Saturday, July 25, 2015

o futurista não é um visionário assim como o comunista não é um utópico, embora todas as coisas se misturem

ó delicados!
vós que pousais o amor sobre terno violinos
ou, grosseiros que o pousais sobre os metais!
vós outros não podeis fazer como eu,
virar-vos pelo avesso
e ser todos lábios.


Lápide de Wladimir Majakowski Grabstein Moskau", cemitério Nowodewitsche,por Marco Hönig 

Sunday, July 19, 2015

atonal

não é que ela não me amasse. amava sim. mas com o desespero do afogado. aquele que se agarra - e mata - a seu salvador. sem chance de sobrevivência para nenhum dos dois. ou de qualquer coisa que nos acercasse. 

convenhamos que o fundo é pra lá de assustador para quem não tem o preparo de um guarda(salva)vidas ser amado deste jeito. deixa qualquer um muito mais em ponto de angústia do que desvelo ou desejo. já quase sem ar, sentia-me como um sufocado, um claustrofóbico, coisa que nunca fui. apesar de tanto mar e apesar dos pesares, desde já algum tempo antes sabia que não conseguiria ir adiante, para o alto, e acima, com um cadáver agarrado a minha perna. já havia visto isto em filmes daqueles onde o amor faz água. 

e no meu filme ficou mais do que claro naquele momento em que se engole água, em que falta o ar, em que o nariz salga e que se respira pela boca, que na hora de decidir quem engole quem, o instinto de sobrevivência iria se impôr. e ditou que eu não eu iria soçobrar. deixei-a e tudo o mais à deriva, por mais atônito e controverso que fossem o rosto e o sentimento do afogado e daquele que se salvou.

sozinho, como diria o poeta, " retornaria dos meus naufrágios". não o faria se estivesse, ainda pior que fosse mal, bem acompanhado o que já não era possível dada a dependência do boca a boca. por isso antes do último bafejo, desvencilhei-me do abraço e respirei fundo o antes só do que soçobrado para o fundo mais fundo do que já havia alcançado.lá onde semi-submerso há tanto tempo quase não sentia que já há mais tempo do que me informavam meus pulmões: e cuspi mares, sargaços, dores e agonias, como se de súbito retirassem sacos de lixo em estômagos de tartarugas, porém sem que tivesse de rasgar meu estômago, tendo no meu ainda pedaços de isopor. 

o oxigênio de outras possibilidades enfunou meus alvéolos. enfim livre da respiração que se queria geminada mas que a tudo aturdia como se salvar fosse a mesma coisa que matar.

por fim chego a areia de outros litorais. a dormência dos dedos membros engelhados não me fazem ainda pisar em terra firme com maiores certezas. mas o calor da caminhada até o coqueiral deve dissipar toda e qualquer marca de mãos que se agarraram em mim e quase ditaram um fim. esticado até onde não se pode alcançar porque a razão.

em algum lugar do amar provavelmente ainda boiam outros pedaços de isopor. mas isso já não me importa se pra lá de partido ou mordido. quando se escapa deste sufoco, das duas uma: ou se fica traumatizado, e se tem panes de asma - e  isto leva a outro tipo de afogamento, ou se respira fundo e expele-se toda e qualquer memória de água dos pulmões, dando novo fôlego ao coração, ao cérebro, ao sexo, a vida.

por enquanto, e para o nosso bem, digo pra mim mesmo, água, só de coco. depois logo se vê. e que saibam todos que o de outras águas não beberei, tal como qualquer outra coisa não dura para sempre. como nem mesmo a agonia de quem se afogou porque sequer deixou o sentimento respirar.





Monday, July 13, 2015

falsa sustentabilidade

do mal cortado fundo de garrafa pet faço um comedouro de urgência que sei não resolverá as minhas tampouco a de quem lhe destino. 

mas é o suficiente para que seja improvisado um comedouro para que o gato largado ao desprezo da rua faça as refeições que lhe propus dar. 

uma gota no oceano eu sei. no espaço das calçadas contíguas ao meu quarteirão lhes são postos maremotos em dezenas de fundos de garrafas salpicados de veneno junto com a comida que os gatos impiedosamente devoram sem lhes saber que outra fome comerá suas entranhas.

de alguma forma isto também comerá as minhas e, certamente, as do gato que hoje acerta a minha pet que penso em eliminar como suporte para que o gato não confunda as coisas como o fazem todos os viventes em vida, tanto faz se incerta ou certa.

na rua alguém alimenta a morte enquanto quase ninguém alimenta a vida.
é a vida, fazem do dito falso desfecho. por quê na verdade é a morte. que será sempre mais cruel não só para os gatos, mas também para quem dá o veneno que, se lancinante nos gatos, neles, nos dadores de veneno, é de efeito lento e exasperante, pois maledetamente são velhinhos que não mais contemplam os gatos como alimento de esperança e sim como sentença da sua pena. 




Tuesday, July 07, 2015

conversão proibida

"não tenho tudo que amo mas amo tudo o que tenho" é uma das piores bobagens que já vi em matéria de auto-piedade disfarçada de tirada magnânima. e que acaba penduricalho em algum para-choque de caminhão ou emplastrado em carro popular daqueles que não se sabe bem qual é a cor da pintura tamanho o desgaste e os remendos.

se visse isso num porsche - sim eu prefiro os porsches as ferrari mas porsche nenhum chega aos pés de um bom e velho jeep, dai porque - até acharia piada, mesmo que fosse a expressão de um humor um tanto quanto dândi.

mas como não, fico com a verdade dos fatos devidamente convertida: não tenho tudo que amo, consequentemente não amo tudo que tenho. dizer que sim, isto sim seria pobreza de vida para além dos vidros traseiros trincados e muito mais para os dianteiros embaçados.

a vida nem sempre é amável, e é por isso que ela é o que é. as vezes chega a ser miserável já que ela nos faz ter a obrigação, miserável, mesmo que miserável - de espírito e de carteira -  você não o seja -  de ter de respirar e seguir em frente, muitas vezes a um custo que não é pouco, e nem um pouco amável.

deste modo nem tudo que você tem - seja pessoa ou coisa - pode ser amado, ao menos como deveria, se você é daquele que acha que nasceu para o descalabro do amarmos uns aos outros, e tome lá na outra face. creio que deste modo, isto sim seria findar desalmado com o que realmente merece algo mais que ser amado em filosofia de adesivo ou para-choque.

muitas e muitas vezes não gostar é a melhor forma de amar ou preservar o que seja lá isto seja. compreender isto já é uma seria uma maneira de se auto-amar para além da filosofia do para-choque e do adesivo emplastrado que por mais que se distancie da realidade não nos leva muito longe, e muito menos a lugar nenhum que não seja um nada daqueles que realmente não valerá a pena o trânsito nos brônquios.

então das duas uma: abandone de vez o para-choques, como o fazem certas gentes que se atiram a vida de peito aberto, o que é sempre temerário e por isso mesmo exige peito, ou então adote uma filosofia, se não menos rasteira, que seja menos pomposa que a sua boleia na dita cuja vida que é ainda mais curta que o conselho.











Saturday, July 04, 2015

futuro mais que perfeito

eu não sei.
eu aprenderei.
então farei tudo de novo.
e de novo, novamente, até aprender que eu não sei. mas aprenderei.

Thursday, June 25, 2015

aprendizado (para pequetita)

cena do filme peruano "casadentro"

ser fossemos realmente, mesmo, tão superiores, como julga a espécie ser, não choraríamos na chegada nem na partida. 

apenas riríamos de ambos enquanto houvesse tempo. não importasse quanto, quando, onde ou com quem. 




   



Monday, June 22, 2015

antes de viajar, deixei que ela própria, a viagem , fizesse das suas

































duas são as coisas, entre as talvez mais de dez importantes, se vai viajar - seja qual for a viagem - que deve-se sempre levar em conta ao fazê-lo: o tal veículo, e a sua companhia. sim, sabemos nós, há viajantes que chegam a algures sós. e que não são assim tão raros. mas sua especificidade não nos permite adiantar que sejam boa companhia. pelo menos para caronas. nestes casos, se você é um deles, sabe melhor do que eu, do que ninguém, escolha sempre o modelo de um banco só. mas acresça o bagageiro para o " nunca se sabe ". até porque, ele será necessário para deixar longe aquelas últimos trecos que você teimou em não abandonar mesmo quando estava nas últimas, se assim pensava.

mas voltando ao au pair, que não quer dizer exatamente par, nestes dois itens, assim como nos demais, porém mais, convém ser sofisticadamente simples na sua escolha. pode ter a certeza de que você não sabe como isso vai ajudar, para além dos comentários e interesse sobre o veículo, e consequentemente sobre você. incluindo os ladrões de objetos,projetos e moçoilos/as, cuja mala certa é o sonho de mudar de paisagem por falta de alternativas. creia: nestes casos, não se iluda, você não é nada mais que o cavalo de espíritos confusos. nem cogite, não valerá mesmo a pena. de certa maneira isso determina um pouco o exemplo do veículo que já estou dando - se você é daqueles que vai argumentar que isso não é um veículo de viagem, economizemos tempo, eu e você, e deixemos os livres de espírito já ir se aboletando nos assentos, enquanto você(s)volta para a sua estrada sem saída.

dos caronas, seja ele "carono" ou a, faço um lembrete anatômico, digamos assim se o quiser, antes de tudo: devem ser leves de espírito. e se possível na anatomia também. de tal modo que não faça o veículo, neste caso a "lambreta", pender. principalmente, para o onde não devia. e como preconceito contra volumes também é uma pendição, para não dizer perdição, também concordo que bundas e corpos volumosos não tem que necessariamente ser interditos, e que não possam ser leves de espírito. mas se o derrière ultrapassa, mais que o pouquinho que lhe dá charme, o tal diâmetro dos assentos, terá um decisão a tomar: ou troca de veículo, ou troca de companhia ou segue sozinho ou então empaca.

o fato é que nunca fiz uma coisa nem as outras. nunca medi as consequências quando o caso era viajar. porém hoje, com a autoridade de quem não carrega mais bagagem, o pós-doutorado do viajante, arvoro-me a incentivar melhor a quem indeciso para trocar de veículo e seguir sozinho, até mesmo para não me seguir(caronas há tempos que não levo mais, e as que levei ficaram pelo meio do caminho por desistência ou por insistência demais).

ainda assim, ainda há quem me pergunte, insistentemente até, e por demais, se não dá para aumentar o tamanho dos bancos, o que , apenas aparentemente, seria mais fácil do que diminuir o tamanho dos derrières.

agora imagine você, esta belezura acima, com os bancos aumentados. mais do que um atentado a estética. e a estética, é um bem ou mal que sempre há que se considerar, principalmente no tocante a proporcionalidade. então seria mesmo o caso de dizer que não apenas deslocaria o centro de gravidade mas atestaria a gravidade da falta de centro da viagem para além do fato.

p.s:  o veículo, neste caso,  é uma iwl, berlin, 1961, germany.




Friday, June 19, 2015

questões de perspectiva

cinque terre, ligúria, manarola























no fundo uma favela. tal e qual o vidigal. mas a perspectiva é outra.

Sunday, June 07, 2015

"amorteamo"

nestas "assustices", presentes e intentadas nas e das estórias de vida, e da morte; e que de tanta mentirinha bem delgada quase nos desmontam à peidos tremelicados ; 

e também naquelas histórias reais, "cabeludas", que nos levam do espanto ao ser cagado num calafrio ou vulto, e porque decerto de tanto verdadeiro que chegam ao ponto de assustar até cachorro morto, 

eu que, ainda aparento estar mais vivo do que morto, apesar de certa controvérsia cada vez mais, a cada estória ou história, contada, levada ouvida ou assistida, 

sou levado a certa conclusão ainda incerta mas que sei é de chegar a ser tão definitiva quanto a própria caetana *:

pois bem: no caso de, é bem melhor ser um morto vivo do que um vivo morto.

pois o que se enterra nesta vida é o que não se leva. e não me tome por mais um parlapatão que desde já lhe digo, não desdigo a mim na frase anterior deixando solto por cá ou por ai que no fundo estou a mim contra a dizer que há vida depois da morte requerendo passaporte.

é justamente ao contrário: depois da morte é que não há vida mesmo.

então largue de ser morto enquanto ainda é vivo.

* como é denominada a morte no nordeste do brasil

Friday, June 05, 2015

so sad *

* olhar de uma girafa que vive no zoológico de Barcelona, na Espanha (Foto: Oscar Ciutat/Creative Commons)
tristeza mesmo é a dos bichos; disso que os leva a ser menores perante os senhores, humanos, sedentos, sangrentos e pestilentos, dos animais.

a dos outros bichos, humanos, tristeza, não chega a ser tão contundente, já que senhores de tudo são mas sequer de si, e a tudo que lhes toca, reagem como se não fossem animais.

Wednesday, June 03, 2015

por certo perdestes o senso e vos direi no entanto


bússola. delas quase nada ou ninguém se lembra. mesmo que modelos modernos tentem reproduzir uma imagem up-to-date.




























mas também isto não adianta muito, ao que parece. quantos saberiam mesmo usar uma bússola? para além de uma certa admiração ou fantasia aventureira, sobre o estar perdido e achar-se com uma gerigonça - hoje se diz gadget - que alguns chegam a pendurar no pescoço? mesmo quando o pescoço está por um fio ?













também de nada adianta chorar sobre a bússola derramada. pior ainda
aconteceu com o astrolábio, este a quase totalidade nem sabe o que é, e quanto foi importante na história de destinos por séculos, muito mais que a própria bússola dos perdidos, já que o astrolábio garantia o caminho a ser achado muito antes.








































fato é que entre tantos artefatos, dos achados e perdidos, chegamos ao gps, o supra-sumo da localização humana. mas qual o quê? quantos também não se perdem com ele muito mais do que se acham ? seja qual for a sua rota, urbana ou transcontinental?


































imponderável ao que parece é: quão mais longe vamos com o pretexto de nos acharmos, e tão somente, mais distante e perdidos estamos do rumo pretendido, quiçá de onde nem nós mesmos na maioria das vezes sabemos que estamos. 

mas não faça disto uma "regra escotista". afinal: tem gente que até parado se perde de si mesmo e de todo o resto. e não é por falta de instrumentos de orientação tirados da caixa ou não.

ainda que corra o risco de fazer uma assertiva pseudo encontrada e ainda mais perdida do que as outras(para não dizer auto-ajudista que baste e não menos piegas) diria que é essencial perder-se, de verdade, para poder se achar. e já que assim é, para que tais aparelhos? e se assim não fosse, achado está, para que os tais também?

entre o achar e o perder-se o pior destino é o daquele que fica no meio do caminho. e assim sendo, nem uma coisa nem outra pois, por mais que se ache a ponto de ser perder ou de se achar, não está nem uma coisa nem outra.

no limbo, nem aparelhos nem a vida funcionam. mas isso não está nas cartas* apenas no tino dos argonautas.

* náuticas, of course

Monday, June 01, 2015

momento auto-ajuda ou por falar em marra


























de sã consciência, chapada ou "tranquilo", se lhe dissessem que esse cara ia longe, por mais que o longe imaginado fosse ali na esquina, você acreditaria ?

  












Thursday, May 28, 2015

cheio de marra(ao carlinhos)
























lá pelos anos 60 - o tempo passa meus senhores, ainda que a frase permaneça a mesma - marra tinha outro significado. 

em nada parecido com o que tornou romário ainda mais conhecido, ou seja: invocado(diz-se no popular ivocado - mas não de ivocar - suprimindo o n em nome da eufonia ou lá o que seja), espoleta curta, que não leva desaforo pra casa, bateu-levou, cismado, irritado, e assim por diante.

ser marrudo, ou seja ter marra, era ser forte. não havia o bombado. aliás nem academias como conhecíamos hoje. havia,no máximo, academias de boxe e de fisiculturismo(aquela coisa que tornou o schwarznegger tão popular, apesar do nome insoletrável até mesmo pelo mais habilidoso soletrador.

e tem mais; os músculos, muitas vezes lado direito maior que lado esquerdo ou vice-versa, eram obtidos na maioria das vezes por " marombas " (que hoje chamam-se alteres) feitas com latas de leite catadas no lixo, preenchidas com cimento e pedras(portanto desiguais em peso, dai a predominância de um lado ou outro) e ligadas por um pau de cabo de vassoura (uma temeridade pronta a partir-se na próxima elevação), e cujas ferpas ou farpas, que muita gente chama de "felpas" (quem nunca teve uma felpa encravada na mão por manusear alguma madeira sem aparo ?) davam inchaços e pustemações cri-cri, como souvenirs da atividade.

tudo isso é nada diante do significado maior do "eu tenho marra", que ia muito além do ser forte para uma anatomia infantil, que na maioria das vezes era perseguido ou idealizado pelos meninos pobres da rua - sim em nossa infância havia meninos pobres em volta, pois não haviam condomínios - que sempre que confrontados faziam esta pose da foto(na verdade com os braços em arco para acentuar os bíceps e disparavam:

" aqui é marra rapaz. é mingau de cremogema", coisa que por certo nem em sonho eles puderam experimentar.

convenhamos: estes meninos eram mesmo os mais fortes. se não do físico, do espírito de não se dobrar ou inferiorizar ante a magreza gritante da sua miséria, que não lhes autorizava marra mas que mesmo assim as exibiam perante os outros que viviam no mundo abastado da cremogema, da maizena, do arrozina, do mingau(ou papa) de aveia quaker. 

são estas crianças, cuja miséria ainda assim não lhes adormeceu o sonho, apesar de lhes conferir a barriga chapada pelo cola-tripas da quase ausência total de alimentos, e que ironicamente tantos querem em luta perdida com o excesso de comida,  que consagrarão a marra de viver; nos dois sentidos. algo que anda tão em falta perante a falta de cremogema humana que se manifesta entre as crianças segregadas do sonho e da realidade da convivência diversa e imensamente mais rica pela multiplicidade de classes, tudo por conta de uma geografia arquitetônica destinada a matar de fome os sonhos e possibilidades de ser uma criança verdadeiramente forte para além da "papa feita".

hoje, confrontando-me ao espelho, com a barriga proeminente, a um passo de tornar-se caída, e sem ver uma costela de brinde que seja, recordo o carlinhos com suas costelas à mostra (todas sem exceção) a suster a respiração com um esforço sobre-humano para mais uma vez exclamar: "aqui é marra rapaz. é mingau de cremogema". e não há o que contestar: o carlinhos era mesmo o mais marrudo de todos nós. 

oxalá, ele não tenha perdido a marra - não a da fome - mas da sua força de não aceitar a inferioridade e buscar a igualdade, quando não a superação. ainda que fosse como fosse a base do "mingau de cremogema" aqueloutro que vem em outra embalagem e que permite que mesmo quando o da panela não existe, que exista o sonho do menino que preencherá panelas com mais sonhos ou como um sonho a ser realizado para todos que ainda assim exclamarão: "aqui é marra rapaz. é mingau de cremogema".

Monday, May 25, 2015

hoje, nem paris escapa

Quando cheguei ao Brasil, a nossa cultura olhava para Paris, os filhos dos senhores haviam estudado na França, embora os pais viajassem para Marselha em companhia de vacas leiteiras, a garantir a qualidade do café da manhã. Logo nos entregamos ao exemplo dos Estados Unidos, e com esta escolha erguemos uma caricatura. Foi o primeiro passo da desgraça, estética, se quiserem, a qual não é de modo algum secundária, a alimentar e fecundar provincianismo, ignorância, insensibilidade, mau gosto, arrogância, bem como inúmeros recalques. (O momento que atravessávamos não é inútil, ao menos é revelador.)

excerto de "meu pai se enganou" http://bit.ly/1SyczxM  do mino carta, em editorial para a carta capital, que vale a pena ler por inteiro. 

Sunday, May 17, 2015

último gole

numa homenagem póstuma ao b.b.king estava lá a legenda sob uma foto poderosa do king e sua lucille:ninguém que viveu 89 anos foi uma pessoa só ", referindo-se as diversas nuances do b.b. demarcadas em fases diferentes da sua longa vida.

bom, não acredito muito, no quesito longevidade, mas espero que se chegar aos 89 anos seja uma pessoa só. no sentido lato e estrito.

não serei mais ou menos triste por isso. não sou afeito a estas definições amargas da solidão na velhice: só é só e somente só quem não aprende que a vida é solidão delegada que assim é vivida justamente por não deixar-se ser um só). por isso, quero conservar-me inteiro, e de trincas apenas as que os anos terão e irão causar, sem que com isso queira dizer que fui um rochedo que jamais tremelicou.

acontece que num mundo que tudo e a todos muda, e que cobra a mudança como uma coerência benfazeja - enquanto a não mudança é vista como pura e burra teimosia - creio que haja algo de muito bom em não mudar, caso contrário não estariam todos incentivando mudanças à torto e a direito. sempre escudados na peremptória frase do "muda para melhor", que é a falácia na qual só os arrivistas acreditam - enquanto tudo a sua volta vai mudando copiosamente inclusive a sua maneira de ver o mundo, principalmente por conta da inevitável falência dos sentidos, assim espero, e não por mudanças do ponto de vista político e existencial, tais como renunciar a ser de esquerda, por que a esquerda esta na merda, ou aderir a direita porque é mais hoje "politicamente correto" no convívio social(eu não aconselharia você a ir a uma churrascaria e em alto e bom som declarar-se socialista - em compensação se disser que é socialista cristão ou de qualquer uma destas modalidades eleiçoeiras oportunistas não mais lhe enfiarão a calabresa cu a dentro e é bem possível que lhe paguem a sobremesa(a calabresa cu a dentro é exclusiva dos socialistas à rigor;)

isto posto, ser um só e estar um só é cada dia mais um privilégio que poucos aprendem a absorver e desfrutar, num mundo de efervescências tão consistentes quando suco em pó e onde as redes sociais revelam o homem na sua estupidez social e o quão rasteiro ele tende a ser quando a histeria da mudança esconde a mais importante - jamais feita - e revela a torpeza de todas as outras. tudo sempre na base das frases do tipo "a natureza ensina a mudar" ou só os tolos não mudam de ideia". parece-me que a natureza, pelo menos hoje em boa parte, foi estuprada a mudar por muita gente que hoje já começa - por medo ou de novo por oportunismo econômico - a querela imutável no sentido de não esgotamento de seus recursos e do mau humor que se revela nas mudanças climáticas decretadas por quem mudou - interesses econômicos - nosso modo de vida.

a vida que é de um ser só e de um só ser, é tal e qual como sorver um vinho especial(a esmagadora maioria jamais viverá este momento) que leva um tempo enorme para assim o ser(e sem mudanças) para que desta forma, no exato momento em que ele começa a ser bebido e em cujo "néctar" reconhecemos o seu verdadeiro sentido, começa ali mesmo a se acabar, tal e qual como foi vivida uma vida de quem foi um só como única ela deveria vir a ser.

quem viver muitas vidas, certamente viveu muito mais a vida dos outros e não a sua. uma vida que se tornou assim por dizer uma vida de refrigerante, repleta de gases por dentro e por fora.









Thursday, May 07, 2015

quando uma coisa inútil pode ser boa pra cachorro *

qual é a utilidade da literatura ? e do amor ?



Alguém pode me dizer qual é a utilidade do amor? Até hoje ninguém me convenceu. Ele, o amor, é inteiramente inútil. Como a vida. Não tem utilidade. 

Penso nisso quando tenho de ouvir umas pessoas dizendo que literatura é uma coisa inútil. Sou obrigado a concordar. É inútil. E nestes tempos brabos em que as mentes já andam impregnadas de utilitarismo, inútil vai assumindo uma conotação pejorativa. Mesmo assim, concordo, a literatura é inútil. 

Apesar disso, continuo lendo, e cada vez com maior paixão. E continuo vivo nem sei pra quê. Literatura, eu disse em uma palestra, é tão inútil como ter filhos. Alguém da plateia, inconformado, alegou que filhos têm utilidade, pois podem trabalhar. Saí do embaraço afirmando que se têm utilidade já não são mais filhos, são mão de obra. Utilidade, no sentido prático, nem o amigo pode ter. Se tiver, deixa de ser amigo para tornar-se ajudante, ou qualquer coisa parecida. Nem todos tiveram o prazer de ler Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto. Aquele final fabuloso, em que o mestre carpina não consegue justificar por que continuar vivo. “.../mas se responder não pude/à pergunta que fazia,/ela, a vida, a respondeu/ com sua presença viva.” Tinha acabado de nascer um menino. 

Ocorreu-me o poema ao ouvir a história de um amigo que tem uma cadela. Uma cadela adulta a quem jamais foi permitido o amor: ela vive confinada e sozinha. Há pouco tempo meu amigo ganhou um filhotinho de cachorro e ficou com medo de que sua cadela o estraçalhasse com uma bocada só. A cadela mostrou-se muito impaciente com os exercícios de aproximação que recomendaram a meu amigo. 

Enfim, vencida a primeira semana de parcimonioso convívio (de cheirar o pano sobre o qual dormia o filhote até deixá-lo ao alcance da cadela foi um bom tempo) o filhote foi entregue ao canil, ao alcance da cadela. Sua companheira cheirou-o, deu umas lambidas e se afastou como quem diz: Já conheci, agora chega. Pronto, a aproximação fora concluída com êxito. Não sem medo, claro. 

À noite muitas coisas acontecem, as noites costumam esconder mistérios. Mesmo assim, e com bastante dificuldade, meu amigo deixou os animais entregues a seus próprios instintos e foi dormir, que ele também é gente. No dia seguinte, o dono dos dois caninos foi conferir o resultado da manobra. Deitada, a cadela era sugada por uma das tetas. Sem acreditar no que via, meu amigo pressionou uma teta desocupada: saía leite. Sem pensar em utilidade, a cadela estava protegendo um ser vivo.

(uma coisa inútil, crônica do menalton, menalton braff, na carta capital)

+ imagem de http://notonappstore.com/ um projeto bom pra cachorro da sueca linn wexell e dos brasileiros caio andrade e rafael ochoa (dê uma passadinha por lá também)
* originalmente publicado no bompracachorro.blogspot.com

Wednesday, April 22, 2015

buraco negro

tempos difíceis. para muitos insuportável. a pressão cotidiana e cosmopolitana é a vida de sonhos tornados pesadelos para a maioria. 

como sempre nestes casos dá-se o azo à fuga. e a fuga é sempre uma solução intempestiva mesmo que urdida lentamente e nem assim deixa de ser desesperada ou idealizada para alguns: aquela praia paradisíaca, aquele lugar perdido no meio do mato(não sei como é que uma pessoa perdida acha um lugar perdido no meio do nada, das duas uma, ou o lugar ou a pessoa não estão realmente perdidos)a adesão ao budismo ou seria bundismo? mas enfim, fugir disso tudo aqui é a palavra de ordem de quem se julga de todo não estragado ou a tal ponto que a piração é justamente esta.

mas quem entre tantos realmente passa o sebo nas canelas? mochila e se pirulita dessa máquina de moer princípios em que se tornou o modus vivendi cujo fim que determina os fins é o fim inglório, depressivo e tarjeteado?

muitos poucos, é verdade, tem esta coragem, ou esta covardia. mas o que as pessoas não perceberam - e quase ninguém percebe mesmo - é que a esmagadora maioria já fugiu, já se escondeu, naquele que é o maior esconderijo de todos, mas recôndito que a mais funda caverna vietnamita, mais indevassável que o lado não visto de plutão, mais ilhado que a mais escondida ilha das filipinas.

falo das pessoas que se esconderam dentro de si próprias. e tanto, que não é só nós que não as conseguimos achá-las, vê-las e "tê-las" como realmente são. o terrivelmente assustador e peligroso deste esconderijo é que elas mesmo não conseguem mais determinar o que está perdido ou o que está achado. a tal ponto que na superfície movem-se na pele de alguém que nada mais é que um avatar(isso muito antes do mundo digital, sorry geeks e nerds) de alguém que metido em buraco sem fundo de onde não é possível mais enviar mensagens decifráveis já que o avatar existe e reside justamente para enviar falsas mensagens de localização que como todos sabemos seja qual for a energia é sugada pelo buraco negro em que o ser que se esconde de si gera. 

a procura do seu lado invisível que quer tornar visível para todos - sempre os outros nunca si próprio - tende a engolir para sempre não só os mais fracos como até os que pensam ser os mais fortes.

a inútil experiência humana tem mostrado que os nossos lados invisíveis tornados visíveis quase sempre não são os melhores de serem mostrados - e aceitos - e isso não tem nada a ver com sinceridade. com o desejo de melhorar, de ser autêntico. de dar a cara a tapa da verdade.

talvez autenticidade seja ficar. mas não ficar como se está ante a impossibilidade da fuga para lugar nenhum que não seja o poço sem fundo pois isto significaria o outro lado de entrada para o mesmo buraco, buraco que tem várias entradas e apenas uma saída inexpugnável que nunca é o lugar por onde se entra. 

ficar talvez seja, até "divertido", tentando o controle da osmose que regula o ruim que entra e o bom que sai ou que seja o contrário. mas acima de tudo sem perder o controle até mesmo do pior que existe em você. isto já seria um grande achado que não merece ficar escondido aonde quer que esteja ou seja. 

o resto, como dizem nestes tempos, tristes tempos, já é lucro. pode dar romance ou pintura ou simplesmente vida na superfície do corpo que se já não diz tudo também não é necessariamente um nada a mover o nada quando o nada é só o que nos resta. 

isto é tudo. 





Sunday, April 19, 2015

um bom lugar para se morar

                                                                                            grosse pointe public library
como assim morar? isto não e um espaço de um casa, nem de homens, nem de bichos, nem de plantas. só de livros, e convenhamos, um tanto grande para conteúdos de capa que tantas vezes não lhe acompanham o tamanho e recheio.

ora, talvez seja por isso mesmo. eis aqui, sem dúvidas, um bom lugar para morar os pensamentos e as ideias, que são por assim dizer, primos espectrais dos pensamentos, quando eles não estão por ai a provocar confusões e esclarecimentos, como é certo devem eles provocar, principalmente em quem não tem lugar para que eles morem sossegados na própria cabeça.

os pensamentos, digamos assim, são uns inquilinos esquisitos e pra lá de exigentes - mesmo que a moradia seja medíocre.

por isso que achei que este espaço era um bom lugar para se morar. eu, o morador esquisito, de pensamentos nem tanto, mas espectral quando se trata de ter ideias e habitar corpos e cabeças

Thursday, April 16, 2015

sabedoria oculta

                                      o que a gente sabe nunca sabe até precisar saber.

Monday, April 06, 2015

sem juizo




de certa maneira, todo homem ou mulher nascem predestinados a fazer grandes coisas ou grandes merdas.

se uma coisa ou outra, acredito piamente que a escolha é deles. e que não há força sobrenatural ou nada, que possa modificar isto, para além deles mesmos.

portanto, não serei eu a fazer juízo dos que, entre fazer grandes coisas ou grandes merdas, preferiram não fazer porra nenhuma; ou merda nenhuma como queira.

no mundo de hoje, isso dá uma trabalheira daquelas. é só olhar em volta.


Saturday, April 04, 2015

curta a vida para que ela não seja curta - ou melhor, quer dizer, pior: mais curta ainda*.

               o necessário, não mais que o necessário, mas também não menos

* ou, se você preferir, a vida é muito curta para ser pequena.

Thursday, April 02, 2015

não é assim que a banda toca ?

clarice lispector




Sou composta por urgências: 
minhas alegrias são intensas; 
minhas tristezas, absolutas. 
Entupo-me de ausências,
Esvazio-me de excessos. 
Eu não caibo no estreito, 
eu só vivo nos extremos.

Pouco não me serve, 
médio não me satisfaz,
metades nunca foram meu forte! 

Todos os grandes e pequenos momentos,
feitos com amor e com carinho,
são pra mim recordações eternas.
Palavras até me conquistam temporariamente...
Mas atitudes me perdem ou me ganham para sempre.

Suponho que me entender 
não é uma questão de inteligência 
e sim de sentir, 
de entrar em contato...
Ou toca, ou não toca.

Saturday, March 28, 2015

tamanho é documento? sim ou não, hum!
























questão antiga, sempre atual, e sempre maldosamente vinculada diretamente ao tamanho do "pirilau"(ou também da bunda hoje em dia).

mas afinal, tamanho é mesmo documento? ou seja, atestado de superioridade seja no que for?

para os habitantes de hum, croácia, a menor cidade do mundo, duas ruelas e trinta habitantes, com certeza não. pois para eles hum, é certamente uma cidade sem tamanho. e com uma história em comprimento e riquezas superior a muitas megalópoles, afinal foi fundada no séc.XI.

aquilo que é grande, ou muito grande para alguns - riqueza, poder,entre outras coisas - é nada para muitos ou de tamanho insignificante. seja porque o tem e não valoriza, seja porque não o valoriza ter. não é esta sua opção de vida: ser grande. por menor que isso possa parecer aqueles que se julgam grandes demais, nem sempre por seus feitos. 

e aquilo que é pequeno, passa a ser enorme, para outros, não muitos, é verdade, pois para muita gente, basta o concentrado da essência, que é o verdadeiro gigantesco que faz e dá sentido a existência num mundo tão desigual.

tamanho não tem documento? bom, neste momento estou numa distância descomunalmente grande de hum, com uma vontade tão maior de estar lá, que todo o meu eu desejaria ser microscópico para como um elétron só ligar-me e incrustar-me como um pulsar no prótom hum a beber uma boa biska, a aguardente local, feita com uma receita guardada a sete chaves(não bastaria uma?) 

distancias, vontades, tamanhos. a grande questão do ser humano não é esta, por mais que isso apareça como uma questão enorme e que percebida, falsamente, torna-se ainda mais difícil de entendê-la.

a grande questão do ser humano, não é ser grande ou pequeno. é o ser exato. e grande pequeno não são categorias que possam medir isto com ou sem a menor precisão. pois cada um tem o tamanho que lhe cabe, e que suporta, e que faz dele um ser enorme ou microscópico. nisto reside a sabedoria ou a engenharia das porções e proporções, cabendo-nos como humanos, a partir disto ser muito melhor do que pensamos que somos, no fundo um grande engano quando nos aumentamos sem base ou um pequeníssimo acerto em sua essência que vale mais do que a montanha de erros que vemos por ai.

para muitos o que acabo de escrever não passa de uma cagada de touro sem tamanho(bull shit) .talvez para um ou outro gotículas de sabedoria.

mas fi-lo eu no tamanho exato? hum...



Tuesday, March 24, 2015

filhotes de urano




o ato de escrever pode salvar vidas. mas também devora as de quem escreve.

Monday, March 23, 2015

o senso de justiça deixa marcas roxas ou quando o dedo na ferida é a própria ferida do dedo


a justeza do justos não é para qualquer um. eis a sensação generalizada diante das injustiças que presenciamos cotidianamente a cada segundo de nossas vidas sempre tão frouxas de tal justeza, o que sempre consideramos injustiça muito embora em muitos casos seja justa a causa.

excetuando-se os que não estão nem ai para o que quer que seja, o clamor pela justiça é um sentimento que adere ao ser humano de imediato. eis o problema. para a maioria não passa de um emplastro na epiderme. poucos a deixam ou são capazes de aguentar tal senso pele adentro, carne adentro, até o fundo do osso da púbis.

exercer o senso da justiça sobre e acima da própria, é tal e qual fechar uma porta mesmo sabendo que ela vai mordiscar, quando não esmagar o seu polegar. convenhamos: todo mundo só pensa em deixar aberta a porta, pois o senso comum, o senso da sobrevivência, o senso do farinha pouca meu pirão primeiro, quer passar longe do senso da justiça.  

mas não que o senso de justiça cause tão-somente dor. nada disso. para uns poucos, os verdadeiros justos - que nem assim escapam de serem injustos ou sofrer injustiças - o sentimento de que provém do senso de justiça é tântrico. o problema é que a nossa noção de prazer, também não é lá muito justa. e a tudo confundimos, a ponto de tão miserável confusão tornar a regra exceção e a exceção regra, o que provém sempre da tal falta de justeza para com o justo.

e medida da justiça, mesmo quando se encerra em centímetros nos parece quilômetros, anos luz, a tal ponto que estamos acostumados a deixar escancarado o buraco de agulha que seja.

eis porque se diz que à torto e a direito que vida não é justa. é porque somos frouxos. é exatamente por isto. tão somente por isto e nada mais além disto.

seria isto uma injustiça? ou muito justo? exerça lá e já o seu senso, a sua medida, e saia daqui fechando ou deixando a porta aberta. não sem antes lhe avise por uma questão de justiça, e sobre ela mesmo, que para que algumas portas se abram é necessário, por mais que doa, fechar outras.

Thursday, March 19, 2015

da inútil, dificultosa, e desastrada arte de se emperequetar






feio quando é feio, quanto mais se ajeita ou se tenta mais feio fica (chega ao ares de um desastre de proporções catastróficas).

o belo, quando belo, se é belo para que ser ajeitado? tende a esfumar-se quando não descamba pra feiura mal ajambrada.

já não basta a beleza que cabe ao belo por si só em meio a tamanha desigualdade entre o belo e a feiura? e a feiura já não basta o espectro que lhe ronda até dormindo(inútil dormir que a dor não passa).

pois bem: é preciso que alguém dissemine uma nova teoria mas acima de tudo praticada sobre o que é belo e o que é feio, principalmente nas ditas cerimônias dos momentos inesquecíveis - o feio será inesquecivelmente feio e o belo, que foi mal ajeitado, será sempre digno de notas maldosas.

não digo com isto que as pessoas, belas ou feias, não possam dar um "tapa no visual". mas tapa no visual não é bofetada na gente, gente. porque hematomas também não é nada lá muito bonito, e não há base, pancake ou duocake que lhe disfarce. 

au naturel se faz favor. que aquilo que é feio tende a passar desapercebido -   eu sei, eu sei, é duro, mas fazer o que?  e o que é belo tão somente a ser valorizado. 

na esmagadora maioria das vezes fazer bonito não é tentar ser ainda mais bonito. é não se fazer(ainda mais?)de feio.

think about, please.

Wednesday, March 18, 2015

receita de bruxinho



não é um verdadeiro bruxo aquele pode pode predizer o futuro ou coisa que o valha.
o verdadeiro bruxo é aquele que opta por construí-lo, principalmente se for a sua imagem e dessemelhança. 

Tuesday, March 17, 2015

encruado (ou seria encurralado?)


digamos que o maior problema dos precoces é que eles crescem - ou apodrecem, vide sem números de exemplos - . e ai perdem a magia ou se perdem em si próprios. crescer para os humanos é coisa bem mais cruel do que apenas a cobrança sempre viperina da manutenção da estética de outrora.