Friday, January 30, 2009

it´s rainning again


sempre cai, a chuva, em cima de quem não precisa.

nas horas mais imprecisas, seja homem, seja terra, seja bicho, seja grota, está lá, a molhar os ossos de quem já moles, e a empapar em fúria os sonhos de barro tornados lama, de quem agora só insônia, nunca mais sequer pesadelos.

não é esta, aquela, cuja falta murcha flores, atrofia frutos, e murcha peles e intestinos. esta chuva é o reverso do sol crescente do here come the sun. é água cheia de trombas, cornucópia de males a estoirar a caixa de pandora. de tão fininha molha o que mais se esconde.

não é mais forçoso, nem certo dizer, que a vida vem da água tão-somente. agora, a morte também, em dilúvios particulares, mais desastrosos que os coletivos, num molhar histérico e circunflexo. vem da chuva, a morte que não mais esgana, apenas engasga. e não é de meteoritos, nem tóxica. tampouco corredeira de lágrimas espremidas em lenços ou lençóis de vingança. é água mole mesmo. da natureza cada vez mais morta. derretendo, apodrecendo e liquidamente nos transformando em brutos sinais do fim de quem agora arrepende-se de não ter podido morrer seco.

contra esta chuva não há guarda-sóis.
Now playing: travis - why does it always rain on me viaFoxyTunes

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