Wednesday, May 08, 2013

cláusula petra




“as dores viram água, e pouco a pouco viram memória” - petra costa,in elena, filme que estréia por agora.

Thursday, January 17, 2013

quem acha vive se perdendo

Como a gente se perde! A linguagem que o meu sangue entende — é esta. A comida que o meu estômago deseja — é esta. O chão que os meus pés sabem pisar — é este. E, contudo, eu não sou já daqui. Pareço uma destas árvores que se transplantam, que têm má saúde no país novo, mas que morrem se voltam à terra natal. Miguel Torga.

Wednesday, January 02, 2013

o que pode ser melhor que amar?


 “O que resta pra você fazer numa idade em que a maioria da população adolescente de todos os lugares decidiu que você é o cara? A oferta era incrível. Seis meses antes eu não achava ninguém para transar – tinha de pagar, se quisesse muito.

Uma hora não existe mulher nenhuma para mim no mundo. Não tem jeito, elas só ficam no ‘bla bla bla bla’. No instante seguinte, ficam rodeando você sem parar. E então você fica: uau! Quando troquei o desodorante, as coisas definitivamente melhoraram. Então é isso que elas querem? Fama? Dinheiro? 

Ou é pra valer? E, claro, como você nunca teve chance com mulheres bonitas, começa a ficar desconfiado.

Fui salvo mais vezes por mulheres do que por homens. Às vezes, só um leve abraço e um beijinho, sem mais nada. Só me mantenha aquecido por essa noite, só um segurando a onda do outro enquanto as coisas estão difíceis, quando está tudo uma dureza. E eu digo: “Porra, por que você está se importando comigo quando sabe muito bem que sou um filho da puta e amanhã vou dar no pé?”. “Não sei. Acho que vale a pena”, ela diz. “Bom, não vou ficar discutindo”. A primeira vez que isso rolou foi com uma turma de mocinhas inglesas em algum lugar no Norte, naquela nossa primeira turnê (1961/1962). Depois do show você vai para o bar ou para um pub, e do nada acaba no quarto do hotel com uma garota muito, muito legal, que está indo fazer faculdade em Sheffield, estudar Sociologia e sei lá o que, e que decidiu ser especialmente legal com você. “Achei que você fosse uma moça esperta. Eu sou guitarrista. Só estou de passagem”. E ela diz: “É, só que eu gosto de você”. Gostar ás vezes é melhor do que amar.

No final dos anos 50, os adolescentes eram o novo mercado visado pela publicidade. Teenager é um termo inventado pela publicidade, uma expressão bem calculista. Ao chama-los de teenagers foi criado todo um movimento entre os adolescentes, uma espécie de autoconsciência, que originou um mercado não só para roupas e cosméticos, mas também para música e literatura e tudo mais. Essa faixa etária acabou sendo etiquetada à parte. E houve uma verdadeira explosão, um lote inteiro de púberes quebrando a casca do ovo e brotando naquela época. Beatlemania e Stonemania. Aquelas eram justamente as meninas que estavam morrendo de vontade de viver alguma outra coisa. Quatro ou cinco sujeitos magrelos ofereceram a válvula de escape, mas elas a teriam encontrado em qualquer outro lugar.
Nunca me esqueço do poder das adolescentes de treze, catorze, quinze anos, quando elas estão em bando. Elas quase me mataram. Nunca senti tanto medo de perder a vida como quando me vi cercado por adolescentes. Elas me esganaram, me rasgaram as roupas, a carne, e quando o bando entra nesse nível de frenesi, é difícil descrever, expressar o quanto é aterrorizante. Os policias fugindo apavorados, e então resta só você diante da carnificina que essas emoções descontroladas podem causar. Acho que foi em Middlesbrought. Eu não conseguia entrar no carro. Eu tentava entrar e aquelas malditas me arrancavam os pedaços. O problema é que quando pegam você, não sabem o que fazer. Quase me estrangularam com um colar, uma ficou agarrada nele de um lado, a outra puxando o colar do outro, “Keith, Keith”, e enquanto isso me esmagavam. O motorista entrou em pânico. O resto dos caras já tinha entrado no carro e ele simplesmente decidiu que não estava a fim de esperar. Fiquei ali, sozinho no meio daquela aldeia de hienas desvairadas. A próxima coisa que me lembro é de que acordei num beco perto da porta de acesso ao palco, porque evidentemente os policiais tinham tirado as pessoas. Eu tinha desmaiado por sufocação. Elas todas estavam em cima de mim: “O que vocês querem de mim agora que me pegaram?”.
Lembro de uma cena de contato real com essas meninas, um momento completamente inesperado, uma vinheta. O céu está carregado, dia de folga! Subitamente despenca uma tempestade. Do lado de fora do hotel vejo três fãs das mais fanáticas. O penteado bufante delas está sucumbindo sob a força das águas, mas elas não saem de lá. O que o pobre músico pode fazer? “Entrem aqui, meninas”. Meu cubículo está agora entupido com três garotas encharcadas. Elas soltam vapor, tremem. Ensopam meu quarto. O penteado das três, um desastre. Elas estão tremendo por causa da tempestade e porque estão no quarto de seu ídolo. Reina a confusão. Uma coisa é tocar do palco para elas, outra é ficar cara a cara. Toalhas se tornam uma coisa muito importante, assim como o banheiro. Elas fazem uma precária tentativa de se ressuscitar. Todos nervosos, tremenda tensão. Eu lhes ofereço café temperado com bourbon, mas não há nem vestígio de sexo no ar. Ficamos sentados conversando e rindo, até o céu limpar. Eu chamo um taxi para elas. Despedimo-nos como amigos.”
 
("Gostar às vezes é melhor que amar" (by mac) - Trecho de “Vida”, autobiografia de Keith Richards lançada no Brasil pela Editora Globo)

Friday, December 21, 2012

deus e o diabo na terra do sol

da escuridão à luz, combate insidioso. aquilo que creditam ao "diabo", obra de "deus". e tudo o mais que creditam a "deus", obra do "diabo".

Friday, December 07, 2012

poemeto nas coxas

umbigo de mulher é fonte! 

descendo, para qualquer dos lados, espeleologia ou diga caving. 

subindo, é montanhismo. e nuca, cume com + nuvens q monte de vênus. 
e ainda tem os olhos e a boca onde na face norte o beijo te assalta bem debaixo do teu nariz. 

e pimba! não segurou? num triz é o créu,lá embaixo o quente frio do calafrio, membro cabeça e corpo que retesa solta e aperta tal qual num adeus cheio de tesão.

pra subir de novo? ab ovo? meia hora na base da gemada. bebido com clara e tudo, devidamente reforçado por um x-tudo.

Monday, November 26, 2012

apanhei-me brejeiro

às vezes vou me convencendo que estou cada vez mais embrutecido. mas aí escuto ernesto nazareth e vejo que ainda tenho qualquer coisa aos pedaços

Thursday, November 15, 2012

vácuo em excesso













às vezes, dizem-me, sumir é bom. vais ver descobres o quanto as pessoas sentem a tua ausência ou não. o problema é quando somes de ti e nada te faz falta.

Saturday, November 03, 2012

"o idiota e o espírito objetivo"

                sou tão idiota quanto os outros. porém menos do que todo mundo.

Friday, November 02, 2012

fátuo poder

sintetizando? sou prolixo. mas não com toda gente. só com quem achei que valia a pena. caso encerrado não há reticências de minha parte.

Monday, October 29, 2012

patelarmente falando

os inesquecíveis-para muitos-joelhos da bossa nova
gosto de ver para onde meus joelhos apontam. gosto de joelhos e não dos pés. nas mulheres também. agrada-me caminhar e podere vê-los em suas articulações para ir mais a frente. talvez por isso detestei com força os tempos em que as bermudas seguiram até o meio das canelas e os encobriram.pés e batata das pernas pareciam cotos. rebeldiei-me ou coisa que o valha. quer dizer, não segui a moda - eu nunca a segui - continuei a andar com bermudas ou shorts, como queiram,a cima dos joelhos. sempre fui assim. inconscientemente devo ter visto em pequeno algum filme inglês, passado lá mesmo na inglaterra, hong-kong ou na austrália, lugares onde até a polícia usa bermudas. mas não lhes copiei as meias estendidas. muito menos brancas. sempre as arriava para junto dos tornozelos, mas as bermudas caquis, sempre. ainda mais depois que rodei uns filmes pela europa e lá a equipe de produção ou ainda o velho diretor de fotografia, estavam a caráter: bermudas caqui, camisetas brancas e uma velha meia bota. gostei tanto que achei umas - made in austrália sim senhor - numa liquidação em portugal as comprei. já vão longe os 15 anos passados. troquei-lhe uma vez os solados - que eram a prova de fogo - e pronto. como novas, escondendo os pés feios e servindo de mural para os joelhos que seguem levemente bafejados pelas franjas das bermudas, principalmente quando acocoro.

sou um homem orgulhoso de suas bermudas, em paz com seus joelhos, e levemente cínico com suas botas que acenam para a bandeira branca das minhas camisetas que sinalizam o quanto estou em paz.

é isto. quando morrer, ainda assim prefiro-me de bermuda. não me ponham calças -e paletó, foda-se. e assim sendo, não esqueçam de me calçar com os pés socados nas australianas se durarem até lá e alguma camiseta surrada.

por hora, meus joelhos querem passear, trabalhar, estudar, a mostra. por mais que me olhem enviesado os outros. joelhos dizem que estou no prumo, é o que decididamente mais importa. joelhos de bem com a consciência e a vida, e seu dono com eles.

Saturday, October 27, 2012

sentimentos


























a minha tristeza não é de dar dó. e de dar alegria. é triste ser feliz.     

Tuesday, October 09, 2012

baldeação



















sabe aquela história do 
bonde da história? pois bem, o bonde da história sou eu. mas eu já descarrilei faz tempo. mas ainda há quem embarque nessa.

Monday, October 01, 2012

sem lenço,nem documento

fiz-me divertido porque quando a tragédia é grande há que se fazer mais do que simplesmente chorar. pessoas deveriam chorar apenas por coisas boas. chorar pelo chorável é deplorável. e o que é de se chorar? o nascimento, apenas. nunca a morte. a morte é um alívio. vai-se chorar de alívio? há quem chore, eu não. eu gargalho. passou. ufa! foi rápido. viva!

Saturday, September 29, 2012

dispensando o mapa

















andei sumido. até de mim mesmo. mas não deixei de andar. acho até que passei a andar mais depressa. mas sem deixar de apreciar e gozar a paisagem mesmo quando ela não merecia a ânsia dos meus olhos que já conseguem enxergar lá ao fundo o fim do caminho que nada mais é do que uma etapa do caminho sem fim.

Saturday, September 22, 2012

o que diria o dr. scholl ?








os meninos de hoje, não sabem o que é isto. sabem o que é ter - ou não ter - um tênis. os mais pobres, falsificados - mas quem se importa? que corresponde literalmente a ideia de serem descolados rapidinho, rapidinho. os mais ricos absurdamente caros, a maioria fruto do trabalho de crianças que não poderão ter o seu.

é muito duro ser criança. mas é muito mais duro ainda ser uma criança e não ter sapatos ou tê-los neste estado. o bullying nestes casos é um calo na alma que começa na ponta dos pés. e este é o pior ponta pé que uma criança pode levar.

Wednesday, August 22, 2012

like a rolling stone?



dizem que o elixir da juventude - que coisa mais velha - é o bom humor e não o botox ou o lifting.
então, estou ensinando as minhas rugas, pés de galinha e manchas senis, a rir da velhice, a sorrir da e para a vida. quando não, a rir de mim mesmo.

Monday, August 20, 2012

memória do transtôrno

sempre me esqueço do que lembro mas nunca me esqueço do que não lembro.

Tuesday, August 07, 2012

do bom senso e o uso comum o balde tá cheio

muçarela é o certo. mas ai de quem escrever assim. escreve-se mossarela ou mozarella e o queijo não fede. eis pois mais um exemplo da estupidez humana: ou seja: o hábito faz do errado o certo. isso acontece na política também. coisas de pizza e da massa.

Thursday, August 02, 2012

like a rolling stone

caminhar decidido significa muitas vezes gastar a sola dos sapatos para não ir a lugar nenhum. então quando ai se chega é que se está pronto para começar a verdadeira caminhada repetindo, ou não, tudo de novo.