Sunday, April 13, 2014

bichinhos de estimação

"no jardim da minha memória, moram três leopardos. o primeiro, o mais bruto, pontapeia pela relva a minha cabeça fracturada, novelo de tricô, em carne viva. o segundo, o mais astuto, devora, num canto, o meu cérebro, um bocado a cada dia, apenas pelo prazer de ver a minha lucidez definhar. o terceiro, o mais sonso, logo, mais perigoso, nada faz, uma esfinge, sentado sobre as patas traseiras, olhos fixos, sorriso de buda estampado no focinho. é este, o terceiro, que me assusta. é ele que me me aguarda quando eu nada lembrar; nada souber. quando estiver sozinho, desamparado,a olhar para as árvores desfolhadas do passado, sem poder diferenciar uma cerejeira de um carvalho, quando, naquele jardim, antes tão cheio de vida, só houver confusas reminiscências, espécie de erva daninha que entorpe e asfixia. será aí que ele, o derradeiro felino, dará um único e preciso salto em minha direção. 
e aí, amigo, o que vai será de mim? e aí, amiga, será o fim" (edson athayde in jonas vai morrer)

Wednesday, April 09, 2014

"lepo lepo"


e por falar em estar sozinho, e na pessoa difícil, penso que: excetuando-se as difíceis paranoicas, levam uma vantagem em relação às fáceis; desenvolvem uma relação estreita e contínua;uma amizade duradoura com a solidão, e que costumeiramente, desde que haja algum talento, há de render bons frutos. o silêncio dos pensamentos é algo de muito boa companhia ao contrário do burburinho de mediocridade que a facilidade dos dias atuais possibilitou.


mostre -me um difícil medíocre, e eu lhe mostrarei um dono sem cão. 

Saturday, March 29, 2014

sem complexos - e sem vírgulas

de uma lista de quase mil nomes garimpados talvez em algum dicionário escritos em papéis kraft cinza bem gramaturados nos quais nos anos cinquenta se embrulhava carne de charque um a um listados pela etimologia ou seja pela origem e significado meu pai escolheu meu nome o que anos mais tarde me passaria na cara enquanto ainda garoto ao que não dei muita importância apesar do latim celsius excelso ou seja sublime elevado alto até porque anos a fio esbravejei até quase me acostumar a vê-lo escrito como selsun nome de shampoo contra caspa sem falar no celsio sezio çelcio e também nem sequer ao entendimento do orgulho de ser nome incomum da época ao tempo que hoje já tão comum que até me fazem raiva certos homônimos tivesse nascido hoje etimologia às favas pelos encontros desencontros vocabulares ou lá que seja do mesmo pai creio que não seria um wanderglaysson da vida o que não garantiria vida mais ou menos facilitada o que por certo um bom ou mal nome faz e desfaz o que se torna relativo num mundo onde a avaliação do nome começa pela carteira e que por isso mesmo me faz ficar puto quando colocam o senhor na frente o que acredito ser desrespeito ao nome de qualquer um que seja e no meu caso ao meu pai afinal foram quase mil nomes escolhidos a dedo para se colocar um senhor que não significa nada mais nada menos do que o resquício de um tempo colonial escravocrata ou reverso de uma modernidade onde é mero índice prestidigitador de um falso atendimento esmerado que os manuais de serviço ao cliente recomendam para se evitar a informalidade que hoje não é mais bem vista diferentemente da que havia no tempo em que meu pai escolheu um a um entre mais de mil nomes o nome que para ele nunca soube ao certo me faria uma pessoa melhor e ou superior aos demais o que deveras parece não aconteceu pois me acostumei a ele como todos se acostumam mais dias menos dias uns mais outros menos com os nomes sejam eles complexos ou nem tanto uns e outros a depender do cingido sem complexos como aconteceu comigo



Thursday, March 20, 2014

marcando território








o mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família. mario quintana

Thursday, March 13, 2014

tá estranho ou cuidado para não sair por onde entrou e ou vice-versa




"Um sujeito trajando bermudas dessas com bolsos laterais largos, uma camisa esporte qualquer e um par de sapatos irrelevante vinha com um saco da tal farmácia na mão, acompanhado por alguém que parecia ser um velho amigo, daqueles com quem a comunicação oral já foi tornada quase dispensável pelo tempo. Mesmo assim ele dizia:
Estranho, velho... muito estranho. Muito estranho. Muito estranho... Tá estranho...”. A cada repetição da palavra, a estranheza ia ganhando peso e concretude, tornando-se mais indigesta, ácida e cabeluda. A que diabo de estranheza estaria aquele passante de short cargo se referindo afinal?
Aquilo magnetizou minha atenção de tal maneira que me fez levantar da mesa, deixar sobre ela óculos, xícara e outros pertences para tentar ir atrás por alguns metros e desvendar algo mais daquela mensagem cifrada que, apesar do curto vocabulário e do excesso de repetições, parecia conter uma dose incomum de sabedoria, especialmente se comparada à cota média dos comentários colhidos ao pé do ouvido naquele movimentado passeio público.
É violência, desigualdade demais, medo, economia zoada, gente pobre e rica se acabando no crack, o povo passando mais tempo numa caixa de lata com rodas tentando se mexer na cidade do que vivendo, uma pressão desgraçada e uma competição animal até para comprar um pão com manteiga na esquina, corrupção nojenta até nas esferas mais insignificantes do poder, empresas estatais gigantes à deriva, povo na rua reclamando e quebrando coisas a toda hora, gente amarrando ladrão no poste e descendo o sarrafo. Estranho... tá tudo muito estranho...
Tô pensando em ir embora disso aqui, véio...” foi concluindo nosso personagem enquanto amassava entre os dedos a boca do saquinho de papel com logotipos de laboratórios que trazia nas mãos."
( excerto do texto do paulo lima, publisher da trip, sobre conteúdo principal da edição)


Sunday, March 09, 2014

e por apenas mais 2.627, reais você leva o ar-condicionado "grátis", esbodegava-se em tal apelo o locutor

clélia de souza e silva dando ares da sua liberdade por aqui;
com seu fiel gurgel que não a descabela há 28 anos

a tal da maturidade, em mim é como ar-condicionado em carro popular:o carro custa tanto e mais tanto se quiser o ar; 

então pra sentir você tem de pagar - pagar pra sentir é sempre uma exorbitância;

em sendo assim, eu continuo um teen emocional: a cabeça fora da janela do corpo, é isso ?



Saturday, March 01, 2014

Wednesday, February 19, 2014

pensamentos que artistas brasileiros(os que algum dia tiveram) esqueceram ou grande fito páez

As pessoas são as pessoas. Os artistas são os artistas. Você, como artista, não pode depender da chegada da sua obra, de como ela é recebida. Você tem que fazer coisas porque tem a necessidade física e espiritual de fazê-las. E se as suas coisas não chegarem ao público, você não pode se ressentir disso. A produção do artista deve acontecer na intimidade de um quarto, com um papel, uma caneta e uma guitarra ou um piano. E a força que vai ter isso no mundo é outra questão. Não sei se você entende o que estou querendo dizer, mas…
Já tive discos que venderam pouco. Eu gostaria sempre que [a criação] fosse uma coisa compartilhada, que chegasse às pessoas, mas chegar a isso não deve ser o único direcional. Porque o sujeito faz coisas para poder compartilhar [com o público], claro, mas se aquilo que você faz não é compartilhado por muita gente… isso não pode ser um drama. O artista não pode fazer sua invenção pensando em como ela vai ser recebida. Se fosse assim, estaríamos mais parecidos com os políticos, que ficam tentando cooptar votos. Não é assim que as coisas são.

Monday, February 17, 2014

vou-me embora pra passar



creio piamente que enquanto espécie passamos do ponto. e como tudo que passa já não dá mais para voltar. já faz algum tempo. basta ver a nossa vida social, fruto indissociável das nossas individualidades que exorbitaram o ponto em questão.

mas para aqueles que ainda não passaram,talvez haja chance de não queimar etapas rumo ao desperdício, que tantas vezes já acontece em criança. a começar pelo desprezo à verdadeira inteligência e sensibilidade, que culmina ora em tolice, ora na esperteza torpe de mamar no regurgito do chorume cultivado pela ingestão do cruel absorvido pelo apetite da covardia ante o prato feito que merecia um não. 

o homem, até mesmo na hora de ser comido morto, quanto mais vivo, necessita de outros temperos que não a sua fome de tudo, que torna-se gula quando este tudo representa o nada diante de coisas assaz maiores que nos negligenciamos a ver porque somos instigados constantemente a olhar só para o céu, e a clamar enquanto nós mesmos nos matamos ou nos tornamos miseráveis em glórias de fuligem.

vou-me embora pra passar porque lá não existem reis.

Saturday, February 15, 2014

escatológica


não, meu caro, ou minha cara, não vou ser eufemista. ficar velho é uma merda. seja qual for a idade.

e sem essa de ficar falando da sabedoria acumulada, das indefectíveis possibilidades da terceira - que filho da puta teria a coragem de atentar mais esta contra os velhos? - idade.

mas por outro lado, perai. é uma merda mas não é nenhuma dor de barriga. nenhuma diarreia extenuante que vá além de umas cólicas de lembranças aqui e ali, e de um certo torpor nas extremidades inferiores e superiores, para não dizer na "na zona do agrião".

por isso, com as exceções de sempre, dá para levar. com certo humor, atinge-se até velocidade de cruzeiro. mas não arrisque rima perfeita entre o eiro e o bueiro, no percurso entre o quintal e a vontade de ir ao banheiro. 

porém, sim, concretizam-se outros prazeres na vida que não os desprazeres - é o fundo do poço - para além da dama, do dominó, do carteado, das palavras cruzadas, do tricô e, do valham-me deuses, dos bailes em fim de tarde em alguma instituição geriátrica, todas elas uma merda generalizada. vade retro. idem as preparações religiosas para marcar encontros no céu, que isto só funciona no vaticano, e olhe lá, porquê a eles só resta a liturgia, quando não uns pequenos de sobremesa. 

vá sim, nem que seja de ré, para a biblioteca mais próxima. e se não, se lhe falta tesão para os livros, direto ao bar ou puteiro da vizinhança mais próxima, que lá também residem sabedorias milenares. se perdeu a tesão para isso, finda por aqui a leitura e volte lá para os lugares em volta do mesmo.

de resto, se lhes resta saber, se a questão da velhice é ficar na merda, você já passou por isso, em condições muito menos defensáveis quando era jovem e ou extremamente jovem, bebê para ser exato. quem de nós não pastou na merda enquanto recém-nascido, para não dizer lambuzou-se até não mais fartar? até comíamos, coisa que garanto-lhes, não faço mais agora. e que pretendo não o fazer. mas isso são planos. e planos não se deve fazer sem contar com a possibilidade deles darem em merda.

o que é fato é que ainda velho se pode perseguir ideais, sonhos e paixões. desde que consciente da premência do tempo mas sem o desespero que marca a juventude e sua inconsciência de não saber exatamente o que é perdê-la e quando e quanto isto significa. principalmente se você não se deu a chance de ser jovem, fosse qual fosse a sua idade - não se dar a chance de ser velho é a mesma merda também.

e assim na flauta, soltando seus peidinhos, rompa a barra do dia,sem maiores preocupações do ofício. longe dos conselhos médicos que não batem com a patelas desgastadas e das sombras que apressam-se em acompanhar pernas e mentes que antes só pensavam em tornar-se o mais absurdamente visível e que agora divertem-se até com a possibilidade de tornar-se invisíveis até no não foder

sim, repito: a velhice é uma merda. mas pode ser uma merda consistente. principalmente para vidas que ao invés de ficar resumidas ganham - e não perdem - consciência da própria para além dos quocientes impostos. 


Friday, February 14, 2014

confiá(ou simplesmente caminhar)


http://tocomusicadeouvido.blogspot.com.br/2014/02/maradona-e-messi-ficam-devendo.html

(Confiá)

Es posible que ya no te fijes En los cuentos que te cuenta El mundo, no hace más que respirar.Es posible que tus ojos Ya no emitan esa luz que enceguecía Hace algún un tiempo atrás.
Ya se fueron todos de la casa Y la mañana envuelve todo,Todo en un profundo azul.
(La verdad se enciende sola 
Es una flor en el silencio)
Y si hoy ese perfume es el de la soledad, Que quema de luz la habitación.
Yo quisiera hablar Pero lo que doy es un hombre Viendo el norte solo y loco hacia el sur.

Tengo que confiar, saber esperar.Tengo que respirar, es un panic-attack
Y sacarme de una vez ésta cruz.

Oh, la vida son los círculos, Los circulos dan vuelta, Y los circulos se van.

Cuando yo crei que estaba todo bien, en realidad, estaba haciendo todo exactamente mal.


No es tan grave en verdad Las cosas van moviendose Y se mueven a la larga porque sí.

Y si hoy ese perfume es el de la soledad, Si no confiás no vas a ser feliz.


Y me hices hablar A veces es mejor quedarse quieto Con el trago en la mano en un rincón.

Ya nos veremos  (En alguna fiesta), en cualquier ciudad en algún lugar
Cuando me hables con el corazón.

Es tu vida no se puede tocar, Es una caja preciosa no se puede tocar.
Tendrías que saber quién soy.

Oh, Confiá, nena, confiá. Soy todo lo que quieras, También tu suplicio y tu luz.

A vos te gusta la mañana A mi la luna re borracha. Bancátela va a ser siempre así.

No te vendría mal saber que yo no quiero hacerte daño Y ya dejar de sufrir.

Y si me buscás, oh...Vos sos tan incierta, yo también. Y nadie sabe nada, y quién a quién vino a buscar.

Oh, toma my heart, decímelo Contámelo, probame que me hiciste mal, Es una posibilidad.

Y todo lo que no contaste Es todo lo que alguna vez Con toda mi alma voy a confiar.

Lo que pasó fue para bien, No lo trates de entender. Sabés que ya no hay vuelta atrás, 
Tuvimos la oportunidad.

Y si algo aprendimos en el mundo Es que el mejor momento aún no vino, Está por llegar, confiá.


Confiá, confiá Confiá, confiá Confiá, confiá.


Sunday, February 09, 2014

ab ovo usque ada mala ou enquanto caminho ou descanso


não caro leitor, não quero ser o mala, mais do que sou, segundo alguns leitores invertidamente apaixonados. 

a expressão latina quer dizer alguma coisa mais ou menos como do ovo, ou seja da nascença, as maças, que deve você intuir o que seja (se não, está no blog errado).

maças, como já diziam os ingleses(penso que também os romanos),"coma um por dia e mantenha o médico(e a morte) longe". na época elas não tinham agrotóxicos, só a organicidade da bosta mesmo e mais alguns temperos naturais - hoje em dia, informação em profusão, já se sabe, que a maça é mesmo uma benesse da natureza: ajuda a emagrecer (sem hamburguer obviamente), previne infartos, baixa colesterol e até já tem picaretagem em forma de livro, sobre as inúmeras propriedades antioxidantes da maça com diversos benefícios(tem até lista dos dez benefícios e por ai vai).

mas a maça do post de hoje é a música e não a dita cuja, sequer as maças podres que de quando em vez baixo o sarrafo. 

a música é a maça que suaviza as maças do rosto e nos dá alento, quando não sustento, asas e lubrifica a libido, as vezes mais até do que as musas ou musos. 

independente do gosto(e gosto se discute ao contrário do que se diz por ai, muito apropriado para o esquema de dominação que empurra mentes abaixo o grau zero de discernimento e crítica) são muitos poucos os que não convivem bem com a música, excetuando-se talvez os vizinhos de churrascaria com música ao vivo, que goela e ouvidos a dentro, absorvem a música com gosto de borra engordurada.

sem gorduras, e mais para o saudável das maças, eis os links para onde nos refugiamos e que,até por conta disso, retardamos o passo por aqui, o que não significa que estamos sentados sob macieiras esperando levar na cabeça o estímulo ao eureka!

no tocomusicadeouvido.blogspot.com  os "clássicos", assim chamados, para standards e novidades, com refinamento que faz até os cascas grossas, que não são de maças, se sensibilizarem;

no othersongs.blogspot.com  já faz a linha maça exportação. música que não toca nas rádios, nem nas da internet - com raríssimas exceções - e que pedem um pouco mais de abertura de mentes e ouvidos;

no ouvodobom.blogspot.com as canções em português que não rolam e nunca rolaram nas paradas, com gravações inusitadas, que vão além dos rótulos de alternativas e ou independentes, até porque tem muita gente conhecida que você jamais imaginou ser capaz de chegar a tal qualidade* 

é claro - não ficou ou sequer desconfiou? - que estes endereços também são editados por mim. e sendo assim, axé, sertanejo, pagode,forró eletrônico, brega, funk ostentação e os escambau, não tocam nem fodendo - aliás não toco nem se fosse pra foder as dançarinas de tais grupos que, reconheço, valem até umas punhetas. mas é isso e só. até porque, bunda não é maça, e costuma estragar mais rápido do que as manzanas por mais que venham bem embaladas.

derivações a parte, eis uma amostra grátis para você ouvir se aguenta o tranco : http://ouvodobom.blogspot.com.br/2014/02/o-trash-que-e-um-luxo-e-que-nao-deixa.html

*isso é o que, cheio de otimismo, eu penso de você leitor. quanto a mim, creio já ser um caso perdido


Friday, January 24, 2014

abalar é isso e não aquilo que leva as pessoas a dizer que estão abalando






" o escritor desestabiliza o leitor, procura fazer com que ele não tenha seus anseios atendidos - pelo contrário, faz com que tenha suas certezas abaladas. é isso que qualquer arte digna do nome faz: destrói certezas, abre outras possibilidades " - elvira vigna


Friday, January 17, 2014

iogurte é cultura ou seja: garantia de merda certa

sob lacre de embalagem catita de iogurte sabor-nem-sim-nem-não, deparo-me com o seguinte texto: "sabia que os intestinos tem cem milhões de neurônios? e que por isso são chamados de o segundo cérebro"?

minha nossa! - intervalo para dizer que chapei de imediato e não, não me caguei, eu disse chapei - esta informação mudou a minha percepção da vida.

já tinha uma certa desconfiança de que para fazer merda era necessário um certo esforço e uma refinada elaboração ao contrário do que possa parecer de que fazer merda é fácil, tamanha quantidade e, sim senhor, falta de qualidade. isto posto, passamos a ter o conhecimento de que não devemos pensar que produzir merda é algo assim que se faça sem compromisso e concentração. não senhor. já sabemos agora que exige muito neurônio e um longo caminho, o que antes aprendíamos ainda na escola frequentada de calças curtas.

a minha visão de mundo - a tal da weltanschauung, diria eu,utilizando,creio nem uma fração incapaz de melar a cueca dos tais neurônios - metamorfoseia-se agora de forma quase radical. tive uma cólica dos sentidos. creio que devo fazer uma mea culpa por ter despejado tantos impropérios em todos aqueles que julguei produzir merda, seja na minha atividade - jornalismo e publicidade, resumidamente - seja naqueles campos em que meto o bedelho e, consequentemente, onde também escapole, de vez em quando, alguma diarreia para além da verbal/conceitual. 

se levasse ao pé da letra, em vez do desprezo, teria agora o respeito; em vez do dar de ombros, eis o ombro amigo; em vez da implacável mania de assepsia estética, a aposentadoria definitiva dos conceitos rebuscados de equilíbrio, proporcionalidade e harmonia, enfim da formação do bom-gosto. tudo em nome a veneração dos tais cem milhões de neurônios confirmados e confinados à tal produção de elemento tão culturalmente importante e que pode ser visto, ouvido, sentido, comido ou estocado, neste brasil onde certamente, por baixo, são cerca de duzentos milhões de cérebros(imagine isto multiplicado pela quantidade de neurônios do intestino) a consumir/produzir/consumir, uma infinidade de merda tal a começar do tal iogurte. 

mas como não levarei ao pé da letra - nem fodendo - adeus iogurte; com sua produção de falsa cultura lacto-bacilar, cuja única função é coibir ou embromar a percepção do que vem depois da abertura da embalagem: uma quantidade de conservantes, espessantes, e demais co-atuantes que ao fim e ao cabo acabam por dar um nó em nossos neurônios. os tais e os demais.

que venha então, e salve, a coalhada caseira. sem sustos e sem embalagens subliminares. sem esquecer do detalhe, de que tem de ser feita do leite produzido no estábulo ou vacaria, de vacas que pastam sem hormônios, que matam moscas com chibatadas de quebrar munhecas e que vivem e nos dão a consciência e consistência de um mundo que, este sim, torna-se-á mais saudável na medida em que aprendemos consistentemente que merda é merda. e que seu cheiro, tão peculiar e natural, assim o é, para que não engane ninguém. ao contrário do iogurte industrializado, onde cem milhões de neurônios são colocados ao serviço de engalobar 86 bilhões dos que pensam que tem cabeça ao consumir tal produto.

neste caso, toda a merda - a consumida e expelida - vem dai ou ai desemboca.

Tuesday, January 14, 2014

i´m a believer


acredite! você vai fazer muito mais merda ou grandes merdas quando estiver por cima e sóbrio do que quando estiver por baixo e confuso. isso se já não fez uma merda daquelas. 

mas neste caso não se preocupe. é o tipo de situação que se repete, indefinidamente e, ao que parece, cada vez mais e mais, desde o começo da nossa pretensa humanidade.

Friday, January 10, 2014

organza






" aqui eu moro sozinho, não tenho vizinho, até aqui não tem caminho.
aqui eu vivo isolado, e muito bem obrigado,não quero ser perturbado.
aqui eu passo tranquilo, longe de tudo aquilo que nunca fez meu estilo, se alguém morar pra estes lados o que eu quero é não ser importunado".
(matanza, a menor paciência pra isso, no cd/vinil odiosa natureza humana)







já faz tempo. deixei de me preocupar com o que pensam as gentes. sobre mim ou sobre as gentes. se dúvidas haviam, facebooks, e seus comentários, idem demais redes sociais, donde a estupidez, a velhacaria, a tonteria, a filhadaputice torneada, esborra até os portais, metidos a sério mas assumidamente idiotas ou idiotas assumindo-se a sério, estirparam qualquer delas. nem preciso das barbaridades enciclopédicas que a história registra sobre a vilania e maldades humanas ou da mais rasa chamada de telejornal plim-plim.

a tarja humana não me interessa mais. de há muito, apenas, animais; e garanto-lhes que a rima não é proposital, sem necessidade da natureza noves fora.

isso não quer dizer que agora vá abraçar os dragões de komodo e vivê-los à bitocas. ou que passe a desprezar por completo os rabos das loiras e morenas com cabeças de lagartixa. buracos sempre são mais embaixo. mas os estragos são sempre mais em cima. isto é o ser humano, eternamente corcunda.

aliás, nem posso dizer que gente é pra se foder e só. porque gente se fode sozinha até não mais poder. eis a questão, puída da palavras chave: poder-foder, ou vice-versa. 

gatos roronando, cachorros abanando o rabo, jegues zurrando, cabritos berrando, canto das minhocas que seja. até eu surfando ao cantar cabe. no meu quintal mental a confusão tende a se complementar. e com sorte até me sentirei como aqueles que nunca ficaram em gaiolas.

talvez por querer ter sido tão humano eu finalmente tenha me tornado um completo animal. mas nunca de estimação com suas baixas auto-estimas.

*http://www.youtube.com/watch?v=vFAAITsk1uk (para o post ficar mais divertido)


Friday, January 03, 2014

sem resposta

pra trás gentes sem resposta. tal como fiquei dias, meses, anos, décadas, vidas de também ou talvez isso já não importa.

quem disso tudo faça poesia ou remoa em azia crônica de boa ou má qualidade há. em folga equivocada não me dá o tempo essa sensibilidade. 

o que me assunta, é tanto de gente, pouca que seja, que se encontra e se dispersa e não se desperta perguntinha micha que fosse, pois algo me diz que lá isso das não perguntas é o que nos define como parte das gentes sem respostas.

Tuesday, December 31, 2013

instantâneaidade



das chamadas artes que combinam tecnologia com domínio artístico(leia-se estético) creio que a fotografia é mais terrível delas no sentido de que é uma verdadeira bruxaria. ora nos mostra como verdadeiramente somos e não nos vemos. ora nos mostra como não somos e como queremos acreditar que assim o somos - do jeito que a fotografia nos mostrou(escondendo ou amplificando).

ressalto que assim falando, não trato aqui dos desmandos do "photoshop", generalizando tal nomeação refe/rindo-me a programas de edição ao que capta a máquina. mas sim do instantâneo/eterno momento do click, onde se configura o plasma entre os olhos olhados e olho que tudo vê e nega ou revela em sua extrema vilania ou sabedoria sem que o fotógrafo possa intervir pensando ele que assim sempre o faz.

e assim cumpre-se o vaticínio da cisma indígena: "nos rouba a alma". os que a tem devem evitá-la, principalmente nos dias de hoje onde uma medusa(a mídia) espalha estagiários de tal bruxaria em nível de quinta categoria com dispositivos ainda mais aguçados em disparar a torto e a direito configurações que a relatividade das coisas acrescenta ou suprime da realidade. 

susan sontag que o diga ou teria interpretado mal?

Thursday, December 26, 2013

epitafista

mais do que as pessoas que eu não tive - ou que tive e não soube ter - dos lugares que pretendia ir ou que estive mesmo sem saber; das músicas que compus e pus tudo a perder; do que escrevi e rasguei ou publiquei sem reescrever, o que dói mesmo - tristeza, sufoco e fim de mundo - é ter a fodida certeza de morrer sem ler os livros que eu tive, queria, e quando pouco, dos que deveria ter pensado em ler.

Saturday, December 14, 2013

batendo o olho

  • estes meus olhos etílicos já viram e ouviram coisas que smart-phone nenhum verá ou ouvirá com ou sem android. (chupa esta manga apple/sansung).



Thursday, December 12, 2013

moinhos ao vento

nada acontece sem o acaso - o que é muito diferente de acontecer por acaso. 
acontecer no acaso exige uma preparação dos diabos em (e de) todos os sentidos.
o que acontece tão somente por maquinação é o quase. e o quase tal como a punheta é como o moinho a fingir parado o movimento que já não sente. 

Thursday, December 05, 2013

sustentabilidade













aqueles olhos verdes de mar nunca olhavam para aqueloutros azuis de céu
astrolábios.

cabisbaixos, aqueloutros verdes de mar, tão duros de sal e sol, fizeram-se molhes ao peso do mar daqueloutros olhos azuis se afundando em lágrimas que rompiam diques em picos de sal e só.

na areia e na testa, na fronte e na nuca do nunca rutilar, restam sul e sal num bico de gaivota que entreolhos afogou-se de tanto esperar.

Monday, November 25, 2013

até de si própria a beleza um dia cansa

nada mais fugaz do que a beleza e a gostosura(ainda mais agora) das mulheres.

mas também é límpido e certo, de que nada nos causa impressão mais duradoura - até sexualmente falando - do que esta mesma beleza e tesoice
passageira.

para alguns/algumas a beleza finda por ser um castigo eterno enquanto houver memória.

Tuesday, November 12, 2013

incondicional


quero crer que proteger é sempre melhor do que ser protegido. quem protege a outrem acaba sempre se protegendo também. inclusive de si próprio.

Monday, November 04, 2013

quase tenor

procurei a professora de canto e disse-lhe na bucha, sem solfejo: não vim aqui aprender a cantar, porque cantar eu já sinto - para não dizer eu já sei. vim aprender a respirar, porque isso eu já não canto. a isto podes me ensinar? pausa e mais pausas. não me deu a mínima ou seria semi-mínima?
bom, de qualquer jeito eu continuo respirando;mal e "porcamente", mas vou levando. até quem sabe encontrar o diafragma  numa boa ou faça disso o meu registro, apesar dos pesares contralto.


Sunday, October 06, 2013

é como vovó já dizia

olhos marejados, minha vó olhou para suas pernas marrons de erisipela e disse-me num tom de tristeza que não saberia anos a quantos iria me marcar: -  estas pernas já foram tão bonitas.

anos passados, olho as minhas. e compreendo algo do todo que me escapou naquele dia, muito embora levemente sentisse o peso, não sei se das palavras ou das pernas.

sei hoje que não era de estética que minha vó falava. era das sombras da morte; que já lhe subiam por entre as veias dilatadas para nunca mais voltar.

que será da minhas, já que nem posso aguar que já foram belas?

Saturday, September 28, 2013

até mesmo se tivesse a certeza de que dias melhores não virão

se há coisa que me recordo é que nas situações de agonia ou êxtase eu nunca me abandonei. penso que isso faz uma diferença enorme na hora de abandonar ou ser abandonado.

Thursday, August 29, 2013

sem talvez












em mim, toda dor do mundo. dentro dela, não cabe ninguém, apenas vazio de mim em mim. não mais tudo que um dia foi não e sim. agora é só e fim.

Thursday, August 08, 2013

arpoador nos anos 70

às vezes quase me esqueço de envelhecer. mas meu corpo lembra.
o que a memória lembra o corpo desfaz lentamente. ou de supetão.
por isso às vezes, já não me importo se quase me esqueço de te esquecer. o meu coração já faz por ti e por mim o que eu devíamos fazer há muito tempo.
esquecer sem lembrar que é preciso bater cada vez mais silenciosamente para deveras ser esquecido até o completamente batido.

Tuesday, July 30, 2013

escrevendo certo por balas tortas?

ai do cidadão comum que fizer rota do papa de janela aberta(fechada também não faz muita diferença).
onde balas perdidas que só acham inocentes? é deus?

Monday, July 29, 2013

" hábito vencido pelo hábito"

já se tornou um hábito. cenas de histeria geral em torno do papa, enterram de vez as minhas possibilidades de crença em divindades, ainda mais nas que peidam.

Sunday, July 14, 2013

o anti-sacoleiro do sucesso

anônimo um dos nossos maiores escritores que mata paulos e coelhos de uma só cajadada.



sucesso,se inevitável for, que venha por ideais. agora idealizar sucesso; é bosta pura - ou seria impura?

Monday, July 08, 2013

fiat-lux

diz, e mostra, a história, que alguns eventos e pessoas passaram em branco de tão adiantados para o seu tempo.
eis o fósforo para compreensão de uma sociedade onde os obscuros fazem história enquanto os iluminados são incompreendidos.

Friday, July 05, 2013

o ministério da saúde avisa

de vez em quando me vem à língua gosto de amores interrompidos com sabor de cigarros abandonados no balcão; principalmente depois do cafezinho. donde concluo, que destes vícios todos -  mulheres, cigarros e cafés - todos de matar de bom ou de ruim, a fumaça das lembranças é o que mais canceriza quem se torna avesso à vida.

Sunday, June 02, 2013

tardes de alpendre

do meu casebre, de contas pagas, banhos frios, e moedas catadas nos forros das bermudas, eu observo os condomínios de carnês e as mansões de prestações, com suas guaritas e outras mazelas. nelas, passarinhos e outros animais de duas ou mais patas que lá vivem, vivem escravos as gaiolas que cada vez mais se tornam alçapões.

no meu casebre, não existem gaiolas. passarinhos e animais de todo o tipo entram e ficam à vontade e assim também se sentem para ir embora. enquanto não, dividimos migalhas de pão. juntamente com a brisa, uns assobiam, outros latem, outros miam, outros simplesmente espreguiçam,a canção da liberdade que eu tento não desafinar com meus assobios que riem do meu bico.

Sunday, May 19, 2013

it´s not easy












 "be  something you love and understand"
(ronnnie van zant, lynyrd skinyrd, simple man)

Friday, May 10, 2013

I understand that you're confused ou tocomusicadeouvido.blogspot.com*










Rilkean heart I looked for you
To give me transcendent experiences
To transport me out of self and aloneness
And alienation into a sense of
Oneness and connection ecstatic and magical
I became a junkie for it
I came looking for the next high
And I'm sorry
I've been putting the search on the wrong place
I understand that you're confused
Feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then
The reality, with...

Becoming truly self-reliant and become connected
With something beyond me
That is where I have to go
I'm so sorry I've been putting the search on the wrong place
You're lost and don't know what to do
But that's not all of you
That's your reality today
And that is all okay

 * se você gosta de outras músicas vá até o endereço e decepcione-se: não tocamos sertanejo(nem universitário nem anafalbeto) pagode ou axé. apenas música que as pedras, plantas e animais ouvem(as gentes ensuderceram faz tempo).

 in tempo: abaixo a letra completa de rilkean heart que estranhamente não ouvimos cantadas em nenhuma das versões originais do cocteau(sequer no locais onde a compilamos) mas que são cantadas pela fae wong(cover made in china - escute sem preconceito)

Rilkean Heart
I looked for you to give me transcendent experiences
To transport me out of self and aloneness sent alienation
Into a sense of oneness and connection, ecstatic and magical
I became a junkie for it
I come looking for the next high and I'm sorry I've been putting the search
on the wrong place

I understand that you're confused, feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then, the reality

With cleaning up my emotional life and getting in touch with myself
I'm beginning to ground myself in my own sense of being as an entity
One entity on the planet,
Becoming truly self reliant
And become connected with something beyond me
That is where I have to go
I'm so sorry I've been putting the search on the wrong place

You're lost and don't know what to do
But that's not all of you
That's your reality today
And that is all okay

I understand that you're confused, feeling overwhelmed
Well that's a feeling state from then, the reality

Rilkean heart

Rilkean
heart x7
I'm lost I don't know what to do
It's not all on you
That's the reality today
Right now it's all okay
I understand that you're confused
Feeling overwhelmed
Love's a feeling straight from then
The reality


Thursday, May 09, 2013

da utópica sustentabilidade existencial


....condição paradoxal do ser humano – solitário e frágil, mas almejando a totalidade....(na cult, sobre o "claustrofóbico" sokurov acerca de seu filme fausto.

Wednesday, May 08, 2013

cláusula petra




“as dores viram água, e pouco a pouco viram memória” - petra costa,in elena, filme que estréia por agora.

Thursday, January 17, 2013

quem acha vive se perdendo

Como a gente se perde! A linguagem que o meu sangue entende — é esta. A comida que o meu estômago deseja — é esta. O chão que os meus pés sabem pisar — é este. E, contudo, eu não sou já daqui. Pareço uma destas árvores que se transplantam, que têm má saúde no país novo, mas que morrem se voltam à terra natal. Miguel Torga.

Wednesday, January 02, 2013

o que pode ser melhor que amar?


 “O que resta pra você fazer numa idade em que a maioria da população adolescente de todos os lugares decidiu que você é o cara? A oferta era incrível. Seis meses antes eu não achava ninguém para transar – tinha de pagar, se quisesse muito.

Uma hora não existe mulher nenhuma para mim no mundo. Não tem jeito, elas só ficam no ‘bla bla bla bla’. No instante seguinte, ficam rodeando você sem parar. E então você fica: uau! Quando troquei o desodorante, as coisas definitivamente melhoraram. Então é isso que elas querem? Fama? Dinheiro? 

Ou é pra valer? E, claro, como você nunca teve chance com mulheres bonitas, começa a ficar desconfiado.

Fui salvo mais vezes por mulheres do que por homens. Às vezes, só um leve abraço e um beijinho, sem mais nada. Só me mantenha aquecido por essa noite, só um segurando a onda do outro enquanto as coisas estão difíceis, quando está tudo uma dureza. E eu digo: “Porra, por que você está se importando comigo quando sabe muito bem que sou um filho da puta e amanhã vou dar no pé?”. “Não sei. Acho que vale a pena”, ela diz. “Bom, não vou ficar discutindo”. A primeira vez que isso rolou foi com uma turma de mocinhas inglesas em algum lugar no Norte, naquela nossa primeira turnê (1961/1962). Depois do show você vai para o bar ou para um pub, e do nada acaba no quarto do hotel com uma garota muito, muito legal, que está indo fazer faculdade em Sheffield, estudar Sociologia e sei lá o que, e que decidiu ser especialmente legal com você. “Achei que você fosse uma moça esperta. Eu sou guitarrista. Só estou de passagem”. E ela diz: “É, só que eu gosto de você”. Gostar ás vezes é melhor do que amar.

No final dos anos 50, os adolescentes eram o novo mercado visado pela publicidade. Teenager é um termo inventado pela publicidade, uma expressão bem calculista. Ao chama-los de teenagers foi criado todo um movimento entre os adolescentes, uma espécie de autoconsciência, que originou um mercado não só para roupas e cosméticos, mas também para música e literatura e tudo mais. Essa faixa etária acabou sendo etiquetada à parte. E houve uma verdadeira explosão, um lote inteiro de púberes quebrando a casca do ovo e brotando naquela época. Beatlemania e Stonemania. Aquelas eram justamente as meninas que estavam morrendo de vontade de viver alguma outra coisa. Quatro ou cinco sujeitos magrelos ofereceram a válvula de escape, mas elas a teriam encontrado em qualquer outro lugar.
Nunca me esqueço do poder das adolescentes de treze, catorze, quinze anos, quando elas estão em bando. Elas quase me mataram. Nunca senti tanto medo de perder a vida como quando me vi cercado por adolescentes. Elas me esganaram, me rasgaram as roupas, a carne, e quando o bando entra nesse nível de frenesi, é difícil descrever, expressar o quanto é aterrorizante. Os policias fugindo apavorados, e então resta só você diante da carnificina que essas emoções descontroladas podem causar. Acho que foi em Middlesbrought. Eu não conseguia entrar no carro. Eu tentava entrar e aquelas malditas me arrancavam os pedaços. O problema é que quando pegam você, não sabem o que fazer. Quase me estrangularam com um colar, uma ficou agarrada nele de um lado, a outra puxando o colar do outro, “Keith, Keith”, e enquanto isso me esmagavam. O motorista entrou em pânico. O resto dos caras já tinha entrado no carro e ele simplesmente decidiu que não estava a fim de esperar. Fiquei ali, sozinho no meio daquela aldeia de hienas desvairadas. A próxima coisa que me lembro é de que acordei num beco perto da porta de acesso ao palco, porque evidentemente os policiais tinham tirado as pessoas. Eu tinha desmaiado por sufocação. Elas todas estavam em cima de mim: “O que vocês querem de mim agora que me pegaram?”.
Lembro de uma cena de contato real com essas meninas, um momento completamente inesperado, uma vinheta. O céu está carregado, dia de folga! Subitamente despenca uma tempestade. Do lado de fora do hotel vejo três fãs das mais fanáticas. O penteado bufante delas está sucumbindo sob a força das águas, mas elas não saem de lá. O que o pobre músico pode fazer? “Entrem aqui, meninas”. Meu cubículo está agora entupido com três garotas encharcadas. Elas soltam vapor, tremem. Ensopam meu quarto. O penteado das três, um desastre. Elas estão tremendo por causa da tempestade e porque estão no quarto de seu ídolo. Reina a confusão. Uma coisa é tocar do palco para elas, outra é ficar cara a cara. Toalhas se tornam uma coisa muito importante, assim como o banheiro. Elas fazem uma precária tentativa de se ressuscitar. Todos nervosos, tremenda tensão. Eu lhes ofereço café temperado com bourbon, mas não há nem vestígio de sexo no ar. Ficamos sentados conversando e rindo, até o céu limpar. Eu chamo um taxi para elas. Despedimo-nos como amigos.”
 
("Gostar às vezes é melhor que amar" (by mac) - Trecho de “Vida”, autobiografia de Keith Richards lançada no Brasil pela Editora Globo)

Friday, December 21, 2012

deus e o diabo na terra do sol

da escuridão à luz, combate insidioso. aquilo que creditam ao "diabo", obra de "deus". e tudo o mais que creditam a "deus", obra do "diabo".

Friday, December 07, 2012

poemeto nas coxas

umbigo de mulher é fonte! 

descendo, para qualquer dos lados, espeleologia ou diga caving. 

subindo, é montanhismo. e nuca, cume com + nuvens q monte de vênus. 
e ainda tem os olhos e a boca onde na face norte o beijo te assalta bem debaixo do teu nariz. 

e pimba! não segurou? num triz é o créu,lá embaixo o quente frio do calafrio, membro cabeça e corpo que retesa solta e aperta tal qual num adeus cheio de tesão.

pra subir de novo? ab ovo? meia hora na base da gemada. bebido com clara e tudo, devidamente reforçado por um x-tudo.