Thursday, March 16, 2017

quem quer brincar de jack kerouac? ou jack sparrow não é páreo para este jack





Relações beatniks
 Ginsberg e Kerouac mantiveram, durante anos, uma amizade erotizada, entre o recolhimento e a expansão pelo mundo

Allen Ginsberg nasceu em Newark, Nova Jersey, em 1926, filho de Louis e Naomi Ginsberg, ambos de famílias de judeus russos emigrados. Seu pai foi poeta e professor de literatura. Sua mãe passou boa parte da vida internada, vítima de esquizofrenia paranoica. Por isso, a infância e a juventude de Ginsberg foi difícil e dolorosa. Cresceu, contudo, em um ambiente culto e politizado. O drama familiar contribuiu para sua simpatia pela loucura e excentricidade. Orientou-o a ideia de uma sociedade na qual coubessem os loucos e, por afinidade, as modalidades de diferença.
Em setembro de 1943, ingressou como bolsista na Universidade de Columbia em Nova York. Pretendia ser advogado trabalhista, mas logo descobriria novos focos de interesse. Em dezembro daquele ano, tornou-se amigo de Lucien Carr, instalado no mesmo alojamento, ao entrar em seu quarto atraído pelo som de um quinteto de Brahms na vitrola. Dois anos mais velho que Ginsberg, atraente, sofisticado, leitor de Rimbaud, Carr havia sido desligado de duas outras universidades e frequentava a boemia nova-iorquina de artistas e intelectuais, estudantes, músicos de jazz, drogados e delinquentes. Adotou Ginsberg e o introduziu nesse circuito. Naquele final de 1943, já o apresentou a William Burroughs. E, em maio do ano seguinte, a Jack Kerouac, um jovem marinheiro e ex-jogador de rugby em Columbia, expulso da universidade em 1942, e da Marinha de Guerra logo em seguida, diagnosticado como paranoico por sua resistência a aceitar ordens.
Kerouac nasceu em 1922, em Lowell, Massachusetts, em uma comunidade de canadenses. Sua primeira língua foi o kanuk, dialeto franco-canadense: só falaria o inglês na escola. O bilinguismo pode ter relação com sua escrita torrencial, com atenção para o som (a prosódia bop) e uma extraordinária extensão vocabular. Sua obra se distribui em dois veios: um, da recuperação do passado, como em Doctor Sax e Maggie Cassady; outro, da aventura, como em On the road (Pé na estrada), Lonesome traveller, The dharma bums. Seu primeiro livro, The town and the city, em uma escrita mais convencional, apesar de ter sido bem recebido, não impediu que On the road fosse recusado por sucessivas editoras até 1957. Naquela altura, alcoólatra, pouco à vontade na condição de celebridade, Kerouac iniciava a gradativa saída de cena até morrer precocemente em 1969. Ambivalente, dividido entre a formação católica e o impulso pela aventura, deixou uma obra desigual, revalorizada a partir de 1972, com a publicação póstuma do extenso Visions of Cody.
Parceiro de Carr em extensas noitadas, ao fim das quais este, insone, ia direto às aulas, Kerouac tornou-se o interlocutor e confidente de Ginsberg, em quem despertou imediata paixão. Entre 1944 e 48, desenvolveram uma relação de amizade erotizada e fizeram sexo três ou quatro vezes. Junto com Edie Parker, que logo se casaria com Kerouac, Joan Vollmer, amiga de Edie que por sua vez iria casar-se com Burroughs, e outras figuras, inclusive delinquentes amigos de Burroughs, esse foi o núcleo inicial da geração beat. A ele viriam, no final de 1946, Neal Cassady; em 1949, Carl Solomon; e, em 1950, Gregory Corso. Com a mudança de Ginsberg para San Francisco, em 1954, os beats teriam acréscimo de Peter Orlovsky, seu companheiro por décadas; e dos poetas da San Francisco Renaissance, com os quais fez a famosa leitura da Galeria Six em 13 de outubro de 1955: Philip Lamantia, Gary Snyder, Michael McClure, Philip Whalen; e, ainda, do poeta e editor Lawrence Ferlinghetti, que os publicou em sua City Lights.


Jack Kerouac, 1959 (Foto: John Cohen)

William Burroughs, o mais velho do grupo, nascido em 1914, foi, dos autores vinculados à beat, o mais radical na experimentação e o dono da biografia mais acidentada. Aliava uma bagagem literária considerável à atração pelo submundo. Leituras seminais, decisivas para a formação de Ginsberg e de Kerouac, vieram de recomendações dele. Tem especial interesse, na crônica beat, a relação íntima, às vezes antagônica e fóbica, de Burroughs, Kerouac e Ginsberg. Representaram, naquela constelação, astros em órbitas distintas: o idealismo messiânico de Ginsberg; a perda de rumos e crise de identidade em Kerouac; o niilismo de Burroughs.
Já em 1944, Ginsberg, Burroughs, Kerouac e Carr haviam resolvido desenvolver algo a que denominaram Nova Visão, embrião da contracultura. Suas principais fontes eram a noção da vidência como resultado do desregramento dos sentidos, de Rimbaud, e o misticismo visionário. Essa busca prosseguiu, mesmo depois da momentânea dispersão do grupo, pelo afastamento de Carr, depois de haver cometido um assassinato, ser preso e condenado, em agosto de 1944, provocando um escândalo e acarretando a detenção de Kerouac, por havê-lo ajudado a ocultar provas, e levando-o, ainda, a casar-se (o primeiro de três casamentos) com Edie Parker.
Somado às leituras, o outro vetor da Nova Visão era a experimentação com drogas. As peripécias dessas pessoas nesse ambiente, ao som da revolução musical promovida pelo jazz bop, estão, de modo alusivo, em Uivo e outros poemas de Ginsberg; e em obras à clef, baseadas em acontecimentos e personagens reais com nomes substituídos: Go de John Clellolm Holmes, Junkie e Queer de Burroughs, On the road (Pé na estrada), The subterraneans (Os subterrâneos), Vanity of DuluozVisions of cody e outras de Kerouac. E, mais tarde, em uma torrente de estudos biográficos.
O grupo de perseguidores da Nova Visão distinguiu-se não só pela intensidade, mas pela alta voltagem literária. Projetaram em seu comportamento os autores que liam. Chegaram a ser acusados de iletrados. Na verdade, foram um exemplo de crença extrema na literatura, atribuindo-lhe valor mágico ao tomarem-na como modelo de vida. Ao chegar a esse grupo no final de 1946, Neal Cassady foi um catalisador. O ex-menino de rua em Denver, Colorado, nascido em 1926, que teria roubado quinhentos carros, inspirou, por sua conversa exuberante, o estilo literário adotado por Kerouac, que chegou a gravar em fita diálogos com ele, transcrevendo-os em Visions of cody. Contribuiu também para que ingressassem em outra escala da vida sexual. Basta dizer que, na mesma noite, em janeiro de 1947, em que Cassady e Ginsberg se conhecerem, alojados no apartamento de Chase, tiveram relações. Até então, a vida sexual de Ginsberg havia sido intermitente e insatisfatória. As poucas vezes em que Kerouac teve relações com ele, havia sido a contragosto. Pode-se dizer que passou a fazer sexo para valer durante os três meses da estada de Neal em Nova York, mesmo partilhando-o com LuAnne Henderson.
Cassady promoveu episódios dignos de qualquer coisa entre a literatura licenciosa, a comédia de costumes e o drama. Um dos mais típicos, ao final da estada de Ginsberg em Denver em 1947, para reatar o relacionamento, encontrando-o, dessa vez, casado com Carolyn Robinson. Decidida a retornar à Califórnia, Carolyn foi ao apartamento de Cassady para despedir-se, apenas para, ao abrir a porta, encontrá-lo deitado em companhia de LuAnne e de Ginsberg, um de cada lado da cama. Situações do gênero, como os subsequentes triângulos envolvendo Kerouac e LuAnne, e Kerouac e Carolyn, alimentaram, depois de revelados por Ann Charters em 1973, biografias, crônicas, depoimentos e um filme – Heart beat (Os beatniks), de 1980, de John Byrum, com Nick Nolte, Sissy Spacek e John Heard. Quando Ginsberg se mudou para San Francisco, em 1954, Cassady, tomado pelo desejo, apesar de havê-lo rejeitado por várias vezes nos sete anos anteriores, seguiu-o. O desfecho foi uma relação com noitadas coletivas que, admitiu Ginsberg, foram o máximo da devassidão a que chegou.


Allen Ginsberg, 1973 (Foto: Getty Images)

A outra contribuição de Cassady, além de erotizar relacionamentos e praticar o fluxo de consciência na expressão verbal, foi estimulá-los, a Ginsberg e a Kerouac, às viagens. Forneceu o substrato para obras “de estrada”, que associaram a beat à vida errante, percorrendo os Estados Unidos, com extensões ao México. Em On the road, é Dean Moriarty, além de ser o Cody Pomeray de Visions of cody e outras três narrativas, e Ginsberg é Carlo Marx.
Ginsberg, conforme revela seu biógrafo Barry Miles, mesmo homossexual, teve casos com mulheres. Relacionou-se com Elise Cowen, amiga da escritora Joyce Johnson, por sua vez namorada de Kerouac em 1958. O cruzamento de relações com mulheres de Ginsberg e Kerouac não termina aí. Ginsberg fez a corte a Joan Haverty, que em seguida se casou com Kerouac e acabou tendo uma filha, Jan. Em Memoirs of a beatnik, de Dianne di Prima, há páginas de literatura libertina, como o relato de uma orgia, já em 1956, com a participação de Ginsberg, Orlovsky e Kerouac. Dá a entender que tudo o que é narrado pode ser autobiográfico ou ficção. Barry Miles não apenas confirma o relato, mas observa que, ao longo da prolongada relação de Ginsberg e Orlovsky, sessões a três, acompanhados por uma mulher, e orgias, foram uma conduta regular.
Tudo isso não é petite histoire. Corresponde ao pansexualismo, atribuindo alcance político e peso ontológico ao sexo. Para Ginsberg, seu desejo por Kerouac teria como resultado a transformação de ambos em uma só entidade. A sacralização do sexo avançaria na década de 1950, com sessões de tantrismo sob orientação de Gary Snyder. No entanto, coexistia com a libertinagem, principalmente nos encontros com Cassady. E em episódios burlescos: convidado por Harvard para dar oficinas literárias, em 1964, Ginsberg teve de deixar os alojamentos dessa universidade por causa das orgias que promovia. Em carta ao poeta Robert Creeley, comentou que a temporada em Harvard havia sido ótima por assemelhar-se às farras de ambos, nas mesmas circunstâncias, em encontros sobre poesia na universidade de Vancouver em 1963. Em 1980, Ginsberg ainda se mostraria capaz de provocar espanto ao defender, em entrevista ao Washington Post, sexo com alunos de oficinas literárias, fazendo um paralelo com o simpósio socrático e afirmando que tais práticas deviam ser institucionalmente encorajadas.
O desregramento, historicamente, não apresenta nada de novo. Mas nunca, antes, havia sido tão coletivo. Em dez anos, da metade dos anos 1940 à metade dos anos 1950, todos os integrantes do grupo nova-iorquino da beat tiveram envolvimentos diretos, pois Ginsberg também dormiu com Burroughs e com Gregory Corso, assim que o conheceu, ou indiretos, partilhando parceiros, como na relação de Kerouac e Corso com “Mardou Fox”, núcleo narrativo de Os subterrâneos. Isso permite falar em revolução sexual, não só por sua amplidão, mas pela coragem de fazer tais coisas virem a público, em vez de varrê-las para baixo do tapete. Ao transitarem com naturalidade do misticismo ao cinismo, do amor sublime ao deboche, contribuíram para um ethos menos vitoriano. Davam sua reposta ao panorama de uma época cinzenta, quando, não só nos Estados Unidos mas no resto do mundo, na esfera do capitalismo e do comunismo, vigoravam o controle da cultura, da vida sexual e dos demais aspectos da conduta.
Cosmopolita por descender de imigrantes, pelo ambiente multicultural de Nova York, Ginsberg agia como cidadão do mundo. Antes dos atuais meios de telecomunicação, seu habitat, seu espaço vital, já era, não a cidade, a província ou o país, mas o planeta. Isso permite entender melhor como ele e Kerouac acabaram por defender valores e ideologias antagônicos, por mais que Ginsberg jamais deixasse de ser seu defensor. É como se Ginsberg representasse um movimento de expansão, progressivo, em direção ao mundo; e Kerouac o impulso oposto, regressivo, para a família e a cidade natal, buscando recuperar a infância perdida. Ginsberg vislumbrava uma sociedade aberta, plural, em um mundo sem fronteiras. Kerouac, ao contrário, queria um mundo aberto, com fronteiras a ultrapassar, e uma sociedade fechada, a exemplo da comunidade católica de franco-canadenses e gregos na qual crescera, com cujos remanescentes escolheu passar seus últimos anos. Daí sua intolerância, não só política, mas racial, tornado paradoxal a relação com Ginsberg. Os dois movimentos, o regressivo, proustiano, e o progressivo, de vanguardistas revolucionários, são produtivos. Correspondem à recusa do que está aí: e a vida de inúmeros escritores é um oscilar ambivalente entre esses pólos.

Relações Beatniks, paper do Claudio Willer, poeta, ensaísta e tradutor de Uivo, de Allen Ginsberg, dentre outros trabalhos, acaba de lançar o livro de poesia Estranhas experiências (Editora Lamparina)


  1. dis

Tuesday, March 14, 2017

um quase enem pro social




certas vezes chego a ficar um tanto ou quanto irritado com a composição desta ruela do facebook, em que certa culpa que me cabe pelos paralepípedos e cerâmicas incrustadas. aqui e ali, há sim, azulejos de valor. mas então me vejo turrão e mais que isso limitado.isto aqui até que é divertido(bom demais já seria exagero) reformulo e rearranjo a irritação. mais parece uma seleção do boninho para o bbb. não vou encaixotar os tipos, tipo geeks, barbies, nerds cincoentões, desavisados, papa-angús, e toda a fauna porque é muito fácil ver quem é quem e seus predicados. quanto a mim nesta pedraria toda qual o meu papel? acho que sou seixo. mas não no-ie ou noé. são nestas pequenas coisas que somos reprovados no teste da convivência com a diversidade e onde nossa tolerância fica auto-imune, o que não significa que devamos aceitar tudo e a todos impunemente. vamos ver agora se na recuperação eu passo. mas vai ser raspando, disto tenho certeza.

Monday, February 27, 2017

talvez o único cala-a-boca que uma mulher deve fazer por merecer

Gosto quando te calas porque estás como ausente,
e me ouves de longe, minha voz não te toca.
Parece que os olhos tivessem de ti voado
e parece que um beijo te fechara a boca.

Como todas as coisas estão cheias da minha alma
emerge das coisas, cheia da minha alma.
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto de ti quando calas e estás como distante.
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.

Deixa-me que te fale também com o teu silêncio
claro como uma lâmpada, simples como um anel.
És como a noite, calada e constelada.
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.


Gosto de ti quando calas porque estás como ausente
Distante e dolorosa como se tivesses morrido
Uma palavra então, um sorriso bastam.
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.
(soneto 15, pablo neruda)

Tuesday, February 21, 2017

e tudo passa, tudo passará


é certo que na vida tudo passa. passam as graças e desgraças. as guerras e epidemias. a bonança e os amores. o fútil e o essencial. os deuses e os contrários. 
mas para a maioria dos viventes tudo passará somente quando você "passar desta para melhor". seja porque o ciclo de duração é longo, e portanto bem maior que que o ciclo da vida humana, ou seja porque os males estão nada mais nada menos do que em você, e só cessarão quando você cessar já que você não os cessa.
e isto é o que verdadeiramente nos deveria deixar "passados" para trás em qualquer caminho que estejamos trilhando. 

Sunday, February 19, 2017

quase shakesperiano ou seria becktteriano ? ou até bacteriano, quem duvidaria ?





"existe o tempo de escrever - mas não o contrário disso" (Ricardo Aleixo em "Impossível como nunca ter tido um rosto")

Friday, February 17, 2017

duas simones

talvez seja porque amo demais, quis dar mais do que aquilo que você podia receber. e,quando somos sinceros, dar é uma maneira de exigir. simone de beauvoir

Wednesday, February 01, 2017

até tu, heterônimo ?

Resultado de imagem para fernando pessoa
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.

Colhe o Dia, porque És Ele, Ricardo Reis(Heterônimo de Fernando Pessoa)in “Odes”

Sunday, January 29, 2017

o lado azul de bukowski



“Há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?”
Pássaro azul de Charles Bukowski

Sunday, January 22, 2017

um conto da hora ? ( a modéstia me impede de dizer que sim ou que não) *






levei pilhinha no bolso. bazar de mercadorias com pequenas avarias – desde quando uma avaria é pequena? sentimental então é rombo - ; nada que me interessasse de imediato. mas pera ai? aqueles relógios de parede grandes e coloridos e olha o design dos números com cara de macarrão derretido. gostei. avarias, bem, vamos lá testar. um dois três, testando, não funciona, lascado trincado, vidro solto, funciona não funciona, funciona. oba! já levei o azul. mas tem verde e laranja trator. vamos testar. um dois três testando. funciona não funciona. ponteiro solto, máquina solta, botões soltos, uma mais lascado do que o outro. acho que não vai dar. deu. primeiro o verde, depois o laranja. no caixa a moça avisa: - cê sabe que as máquinas tem um probleminha, tem de trocar. no brasil aprende-se que probleminha é eufemismo de problemão. é como chamar bundão de bundinha(isto é um eufemismo reverso, minha senhora) achando que a dona da bunda não vai ficar incomodada. sabe como é: se você chega dizendo que a mina tem um bundão ela senta mão na tua cara porque você chamou ela de gorda. mas se disser que ela tem uma bundinha ... leva um tapa na cara porque ela acha que você tá dizendo que ela não tem bunda, logo ela com aquele bundão enorme.
mas ai diante do probleminha, eu, todo esperto, disparo: na-na-nina. estão funcionando eu testei, eu trouxe a pilha, me achando o máximo, como todo otário, que se desmancha com o ar de desdém da moça que dispara: - ah! É, bem eu Tô avisando, não tem troca.




chego em casa, e radiografo as paredes. o azul no quarto, não que azul seja de rapaz, é que azul lembra céu, tranquilidade, enfim, o que é bom para o sono.
no corredor o laranja, tipo semáforo, que é para ser visto de longe e alertar que depois dele vem o vermelho do atraso. e o verde? nada ver com as verduras, na lateral da cozinha.
mas pera ai. hora de dormir e sobe o ruído de uma catraca, de onde será que vem este ruído de tortura que parece comprimir sabe-se lá o que de quem? do relógio azul. pombas! no som ambiente do bazar, não dava para perceber. mas aqui na tranquilidade do quarto, soa como mastigado de amendoim. e os outros, nada, silenciosos e cumpridores irretocáveis na sua função de medir o tempo. então é simples: troco os relógios e acabou-se o probleminha(será que a moça do caixa tinha um bundinha ou um bundão, penso, pano rápido, enquanto troco o azul pelo verde.


e vamos aos sonos dos justos com tudo resolvido. súbito acordo no meio da noite, e nem um barulhinho, mas vê-se que os ponteiros estão movendo a catraca da vida muito embora você não perceba, salvo se for este o foco, o que não é o caso de quem queria dormir como um bebe – de onde raios tiraram esta expressão já que bebes não dormem parecendo mais uma catraca ensandecida com tanto choro e esperneio?


fui dormir e você me pergunta, dormiu bem? após trocar o azul pelo verde? e eu lhe respondo que não fiz  troca. é bom acordar e em vez de silêncio total ouvir algum barulho de vida que não seja o seu, ainda que seja o da catraca de um relógio de bazar com produtos com pequenas avarias.

são estas pequenas avarias, que não emitem sinais de vida fácil, que afinal vale a pena viver com e por elas, ainda mais que dormir com o silêncio total abafa qualquer possibilidade de vida para além do sonho da morte.



 * originalmente publicado no guardanaposdeescriturario.blogspot.com

Monday, January 16, 2017

Sunday, January 08, 2017

quando não é talento que lhe falta mas a fama, parabéns: você é mais um a viver o dilema de salter



antes que você se pergunte o que é salter - um dos dilemas da vida de muita gente,a ignorância sobre o que é realmente importante e o conhecimento, sequer absoluto, sobre o que não é, eu desenho: james salter foi, segundo a crítica e seus pares, um dos melhores escritores do século XX,(duvido que você seja capaz de citar um título dele - até pouco tempo eu também não sabia(ler já é outra história) mas que teve de lidar até o fim com a frustração de não ser famoso.

acontece que o tal dilema não é só o de salter mas de toda uma geração que, tendo algum talento, foi superada por uma geração esvaziada do dito cujo mas capaz de auto-valorizar-se a níveis massivos cultivando a imbecilidade, a estupidez, o vazio oco(isto não é pleonasmo, espero que você saiba o que é) num momento em que a possibilidade de instrução da humanidade nunca foi tão grande mas que paradoxalmente sua ferramenta panaceica finda por ser a caixa de pandora que descamba para as "redes bestiais" num caldo que é jorro de ódio, escárnio, fascismo, retrocesso, perseguição a tudo que for diferente do senso comum hegemônico, ou seja o chorume dos que apelam a deuses, família, moral, bons costumes, falsa correção política para garantir a sua volatilidade peidorrenta que se esgueira por entre a pulhice, a canalhice, as falsas crenças, tudo em nome, ora da fama, ora da manutenção do poder, que também é uma espécie de fama que, como a outra, também mata mas e mais para além do simbólico.

dilema, ora direis, quem não os tem? mas porra! dilema por não ter fama? fodido era por não ter talento, que parece não ser o dilema da cambada de autores que vendem milhares(o que já é muito para quem tem algum talento) ou milhões com as basbaquices de nada com coisa nenhuma enfeitadas em papel celofane que confere a merda aparência de chocolate.

enquanto isto, o trabalho meticuloso de alguns passa desapercebido quando não em branco. mas não seria isto uma espécie de reconhecimento, desde que evidentemente o talento bem haja, grife-se em bold? a perna manca do talento seria a sua sede de reconhecimento, e não pelos pares, mas pela ignaridade da massa? que não sabe a diferença entre broa e biscoito fino?


e se o dilema for a falsa questão de como reconhecer o verdadeiro talento? ora, ora, clamo por fedro, na ante-sala do zen e a manutenção de motocicletas quando a pergunta é feita: " o que é bom, e o que não é bom fedro? é preciso alguém para nos dizer isto ?

o dilema de salter foi ter sucumbido ao fracasso, não seu, mas da sua contemporaneidade. como já o disse mui bem nietzsche, alguns nascem póstumos. seria salter um deles? não é um dilema para quem fica, sequer para quem vai, a falsa angústia do serei enfim reconhecido? então viver é uma luta insana para o reconhecimento? 

a mim quero crer que não. faço o que posso e acredito. se for bom, ótimo, reconhecido, para mim nem tanto, uma merda, fazer o quê? fi-lo porque qui-lo, porque tive vontade e nenhum dilema. a vida- e a morte- ficam bem melhor assim, inclusive a vida dos escritores.




  • Como ficcionista, Salter construiu, ao longo de décadas, uma reputação por ser um narrador conciso e lírico, pouco conhecido do grande público, mas admirado – cultuado – por outros escritores e críticos literários. Muitos o colocavam entre os melhores do século XX. O epitáfio que mais circulou depois de sua morte no dia 19 de junho, aos 90 anos, foi uma descrição do jornalista Nick Paumgarten, num perfil de 2013 da mesma revista que não aceitara seu conto décadas antes. No artigo, Paumgarten diz que Salter não é um “escritor de escritores”, mas um “escritor de escritor de escritores” (a writer’s writer’s writer) ( O PARÁGRAFO ACIMA PERTENCE AO ARTIGO DE ALEJANDRO CHACOFF  http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-106/obituario/o-dilema-de-salter




Sunday, January 01, 2017

retrato do artista enquanto jovem

o apuro no vestir ainda mais apurado nos seus textos



aos 90 anos, "mais afiado do que nunca "

lamento informar-lhe caro leitor sobre o engano que o óbvio representa nesta página, para além do que nele escorrega a vida. 

o retrato do artista enquanto jovem não é o " estiloso" em p&b. o retrato do artista enquanto jovem é este mesmo do "vampiro de curitiba", o homem de boné algo estupefato com a câmera que, como alguns sabem, é um recluso e inimigo da exposição e de quem o revela - chegou a romper com amigos apenas por deram entrevista sobre ele(quer repente ou "piti" adolescente mais jovem?) e é simplesmente um dos, senão o maior escritor brasileiro vivo, muito vivo e tão jovem como nunca fomos dantes.

vir a este mundo e não ler dalton trevisan é muito mais que uma pixotada: é estar enterrado morto para além do pensamento vívido.

Thursday, December 22, 2016

demasiadamente humano


há homens que são muito mais animais do que os outros.
e é justamente isto, sem falsos trocadilhos, que os torna mais humanos. 
principalmente nestes tempos, onde o ser humano, elegido e confirmado no topo da cadeia alimentar, é aquele que: quanto mais humano mais devora incessantemente tudo o que lhe parece ser familiar, classificando de animal tudo o que defenestra ou come, inclusive a si próprio, consciente e inconscientemente lacerado.
aqueles que defendem e vivem de vaquejadas, por exemplo, de há muito esqueceram - alguns sequer souberam - o que é um ser animal.

Thursday, December 08, 2016

sem crise de identidade


pessoas me perguntam porque raio será que gosto mais dos diferentes do que dos iguais?
é simples: porquê sou um deles.

Tuesday, December 06, 2016

contra-dança





há quem diga que a velhice nos traz sabedoria.

duvido muito. e quem, minimamente sábio, não duvidaria? tamanha a patetice, quando não a idiotia ou estupidez crônica, ainda mais a política e religiosa, dos chamados portadores da "melhor idade".

aliás, aceitar esta denominação sem um sonoro "melhor idade no teu cu", em lugar do com as graças de deus, já demonstra que a velhice em nada é sábia.
contudo, dou-lhe o direito de retrucar que o meu escrito não tem sabedoria nenhuma, apenas estupidez.

mas que eu lavei a burra ,ah isso lavei. aliás, enquanto pensar assim talvez eu ainda esteja na melhor idade, aquela que não se conforma com o mundo tal como se nos apresentam - ou querem nos inserir nele - e que sabe na pele que a velhice nada traz de melhor,  sequer as sonecas.

a velhice é um fardo intolerável - ainda mais se você conservar as tais lembranças dos amores perdidos e dos bens que nelas ainda teimam em não se esfumaçar, tal e qual acontecido de verdade.

creio que a velhice é algo tão ardiloso - só muitos e privilegiados poucos sabem adivinhar seus enigmas e deles extrair melhor sortilégio - que em muito se enganam os que procuram aplacar seus males com médicos ou cientistas que sobre tal pronunciam-se com se já não estivessem sob o domínio da implacável senhora, prima-irmã do tempo.

isto posto, opto por seguir o conselho dos poetas - se seguíssemos os conselhos dos poetas em vez de tolamente os classificar de détraqués ou vagabundos parasitas, enfrentaríamos ou desfrutaríamos com melhor sorte dos afagos desfiguradores desta companheira que não abandona quem lhe chega não importa se por passos fortes ou trôpegos- e embebedo-me*. 

e embebedo-me não para fugir, ausentar-me ou alienar-me dela e sim para pegar a sua mão - num gesto mais ousado encher a outra na sua bunda - e dançar com maestria os últimos passos desta dança chamada vida, cuja parceira teima em nos pisar os calos, e acentuar os nossos fracassos e conquistas, com o bico túrgido dos peitos de quem domina um a um o cio dos ciclos finitos, todos eles, dos mesmos contidos aos contenedores da infinitude de todos os tempos, dos findos, ou daqueles por findar e iniciar dos quais não teremos nem seremos lembranças. 


*embebedai-vos (charles baudelaire, em pequenos poemas em prosa - le spleen de paris)

É preciso estar-se, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas. Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos E se, às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós vos acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: “É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedaivos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa.”





Thursday, November 17, 2016

não há fim sem começo - e vice-versa

recém chegado dos anos cinquenta aos 16, resolvi simplificar as coisas;

talvez, ainda tenho dúvidas sobre isso, por ter ganho com o passar dos anos um pouco de sabedoria - para saber tirar o melhor da vida, já que até agora a vida me tirou o que eu tinha de melhor -  resolvi, mas não como doidivanas, não mais dar tratos à bola. e deixar a vida(ou a morte) me levar. agora vai que vai por que eu tô que tô.

não é um novo começo. sequer um recomeço. viver é uma linha pontilhada de contínuos e fragmentos, de muitas curvas, aclives declives, chegadas e partidas. nunca sabemos se estamos indo ou voltando, por melhor que seja nosso senso de direção. e, o que é muitas vezes pior: se estivemos caminhando em círculos. portanto, sem sair do lugar por mais que o tempo nos iluda que não.

o mais importante - aos troll-sabichões de plantão - nunca saberemos quando será a última vez do começo ou a primeira, e quiçá definitiva, do fim. muitos sequer sabem quando é a primeira da primeira, e se dizem felizes ou infelizes por isso;se é que eles tem a mínima ideia do cataclismo quando isto é mesmo isso.

então, se vai dar pé ou se o afogamento dar-se-à, não é isso mais que me preocupa. afinal, preocupar-se com o que quer que seja, adianta alguma coisa?

então, acelero e ultrapasso essa fase, parafraseando a "filosofia de para-choques de caminhão" :"não me importa se a vida* é manca, eu quero é rosetar".
* no original, se a mula é manca




Monday, November 14, 2016

não seja cúmplice




certas declarações de amor, do tipo " eu te dei ou eu te dou a minha vida", não passam de mais uma tentativa, que no fundo acaba sendo muito escrota, de suicídio; e quase sempre frustada. 
não seja cúmplice. procure outro eu ou outro par, que seja, mas que seja ímpar.

Sunday, November 13, 2016

não é só mais uma canção de amor - muito embora esteja falando de a song for you e não de one more love song

músicas que falam de amor, ou de amores, tendem a ser melosas, xaroposas, ou pirosas, como diriam os portugueses, até mesmo quando falam de suas desgraças. quando em contrário então, ou seja de paixão galopante ou ode a musas confessas, e até mesmo dos " amores platônicos " são mortais, mesmo para quem não seja diabético, tamanho o açucarado.

não há muito com fugir do eu te amo, eu te venero, eu te amo para sempre, ou por toda minha vida. e, para o bem ou para o mal, é bom que assim seja, porque neste rasteiro - ao contrário das normas, discursos, e letras mais elaboradas( que pelo mau costume acabam não sendo consideradas como deviam) - é que se pode constatar ou encontrar verdadeiros achados que demonstram para além do amor, na visão do lugar comum hegemônico e viciante(para o mal da língua{e suponho dos sentimentos}) a grandeza não só do amor, mas do poeta ou vá lá letrista.

your song, do leon russel, que nesta sexta 13 morreu dormindo* traz um destes achados, para além de premônitora:

I love you in a place where there's no space and time
I love you for my life, you are a friend of mine
And when my life is over
Remember when we were together
We were alone and I was singing this song to you 


aqui estão o "eu te amo(num lugar)onde não há tempo ou espaço
eu te amo por(ou pela)minha vida
você é minha amiga
e quando minha vida acabar*
lembre-se de quando estávamos juntos
e que agora estou sozinho cantando esta canção pra você "

resumindo: quanto amores você poderia chamar de "você é minha(meu) amiga(amigo)?

é aqui que reside a questão: é quando o amor tornado amizade(que não deixa de ser amor ou tesudo por isso) é muito mais significativo do que o amor pelo amor ou mesmo pela amizade que conduz ao amor( o caminho inverso é imensamente mais difícil).


isto posto, ouçamos: não o leon jovem(se você não conhece o leon russel, certamente o ouviu tocando e embelezando a música de muita gente conhecida- a grande maioria sem o mesmo talento dele - mas o leon maduro com a emoção totalmente à flor da pele. e logo depois, um leon menos jovem a cantar mais uma canção de amor mas que também não é só mais uma, é uma daquelas que sobressai graças as mãos do "senhor dos teclados" . 







e caso você tenha deixado de lado o leon desatento pela juventude do guitarrista - e também pelo talento(john mayer) - eis o leon a toda, que é para lhe dar um toque,se você for jovem, que provavelmente você não chegará a esta idade fazendo o que o leon fazia aos 74 anos, quando adormeceu para sempre dormindo." portanto não durma enquanto é tempo"




* no twitter publiquei: o senhor dos teclados(e exímio guitarrista) morreu dormindo.apesar d ainda acordado morri meus poucos acordes com ele.
mas pensando bem, não morri meus poucos acordes, na verdade dormi meus poucos acordes com ele. até breve leon.

Saturday, October 22, 2016

consorte - direto do aproveitaenquantodura.blogspot.com


velocidade demais no meu peito
e freios nenhum na minha cabeça

de resto, destrambelhado aos pedais, entregue a força da gravidade,
solto o tambor
e tudo é ladeira abaixo ou ladeira acima
como se a tua bunda estivesse também sem o freio de mão puxado

no fim da reta, já ponta rombuda de alguma estrela candente
a bifurcação de sempre
reacendendo os faróis
e eis de novo o amanhecer desgovernado
"até que a sorte nos separe"
de bom ou mau grado




Thursday, October 20, 2016

@misterwalk

depois de muitas primaveras - seria por conta dos outonos? - decidi não ter mais amores de verão: amores ? só os de inverno.




Tuesday, October 18, 2016

o anarquista individualista ou ode ao carlito maia. enfim eis o quase ermitão urbano


não tenho whatsapp, instagram, snapchat, tinder, linkedin, smartphone, tablet. 
aliás, nem emprego tenho;e sou feliz - sem graças à deus - o que não quer dizer que eu não use ferramentas digitais quando me são uteis. 
é que para ser um imbecil a mais eu não necessito das ditas cujas. basta-me o facebook, como localizador, e o twitter como descarga. dos blogs ainda não me escapo, mas vai ser morte súbita. já não vejo a hora.

Sunday, September 18, 2016

durabem *

dura enquanto dura a breve pausa
num orgasmo bem transado
a blusa expulsa sem bico
radiografa a tragada
do peito sem maiores fumaças
do que se esfumaça em expele



* originalmente publicado no aproveitaenquantodura.blogspot.com

Thursday, September 15, 2016

dulcora

Resultado de imagem para dulcora


levei um tempo para aprender que a vida se desembala em momentos diversos e dissabores tantos que mal percebi que os drops de hortelã, morango, anis, limão, abacaxi estavam ali só para lembrar que as aftas ardem e as hemorroidas doem. e que a vida, não é um filme de matinê. 
mas dulcora não agarrava no dente pois vinham embalados um a um em papel celofane.

Wednesday, September 14, 2016

pra sempre ao meu lado


o poeta já dizia que o pra sempre, sempre acaba - só os poetas enxergam o óbvio e os transportam a categoria de novas descobertas;os poetas e os deserdados, de afeto, sobretudo;

mas alguns ou para alguns o tal pra sempre, dura mais que os outros. outros chegam mesmo a parecer eternos de tão ternos em sua (e)terna idade;

a grande ironia, entre as tantas que a vida nos reserva - a vida é pura ironia, disfarçada de coincidências e desencontros - é que na esmagadora maioria das vezes, quem vai ficar ao teu lado para sempre, é quem você menos conhece ou sequer conhece ou conheceu;
  
eis ai a minha companhia de fidelidade canina no juntos para sempre; pelo menos até que a terra, ou seus outros bichos e vermes - ou o fogo - venha nos comer; salvo se a vida me arrancar o braço, que de outras coisas arrancadas vou sobrevivendo em boa companhia;

destarte, idiota ironia? sim, tai que o cachorro é mesmo o melhor amigo do homem, principalmente quando ele tem um braço amigo para o espaço de um cão em sua vida;

 mesmo que seja apenas tautologia, na simbologia de uma mera tatuagem, cão e homem tatuados para sempre, até que a morte os separe. ainda assim mais juntos impossível e por ainda algum tempo a mais que a maioria dos que pensaram ficar para sempre lado a lado com o seu pra sempre.

Monday, September 12, 2016

sem mais amolações

não; eu não quero o teu amor, que passado tanto/tampo/tempo continua tão verde que chega a ser lodoso;

sequer quero a lembrança do teu olho meloso, e doente, como se fosse um dente arrancado a boca que não mais me mastiga;

de tão choroso, que sequer consegue gozar a remela de uma noite de sono que não seja perdida em soluços, e dez mil vezes despedidas;

estou farto de tanta saudade, de tantas reminiscências, de tanta lembrança do que fui e do que já foi, e daquelas declarações de amor eterno, e de que não há espaço para outro em sua vida;

larguei o violão, encostei a guitarra, chutei o piano, e o balde,
saquei da navalha e cortei a tua mão, e o teu braço agarrado a minha perna;

e para o espanto da vizinhança não havia sangue nem veias;
já estava tudo tão seco que sequer servia como adubo para um novo amor;

sopro então a bainha da navalha e faço música que é só para isso que servem os amores perdidos, sejam, banidos ou não;

vais dizer que sou cruel, mas como é bom andar e cantar sem ter de arrastar um corpo que não se quer mais, se calhar nem o meu nem o teu;

findou, pronto, acabei de trocar a pele e salvar o teu pescoço; prova maior de amor não haverá.




Friday, January 08, 2016

bemol ou o peso do hábito



deus, é um hábito. um mau hábito. 
em muitos casos, um vício. tão pedregulhoso como o crack. mas as consequências são bem piores. a começar da sua exploração como salvação ao caminho das pedras. 
enquanto se associar a noção do bem como indissociável a deus, tudo irá inevitavelmente descambar para o mau. pois o peso da salvação será sempre o de uma pedra esmagadora. 
o bem é livre para todo e qualquer um que assim o queira. e isto não tem nada a ver com deus ou deuses. muito pelo contrário.associado a religiões então é bem mal.

Wednesday, January 06, 2016

aos montes

deus, se existisse, não necessitaria de tantos inermediários - para fazer o seu trabalho (sujo).

Monday, December 28, 2015

sutileza

                     ser óbvio faz-se cada vez mais necessário do que deveria ou, como diria brecht, que tempos são estes , em que temos que defender o óbvio?

Wednesday, December 23, 2015

santíssima trindade

                                                                 o acaso, a necessidade, e o tempo.

Thursday, August 13, 2015

de cá pra lá e de lá pra cá ou seja: bustrofédon



se quiser que a sua vida seja leve, dê-lhe peso. uma vida sem peso -  o que é muito diferente de uma vida pesada - é uma vida tola, fútil, sensaboria para além das superficialidades. se este é o seu objetivo de vida, esqueça o que está escrito acima. se não, comece já a dar-lhe o peso equivalente das suas ânsias, desejos e necessidades. mas não pense que a vida ganha asas por isso. a vida é algo que se vive sempre de pés no chão. agora o resto pode voar à vontade, incluindo a cabeça e demais extremidades.




* na escrita do alfabeto grego, no princípio, escrevia-se alternadamente da esquerda para a
direita e da direita para a esquerda, de maneira que se começava pelo lado em que se tinha concluído a linha anterior, invertendo todos os caracteres no processo. esse estilo antigo é conhecido como bustrofédon.

Monday, August 03, 2015

453 - ou por que a numerologia não consegue bater com os nove fora

a matemática do P&b é a foto pura que não deixa dúvidas sobre o que querem nos dizer
tais números 

















O número quatro é uma expressão energética que representa o que está ligado ao sentimento de comunidade, estabilidade e é o número adequado ás pessoas que são muito ligadas à sua casa ou à sua família. Considerando que uma casa convencional tem 4 pilares de apoio, o número quatro trás daí o seu significado. O da solidez, do sentimento de família e unidade em torno dessas relações e ambiente. Favorece os relacionamentos entre pessoais no âmbito familiar. No entanto, nem tudo o que tem que ver com o quatro é positivo. Este sentimento de estabilidade familiar que o número quatro transmite, pode levar a que a pessoa se acomode e haja um certo sentimento de tomar tudo por garantido, o que como sabemos é errado. Todos os dias devemos provar o nosso amor, nem que seja de forma subtil e desinteressada, mas devemos fazê-lo e se tomarmos por garantidas as pessoas que nos rodeiam, um dia podemos ter um enorme desgosto e acordar para descobrir que elas já não estão lá. 


O número cinco pode ter uma energia complicada. Cinco está sempre buscando se equilibrar. Este número é também um número muito espiritual, pois representa a junção de todos os elementos, que são: Fogo, terra, ar e água. O quinto elemento é o éter (espírito) – uma efêmera essência omnipresente que impregna todas as coisas. Em casa, representa uma energia super ativa. tem um potencial para provocar uma sensação de instabilidade ou desequilíbrio. Pode também tornar-se uma leviana ou “cabeça no ar” – um sentimento que não se deve sentir, afinal ninguém gosta de se sentir à deriva no espaço. Se você estiver em uma névoa mental, ou se sentindo descompensada, considere colocar um gongo de metal na parte oeste da sua casa. A singularidade do gongo incentiva um senso de coesão (círculos são símbolos de unidade). Dê uma pancada no gongo de cada vez que se sentir tensa e verá que o desejo de paz vem até você. O tom do gongo vai afugentar qualquer energia negativa da sua casa. Cinco é o número das pessoas de mentalidade espiritualista. Lembre-se, cinco é o número de éter (ou espírito). Você pode melhorar um senso de conexão espiritual, colocando elementos de cristal em sua casa. Uma bola de cristal, um vaso de cristal, castiçais são todas peças perfeitas. A união entre estas energias irá oferecer equilíbrio e estabilidade, ao mesmo tempo incentivar uma conexão celestial para você em sua casa. O sol é uma energia yang (masculino) e da lua é yin (feminino) – que são arquétipos antigos para perfeita harmonia. 

Três é um número que regula a criação e a criatividade. É um número extraordinário para artistas, principalmente os que fazem as suas criações a partir de suas casas. Todavia o número três pode dar origem a demasiada criatividade (se é que nos fazemos entender), o que pode levar a um sentimento de caos e desordem. Demasiada atividade, demasiadas ideias poderão conduzir a sentimentos de impotência perante tamanha confusão, levando a que a pessoa se sinta perdida sem saber que direção tomar. Isto no fundo, quando descontrolado, pode levar a um sentimento de quase loucura. Para amenizar esse sentimento indesejado, nada como canalizar as suas energias para projetos e ideias mais concretas, parando por momentos de pensar no que não existe, reprimindo um pouco essa criatividade excessiva. Não que não se deva ser criativo, idealista e pensador. Mas, em excesso, como deverá estar a imaginar, só lhe trará prejuízo. Controle-se e ponha um travão(freio) a essa quase loucura de pensar em tudo, ter ideias para tudo e julgar que está tudo sob controle, não está e você sabe disso. O significado do número três como vê pela numerologia, é talvez tanto positivo, quanto negativo, dependendo da perspectiva e da forma de o controlar. já sabe, em excesso só o pode prejudicar. Mas, se balancear a sua energia positiva de forma controlada, pode ser um número muito auspicioso".


(well, prefiro a "martellinada"da foto do pedro, que diz tudo acerca dos números que você tem sob, abaixo ou ao lado da sua cabeça, aos tais em contas da numerologia. 


* nove é um número de retornos felizes e relacionado com a conclusão de tarefas. É símbolo da realização,riqueza,e potencial.Para uma casa,nove é um número extremamente auspicioso porque traduz que você tenha atingido um residência ideal com energia positiva para você e seus moradores.