Monday, November 26, 2012

apanhei-me brejeiro

às vezes vou me convencendo que estou cada vez mais embrutecido. mas aí escuto ernesto nazareth e vejo que ainda tenho qualquer coisa aos pedaços

Thursday, November 15, 2012

vácuo em excesso













às vezes, dizem-me, sumir é bom. vais ver descobres o quanto as pessoas sentem a tua ausência ou não. o problema é quando somes de ti e nada te faz falta.

Saturday, November 03, 2012

"o idiota e o espírito objetivo"

                sou tão idiota quanto os outros. porém menos do que todo mundo.

Friday, November 02, 2012

fátuo poder

sintetizando? sou prolixo. mas não com toda gente. só com quem achei que valia a pena. caso encerrado não há reticências de minha parte.

Monday, October 29, 2012

patelarmente falando

os inesquecíveis-para muitos-joelhos da bossa nova
gosto de ver para onde meus joelhos apontam. gosto de joelhos e não dos pés. nas mulheres também. agrada-me caminhar e podere vê-los em suas articulações para ir mais a frente. talvez por isso detestei com força os tempos em que as bermudas seguiram até o meio das canelas e os encobriram.pés e batata das pernas pareciam cotos. rebeldiei-me ou coisa que o valha. quer dizer, não segui a moda - eu nunca a segui - continuei a andar com bermudas ou shorts, como queiram,a cima dos joelhos. sempre fui assim. inconscientemente devo ter visto em pequeno algum filme inglês, passado lá mesmo na inglaterra, hong-kong ou na austrália, lugares onde até a polícia usa bermudas. mas não lhes copiei as meias estendidas. muito menos brancas. sempre as arriava para junto dos tornozelos, mas as bermudas caquis, sempre. ainda mais depois que rodei uns filmes pela europa e lá a equipe de produção ou ainda o velho diretor de fotografia, estavam a caráter: bermudas caqui, camisetas brancas e uma velha meia bota. gostei tanto que achei umas - made in austrália sim senhor - numa liquidação em portugal as comprei. já vão longe os 15 anos passados. troquei-lhe uma vez os solados - que eram a prova de fogo - e pronto. como novas, escondendo os pés feios e servindo de mural para os joelhos que seguem levemente bafejados pelas franjas das bermudas, principalmente quando acocoro.

sou um homem orgulhoso de suas bermudas, em paz com seus joelhos, e levemente cínico com suas botas que acenam para a bandeira branca das minhas camisetas que sinalizam o quanto estou em paz.

é isto. quando morrer, ainda assim prefiro-me de bermuda. não me ponham calças -e paletó, foda-se. e assim sendo, não esqueçam de me calçar com os pés socados nas australianas se durarem até lá e alguma camiseta surrada.

por hora, meus joelhos querem passear, trabalhar, estudar, a mostra. por mais que me olhem enviesado os outros. joelhos dizem que estou no prumo, é o que decididamente mais importa. joelhos de bem com a consciência e a vida, e seu dono com eles.

Saturday, October 27, 2012

sentimentos


























a minha tristeza não é de dar dó. e de dar alegria. é triste ser feliz.     

Tuesday, October 09, 2012

baldeação



















sabe aquela história do 
bonde da história? pois bem, o bonde da história sou eu. mas eu já descarrilei faz tempo. mas ainda há quem embarque nessa.

Monday, October 01, 2012

sem lenço,nem documento

fiz-me divertido porque quando a tragédia é grande há que se fazer mais do que simplesmente chorar. pessoas deveriam chorar apenas por coisas boas. chorar pelo chorável é deplorável. e o que é de se chorar? o nascimento, apenas. nunca a morte. a morte é um alívio. vai-se chorar de alívio? há quem chore, eu não. eu gargalho. passou. ufa! foi rápido. viva!

Saturday, September 29, 2012

dispensando o mapa

















andei sumido. até de mim mesmo. mas não deixei de andar. acho até que passei a andar mais depressa. mas sem deixar de apreciar e gozar a paisagem mesmo quando ela não merecia a ânsia dos meus olhos que já conseguem enxergar lá ao fundo o fim do caminho que nada mais é do que uma etapa do caminho sem fim.

Saturday, September 22, 2012

o que diria o dr. scholl ?








os meninos de hoje, não sabem o que é isto. sabem o que é ter - ou não ter - um tênis. os mais pobres, falsificados - mas quem se importa? que corresponde literalmente a ideia de serem descolados rapidinho, rapidinho. os mais ricos absurdamente caros, a maioria fruto do trabalho de crianças que não poderão ter o seu.

é muito duro ser criança. mas é muito mais duro ainda ser uma criança e não ter sapatos ou tê-los neste estado. o bullying nestes casos é um calo na alma que começa na ponta dos pés. e este é o pior ponta pé que uma criança pode levar.

Wednesday, August 22, 2012

like a rolling stone?



dizem que o elixir da juventude - que coisa mais velha - é o bom humor e não o botox ou o lifting.
então, estou ensinando as minhas rugas, pés de galinha e manchas senis, a rir da velhice, a sorrir da e para a vida. quando não, a rir de mim mesmo.

Monday, August 20, 2012

memória do transtôrno

sempre me esqueço do que lembro mas nunca me esqueço do que não lembro.

Tuesday, August 07, 2012

do bom senso e o uso comum o balde tá cheio

muçarela é o certo. mas ai de quem escrever assim. escreve-se mossarela ou mozarella e o queijo não fede. eis pois mais um exemplo da estupidez humana: ou seja: o hábito faz do errado o certo. isso acontece na política também. coisas de pizza e da massa.

Thursday, August 02, 2012

like a rolling stone

caminhar decidido significa muitas vezes gastar a sola dos sapatos para não ir a lugar nenhum. então quando ai se chega é que se está pronto para começar a verdadeira caminhada repetindo, ou não, tudo de novo.

Monday, July 23, 2012

com meus culhões de cão

serão mais de 30 dias avisa-me sem direito a interregnos o veterinário.trinta dias de curativos em um ventre e abdômen em carne viva quando não parte em putrefação que o senhor dos bisturis, da dor e das gazes e compressas comprimidas por sobre o peito do cão vai descartando com seu bisturi improvisado de lâminas de barbear a falta das lâminas de bisturi dispendidas em atendimentos de emergência que no dia foram para mais de não sei quantos tamanha minha comoção com as dores de todos mas especial do meu.


e porquê tudo isto? se a cirurgia de amputação de seu rabo por conta de um tumor correu às mil maravilhas?  quero registrar que considero a expressão usada neste contexto de mau odor .  uma dermatite alérgica, no espaço da tricotomia(raspagem dos pelos) necessária para a implantação dos contatos para a monitoração da anestesia inalatória, cuidada por extremo já que o cão é um senhor que muito embora de exames bioquímicos melhores do que os meus que estou a caminho mas não sou tão senhor assim, que findou por ser um criadouro de bactérias que lhe tomaram de assalto a barriga e o peito, por entre as fímbrias dos micro cortes que toda tricotomia causa.


cão estressado mas corajoso. todos lhe louvam a coragem enquanto rasgam-lhe a cru as carnes - sedá-lo apresenta riscos que não queremos correr mas que mais adiante cederíamos - vão ser mais de trinta dias de curativos, que desde o quinto diminuímos de dois por dia para um pois nem ele e muito mais nós aguenta - porque o estresse poderia lhe causar uma intercorrência um eufemismo(todo linguajar médico é eufemista para parada cardíaca ou respiratória - enquanto ele se debate contra correias, mordaças, mãos sem conta a lhe obrigar a ir para o sacrifício que não há racionalidade num cão para entender que aquilo que lhe causa tanta dor é para o seu benefício como se o tivéssemos nós quando o dentista nos procede a tortura por muito menos e com muito mais artifícios para enganar ou distrair a dor que nunca vai embora de vez porque a dor é um serviço sempre oferecido em conjunto com o medo, sendo um e outro em perfeita e tão tamanha simbiose que sequer chegam a ser inversamente proporcionais e sim equânimes: aumenta um aumenta o outro ainda mais e assim sucessivamente até o desmaio ou o piti do dentista que nos acha covarde e que assim não pode trabalhar mais ou direito queria eu ver como são dentistas com outro a meter-lhes o ferro no canal que eles juram anestesiado mas que sentimos contorcer-nos as sinapses como o demonstra meu cão ao tempo que o veterinário diz que dói mas nem tanto assim é manha diz enquanto apressa-se a querer consertar a impropriedade dizendo que também eu sou muito corajoso pois nem todo mundo suportaria ver e acompanhar aquilo por todo este tempo também eu envolvido na operação de contenção do cão que eu por ironia já salvei antes da morte para lhe ver livre tanto que nunca lhe coloco sequer coleiras.


não sabem eles todos que eu estou ali do lado não porque tenha culhões para isto. neste exato momento sequer tenho ovos de codorna. mesmo suando frio permaneço de pé porque meu cão empresta-me muito da sua força e resistência a qual tento responder com uma amor que neste momento acho tão mixuruca que fico envergonhado de minha covardia em até nisso depender dele para me mostra uma pessoa melhor.

Wednesday, July 18, 2012

Monday, July 09, 2012

almoço de domingos

já algum tempo, nos domingos, almoço em paz. mcchickens. genérico que seja ou original. e pronto. de sobremesa, café em copo e vontade de fumar. antes da saída, em meio as meias mordidas, altura em que me lembro odeio maionese, de soslaio miro a testa franzida das atendentes e cozinheiras que penso em reclamações - me consegue um pouco mais de ketchup ou vai dizer que só tem mostarda? - não sei contentes em trabalhar aos domingos. também dariam graças a deus? que elas complementam com muito sachês de molho fora, aquele filho da puta, de trabalhar aos domingos para não ter de almoçar em casa? 


domingos tem um certo ar de prisão após a revista da semana. foram-se as armas e as drogas. resta o almoço em família para a gente se embriagar de crime. de sobremesa o faustão. a sorte é que a pena não é perpétua. mas é longa como o crochê das mágoas da vovó sobre as memórias do vovô que enfezado se mandou de casa e foi morrer de infarto num puteiro enfiado em pleno cu de uma adolescente. o retrato do meu vô foi retirado então da parede e naquele exato lugar ficou a marca, onde o bolor do mofo lembra o esperma da vida que ele despejou fora para não morrer ensimesmado dentro de casa como paio, um chouriço, outra denominação. as sobras das conversas do almoço de domingo todo mundo já sabe como reaproveitar. são servidas fritadas ao azedo que requentadas podem durar até a terça feira. isso se as vizinhas não aproveitarem o óleo para feitura do empadão de galinha com o destino de suas filhas, que diga-se de passagem são uns cu de bostas. 


almoço fora agora todos os domingos. mas do empadão ou da fritada, ninguém escapa. nem eu. nem você. 



Thursday, July 05, 2012

pra quando o carnaval chegar

nós é que somos metáfora e paródia do carnaval e seus desfiles. aquilo lá é sério nós não. nosso bloco é o da omissão, submissão, comissão e, claro, dos bundões.

Monday, July 02, 2012

nada mal para um cuzão

foi uma escolha mais do que lógica. foi biológica. porque raios raios tenho eu de viver a vida que os outros acham que é boa para mim, quando a deles não passa por nenhuma marca ? 
mandei todos a merda e fui me fuder com minha originalidade rarefeita mas intacta.