todo lo que alguna vez Con toda mi alma voy a confiar.
Lo que pasó fue para bien, No lo trates de entender. Sabés que ya no hay vuelta atrás, Tuvimos la oportunidad.
Y si algo aprendimos en el mundo Es que el mejor momento aún no vino, Está por llegar, confiá.
Confiá, confiá Confiá, confiá Confiá, confiá.
Tengo que confiar, saber esperar.Tengo que respirar, es un panic-attack
Y sacarme de una vez ésta cruz.
Oh, la vida son los círculos, Los circulos dan vuelta, Y los circulos se van.
Cuando yo crei que estaba todo bien, en realidad, estaba haciendo todo exactamente mal.
No es tan grave en verdad Las cosas van moviendose Y se mueven a la larga porque sí.
Y si hoy ese perfume es el de la soledad, Si no confiás no vas a ser feliz.
Y me hices hablar A veces es mejor quedarse quieto Con el trago en la mano en un rincón.
Ya nos veremos (En alguna fiesta), en cualquier ciudad en algún lugar
Cuando me hables con el corazón.
Es tu vida no se puede tocar, Es una caja preciosa no se puede tocar.
Tendrías que saber quién soy.
Oh, Confiá, nena, confiá. Soy todo lo que quieras, También tu suplicio y tu luz.
A vos te gusta la mañana A mi la luna re borracha. Bancátela va a ser siempre así.
No te vendría mal saber que yo no quiero hacerte daño Y ya dejar de sufrir.
Y si me buscás, oh...Vos sos tan incierta, yo también. Y nadie sabe nada, y quién a quién vino a buscar.
Oh, toma my heart, decímelo Contámelo, probame que me hiciste mal, Es una posibilidad.
Y todo lo que no contaste Es todo lo que alguna vez Con toda mi alma voy a confiar.
Lo que pasó fue para bien, No lo trates de entender. Sabés que ya no hay vuelta atrás, Tuvimos la oportunidad.
Y si algo aprendimos en el mundo Es que el mejor momento aún no vino, Está por llegar, confiá.
Confiá, confiá Confiá, confiá Confiá, confiá.
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fito paez
Sunday, February 09, 2014
ab ovo usque ada mala ou enquanto caminho ou descanso
não caro leitor, não quero ser o mala, mais do que sou, segundo alguns leitores invertidamente apaixonados.
a expressão latina quer dizer alguma coisa mais ou menos como do ovo, ou seja da nascença, as maças, que deve você intuir o que seja (se não, está no blog errado).
maças, como já diziam os ingleses(penso que também os romanos),"coma um por dia e mantenha o médico(e a morte) longe". na época elas não tinham agrotóxicos, só a organicidade da bosta mesmo e mais alguns temperos naturais - hoje em dia, informação em profusão, já se sabe, que a maça é mesmo uma benesse da natureza: ajuda a emagrecer (sem hamburguer obviamente), previne infartos, baixa colesterol e até já tem picaretagem em forma de livro, sobre as inúmeras propriedades antioxidantes da maça com diversos benefícios(tem até lista dos dez benefícios e por ai vai).
mas a maça do post de hoje é a música e não a dita cuja, sequer as maças podres que de quando em vez baixo o sarrafo.
a música é a maça que suaviza as maças do rosto e nos dá alento, quando não sustento, asas e lubrifica a libido, as vezes mais até do que as musas ou musos.
independente do gosto(e gosto se discute ao contrário do que se diz por ai, muito apropriado para o esquema de dominação que empurra mentes abaixo o grau zero de discernimento e crítica) são muitos poucos os que não convivem bem com a música, excetuando-se talvez os vizinhos de churrascaria com música ao vivo, que goela e ouvidos a dentro, absorvem a música com gosto de borra engordurada.
sem gorduras, e mais para o saudável das maças, eis os links para onde nos refugiamos e que,até por conta disso, retardamos o passo por aqui, o que não significa que estamos sentados sob macieiras esperando levar na cabeça o estímulo ao eureka!
no tocomusicadeouvido.blogspot.com os "clássicos", assim chamados, para standards e novidades, com refinamento que faz até os cascas grossas, que não são de maças, se sensibilizarem;
no othersongs.blogspot.com já faz a linha maça exportação. música que não toca nas rádios, nem nas da internet - com raríssimas exceções - e que pedem um pouco mais de abertura de mentes e ouvidos;
no ouvodobom.blogspot.com as canções em português que não rolam e nunca rolaram nas paradas, com gravações inusitadas, que vão além dos rótulos de alternativas e ou independentes, até porque tem muita gente conhecida que você jamais imaginou ser capaz de chegar a tal qualidade*
é claro - não ficou ou sequer desconfiou? - que estes endereços também são editados por mim. e sendo assim, axé, sertanejo, pagode,forró eletrônico, brega, funk ostentação e os escambau, não tocam nem fodendo - aliás não toco nem se fosse pra foder as dançarinas de tais grupos que, reconheço, valem até umas punhetas. mas é isso e só. até porque, bunda não é maça, e costuma estragar mais rápido do que as manzanas por mais que venham bem embaladas.
derivações a parte, eis uma amostra grátis para você ouvir se aguenta o tranco : http://ouvodobom.blogspot.com.br/2014/02/o-trash-que-e-um-luxo-e-que-nao-deixa.html
*isso é o que, cheio de otimismo, eu penso de você leitor. quanto a mim, creio já ser um caso perdido
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Friday, January 24, 2014
abalar é isso e não aquilo que leva as pessoas a dizer que estão abalando
![]() |
" o escritor
desestabiliza o leitor, procura fazer com que ele não tenha seus anseios
atendidos - pelo contrário, faz com que tenha suas certezas abaladas. é isso
que qualquer arte digna do nome faz: destrói certezas, abre outras
possibilidades " - elvira vigna
Friday, January 17, 2014
iogurte é cultura ou seja: garantia de merda certa
sob lacre de embalagem catita de iogurte sabor-nem-sim-nem-não, deparo-me com o seguinte texto: "sabia que os intestinos tem cem milhões de neurônios? e que por isso são chamados de o segundo cérebro"?
minha nossa! - intervalo para dizer que chapei de imediato e não, não me caguei, eu disse chapei - esta informação mudou a minha percepção da vida.
já tinha uma certa desconfiança de que para fazer merda era necessário um certo esforço e uma refinada elaboração ao contrário do que possa parecer de que fazer merda é fácil, tamanha quantidade e, sim senhor, falta de qualidade. isto posto, passamos a ter o conhecimento de que não devemos pensar que produzir merda é algo assim que se faça sem compromisso e concentração. não senhor. já sabemos agora que exige muito neurônio e um longo caminho, o que antes aprendíamos ainda na escola frequentada de calças curtas.
a minha visão de mundo - a tal da weltanschauung, diria eu,utilizando,creio nem uma fração incapaz de melar a cueca dos tais neurônios - metamorfoseia-se agora de forma quase radical. tive uma cólica dos sentidos. creio que devo fazer uma mea culpa por ter despejado tantos impropérios em todos aqueles que julguei produzir merda, seja na minha atividade - jornalismo e publicidade, resumidamente - seja naqueles campos em que meto o bedelho e, consequentemente, onde também escapole, de vez em quando, alguma diarreia para além da verbal/conceitual.
se levasse ao pé da letra, em vez do desprezo, teria agora o respeito; em vez do dar de ombros, eis o ombro amigo; em vez da implacável mania de assepsia estética, a aposentadoria definitiva dos conceitos rebuscados de equilíbrio, proporcionalidade e harmonia, enfim da formação do bom-gosto. tudo em nome a veneração dos tais cem milhões de neurônios confirmados e confinados à tal produção de elemento tão culturalmente importante e que pode ser visto, ouvido, sentido, comido ou estocado, neste brasil onde certamente, por baixo, são cerca de duzentos milhões de cérebros(imagine isto multiplicado pela quantidade de neurônios do intestino) a consumir/produzir/consumir, uma infinidade de merda tal a começar do tal iogurte.
mas como não levarei ao pé da letra - nem fodendo - adeus iogurte; com sua produção de falsa cultura lacto-bacilar, cuja única função é coibir ou embromar a percepção do que vem depois da abertura da embalagem: uma quantidade de conservantes, espessantes, e demais co-atuantes que ao fim e ao cabo acabam por dar um nó em nossos neurônios. os tais e os demais.
que venha então, e salve, a coalhada caseira. sem sustos e sem embalagens subliminares. sem esquecer do detalhe, de que tem de ser feita do leite produzido no estábulo ou vacaria, de vacas que pastam sem hormônios, que matam moscas com chibatadas de quebrar munhecas e que vivem e nos dão a consciência e consistência de um mundo que, este sim, torna-se-á mais saudável na medida em que aprendemos consistentemente que merda é merda. e que seu cheiro, tão peculiar e natural, assim o é, para que não engane ninguém. ao contrário do iogurte industrializado, onde cem milhões de neurônios são colocados ao serviço de engalobar 86 bilhões dos que pensam que tem cabeça ao consumir tal produto.
neste caso, toda a merda - a consumida e expelida - vem dai ou ai desemboca.
minha nossa! - intervalo para dizer que chapei de imediato e não, não me caguei, eu disse chapei - esta informação mudou a minha percepção da vida.
já tinha uma certa desconfiança de que para fazer merda era necessário um certo esforço e uma refinada elaboração ao contrário do que possa parecer de que fazer merda é fácil, tamanha quantidade e, sim senhor, falta de qualidade. isto posto, passamos a ter o conhecimento de que não devemos pensar que produzir merda é algo assim que se faça sem compromisso e concentração. não senhor. já sabemos agora que exige muito neurônio e um longo caminho, o que antes aprendíamos ainda na escola frequentada de calças curtas.
a minha visão de mundo - a tal da weltanschauung, diria eu,utilizando,creio nem uma fração incapaz de melar a cueca dos tais neurônios - metamorfoseia-se agora de forma quase radical. tive uma cólica dos sentidos. creio que devo fazer uma mea culpa por ter despejado tantos impropérios em todos aqueles que julguei produzir merda, seja na minha atividade - jornalismo e publicidade, resumidamente - seja naqueles campos em que meto o bedelho e, consequentemente, onde também escapole, de vez em quando, alguma diarreia para além da verbal/conceitual.
se levasse ao pé da letra, em vez do desprezo, teria agora o respeito; em vez do dar de ombros, eis o ombro amigo; em vez da implacável mania de assepsia estética, a aposentadoria definitiva dos conceitos rebuscados de equilíbrio, proporcionalidade e harmonia, enfim da formação do bom-gosto. tudo em nome a veneração dos tais cem milhões de neurônios confirmados e confinados à tal produção de elemento tão culturalmente importante e que pode ser visto, ouvido, sentido, comido ou estocado, neste brasil onde certamente, por baixo, são cerca de duzentos milhões de cérebros(imagine isto multiplicado pela quantidade de neurônios do intestino) a consumir/produzir/consumir, uma infinidade de merda tal a começar do tal iogurte.
mas como não levarei ao pé da letra - nem fodendo - adeus iogurte; com sua produção de falsa cultura lacto-bacilar, cuja única função é coibir ou embromar a percepção do que vem depois da abertura da embalagem: uma quantidade de conservantes, espessantes, e demais co-atuantes que ao fim e ao cabo acabam por dar um nó em nossos neurônios. os tais e os demais.
que venha então, e salve, a coalhada caseira. sem sustos e sem embalagens subliminares. sem esquecer do detalhe, de que tem de ser feita do leite produzido no estábulo ou vacaria, de vacas que pastam sem hormônios, que matam moscas com chibatadas de quebrar munhecas e que vivem e nos dão a consciência e consistência de um mundo que, este sim, torna-se-á mais saudável na medida em que aprendemos consistentemente que merda é merda. e que seu cheiro, tão peculiar e natural, assim o é, para que não engane ninguém. ao contrário do iogurte industrializado, onde cem milhões de neurônios são colocados ao serviço de engalobar 86 bilhões dos que pensam que tem cabeça ao consumir tal produto.
neste caso, toda a merda - a consumida e expelida - vem dai ou ai desemboca.
Tuesday, January 14, 2014
i´m a believer
acredite! você vai fazer muito mais merda ou grandes merdas quando estiver por cima e sóbrio do que quando estiver por baixo e confuso. isso se já não fez uma merda daquelas.
mas neste caso não se preocupe. é o tipo de situação que se repete, indefinidamente e, ao que parece, cada vez mais e mais, desde o começo da nossa pretensa humanidade.
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Friday, January 10, 2014
organza
" aqui eu moro sozinho, não tenho vizinho, até aqui não tem caminho.
aqui eu vivo isolado, e muito bem obrigado,não quero ser perturbado.
aqui eu passo tranquilo, longe de tudo aquilo que nunca fez meu estilo, se alguém morar pra estes lados o que eu quero é não ser importunado".
(matanza, a menor paciência pra isso, no cd/vinil odiosa natureza humana)
já faz tempo. deixei de me preocupar com o que pensam as gentes. sobre mim ou sobre as gentes. se dúvidas haviam, facebooks, e seus comentários, idem demais redes sociais, donde a estupidez, a velhacaria, a tonteria, a filhadaputice torneada, esborra até os portais, metidos a sério mas assumidamente idiotas ou idiotas assumindo-se a sério, estirparam qualquer delas. nem preciso das barbaridades enciclopédicas que a história registra sobre a vilania e maldades humanas ou da mais rasa chamada de telejornal plim-plim.
a tarja humana não me interessa mais. de há muito, apenas, animais; e garanto-lhes que a rima não é proposital, sem necessidade da natureza noves fora.
isso não quer dizer que agora vá abraçar os dragões de komodo e vivê-los à bitocas. ou que passe a desprezar por completo os rabos das loiras e morenas com cabeças de lagartixa. buracos sempre são mais embaixo. mas os estragos são sempre mais em cima. isto é o ser humano, eternamente corcunda.
aliás, nem posso dizer que gente é pra se foder e só. porque gente se fode sozinha até não mais poder. eis a questão, puída da palavras chave: poder-foder, ou vice-versa.
gatos roronando, cachorros abanando o rabo, jegues zurrando, cabritos berrando, canto das minhocas que seja. até eu surfando ao cantar cabe. no meu quintal mental a confusão tende a se complementar. e com sorte até me sentirei como aqueles que nunca ficaram em gaiolas.
talvez por querer ter sido tão humano eu finalmente tenha me tornado um completo animal. mas nunca de estimação com suas baixas auto-estimas.
*http://www.youtube.com/watch?v=vFAAITsk1uk (para o post ficar mais divertido)
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Friday, January 03, 2014
sem resposta
pra trás gentes sem resposta. tal como fiquei dias, meses, anos, décadas, vidas de também ou talvez isso já não importa.
quem disso tudo faça poesia ou remoa em azia crônica de boa ou má qualidade há. em folga equivocada não me dá o tempo essa sensibilidade.
o que me assunta, é tanto de gente, pouca que seja, que se encontra e se dispersa e não se desperta perguntinha micha que fosse, pois algo me diz que lá isso das não perguntas é o que nos define como parte das gentes sem respostas.
quem disso tudo faça poesia ou remoa em azia crônica de boa ou má qualidade há. em folga equivocada não me dá o tempo essa sensibilidade.
o que me assunta, é tanto de gente, pouca que seja, que se encontra e se dispersa e não se desperta perguntinha micha que fosse, pois algo me diz que lá isso das não perguntas é o que nos define como parte das gentes sem respostas.
Tuesday, December 31, 2013
instantâneaidade
das chamadas artes que combinam tecnologia com domínio artístico(leia-se estético) creio que a fotografia é mais terrível delas no sentido de que é uma verdadeira bruxaria. ora nos mostra como verdadeiramente somos e não nos vemos. ora nos mostra como não somos e como queremos acreditar que assim o somos - do jeito que a fotografia nos mostrou(escondendo ou amplificando).
ressalto que assim falando, não trato aqui dos desmandos do "photoshop", generalizando tal nomeação refe/rindo-me a programas de edição ao que capta a máquina. mas sim do instantâneo/eterno momento do click, onde se configura o plasma entre os olhos olhados e olho que tudo vê e nega ou revela em sua extrema vilania ou sabedoria sem que o fotógrafo possa intervir pensando ele que assim sempre o faz.
e assim cumpre-se o vaticínio da cisma indígena: "nos rouba a alma". os que a tem devem evitá-la, principalmente nos dias de hoje onde uma medusa(a mídia) espalha estagiários de tal bruxaria em nível de quinta categoria com dispositivos ainda mais aguçados em disparar a torto e a direito configurações que a relatividade das coisas acrescenta ou suprime da realidade.
susan sontag que o diga ou teria interpretado mal?
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Thursday, December 26, 2013
epitafista
mais do que as pessoas que eu não tive - ou que tive e não soube ter - dos lugares que pretendia ir ou que estive mesmo sem saber; das músicas que compus e pus tudo a perder; do que escrevi e rasguei ou publiquei sem reescrever, o que dói mesmo - tristeza, sufoco e fim de mundo - é ter a fodida certeza de morrer sem ler os livros que eu tive, queria, e quando pouco, dos que deveria ter pensado em ler.
Saturday, December 14, 2013
batendo o olho
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Thursday, December 12, 2013
moinhos ao vento
acontecer no acaso exige uma preparação dos diabos em (e de) todos os sentidos.
o que acontece tão somente por maquinação é o quase. e o quase tal como a punheta é como o moinho a fingir parado o movimento que já não sente.
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Thursday, December 05, 2013
sustentabilidade
aqueles olhos verdes de mar nunca olhavam para aqueloutros azuis
de céu
astrolábios.
cabisbaixos, aqueloutros verdes de mar, tão duros de sal e
sol, fizeram-se molhes ao peso do mar daqueloutros olhos azuis se afundando em
lágrimas que rompiam diques em picos de sal e só.
na areia e na testa, na fronte e na nuca do nunca rutilar, restam sul e sal num bico de gaivota que entreolhos afogou-se de tanto esperar.
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